Tenho medo de te olhar nos olhos porque devo-te tanto

Tenho medo de te olhar nos olhos porque devo-te tanto

Tenho medo de me olhar nos olhos porque devo-me tanto. Sou ainda aquela menina que sente o peso do mundo nos ombros. Sou aquela menina que sonhava com a igualdade de oportunidades no mundo todo, que almejava talvez mais do que alguma vez poderia alcançar. Sou aquela menina para quem ainda custa acreditar que tanta maldade pode existir num único ser-humano mas que se recusa a acreditar que esse alguém não pode mudar.

Sou a menina que sonha mudar o mundo pela força de um papel e de uma caneta, mas também pela voz e o exemplo. A mulher que hoje vos escreve deve muito a essa menina cheia de sonhos. Deve ao mundo mais entrega, mais empenho, mais esforço e dedicação ainda que seja só para mudar o mundo de alguém.

contioutra.com - Tenho medo de te olhar nos olhos porque devo-te tanto
Quero um dia olhar nos olhos da menina que fui e dizer: Eu cumpri! Fiz tudo o que estava ao meu alcance para ser uma pessoa melhor e despertar bons sentimentos nos outros. Fui fiel a mim mesma, às minhas convicções e procurei concretizar todos os meus sonhos…

Quero um dia olhar nos olhos da menina que fui e dizer: Eu cumpri! Fiz tudo o que estava ao meu alcance para ser uma pessoa melhor e despertar bons sentimentos nos outros. Fui fiel a mim mesma, às minhas convicções e procurei concretizar todos os meus sonhos…

Devo-te o mundo Marline. Devo-te a tranquilidade e a força necessária para realizares os teus sonhos, a força de vontade, a coragem e a resiliência sem os quais de nada vale sair do sofá. A mulher que sou hoje está a deixar os dias passarem por si com medo de viver, medo de estar, medo de ser e sentir-se tal e qual como é.

Marline menina: ensinaste-me como ser feliz e grata todos os dias e por isso quando a tristeza começou a querer apoderar-se dos meus dias quis voltar ao passado para recuperar-te e voltar a ser o que até então tinha sido: feliz! Não consegui. E pensei, durante muito tempo, que estava a travar uma luta interna para trazer de volta aquela pessoa que fui. Não estava ou melhor, já não estou. Travo uma luta interna sim mas não para ser a Marline de ontem, mas para ser quem sou hoje. A Marline de hoje, de agora, que está ausente de si mesma. Mas sobre isto escreverei noutra oportunidade.

À Marline menina, à Marline mulher e à Marline do futuro quero apenas dizer que tudo farei para não vos desiludir. E não vos desiludir é não esquecer o meu propósito no mundo, o meu sentido de contributo. A minha maior alegria, o meu maior reconhecimento, seria um dia alguém dizer: O mundo hoje está melhor porque tu viveste. E aí sei que tudo terá valido a pena.

Marline Pereira

1 De Novembro de 2015.

 

Cartas de Amor, por Rubem Alves

Cartas de Amor, por Rubem Alves

Leio e releio o poema de Álvaro de Campos. Oscilo. Não sei se devo acreditar ou duvidar. Se acredito, duvido. Duvido porque acredito. Pois foi ele mesmo quem disse – ou melhor, o seu outro, o Fernando Pessoa – que ele era um fingidor. “Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas…”

Tenho no meu escritório a reprodução de uma das telas mais delicadas que conheço, Mulher lendo uma carta, de Johannes Vermeer (1632-1675). Uma mulher, de pé, lê uma carta. O seu rosto está iluminado pela luz da janela. Seus olhos lêem o que está escrito naquela folha de papel que suas mãos seguram, a boca ligeiramente entreaberta, quase num sorriso. De tão absorta, ela nem se dá conta da cadeira, ao seu lado. Lê de pé. Penso ser capaz de reconstituir os momentos que antecedem este que o pintor fixou. Pancadas na porta interromperam as rotinas domésticas que a ocupavam. Ela vai abrir e lá estava o carteiro, com uma carta na mão. Pela simples leitura do seu nome, no envelope, ela identifica o remetente. Ela toma a carta e, com este gesto, toca uma mão muito distante. Para isto se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias, não para contar nada, não para repetir as coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel. Barthes cita estas palavras de Goethe:

Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque, na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel…

Volto ao Álvaro de Campos. Será esta a razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas realmente querem fazer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isto que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente desejam realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora de lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente. Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro.

Aquela carta fez tudo parar. A mulher fecha a porta e caminha pela casa sem nada ver, buscando uma coisa apenas, a luz, o lugar onde as palavras ficarão luminosas. Que lhe importa a cadeira? Esqueceu-se de que está grávida. Seus olhos caminham pelas palavras que saíram das mesmas mãos que a abraçaram. Seu corpo está suspenso naquele momento mágico de carinho impossível que aquele pequeno pedaço de papel abriu no tempo do seu cotidiano.

Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões. A mulher está só. Se há outras pessoas na casa, ela as deixou. Bem pode ser que as coisas que estão nela escritas não sejam nenhum segredo, que possam ser contadas a todos. Mas, para que a carta seja de amor, ela tem de ser lida em solidão. Como se o amante estivesse dizendo: “Escrevo para que você fique sozinha…”. É este ato de leitura solitária que estabelece a cumplicidade. Pois foi da solidão que a carta nasceu. A carta de amor é o objeto que o amante faz para tornar suportável o seu abandono.

Olho para o céu. Vejo a Alfa Centauro. Os astrônomos me dizem que a estrela que agora vejo é a estrela que foi, há dois anos. Pois foi este o tempo que sua luz levou para chegar até os meus olhos. O que eu vejo é o que não mais existe. E será inútil que eu me pergunte: “Como será ela agora? Existirá ainda?”. Respostas a estas perguntas eu só vou conseguir daqui a dois anos, quando a sua luz chegar até mim. A sua luz está sempre atrasada. Vejo sempre aquilo que já foi… Nisto as cartas se parecem com as estrelas. A carta que a mulher tem nas mãos, que marca o seu momento de solidão, pertence a um momento que não existe mais. Ela nada diz sobre o presente do amante distante. Daí a sua dor. O amante que escreve alonga os seus braços para um momento que ainda não existe. A amante que lê alonga os seus braços para um momento que não mais existe. A carta de amor é um abraçar do vazio…

“Ainda bem que o telefone existe”, retrucarão os namorados modernos, que não mais têm de viver o amor no espaço das ausências. Engano. Um telefonema não é uma carta falada. Pois lhe falta o essencial: o silêncio da solidão, a calma da caneta pousada sobre a mesa que espera e escolhe pensamentos e palavras. O telefone põe a solidão a perder. Num telefonema a gente nunca diz aquilo que se diria numa carta. Por exemplo: “Eu ia andando pela rua quando, de repente, vi um ipê-rosa florido que me fez lembrar aquela vez…”. Ou: “Relendo os poemas de Neruda encontrei este que, imagino, você gostará de ler…”.

A diferença entre a carta e o telefone é simples. O telefone é impositivo. A conversa tem de acontecer naquele momento. Falta-lhe o ingrediente essencial da palavra que é dita sem esperar resposta. E, uma vez terminado, os dois amantes estão de mãos vazias.

Mas a mulher tem nas mãos uma carta. A carta é um objeto. Se não tivesse podido recolher-se à sua solidão, ela poderia tê-la guardado no bolso, na deliciosa espera do momento oportuno. O telefonema não pode esperar. A carta é paciente. Guarda as suas palavras. E, depois de lida, poderá ser relida. Ou simplesmente acariciada. Uma carta contra o rosto – poderá haver coisa mais terna? Uma carta é mais que uma mensagem. Mesmo antes de ser lida, ainda dentro do envelope fechado, tem a qualidade de um sacramento: presença sensível de uma felicidade invisível…

Estes pensamentos me vieram depois de ler as cartas de um jovem cientista, Albert Einstein, à sua amada, Mileva Maric’. Foram elas que me fizeram ir ao poema do Álvaro de Campos: ridículas. Todas as cartas de amor são ridículas. Acho que os editores pensaram o mesmo. E como desculpa para o seu gesto indiscreto de tornar público o ridículo que era segredo de dois amantes, escreveram uma longa e erudita introdução que transformou as ridículas cartas de amor em documentos da história da ciência. Valem porque, misturadas ao ridículo de que os amantes se alimentam, se encontram pistas que dão aos historiadores as chaves para a compreensão das “fontes do desenvolvimento emocional e intelectual dos correspondentes”. Não sabendo o que fazer com o amor (ridículo), colocaram-nas na arqueologia da ciência.

Foi então que o quadro de Vermeer me fez ver a cena que as cartas escondem. E a mulher com a carta na mão e uma criança na barriga? Ela bem que poderia ser Mileva, grávida de uma filha ilegítima, que foi dada para adoção, e sobre quem nada se sabe. A criança foi dada. Mas as cartas foram guardadas. E que razões poderia ter uma pessoa para guardar cartas ridículas? O seu rosto absorto e os lábios entreabertos nos dão a resposta: para aqueles que amam as ridículas cartas de amor são sempre sublimes.

Volto ao poema do Álvaro de Campos e encontro lá o que faltava para fechar a cena: “Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor são ridículas”.

Sobre a vida e os arrependimentos que carregamos

Sobre a vida e os arrependimentos que carregamos
 

O amor antigo- Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo- Carlos Drummond de Andrade

Uma homenagem do CONTI outra para Maria Aparecida Cruz Silva, nossa querida leitora.

O amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

Fonte indicada:Drummond Memória Viva

A tirania do hábito e a liberdade para as borboletas

A tirania do hábito e a liberdade para as borboletas

É difícil viver à revelia, sem algumas regras, horários, repetições? Sim, extremamente difícil. A gente se perde fácil, se desorganiza, se atropela, esquece prioridades e viaja nas “desnecessariedades”. Isso porque não há um norte, nada para guiar nem contestar nem nos frear.

Todo mundo precisa de um mínimo de orientação para o dia, para a casa, o trabalho, para a vida. E esse mínimo é particular, cada qual sabe do seu.

Pouco adianta levantar as bandeiras da liberdade integral e querer a todo custo se libertar de horários e convenções, porque definitivamente não funciona. E não funciona de cara, naquele momento em que você sai de casa e vai comprar o pão, mas a padaria está fechada porque o padeiro resolveu ter o mesmo direito que o seu, à liberdade de só fazer o que bem entender. Há regras a seguir, melhor que joguemos a favor delas.

Tenho uma amiga que vez por outra tira um dia e o chama de: liberdade para as borboletas. E ela nem telefone atende. É encantadora a maneira como ela cultiva esse dia, curtindo tudo o que quer fazer, passeando, comendo em lugares diferentes, conversando com as pessoas… ela realmente consegue a mágica de se desligar do hábito e entrar no mundo das borboletas. O problema é sair dele, mas isso já é outro assunto.

Já eu, sou escrava do hábito, assumida, chateada por nem poder contestar o título que carrego. Sou totalmente ligada em horários, não atraso nunca, faço o dia render ao máximo e descompenso quando algo me tira da rotina. Bom para mim? Não, bom para o meu trabalho, bom para quem me aguarda pois não os faço esperar, bom para a organização da casa em que vivo, bom para meus gatos que estão sempre bem atendidos, mas… é muito hábito para pouca vida, é muita produção para pouca diversão, muito resultado para pouca paixão.

O hábito é um tirano. Ele pega uma pessoa e a transforma em máquina. Maquina de fazer repetições. O hábito é um bruxo. Ele transforma as tarefas em desafios, o tempo em inimigo, as pausas em culpa, os anseios em frescura.

O hábito coloca a gente dentro da roda de um hamster e continua a dizer: – Faça tudo da mesma maneira, ou a roda parará e você não saberá mais como agir.

Por tempos eu acreditei nisso, mas agora, mais velha, vejo-me apegar um pouquinho mais pela teoria das “borboletas” de minha amiga. Neste momento, estou tentando fazer um acordo com o tirano. Cumpro o necessário e ele me libera para curtir o inesperado!

Os 12 ingredientes fundamentais para o amor maduro – Aaron Beck

Os 12 ingredientes fundamentais para o amor maduro – Aaron Beck

Os sentimentos de ardor substituem a intensidade do fascínio (o pensamento obsessivo sobre o ser amado, a idealização, o intenso desejo de estarem juntos, os altos e baixos, os picos e os vales, o júbilo quando estão juntos e o desespero quando estão separados) com o correr do tempo. Mas, a menos que se rompa, o laço amoroso persiste. Casais casados há mais de quarenta anos me disseram que se sentem tocados emocionalmente quando se veem, como ocorria há décadas.

desvelo é acreditar e deixar que o parceiro saiba que “você é importante para mim. Preocupo-me com o que aconteça a você. Vou zelar por você”. Dois grandes aspectos desse desvelo estão em se preocupar com o bem-estar do companheiro e estar pronto para ajudá-lo ou protegê-lo. Ao contrário da governanta assalariada, que tem um trabalho a fazer, você ajuda o seu companheiro porque gosta dele e porque sente algo especial por ele. Assim, a preocupação e a afeição são essenciais para o desvelo.

Expressões de afeto são formas óbvias de fomentar sentimentos de ardor no companheiro, tão óbvias que discuti-las pareceria supérfluo. Entretanto, com o evoluir do casamento, os gestos de afeto como abraçar, cochichar palavras de amor cada vez mais se limitam ao quarto de dormir. E, nos casamentos em conflito, podem desaparecer por completo.

aceitação tende a ser incondicional no relacionamento amoroso maduro. Você consegue reconhecer as diferenças nas ideias sobre religião, política, e sobre as pessoas sem que se façam críticas ásperas nos pontos de divergência; você consegue aceitar as fraquezas do companheiro sem agir como juiz. Essa aceitação é profundamente tranquilizadora. Dá a cada um uma sensação de aceitação de si mesmos. Se o casal puder se aceitar totalmente – seja o que for – , pode relaxar e baixar a guarda. […] Claro que aceitação não significa fechar os olhos para as falhas do outro, mas, numa atmosfera de aceitação, você consegue elaborar com o seu companheiro tudo o que vem contra e interfere no relacionamento. Note que se o amor for condicionado ao “bom comportamento”, você nunca conseguirá a intimidade que é possível quando o amor é gratuito e o bom comportamento, uma meta elaborada pelos dois juntos.

Empatia é a capacidade de sintonizar com os sentimentos do parceiro – de experimentar, em certa medida, o seu sofrimento ou prazer, a sua dor ou alegria. Quando as pessoas se atormentam com preocupações ou fortes emoções, sejam de tristeza ou de euforia, podem temporariamente perder a faculdade empática.

Sensibilidade às preocupações e aos pontos vulneráveis do parceiro é elemento essencial quando se quer reduzir os sofrimentos desnecessários. Embora algumas pessoas tenham mais sensibilidade do que outras, trata-se de uma qualidade que pode ser cultivada. Se o parceiro reagir de forma exagerada a certas coisas que você faz, por exemplo, em vez de ser crítico ou defensivo, pare para considerar qual o problema que subjaz à reação. Explore com delicadeza os temores e as preocupações mais íntimas dele. Resista à tentação de atribuir a reação exagerada a um traço indesejável de caráter, como impulsividade ou necessidade de controle. Perceba que tais reações são sinais de vulnerabilidades ocultas.

compreensão é semelhante à sensibilidade mas acarreta outra qualidade. Quando o parceiro fala de um problema, ele pode sentir-se compreendido sem ter de especificar todos os pormenores. Além disso, compreender significa ver os episódios com os olhos do outro. […] A compreensão mútua é uma das primeiras vítimas dos conflitos conjugais, manifestando-se pelo lamento: “Simplesmente não entendo porque ele (ela) age dessa forma.” Parte das dificuldades está em que os casais em conflito atuam em desacordo com o seu lado mais amoroso: assumem posturas rígidas ou tentam desprezar as atitudes do outro. Um problema mais sério é que, ao se intensificar o conflito, começam a interpretar mal as ações do outro. Logo os erros de interpretação acumulados liquidam com toda e qualquer compreensão possível.

companheirismo é muito apreciado no início do relacionamento mas parece se dissipar com o passar do tempo. À medida que os dois se preocupam mais com problemas práticos como a renda familiar, o cuidado dos filhos ou a arrumação da casa, tendem a passar menos tempo juntos, e a qualidade do tempo que passam juntos também sofre. […] O companheirismo é componente essencial do bom casamento que se pode aperfeiçoar pelo simples planejamento. Exige que se considerem atividades de que os dois gostem – viajar juntos, decorar a casa, ir ao teatro – e determinar com antecedência os programas. Há também camaradagem na satisfação de estarem juntos durante certos momentos do dia-a-dia. Sentar juntos para ver televisão, fazer passeios, partilhar da rotina doméstica como lavar pratos e limpar a casa juntos são atos que fomentam companheirismo.

intimidade oscila da discussão de pormenores da vida diária, à confidência de sentimentos íntimos que não partilharíamos com mais ninguém, ao relacionamento sexual. Em certo sentido, a intimidade é um subproduto do desvelo, da aceitação, da sensibilidade e da compreensão. Ao mesmo tempo, é debilitada pelos desentendimentos, pelas críticas indiscriminadas e pelas acusações e insensibilidade. Quando os casais resolvem ser críticos, punitivos ou controladores, têm de considerar o que perdem em intimidade. Quando se perde a intimidade por causa de brigas, com ela se perde uma importante força no casamento.

Amizade se refere ao interesse genuíno que você tem no outro como pessoa. Essa qualidade parece tornar-se ora unilateral, ora abafada em muitos, se não na maioria, dos casamentos. Algumas pesquisas demonstram que muitas mulheres não consideram o marido seu melhor amigo, e sim alguma outra mulher é que desempenha esse papel. A maioria dos homens, por outro lado, considera a esposa a sua melhor amiga. Você pode cultivar a amizade concentrando-se no seu companheiro como pessoa. Procure extrair dele ou dela o que interessa mais a ele ou a ela. Muitas vezes, para construirmos a ponte da amizade é necessária muita delicadeza.

As cortesias e os agrados são, por certo, cruciais para um casamento feliz. Mas o prazer deve ser mútuo; não só você pode propiciar satisfação ao seu marido pelo que você faz mas pode também partilhar dela. Às vezes, você tem de se livrar de hábitos há muito cultivados para fazer alguma coisa especial.

apoio mútuo dá um senso de que se é digno de confiança, uma rocha de Gibraltar em que o outro pode se firmar em épocas difíceis. Você talvez subestime o significado simbólico de estimular o parceiro quando ele está sem ânimo, ou de ajudá-lo a classificar e elucidar problemas quando estes parecem tornar-se insuportáveis. Ir em ajuda do outro nesses momentos de necessidade pode ter um significado enorme, demonstrando-lhe que você está sempre prestes a ajudá-lo com este esteio ou apoio. Algumas pessoas, por exemplo, são muito neutras quando o cônjuge quer partir para um novo empreendimento ou assumir uma nova responsabilidade. Sua hesitação em assumir uma postura positiva pode debilitar o senso de iniciativa e de capacidade do parceiro.

Fonte indicada: Flavio Hastenreiter

Chantagem Emocional

Chantagem Emocional

Para começar tenhamos a humildade de assumir: todos nós já cometemos esse deslize.

Como eu escolhi estudar comportamento humano eu peço licença para lhes afirmar: não se deve agir assim. Não pode! É feio! NÃO FUNCIONA!

Lembro-me de um caso que chegou para mim no consultório há dez anos. Um casal. O marido começou me contando que saíra de casa porque estava envolvido em outro relacionamento e que queria a separação. Já conversara com os filhos, explicara que não amava mais a mãe deles, que queria continuar presente na vida deles como pai – e que eles aceitaram essa escolha; porém, a esposa, que estava presente com ele na consulta, ameaçava tirar a própria vida se ele a deixasse. Quando ele terminou esse relato, ela olhou para mim e disse: “É isso mesmo, se ele sair de casa eu vou me matar, e não há nada que a senhora possa fazer, ou ele fica ou eu morro e ele vai carregar essa culpa para o resto da vida”. Eu não tive quase nada a fazer por eles, pois não retornaram depois dessa sessão. Ela não queria ajuda, claramente foi à consulta com ele apenas para que eu fosse mais uma a saber dos seus planos.

Percebam que essa mulher, em meio ao desespero e à dor de estar sendo rejeitada, toma a pior decisão: a de tentar prender o outro pela chantagem. O homem, também desesperado, me disse: “Eu não quero mais ficar casado com ela, mas eu não quero que ela morra.” Esse tipo de amarra, que se imagina conseguir com chantagem, um dia se rompe e não há nenhum benefício emocional em se comportar dessa forma; mais vale enfrentar a própria dor por pior que ela seja. Não se pode, nem se consegue obrigar ninguém a nada.

A chantagem emocional é o ato de provocar sentimento de culpa no outro com objetivos próprios, e às vezes nada dignos. A arma do chantagista é provocar a culpa na tentativa de induzir alguém a fazer algo que não quer e não deve em favor deste. Ao contrário do que se pensa; os que praticam a chantagem emocional não são vítimas, porque não sentem culpa em se comportar assim, mas sabem que muitos a sentem com facilidade e se aproveitam deles sem nenhum pudor. Muitos casos de chantagem emocional ocorrem entre pessoas próximas e com forte vínculo emocional (mãe, filho, parceiro); nesses casos fica ainda mais difícil e doloroso resistir à pressão.

A regra de conduta é dizer não a qualquer tipo de chantagem – por mais difícil que possa parecer – e imediatamente buscar ajuda, como fez o homem que me procurou trazendo a esposa. O chantagista se comporta sem um padrão de conduta adequado. Provavelmente não está nada acostumado à frustração, não tolera o “não” e leva a vida sem bastar-se como gente.

É preciso um cuidado especial com as crianças para que elas não estabeleçam padrões de comportamento chantagistas. Não se deve nunca dar o que elas pedem ao se perceber que estão chantageando para isso.

Em seu livro que carrega o mesmo título deste texto, a psicoterapeuta Susan Forward descreve quatro tipos de chantagem emocional:

-A primeira é a do bullying emocional usado para inibir a outra pessoa.
–A segunda é quando o chantagista se recusa a dar aprovação e amor ao outro até que atinja seu objetivo. (Pais e mães fiquem atentos a isso).
–A terceira chantagem emocional é a que se baseia na própria dor do chantagista para manipular os outros e conseguir simpatia e aceitação. O famoso fazer-se de vítima.
-A quarta é a do sofredor: sua infelicidade é a ameaça maior que ele usa sobre os outros, colocando os chantageados na posição de responsáveis por qualquer consequência negativa de sua vida. Essa foi a que relatei no início do texto.

Seja qualquer uma dessas quatro formas de agir, não é nada bonito chantagear. Na busca por nos tornarmos pessoas melhores, nos livrarmos dessa forma tão egoísta de ver o mundo e os outros indivíduos é um passo importante. Um chantagista sofre de uma grave doença, a de não conseguir amar e de achar-se, bem lá no fundo, uma porcaria de gente, incapaz de atrair as pessoas usando formas mais saudáveis. A chantagem é um erro muito grave no exercício das relações.

Pois que este é nosso destino: amar sem conta- Carlos Drummond de Andrade

Pois que este é nosso destino: amar sem conta-   Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. 

  Carlos Drummond de Andrade

Fonte indicada: Ou isto ou aquilo

Quem espera uma vida fácil não precisa de um amor. Precisa ganhar na loteria.

Quem espera uma vida fácil não precisa de um amor. Precisa ganhar na loteria.

Cá entre nós, viver nunca foi a coisa mais fácil da vida. Há quem responda “é fácil, sim. A gente é que complica tudo!”. Concordo, mas mesmo tentando não complicar nada, ainda assim viver é coisa delicada. Quase sempre, exige de nós muito mais do que temos a dar no momento. E, vai entender, ainda assim viver é a melhor coisa da vida. A melhor e a mais difícil. Pronto.

Quando o caso é viver com amor, então, põe dificuldade nisso. Quem tem certeza de que o amor não dá trabalho, não requer esforço, que vem de graça e se não “fluir tranquilo” não é amor, como se esse “fluir tranquilo” fosse coisa parecida com um mar de benesses infinitas, uma vida de passeios no sol e carinhos pra lá e pra cá sem nenhuma aporrinhação, estudar matemática com uma criança de oito anos é uma boa chance de repensar essa convicção.

Se essa criança for o seu filho, o sujeito que você mais ama na vida, aí a prova é ainda mais contundente e irrefutável. Amar dá trabalho, sim!

Seu filho, que não gosta nem um pouco de somar, subtrair, multiplicar e dividir, pelo menos não tanto quanto ele adora os videogames, faz birra, corpo mole, resiste, grita, chora. Porque ele não quer estudar matemática no sábado e no domingo, mesmo sabendo que vai ter prova na semana. Cabe a você, que o ama, contornar essa resistência com todo amor do mundo, persistir e dar um jeito, estudar com ele, ficar perto, acompanhá-lo. Mesmo que a sua vontade às vezes, depois da segunda malcriação, seja tirá-lo da escola que custa uma fortuna e empregá-lo numa mina de carvão.

Porque você o ama, você persiste. Mas nem sempre é bom! Nem sempre é tranquilo.

Com os casais deve ser mais ou menos assim. Nem sempre é agradável passar o domingo na casa da sua sogra, ir ao aniversário da tia do seu namorado. Viajar à praia com a família inteira do seu marido. Nem sempre é bom. Mas são concessões que todos os amantes fazem.

Quem não está disposto a conceder, talvez não ame mais, ué. É muito simples. Nesse caso, abandonar o barco é o que de mais sincero se pode fazer. Há muito mais dignidade em deixar o seu parceiro ser amado por alguém com a disposição que você não tem do que infernizar a vida dele para sempre. Por outro lado, é muito mais honesto seguir em frente só do que passar os próprios sentimentos para trás.

Amar dá o maior trabalho. E como qualquer outro ofício, às vezes significa sofrimento, sim! Porque por mais que você adore o que você faz ou com quem você está, sempre há de existir uma chateação ou duas na sua lida de um dia depois do outro. Por mais que um professor idolatre suas próprias aulas, lá pelas tantas ele vai se aborrecer por corrigir tanta prova no fim de semana. E corrigir provas é inevitável para a qualidade do seu trabalho. Médicos, advogados, engenheiros, artistas. Nenhum deles está livre de aborrecimentos. Se quiserem continuar a exercer sua profissão, têm de encarar desgostos obrigatórios. Por mais que amem o que fazem, uma hora seu ofício vai trazer uma dose de sofrimento! Mais para uns, menos para outros. E para levar seu trabalho adiante é preciso empenho, labuta, dedicação. Isso tudo de quando em vez dá um cansaço enorme e uma dor nas costas insuportável.

O tamanho, a qualidade e a força do nosso amor deviam ser medidos, então, pela extensão da nossa boa vontade e da nossa disposição para, uma hora ou outra, sofrer.

Se ninguém é perfeito, logo o amor que nasce de cada um de nós também não há de ser. Essa ilusão da perfeição, da facilidade dos relacionamentos ideais só tem gerado frustração e nos transformado em preguiçosos amorosos, sentimentalóides reclamões e mal amados, sentados sobre a nossa pretensa perfeição inútil, esperando o amor incondicional do parceiro impecável, a família irretocável, o trabalho que só traz alegria e o filho que nunca faz malcriação.

Eu tenho a impressão de que a leveza divina dos nossos amores – seja o amor dos pais por seus filhos, o amor por um ofício, o amor entre casais ou o amor universal pelo próximo – essa leveza só vem acompanhada de muito trabalho pesado.

Amor, esse que chega e só fica quando a gente cuida, dá um trabalhão danado. Sejamos honestos com ele. E vamos ao trabalho, que amanhã tem sempre uma nova prova à espera.

Catadora de lixo é responsável pela beleza da Miss Tailândia 2015.

Catadora de lixo é responsável pela beleza da Miss Tailândia 2015.

Mint, uma jovem de 17 anos, venceu o Miss Tailândia 2015. Um concurso, nos moldes de tantos outros, que premia a beleza de seu país. Desfiles, poses, flashes. Ao final, a moça recebeu uma faixa e uma coroa. Está sendo celebrada e deve ser mais; chegarão os contratos publicitários, as passarelas do mundo estarão abertas para os passos dessa tailandesa.

A história de Mint ganha outro tom quando descobrimos quem é ela  longe dos holofotes. Ao ganhar o concurso, a jovem voltou pra casa,  encontrou sua mãe trabalhando na busca do sustento de todo dia. A cena é de emocionar; Mint, a miss, se ajoelha aos pés de sua mentora, a catadora de lixo.
O gesto é de gratidão. Mint sabe de onde veio e reconhece quem a formou. Embora daqui pra frente deem os créditos ao glamour, o mundo da moda precisará conviver com a ideia de que foi esta catadora de lixo quem modelou sua mais nova miss.

E aqui, os papéis se mexem. Quem é mais importante? Dirão, os imediatistas de nosso tempo, “a modelo é o foco”. Ela quem desfilará, é dela o charme e a desenvoltura capaz de atrair os olhares.  As grifes chamarão pelo seu nome. Dela é o sucesso batendo à porta.

contioutra.com - Catadora de lixo é responsável pela beleza da Miss Tailândia 2015.Esta Miss nos aponta um caminho ao dizer. “O que eu tenho hoje é por causa da minha mãe. Ela e eu ganhamos a vida fazendo um trabalho honesto, então não há nenhuma razão para eu me sentir inferior” A vencedora do Miss Tailândia 2015 não só se assume filha de, também se reconhece como uma catadora de lixo.

Deveria ser habitual, mas esta história nos comove por ser alguém abraçando uma identidade. Dizendo “eu sou a minha história e não me envergonho disso.” Você pode pensar, pela profissão mencionada, que o fantástico está no seu material de trabalho. Porém, basta nos lembrarmos do alto escalão social, políticos, empresários, com seus incapazes de encarnarem na própria história porque são majestosas vergonhas.

Ainda, Mint nos ensina mais; É preciso ter raiz pra ser árvore forte. A vida dela mudará financeiramente, quem sabe um dia desse venha ao Brasil nos agraciar com sua presença.

Por ora, fico com essa imagem. Não existe miss, nem existe catadora de lixo. Existe Mint. Existe algo além de nossas conquistas, existe a coragem de não perder a essência.

Tome cuidado. O resto parece iluminação confiável, mas é só flash, num piscar de olhos passa.

Como seria estar por trás dos olhos de um autista?

Como seria estar por trás dos olhos de um autista?

Por GUSTAVO SERRATE

“O autismo me prendeu dentro de um corpo que eu não posso controlar” – conheça a história de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar através de palavras escritas em um computador após 11 anos de enclausuramento dentro de si mesma, e assista também o video interativo “Carly’s Café”, no qual você poderá vivenciar alguns minutos da experiência de um autista por trás dos olhos de um.

Lê-se na tela de um computador: “Meu nome é Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo”, a digitação é lenta, a idéia não é concluída sem algumas interrupções, é assim que Carly trava contato com o mundo. Carly é uma adolescente de Toronto, Canadá, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira máxima do isolamento humano.

“Quando dizem que sua filha tem um atraso mental e que, no máximo atingirá o desenvolvimento de uma criança de seis anos, é como se você levasse um chute no estômago”, diz o pai de Carly. Ela tem uma irmã gêmea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais bombardeando seu cérebro constantemente. Apesar dos esforços dos pais, pagando profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela não era capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: “Você é o pai. Você deve fazer o que julgar necessário para esta criança”.

contioutra.com - Como seria estar por trás dos olhos de um autista?Eram cerca de 3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperanças de algum dia sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento, pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua criança estava ali, perdida atrás daqueles olhos: “Eu não poderia desistir da minha filha”.

Subitamente aos 11 anos algo marcante aconteceu. Ela caminhou até o computador, colocou as mãos sobre o teclado e digitou lentamente as letras: H U R T – e um pouco depois digitou – H E L P. Hurt, do inglês “Dor”, e Help significa “Socorro”. Carly nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no chão. Apesar do susto, ela estava bem. “Inicialmente nós não acreditamos. Conhecendo Carly por 10 anos, é claro que eu estaria cético”, disse o pai.

Os terapeutas estavam ansiosos para ver provas e os pais incentivavam Carly ao máximo para que ela se comunicasse novamente. O comportamento histérico de Carly permanecia exatamente como antes e ela se recusava a digitar. Para força-la a digitar, impuseram a necessidade. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar, pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. Vários meses se passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente. E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi “Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar”.

A partir dai, como dizem os pais, Carly “encontrou sua voz” e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela começou a revelar alguns mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, e de bater a cabeça nas coisas, ou de querer arrancar as roupas: “Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro”.

contioutra.com - Como seria estar por trás dos olhos de um autista?“Eu gostaria de ir a escola, como as outras crianças. Mas sem que me achassem estranha quando eu começasse a bater na mesa, ou gritar. Eu gostaria de algo que apagasse o fogo”. Carly explica ainda que a sensação em seus braços é como se estivessem formigando, ou pegando fogo. Respondendo a uma das perguntas que fizeram a ela, sobre porquê às vezes ela tapa os ouvidos e tapa os olhos, ela explica que isso serve para ela bloquear a entrada de informações em seu cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para não ficar sobrecarregada. Ela explica ainda que é muito difícil olhar para o rosto de uma pessoa. É como se tirasse milhares de fotos simultaneamente com os olhos, e é muita informação para processar. O cérebro de Carly não possui a capacidade de catalizar a quantidade imensa de informações para os sentidos, e consequentemente, ela não pode lidar com a quantidade excessiva de informação absorvida.

Segundo o pai de Carly, ela faz questão de dizer, que é uma criança normal, presa em um corpo que a impede de interagir normalmente com o mundo. O Pai de Carly teve a chance de finalmente conhecer a filha. A partir do momento em que ela começou a escrever, se abriu para o mundo. Carly hoje está no twitter e no facebook. Ela conversa com as pessoas e responde dúvidas sobre o autismo. Com ajuda do pai ela escreveu um livro chamado Carly’s Voice (A voz de Carly). Entre os mais variados comentários que ela recebe sobre o livro, um crítico disse: “A história de Carly é um triunfo. O autismo falou e um novo dia nasceu”.

Assista o curta-metragem interativo “Carly’s Café”, baseado em um trecho do livro, e vivencie a experiência de Carly por alguns minutos:

Carly’s Café – curta metragem interativo

Veja algumas perguntas respondidas por Carly que ajudam a elucidar algumas questões do autismo:

Questão 1: Carly, você pode me dizer porque meu filho cospe todo o tempo? Ele tem todos os outros tipos de comportamento também: Bater a cabeça, rolar, balançar os braços, mas o cuspe é asqueroso e realmente faz com que as pessoas queiram ficar longe dele. Alguma idéia?

Carly: Eu nunca cuspi, quando era criança. No entanto, eu babava, e sentia como se cuspisse. Hoje eu percebo que eu nunca soube como engolir a saliva. Eu nunca usei minha boca para falar, e por isso, nunca usei os músculos da boca. Quando você tem saliva presa na sua boca, existem poucas maneiras de se livrar do desconforto. Tente dar a ele alguns doces por duas semanas. Isso vai fortalecer os músculos e ensina-lo a engolir a saliva.

Questão 2: Meu garoto de quatro anos grita no carro toda vez que o carro para. Ele fica bem, desde que o carro mantenha-se em movimento. Mas uma vez que parou, ele começa a gritar. É uma mania incontrolável.

Carly: Eu adoro longos passeios de carro. O carro em movimento, e o visual passando rapidamente permite que você bloqueie outros impulsos sensoriais e foque em apenas um. Meu conselho é que você coloque um DVD no carro com cenário em movimento.

Questão 3: Você alguma vez já gritou sem razão nenhuma? Mesmo com o semblante feliz, e tudo calmo e relaxado, mas você apenas começa a gritar? Minha filha às vezes faz isso e eu estou tentando entender o porquê.

Carly: Ela está filtrando o audio e quebrando os sons, ruídos e conversações através do dia. Além de gritar, ela poderá chorar, rir alto e até demonstrar raiva. É a nossa reação por finalmente entendermos algo que foi dito há alguns minutos, alguns dias ou alguns meses. Está tudo ok com ela.

Questão 4: Como eu faço com que um adolescente pare com movimentos repetitivos na classe? Ele diz que os professores são chatos e que é muito mais divertido na cabeça dele. Eu sei que é, mas ele está perdendo todas as instruções e leituras. Eu estou sempre redirecionando ele, mas ele está perdendo tanto. Me ajude.

Carly: Ok. Preciso limpar uma má interpretação sobre o autismo. Se uma criança está fazendo movimentos repetitivos, não quer dizer que ele ou ela não esteja escutando. De fato, ela escuta melhor se ela estiver fazendo esses movimentos. Eu estou estudando e ainda faço movimentos na classe. Eu tento ser discreta, como se estivesse enrolando um pequeno pedaço de papel nos meus dedos. Todos fazem movimentos repetitivos. Pense nos desenhos que você faz quando está no telefone, ou enrolando a ponta dos cabelos, ou enroscando o lápis entre os dedos. Isso é um “stim” (uma movimentação repetitiva). Não há nada de errado com isso, mas às vezes é melhor tentar ser discreto.

Reprodução autorizada pelo autor.

contioutra.com - Como seria estar por trás dos olhos de um autista?GUSTAVO SERRATE

Jornalista e cineasta independente de Brasília. Meus interesses transitam pelo cinema, quadrinhos, fotografia e toda forma de cultura independente ou marginalizada.
Conheça mais sobre o trabalho do autor em  www.kinolatra.com.br

A inveja, segundo Rubem Alves

A inveja, segundo Rubem Alves

Gosto de tomates. Resolvi plantar uns tomateiros lá em Pocinhas do Rio Verde (MG). Amadureceu o primeiro tomate, todo vermelho, com exceção de um pontinho preto na casca. Nem liguei para o ponto preto. Colhi o tomate e me preparei para comê-lo. Dei a primeira dentada e cuspi. O que havia dentro dele era um verme branco, grande, enrugado, gordo por haver comido toda a polpa do tomate.

Foi essa a imagem que me veio à memória quando me preparava para falar sobre o mais terrível de todos os demônios. Ninguém suspeita. Ele vai comendo por dentro as coisas boas que crescem no nosso quintal. Eu sempre digo: demônios fazem ninhos no corpo. Cada um tem sua preferência. Neste caso a que me refiro, o demônio faz seu ninho nos olhos. E ele não gosta de coisas ruins e feias. Como o verme, ele prefere os tomates. Gosta de coisas bonitas. E o resultado é que, quando uma coisa bonita que cresce no nosso quintal (note bem: o demônio só faz sua obra no nosso quintal) é tocada pelo olho onde mora o verme ela imediatamente murcha, apodrece, cai. E aí vêm as moscas.

O demônio que se aloja nos olhos se chama inveja. Inveja vem do latim invidere que, segundo o dicionário Webster, quer dizer “olhar pelos cantos dos olhos”. Inveja não olha de frente. Quem olha de frente tem prazer no que vê. Quem olha de lado olha com olho mau.
Olho mau, olho gordo: muita gente tem medo desse olhar. Não precisa. O verme da inveja nunca faz nada com os tomates da horta alheia. Ele só come os tomates da horta da gente.

Explico. Fernando Pessoa diz que a inveja “dá movimento aos olhos”. Olho de inveja não olha numa direção só. Lembre-se do que eu disse: que o olho onde se aninha o verme da inveja só gosta de ver coisas bonitas. Então é assim que acontece. Eu tenho um belo tomate crescendo no meu quintal. É certo que não há vermes dentro dele. Vai dar uma deliciosa salada. Mas antes, vou mostrar o meu tomate para meu vizinho… Um pouco de exibicionismo faz bem para o ego. Mas aí eu olho para o quintal do vizinho. Ele também cultiva tomates. Vejo o tomate que cresce no tomateiro dele. Lindo! Vermelhíssimo, mais bonito que o meu. É nesta hora que o verme entra no meu olho. Meus olhos se movimentam. Voltam-se para o meu tomate que era minha alegria e orgulho. Já não é mais. Vejo-o agora mirrado, pequeno murcho. E ele corresponde: apodrece repentinamente e cai… Perdi o prazer da minha salada.

Esse movimento dos olhos é a maldição da comparação. Quando eu comparo o meu ‘bom-bom-mesmo-mais-que-suficiente-para-me-fazer-feliz” com o “bom” maior do outro, fico infeliz. E o que antes me dava felicidade passa a me dar infelicidade. Com a comparação tem início a infelicidade humana. Isso acontece com tudo. Comparo minha casa, meu carro, minhas roupas, meu corpo, minha inteligência e até mesmo meu filho.
Frequentemente os filhos são vítimas no jogo de inveja dos seus pais. Aquele meu filho, que é a minha alegria, delícia de criança, com um jeitinho só dele e que me encanta… Mas o filho do vizinho tira notas mais altas que o meu, é campeão de natação, é mais forte, mais alto e não é gordinho… Então, meu olho se movimenta e o verme se aninha. E se dá o mesmo com meu tomate: apodrece.

Texto extraído da Revista Psique, maio de 2009.

Manual de desorientação ao candidato de graduação

Manual de desorientação ao candidato de graduação

O que ninguém te diz antes que você ingresse na faculdade é que esse difícil primeiro passo, é apenas um primeiro passo. Talvez, o mais fácil dos primeiros passos em direção a uma carreira profissional. É abismal perceber o quanto a fantasia acerca da realização de uma graduação encontra-se, na maior parte das vezes, distante da realidade da vida. Um jovem que mal sabe o que quer comer precisa tomar uma decisão de longo prazo…

A orientação profissional existe e não é adotada pelas escolas, não é conhecida a não ser por parcos testes de revista, não é valorizada, mesmo que ofereça um resultado minimamente melhor que seguir a profissão do pai ou o sonho de criança, que lá pela metade do curso, a pessoa descobre que era, de fato, apenas um sonho de criança, e não um sonho atual. Seguir a lógica de escolher o que “dá mais dinheiro” também não costuma funcionar, logo se descobre que dinheiro e graduação não necessariamente caminham juntos.

O que as pessoas ignoram é que mudar, nesse contexto, não é fácil. Uma vez feita uma escolha, finalizada uma formação, consolidada uma experiência acadêmica e no mercado de trabalho, outras oportunidades começam a fechar as portas, e uma má escolha pode torna-lo escravo de sua primeira opção. É a velha lógica da experiência anterior sempre exigida, sem que existam oportunidades para adquirir a tal experiência anterior. O desespero que leva às pessoas a aceitarem a primeira coisa que aparecer “na reta” é o que irá estabelecer os primeiros contornos do seu futuro. Quantos têm consciência disso?

Ninguém te avisará também, que os árduos anos dedicando tempo, dinheiro, juventude e sonhos em sacrifício pela sonhada formação, não vão te garantir um bom salário e nem estabilidade imediatos. A maioria dos recém formados saem da faculdade desempregados e assim permanecem por longa data. Outros não conseguirão emprego na área em que gostariam de atuar e ainda assistirão pessoas sem formação superior receberem salários maiores ou iguais aos deles. Isso não é porque o esforço não valha a pena, se o objetivo for outro, isso é porque a sociedade não valoriza mais a formação superior a não ser como uma exigência, não mais como um diferencial.

Dificilmente se contará com outro auxílio além do instinto para que você, o novo universitário, perceba que se encontra em um universo único, com uma potente oportunidade de amadurecimento e conhecimento que transcende à grade curricular, as notas, as competições e todos os aspectos burocráticos e acadêmicos que envolvem uma faculdade. De que ali você encontrará pessoas e situações das mais diversas, coisa que não se repetirá em outros momentos da vida, e mesmo que posteriormente retorne a este espaço singular, já não será o mesmo, já não será a mesma experiência.

Ninguém o incentivará a permanecer o máximo de tempo possível ali, viajando para os eventos desejados, conhecendo pessoas, aproximando-se de professores com os quais possui afinidade, participando de grupos, coletivos, movimentos, atividades extracurriculares, explorando as bibliotecas, conhecendo tudo o que a universidade oferece, mesmo que isso signifique um rendimento menor nos números e um período mais extenso para formação. A predominância do quantitativo engole o supra sumo da experiência.

Não haverá quem o alerte sobre não perder os seus sonhos de vista, mesmo que, para não cair de cara na realidade, seja necessário também manter os pés no chão. Há ainda alguém capaz de oferecer uma orientação que não parta para o 8 da racionalidade mórbida ou o 80 da destrutiva ilusão, já tão naturais da juventude nos seus primórdios?

Principalmente, raramente alguém o incentivará a errar, a falar, a questionar, a ir além do que ali se apresenta, para encontrar seu próprio caminho dentro daquele trilho, que nada mais é que um molde para evolução autônoma. É preciso aprender sozinho e, às vezes, meio tarde para que as coisas se realizem com a mesma facilidade com que teriam acontecido antes de então.

Quem arriscará te dizer que priorize apenas o “com” da competição enquanto ainda há tempo? De que nesse momento, somar e multiplicar é melhor que dividir e subtrair, pois depois disso, é basicamente a competição o que restará para o resto da sua vida. Que insano o alertaria a permanecer ao máximo no presente e só de vislumbre não perder o futuro de vista, pois, certamente, os caminhos se modificam e o futuro raramente sai como o que era supostamente previsto? Nenhum jovem universitário encontrará nada disso em um manual, em um relato ou em um site próprio para pré-vestibulandos.

Vivemos em uma lógica na qual a universidade se tornou uma espécie de ensino técnico, e mais se diferencia dele pela quantidade de anos dedicados e possibilidades veladas – que só os mais curiosos acabam descobrindo – do que pela natureza de sua estrutura de aprendizado. Muitos tecem críticas à queda da qualidade do ensino universitário atribuindo a sua má qualidade crescente às políticas de quota ou novos métodos de seleção. Mas há muito tempo se sabe que a “múltipla-escolha” é a pior escolha para uma seleção que se pretende qualificada. Mais ainda se sabe, que sem o devido suporte financeiro, dificilmente alguém consegue ter um rendimento adequado dentro de um universo que exige dedicação para ser bem aproveitado. Temos ainda a locomoção, a desmotivação de professores que queriam ser apenas pesquisadores, de espaços negligenciados, de recursos escassos, de “iniciados” que não fazem a menor ideia de onde ou porque ou o que querem com a sua iniciação.

O mito da graduação enquanto obrigação acaba por transformá-la em pouco mais do que uma extensão do ensino médio e uma pílula árdua de engolir para ter como efeito o despertar na desilusão. De um espaço de conhecimento tornou-se um espaço de profissionalização mecânica. Não surpreende que tão pouco se desenvolva para além das novas tecnologias, pois agora, é o tecnológico o mais valorizado. Só não temo pelo dia em que não haverá mais seres humanos capazes de viver sem utilizá-lo, e tão logo, o dia em que não haverá mais seres humanos capazes de cria-lo, pelo fato de que, simplesmente, até lá não estarei mais viva. Não surpreende também que cada vez menos pessoas alimentem ou sustentem o desejo pela profissão de ensinar, e imagino que quanto a isso, posso poupar argumentação, tão explícita se faz a razão.

O que será dessas instituições no dia em que não houverem mais profissionais para fazê-las funcionar? O que já é visível, é que cada vez mais há profissionais com formação sucateada fazendo-as funcionarem mal. Por outro lado, temos a predominância da pedagogia do carinho ou da indiferença que, me perdoem, mas não forma bons profissionais nem desatina talentos. Em um contexto desses, como poderia haver quem instruísse os novos pupilos das universidades a conhecerem melhor o chão onde vão pisar? A ver se é isso mesmo ou se haveria uma solução mais adequada para os seus desígnios?

Para quem quer que se atente é visível que a universidade está morrendo, já não possui a mesma potência ou atuação social que já teve, já não confere valorização aos graus mais baixos de formação, e aos mais altos, reservam-se as vagas em eu próprio interior. A universidade está morrendo porque fechou-se em si mesma.

E se, de fato, eles existirem?

E se, de fato, eles existirem?

Não importa a sua religião, se se é católico, evangélico, espírita… tanto faz… a pergunta que fica é: e se, realmente, existirem os espíritos? O que mudaria em sua vida?

Você deixaria de ser mal-humorado, triste, feliz, amargo, bom, ruim? Mudaria algo em você? Deixaria de sentir aquele rancor que lhe atormenta a alma? Deixaria de sentir aquele vazio existencial que insiste em lhe procurar e perguntar “o que haverá”, “haverá alguma coisa”?

Calaria em seu peito aquela saudade de não se sabe quem ou onde? Calaria em sua alma aquela saudade de alguém que se sabe quem e onde?

Explicaria para você a origem de um amor infinito, intraduzível, que faz com que as pessoas surpreendam a si próprias, respeitando outro ser humano e realizando a caridade? Explicaria para você que a maldade também terá duração finita, eclodindo com o despertar do ser para as verdades eternas?

Sim, estamos falando de uma certeza matemática. Caso fosse possível provar a existência dos espíritos pelo mundo científico… assim como se prova a existência das ondas eletromagnéticas que levam o som para o rádio. Se existisse prova científica, o que mudaria em nossas vidas e na vida das pessoas? Haveria mudanças nas relações sociais? Existiria mais respeito entre todos? Haveria mudança na forma de se enxergar a medicina e as doenças em geral? Terminariam as guerras?

Faria calar em seu coração aquele pensamento persistente que, às vezes, abafa a voz de sua razão, questionando: quem somos? Haverá destino? Podemos mudar alguma coisa? Para onde vamos? Existe, afinal, um lugar após a morte?

Ah, se houvesse a prova científica… a resposta seria: “sim”, “não”, “talvez”. Tudo dependeria da pergunta e daquele a quem a pergunta se coloca. Somos muitos, somos vários e cada um tem a sua história.

Ma,s há uma certeza nessa reflexão. Muita coisa mudaria para muitos. Impossível que fosse diferente. Como não mudar em mim um sentimento de saudade que me arrebata quando tenho a certeza científica de que tudo continua? Como não mudar em mim a vontade de ser bom, melhor, quando tenho a certeza científica de que disso depende o meu destino? Como não mudar a forma de se enxergar a medicina, quando tenho a certeza científica que a atuação espiritual (num sentido ou em outro) pode mudar o ciclo de uma doença? Esses são apenas poucos exemplos, perto da multiplicidade de coisas, que passariam a influenciar a vida de homens e mulheres.

Mas, se é assim, por que tão pouco se pesquisa a respeito? Desde os primórdios da humanidade existe a crença na vida espiritual. Mas, quase nunca o meio científico e acadêmico se aproxima dessa pesquisa, embora comecem a surgir escassos estudos a esse respeito. Como explicar as curas espirituais? Curandeirismo ineficaz ou ação construtiva espiritual por meio da qual se obtém um verdadeiro resultado prático? E as comunicações? Todas elas frutos do imaginário humano ou se peneiram verdadeiras obras provenientes de seres inteligentes desencarnados?

A revolução que essas respostas poderiam ocasionar na vida das pessoas (caso se provasse efetivamente a vida espiritual) justificaria uma imensidão de pesquisas sérias e bem conduzidas a esse tema. Afinal, ou é ou não é.

Mas, por que tão poucos se arriscam nessa tarefa? Medo do invisível? Medo do escárnio social e do ridículo? Falta de verbas? Crença indubitável e exclusiva na realidade material? Crença na impossibilidade dessa importante prova?

É… realmente temos muito o que evoluir…

contioutra.com - E se, de fato, eles existirem?Regiane Reis

“Com formação na área jurídica e buscando o autoconhecimento, entendi que precisava escrever sobre temas universais como a vida, o amor e a fé.”
Acompanhe a autora no blog Pausa Virtual ou no Facebook.

INDICADOS