Pessoas virais que consomem- conheça os tipos e como lidar

Pessoas virais que consomem- conheça os tipos e como lidar

Por PATRICIA RAMÍREZ

  • Elas chegam, nos contagiam com suas emoções negativas e nos deixam sem forças
  • Defender-se e proteger-se desse tipo de pessoas é uma obrigação
  • Conter os virais vitimistas não é abandoná-los, mas convidá-los a assumir as rédeas

Com certeza você já se viu alguma vez numa situação em que, depois de conversar com um amigo, se sentiu desolado, contemplou o mundo com mais tristeza e menos entusiasmo do que antes de começar a conversa, ou pensou: “Nossa, nunca acontece nada bom com esse amigo, ele está sempre reclamando”. E em situações extremas, você ouviu o telefone tocar, viu o nome de quem estava ligando e deixou de atender porque sabia que essa pessoa, de alguma maneira, ia complicar sua vida: contar um problema novo ou continuará falando de seu assunto único, em geral com a temática “desgraça”. A pergunta que sempre se faz depois de passar um tempo com pessoas virais é: “E que necessidade tenho eu de ficar ouvindo isso?”.

Quem são as pessoas virais? São aquelas que chegam e contagiam de mau humor, de tristeza, de medo, de inveja ou de qualquer outro tipo de emoção negativa que até aquele momento seu corpo não tinha manifestado. É como um vírus: chega, se espalha, faz você se sentir mal e quando você se afasta, pouco a pouco, volta a seu estado natural e, com sorte, esquece.

A origem da pessoa viral é variada: o mau gênio, a inveja, a falta de consideração, o egoísmo, a estupidez ou a falta de tato. O importante é ter recursos suficientes para se proteger do contágio. O mundo está cheio de pessoas virais de diferentes tipos, umas menos daninhas e outras bem más, que deixam lembrança e cicatriz.

Virais passivos. Nessa categoria incluo os vitimistas, os que colocam a culpa de todo o seu mal em quem está em volta, nunca são responsáveis pelo que lhes acontece de ruim porque são os outros ou as circunstâncias que provocam seu mal-estar. Se você os ouve e está bem, pode até se sentir uma má pessoa por desfrutar do que os vitimistas não têm. E não porque não tenham a possibilidade de fazê-lo, mas porque aprenderam a ganhar a atenção pela queixa e isso é cômodo. Sentem-se maltratados pela vida e abandonados pela sorte. Sem dúvida, fazem sentir-se mal quem não presta a atenção ao que acreditam ser merecedores. Com essas pessoas, você sofrerá o contágio dos vírus da tristeza, frustração e apatia.

Virais caras-de-pau. São os que sempre pedem favores, mas nunca estão atentos às necessidades dos outros. Não mantêm relações bidirecionais nas quais dão tanto quanto recebem. Tiram dos outros sem perguntar se tudo bem, se precisam de ajuda, se podem emprestar naquele momento. São egoístas e egocêntricos e, no momento em que suas necessidades deixam de ser satisfeitas, começa a crítica e a chantagem emocional. Com essas pessoas você sofrerá o contágio do vírus do “sinto que estão abusando de mim”, do aproveitamento e da resignação.

Virais críticos. Vivem a vida dos outros, porque a deles não é suficiente. A vida deles é cinza, chata ou frustrante demais para se falar dela, então destroem tudo que está à sua volta. Não espere palavras de reconhecimento para os outros nem que falem de forma positiva de ninguém, porque ver que os outros estão bem potencializa sua frustração como pessoas. Não sabem competir sem destruir o outro. Arrasam como Átila. Com essas pessoas, você sofrerá o contagio do vírus da desesperança, da vergonha, até da culpa, se participar da crítica. E a culpa logo trará o vírus do remorso.

Virais preconceituosos.Mantenha-os bem longe. São ressentidos com a vida, porque não foram capazes de administrar a própria ou porque a vida não foi como imaginavam. Antecipam que as pessoas são interesseiras e não esperam nada bom delas. Tudo é interpretado de forma negativa, todo o mundo é visto com má intenção. Vivem em um constante ataque de ira, como se o mundo lhes devesse algo. Não suportam que outros tenham sucesso, esforço e força de vontade, porque menosprezam ainda mais essas atitudes de superação. Com essas pessoas, você sofrerá o contágio do vírus da vulnerabilidade, da insegurança, da impotência e da ansiedade.

Virais psicopatas. Para quem não sabe, não é preciso ser serial killer para ser psicopata. O psicopata é aquele que inflige dor aos demais sem sentir a menor culpa, remorso e sem se sentir mal. Há muitos assim, que não sujam as mãos. São os que humilham, faltam com o respeito de propósito, batem, ameaçam e fazem com que o outro se sinta ridículo, menosprezado e sem autoestima. Diante deles, saia correndo, porque o que fazem uma vez, repetem. Se permite que o maltrate, você acabará pensando que esse é o tratamento que merece. Com essas pessoas você sofrerá o contágio do vírus do medo e do ódio. Muito difícil de erradicar, permanece por muito tempo em sua memória.

Mecanismos de defesa. Para evitar o contágio dos virais vitimistas, a primeira coisa a fazer é interrompê-los. Diga que está ali para ajudá-los a tomar decisões e solucionar problemas, mas não para ser o lenço no qual afogam suas mágoas sem se envolver. Essas pessoas se acostumam a chamar a atenção por suas desgraças, mas são incapazes de se responsabilizar e agir porque optam pelo caminho mais fácil: chorar.

Diga a elas que ficará encantado em ajudar se elas se mobilizarem. E, se não o fizerem, afaste-se de alguém que tomou a decisão de ser um parasita a vida toda. Você não está abandonando, está lhe dando estímulo para agir. Se decidir não tomar as rédeas da própria vida, ser seu lenço também não será uma ajuda. A mesma energia que se gasta reclamando é a energia empregada para buscar soluções. A primeira opção consome e paralisa, e a segunda, soma.

Diante do vírus de pedir, use o antivírus de dizer não. Se você não fizer prevalecer suas necessidades e prioridades, os outros também não o farão. Uma coisa é ser solidário e outra muito diferente é estar à disposição de todos e não nunca para si mesmo.

Não permita que a pessoa viral crítica faça julgamentos de outras pessoas que não estejam presentes. Se fizer isso com os outros, também fará quando você não estiver presente. Não entre nesse jogo nem se identifique com essa conduta. Diga que não gosta de falar de pessoas que não estão presentes. E se se trata de rumores, diga que não tem a certeza de que o rumor seja verdadeiro. Os rumores, na maioria das vezes, são infundados, falsos ou exagerados. Propagam-se como o vento e, apesar de que logo se comprova que são falsos, o dano está feito. Aja como gostaria que fizessem com você, com respeito, discrição e veracidade. É mais importante ser ético do que evitar um conflito com um crítico.

E, por fim, não permita que ninguém lhe falte com o respeito e muito menos o maltrate física ou psicologicamente. Como pessoas, todos merecemos um tratamento digno. Peça ajuda, coloque-se em seu lugar, não dê uma segunda chance a quem o machucou. Quem machuca não gosta de você; pare de justificar o outro por seu passado, seu caráter, sua educação, o álcool ou seus problemas. Nada, absolutamente nada, autoriza a falta de respeito e os maus-tratos físicos e psicológicos. E isso é válido no âmbito familiar, profissional e entre os amigos.

Cerque-se de pessoas de bem, que gostem de você e que demonstrem isso, que lhe façam feliz, com as quais saia com as baterias recarregadas. Temos a obrigação de ser felizes e aproveitar. Há muita gente disposta a isso. Não as deixe escapar. As pessoas estão aqui para se ajudar, somos uma equipe.

Fonte indicada: El Pais

O amor é uma força que produz amor

O amor é uma força que produz amor

Um dos principais erros cometidos em relação ao amor é entendê-lo tão somente como uma sensação agradável que se experimenta por acaso. Não há duvidas de que os acasos façam parte do amor, afinal, este possui um encantamento que foge à razão e, como diz Kundera: “Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante […]” Todavia, o amor vai além e requer esforço e desprendimento.

O amor, desse modo, depende muito mais do amante que do ser amado, embora se ache o contrário. Enquanto estamos preocupados com o amor que o outro nutre por nós, não conseguimos sair da esfera individual, em que a relação deve ter como princípio basilar o meu favorecimento. Não que a reciprocidade não seja importante, muito pelo contrário, mas uma troca estabelecida sob esses pilares tende a ruir, haja vista a separação entre os amantes.

Somente quando entendo que o amor é uma ação positiva, que vai além de um caso episódico, posso entender que devo estabelecer-me de forma criativa na relação, em que de fato olho o outro como o polo principal ao qual devo dar-me. Assim, livro-me de uma ideia de compulsão e enxergo-me como um ser livre que decide estar fundido a outro. Dito de outra forma,

“O amor é uma ação, a prática de um poder humano, que só pode ser exercido na liberdade e nunca como resultado de uma compulsão.”

Sendo assim, o amor é uma construção, uma ação positiva, em que me entrego ao outro. Busco destruir a parede que me separa do outro, de modo que possa construir memórias junto com o outro e compartilhe sentimentos, alegrias, dores, angústias e prazer. Ou seja, dou, ao outro, o meu melhor, tudo o que há de mais vivo em mim e que, necessariamente, o tornará mais vivo.

“Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dá-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si.”

Em uma sociedade em que o egoísmo é tão presente, torna-se difícil imaginar uma relação em que entrego o melhor que possuo a outra pessoa. No entanto, quando não consigo dar-me ao outro, isento-me da relação e, por conseguinte, do amor. Não consigo perceber como é enriquecedor tornar a vida do outro mais prazerosa e estar presente quando este necessita de um ombro amigo. Não consigo sentir alegria em proporcionar um sorriso em um dia triste. Não consigo perceber a potência que há no ato de dar.

Desse modo, torno-me um cego que não se preocupa com o erguimento da relação, pois somente quando me dou isento de uma recompensa, preocupo-me de fato com o crescimento do outro. Somente quando torno o outro maior do que é, construo bases fortes em uma relação. Uma vez que,

“De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar e não receber.”

Isso não significa, mais uma vez, a desimportância da reciprocidade, mas, antes, a sua reafirmação, pois, em uma relação em que ambos entendam a sua importância na relação, isto é, enxerguem-se como sujeitos ativos, há uma troca muito maior e verdadeira de amor, uma vez que o ato de dar do seu melhor ao outro representa a mais alta vitalidade e alegria de que o amor pode se revestir.

Quando me entrego verdadeiramente, transmito a sinceridade necessária ao amor. Torno-me mais forte ao esforçar-me pelo outro. Torno-me mais feliz ao plantar poesias no coração do ser amado. Torno-me o melhor que posso ser ao dar ao outro o que mais ele precisa. Quando entrego ao ser amado aquilo que há de mais precioso no coração, recebo um amor que renova os ânimos e acalma a alma, porque, inegavelmente,

“O amor é uma força que produz amor.”

Para um homem na primeira vez de uma mulher

Para um homem na primeira vez de uma mulher

Quando vier para o amor, venha com o melhor de si e ao me tocar não se esqueça de abrir os olhos e enxergar a vontade e o desejo meu, mas também a ansiedade e o medo que vivem em mim.

Lembra que todas mulheres levam na bagagem um bocado de expectativas e que muitas delas dizem respeito à primeira vez em que na cama se entregam a alguém.

Ser o primeiro a puxar a cortina que guarda esse momento é como encenar uma mágica tomando para si a responsabilidade de fazer a magia do encantamento e entrosamento acontecer.

Vem então, ludibria os meus olhos e encanta minha mente. Tomando cuidado para caber em mim na medida certa.

Lembra que eu nunca amei, lembra que meu corpo nunca foi de um alguém e que ele clama agora temeroso pelo toque seu.

Descobre o que há em mim que desconheço. Ensina-me o amor da carne. Me possui com o teu carinho e enxerga quem sou. Esquece aquilo que sai dos lábios meus pela ansiedade que me chacoalha por dentro.

Apodera-se de mim e me faz esquecer que preciso saber o que não sei. Me domina, calando com beijos todas as coisas ruins que me contaram antes de eu aqui estar.

Eu tenho receio de não saber me fazer amar e quero desesperadamente ficar, mas as vezes o medo em mim é largo e me faz querer correr para longe ao imaginar expostas as fragilidades minhas.

Você é a felicidade que sempre busquei e tê-lo tão perto, sentindo teu cheiro inundar meu mundo, me faz lembrar que as vezes o amor é tão bom que nem parece verdade.

Estremece então minha razão e entorpece meu mundo até que em uníssono nossos corações sejam apenas um.

Sorri dos meus receios bobos, das minhas vergonhas infundadas, da minha ignorância em não saber nada sobre o prazer do corpo meu e tenha comigo amor, cuidado e afeto.

Pega-me como se eu fosse um pássaro buscando voltar para o conforto do ninho e resgata em mim tudo o que posso ser de melhor.

Faz-me descobrir como é estar ao teu lado sem me deixar queimar pela beleza do que é tão atraente e ao mesmo tempo desconhecido.

Preocupe-se comigo e não se evada de mim. Mantenha seus olhos fixos nos meus e sua boca na minha na medida em que toma o corpo meu. Rasga todas minhas dúvidas e me mostra que você é bonito no corpo, na mente e no espírito ao me puxar pra si e se dar a mim, amando-me e enchendo-me de tudo que é.

E assim eu estarei repleta de você, em júbilo, na alegria de ser mulher na tua medida exata, certa de que o amor e seu êxtase dizem respeito não a um, mas a nós dois.

Fotografia de capa: Raul_Romo

“Palavras são mágicas, são como encantamentos sublimes que nos levam para onde quisermos, seja esse onde um lugar ou uma pessoa”. Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

 

Mais uma desculpa para dizer não!

Mais uma desculpa para dizer não!

Chega um feriadinho e a gente logo pensa em como aproveitar da melhor maneira possível :Um passeio, uma reunião com os amigos, quem sabe uma visita aos parentes, pintura da casa, colocar a casa e a vida no lugar.

Mas então a gente começa a se preparar para seja-lá-o-que-for que estamos planejando e… sem pedir qualquer licença se instalam as nuvens negras da tempestade imaginária que vai cair a qualquer momento nas nossas vidas, só porque resolvemos planejar algo mais divertido do que trabalhar e cumprir a rotina fielmente.

Não que trabalhar e viver a rotina sejam coisas negativas, pelo contrário, são essas repetições que regem nosso calendário e fazem os momentos de pausa serem tão valorizados. Mas, penso que não nos demos conta de alguns paradigmas que andamos criando nos últimos tempos.  No dia a dia não temos muitas opções, pois devemos trabalhar e cumprir os afazeres em qualquer situação, com chuva e sol, calor e frio, trânsitos, greves, mal humor,  dores e dores (para todas as variações).

Mas, e que fique bem claro que não estamos falando de nenhuma patologia e sim dos truques que usamos para nos vitimizar, no momento em que consideramos a possibilidade de ousar nos divertir e relaxar, aí o mundo desaba e os pânicos preenchem todos os espaços que deveriam pertencer ao prazer.

  • Vamos ao parque, passar o dia de papo para o ar! – Não podemos, vai chover, vai ventar, o mundo vai se acabar.
  • Vamos combinar um encontro, amigos de escola, há tanto tempo não nos vemos! – Eu não posso, preciso levar meu cão para tosar; – Eu confirmo depois, talvez também não possa; – Pode ser outro dia? (gostaria de estar mais confiante, mais elegante, mais fascinante…)
  • Vamos visitar aqueles parentes que sempre nos convidam! – Não, vamos pegar muito trânsito! – Talvez eles nem estejam em casa!
  • Vamos mudar nosso ambiente, pintar as paredes, os móveis, mudar tudo de lugar! – Não, sinto receio de não me sentir mais em casa!
  • Vamos viajar, ver como é a vida em outro lugar! – Não, não sei se vou gostar da comida; – Não sei se conseguirei dormir; – Não sei se serei capaz de ver gente vivendo de forma mais descomplicada e simples.

E são tantos “vamos” e “nãos” que acabamos concluindo que vivemos com uma cartela de pânicos que nos impedem de dar um passo a mais em favor do nosso conforto.

Sim, porque enfrentamos tudo para ir ao trabalho, mas queremos que o prazer bata à nossa porta,  para nos livrar dos perigos.

É hora, pois, de pensarmos que,  se não enfrentarmos todos esses receios, eles certamente nos engolirão sem piedade, e nossa vida será um emocionante “conto de nadas”!

‘Tive que ficar de luto por minha própria morte’, diz policial que voltou de síndrome do encarceramento

‘Tive que ficar de luto por minha própria morte’, diz policial que voltou de síndrome do encarceramento

Como policial, a britânica Clodagh Dunlop já teve muitas experiências de dar medo.

Mas, após sofrer um derrame em abril, ela enfrentou um desafio ainda maior: a síndrome do encarceramento.

“Foi a experiência mais assustadora da minha vida”, disse ela.

Por quase três meses, Clodagh, que é da Irlanda do Norte, não conseguia falar nem se movimentar. Ela só podia se comunicar piscando. No entanto, sua mente funcionava normalmente.

A síndrome do encarceramento é uma paralisia dos músculos do corpo que afeta uma pequena parcela das vítimas de AVCs (acidentes vasculares cerebrais) ou de traumas graves no cérebro. Não há tratamento ou cura para a doença, e a recuperação é muito rara.

Clodagh é uma dessas exceções. Na primeira entrevista à rádio que concedeu após recuperar a fala, ela disse à BBC que, enquanto seu corpo estava completamente paralisado, ela se mantinha completamente consciente de tudo que acontecia a seu redor.

‘Estou aqui’

“Lembro de tudo, desde a hora em que acordei na UTI”, disse. “Foi uma experiência muito surreal. Eu queria gritar para todos: ‘Estou aqui’. Via que minha família e meu parceiro, Adrian, estavam tristes e queria reconfortá-los, mas não podia fazer nada. Você se torna um prisioneiro em seu próprio corpo.”

Foi no dia do seu aniversário, em maio, que Clodagh começou a mostrar sinais de que poderia escapar dessa prisão.

“Uma amiga minha me visitou e eu estava tentando dizer a ela que eu queria remédios”, disse. “Eu tinha um quadro com letras para soletrar o que queria e piscava para dizer isso, mas ela não parava de tentar adivinhar o que eu queria.”

“Fiquei com muita raiva. Gritei com ela e essa foi a primeira vez que eu consegui fazer barulho e meus braços se mexeram um pouco. Fui de brava para feliz. Foi um momento marcante.”

Luto
A síndrome do encarceramento afeta determinadas áreas do cérebro, e Clodagh teve que reaprender a fazer coisas básicas, como respirar e engolir.

Agora, ela está reaprendendo a andar, em um hospital de Belfast. No longo prazo, seu objetivo é voltar a correr mais de 6 km por dia, como costumava fazer.

“Tive que ficar de luto por minha própria morte”, pondera. “A pessoa que eu era ainda está dentro de mim, mas tive que aceitar que nunca mais serei aquela pessoa. Tenho que deixar ela para trás.”

“Aprendi muito sobre humildade e compaixão. Você é um observador silencioso do mundo quando está trancado em você mesmo. Quero compartilhar minha experiência para ajudar outras pessoas e fazer a diferença.”

“Hoje, olho para trás e penso que eu era uma jovem notável. É uma chance que a maioria das pessoas não tem, elas nunca apreciam quem elas são. Sempre querem ser melhores.”

Clodagh trabalhou como policial na cidade de Londonderry, a segunda maior da Irlanda do Norte, por oito anos. Em 2012, ela ganhou um prêmio de policiamento comunitário.

Ela espera, um dia, pode retornar as suas funções.

“Adoraria voltar ao trabalho. Amava Derry e as pessoas de lá. Ficaria muito orgulhosa se um dia pudesse voltar.”

Fonte indicada: BBC Brasil

10 maneiras terríveis pelas quais pais estão machucando filhos

10 maneiras terríveis pelas quais pais estão machucando filhos

Por Renata Finholdt

Com certeza queremos tudo do bom e do melhor para nossos filhos e muitas vezes usando este raciocínio acabamos fazendo mal a eles. Tentando acertar, com frequência erramos, e quando nos damos conta disso já pode ser tarde demais, pois ajudamos a criar adultos completamente egocêntricos.

1. Passamos a adorá-los

Atendemos todas as suas vontades e desejos, compramos tudo o que eles nos pedem, e passamos não só a amá-los, mas adorá-los. Além de pais somos seus maiores fãs e eles nossos ídolos. Até que ponto tudo isso é saudável? É preciso ter cuidado com certos radicalismos que prejudicam o bom desenvolvimento infantil.

2. Aceitar suas limitações

Muitos pais não aceitam que seus filhos tenham suas próprias limitações, todos nós temos. Supervalorizam seus pequenos e não aceitam que ninguém diga o contrário.

3. Confundir nossos anseios com os deles

Muitos pais frustrados por não terem se tornado algo que sonhavam em sua juventude, se veem transferindo este sonho para seus pequenos. Fazem de tudo para que eles realizem os sonhos que ficaram em seu passado e com isso vivem as vitórias de seus filhos sem ao menos questioná-los se este também é o sonho deles.

4. Serem amigos ao invés de pais

Com o desejo de agradar os pequenos alguns pais passam a fazer o papel de melhores amigos ao invés de pais. Os filhos precisam de pais presentes, que ensinam, cobram, dão carinho e amor. Muitas vezes estes mesmos filhos ficarão bravos com seus pais, mas no futuro entenderão que tudo o que foi feito foi para o bem deles. Quando assumimos o papel de amigos neste relacionamento de pais e filhos corremos o risco de esquecermos de impor os limites necessários para que não fiquem chateados conosco.

5. Competir com os filhos dos outros

Se o filho do vizinho faz cursos extracurriculares e o seu filho não, os pais competitivos tendem a colocá-los em mais cursos do que os do vizinho a fim de mostrar aos outros que o seu pequeno é melhor. Parece uma atitude horrível, mas muitas famílias têm a necessidade de mostrar superioridade e acabam tratando seus filhos como negócios ao invés de agirem simplesmente promovendo o bem-estar dos pequenos.

6. Pular a infância dos pequenos

Criança precisa brincar, divertir-se, correr, desenhar, pintar para desenvolverem-se felizes e sadias, porém, muitos pais aproveitando-se da beleza dos pequenos ou até mesmo de algum dom ou talento fazem com que estes tenham uma vida de adulto em plena infância. Os pequenos trabalham e estudam e não têm tempo para aproveitarem a fase da infância.

7. Faça o que eu digo e não faça o que eu faço

Agir de acordo com o que você ensina a seus filhos é uma coerência necessária aos pais. Eles observam a todo o momento nossas ações e as gravam em suas mentes muito mais do que nossas palavras.

8. Conhecer os pequenos

Quais são os talentos de seus pequenos? O que eles realmente gostam de fazer para divertirem-se? Há pais que têm em sua mente uma lista engessada de coisas que as crianças devem fazer e tentam a todo custo implementá-la dentro de sua família. Há meninas que não gostam de brincar com bonecas, mas isso não as deixa menos femininas que outras. É importante conhecer os pequenos.

9. Falta de diálogo

Quem disse que criança não sabe conversar? Não só sabe como tem muito a dizer. Ter um tempo para conversar com ela e saber como foi seu dia na escola, as coisas que gosta, quem são seus amigos é muito importante para que se sintam importantes e parte de uma família.

10. Subestimar

Nunca permita que de sua boca saiam palavras que ofendam seus filhos, certos insultos ficarão gravados no coração deles pelo resto de suas vidas e o pior é que passarão a acreditar que são aquilo mesmo que você disse, afinal os pais o veem desta forma.

Criar os filhos é uma tarefa árdua, mas muito compensadora. Cuide dos seus limites para não exagerar em algumas atitudes, muitas vezes temos a tendência de jogar uma bomba para matar um único pernilongo.

Fonte indicada: Família

O Narciso Invertido ou a Hipocrisia Cotidiana

O Narciso Invertido ou a Hipocrisia Cotidiana

Popular é o mito de Narciso, que de tão apaixonado consigo, ao admirar-se no lago, tornou-se uma flor. Dos antigos gregos aos dias de hoje, o narcisismo configurou-se em uma expressão comum, quase banalizada, e tão banalizado talvez, o ato de ser narcisista. As interpretações equívocas sobre a autovalorização acabam por alimentar atitudes pouco assertivas, defensivas e incoerentes, daqueles que temem ser desvalorizados em relação aos outros. O julgamento precipitado é uma das consequências dessa ideologia de amor próprio que se dissemina sem a devida reflexão, levando, neste casos, apenas à hostilidade com todos que não sejam a si mesmo ou que não atendam às expectativas dos “senhores do lago”.

Das mais infelizes reminiscências dessa paixão descomedida que alguns alimentam por si, estão as projeções alienadas dos próprios defeitos nos outros. Não raro munidos de “psicanálise de revista”, tais indivíduos tendem a analisar as pessoas, a examiná-las como se fossem uma peça em exposição, para decidir pela aquisição ou não do que se apresenta. Inconscientes ou não da sua postura de objetificação do outro, impossibilitados de munir-se de fato do autoconhecimento com todas as suas durezas – aquele que nos revela os nossos mais estapafúrdios defeitos – projetam no sujeito objetificado de sua apreciação as suas incertezas, os seus medos, suas inseguranças e falhas. Logo, o outro admirado transforma-se em objeto de deterioração.

É como se Narciso, ao olhar-se no lago, se desse conta de uma qualquer imperfeição – ignorada até então, tão distraído pelos seus encanto consigo. E então, atribuísse essa visão aterrorizante do defeituoso, do grotesco, dos distorcido, ao lago, condenando-o pela visão indesejada de suas falhas. É como os que culpam o espelho pela sua expressão carrancuda em vez de reconhecer o efeito de suas dores e amarguras sobre o seu corpo. É como aqueles que nos culpam por não admitirem que aquilo que nos apontam, na realidade, não passa de uma carapuça sob medida, feita especialmente para si, e não para quem pretendem condenar.

É como a pessoa que comete estupro e culpa a vítima por usar roupas indecentes. É como o ladrão que culpa o lesado por exibir seus pertences em público. É como o político corrupto que atribui sua falta de ética à alienação da população. Em meio a tudo isso, temos atitudes menos condenáveis; banais maus tratos cotidianos se justificam assim, como tanto do que é visto e sentenciado efusivamente quando exibido nos mios de comunicação. Mas quando somos nós estes narcisos invertidos, quando, por ventura, desolados e arrependidos, pelo lago que turvo e minguado já não nos oferece nem um borrão de reflexão, esperamos apenas por condescendência, por compreensão.

Enquanto lagos enturvecidos, resta-nos engolir a carapuça que não nos serve, afoga-la, enterra-la por redemoinhos junto às areias lamacentas e às algas lodosas. Sepulta-la bem fundo, esquecida, deteriorando-se, alimentando a terra, até que volte a ser terra, já que é à terra que tudo retorna. E de retorno em retorno, depois de algum tempo, é certo que o nosso brilho também torna.

Profissionais de ajuda e as dores que carregam no jaleco

Profissionais de ajuda e as dores que carregam no jaleco

Quando olhas para o humano que há por trás do jaleco do profissional da saúde o que vês? És capaz de enxergar nele o potencial para a cura? Percebes sua capacidade de empatia? Consegues detectar seu grau de conhecimento? Assim… só de olhar para ele… quantas coisas passam pela sua mente? Quantas crenças? Quantos julgamentos? Mas, será que quando olhas bem a fundo e bem de perto és capaz de enxergar suas dores, que muitas vezes nem mesmo ele sabe que carrega no jaleco?

Antes de dedicar-me apenas a Psicologia Clínica no consultório me especializei e trabalhei na área hospitalar. Por onde passei conheci pessoas espetaculares, de uma humanindade à flor da pele, de conhecimento e dedicação profunda a tudo o que faziam. Mas, também conheci outros profissionais que um tanto me intrigavam. Estes pareciam indiferentes a qualquer tipo de sentimento alheio e, por vezes, até aos seus próprios. Permaneciam automatizados em suas funções, encapsulados nas couraças de seus papéis de especialistas. Alguns tinham técnica aperfeiçoada, mas faltavam-lhes a destreza para perceber os detalhes, detectar sinais e responder empaticamente às relações com pacientes, familiares e equipe. Outros tratavam todos do mesmo jeito, convertiam pacientes em números, leitos, enfemidades e partes do corpo. Pareciam insensíveis a dor e ao desespero.

Esse último grupo me chamou tanto a atenção que me propus a investigar o que realmente acontecia. O que poderia haver por trás do que se manifestava na forma de sintomas e comportamentos tão opostos ao que se espera de uma pessoa que se dispõe a cuidar do outro?

Para desvendar esse mistério precisei ir para além dos rótulos com os quais muitos de nós também acabamos etiquetando esses profissionais. Não podia considerá-los de antemão culpados, más pessoas, irresponsáveis, frios, insensíveis e charlatões. Carecia compreender do que falavam seus sintomas, assim como a febre nos avisa da infecção.

Foi então que encontrei na descrição dos sintomas da Síndrome de Burnout muitos dos comportamentos que relatei anteriormente. Além da exaustão emocional e da baixa satisfação e envolvimento com o trabalho, uma característica do quadro é a Despersonalização. Esta é marcada pelo desenvolvimento de uma insensibilidade emocional, sendo que o profissional passa a tratar seus clientes e colegas de trabalho como objetos e de forma fria, impessoal e massificada. Há uma intensa negação da subjetividade (do outro e si próprio) e uma diminuição dos contatos pessoais para evitar a angústia.

Veja também o artigo: Síndrome de Burnout: E quando o profissional adoece?

contioutra.com - Profissionais de ajuda e as dores que carregam no jaleco
Tired Hospital Worker — Image by © 68/Ben Edwards/Ocean/Corbis

Mas, o que leva um profissional de ajuda a desenvolver um quadro assim? E porque tantas pessoas desenvolvem os mesmos sintomas e passam pelo mesmo processo?

Existem diversos fatores desencadeantes, que vão da qualidade do ensino e formação do profissional até as caracteristicas do local em que trabalha. Mas, parece que uma delas é essencial: a falta de tempo e preparo que os profissionais da saúde possuem para cuidar da carga emocional inerente às relações interpessoais que desenvolvem com pacientes, familiares e equipe.

Saímos da faculdade imbuídos de uma grande expectativa de ajudar as pessoas e colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos durante a formação. Porém, poucos de nós saímos prontos para lidar com os aspectos subjetivos do cuidado e de como eles nos afetarão ao longo dos anos. Desejamos curar, reabilitar, salvar vidas, testemunhar finais felizes. E, com isso, não nos desenvolvemos para lidar com os sentimentos que aflorarão diante dos erros profissionais, das perdas, dos lutos e dos fracassos. E, muitas vezes, também não nos preparamos nem mesmo para o nosso próprio adoecer e para estarmos no lugar de paciente.

As pesquisas mostram que a população mais afetada pela Síndrome de Burnout é justamente a com menos tempo de formação e com idade até 30 anos. Neste período ainda estamos envoltos na idealização profissional, não sabemos reconhecer os próprios limites, temos muitas inseguranças e nos faltam recursos internos para o enfrentamento das inúmeras situações de crises que iremos presenciar.

Mas, a relação profissional-paciente não espera que estejamos 100% prontos para nos chamar para a ação. Somos encarregados do cuidado de outros seres humanos fragilizados e de alguma maneira vamos criando defesas para lidar com o custo emocional que envolve cada caso.

E, à cada situação de crise vamos lidando com a dor através das ferramentas que se encontram disponíveis no momento: negamos, nos distanciamos, deslocamos para outros relacionamentos, agimos agressivamente no trânsito, excedemos na bebida, extravasamos na vida, nos congelamos emocionalmente para evitar mais angústia e assim por diante. Mas, em algum momento, a corda que permanece em pura tensão arrebenta e, as dores que estavam camufladas no jaleco transbordam e nossa vulnerabilidade se torna aparente.

Neste momento não há mais o que negar! Estamos adoecidos! Será preciso mudar a postura, se colocar do outro lado da cena, no lugar de paciente e buscar um caminho para a própria cura.

Mas, será possível evitar tal desfecho? Há outro modo de lidar com toda essa dinâmica que parece tão cristalizada em nossa sociedade, em que a dor não tem espaço para elaboração em qualquer canto e muito menos para àqueles que são chamados cuidadores?

Como Psicoterapeuta de abordagem Junguiana gosto de recorrer aos mitos para ver como eles podem nos ajudar a entender simbolicamente as questões da vida. E neste caso há um que nos é capaz de auxiliar a refletir sobre a questão. Trata-se do Mito do Curador-Ferido:

Fruto da união de Apolo com Corônis, Esculápio foi abandonado no monte Títion logo após seu nascimento, onde foi amamentado por cabras e protegido por um cão. Ali foi encontrado por um pastor de cabras e, neste momento, é profetizado que o menino encontraria a cura para todas as doenças e ressuscitaria os mortos. Em outra versão, a mãe de Esculápio comete adultério e é descoberta por Apolo que a mata. Arrependido, Apolo faz uma incisão cesárea em Corônis fazendo nascer Esculápio. Depois disso, o menino é entregue a Chíron ou Quíron para ser educado.

Sob a tutela de Quíron, Esculápio se familiarizou com as plantas e seus poderes curativos, tornando-se um grande curador, chegando ao ponto de conseguir ressuscitar pessoas. Tal fato irritou o deus do mundo dos mortos, Hades, uma vez que as pessoas não morriam e não iam para o seu mundo. Assim, Hades solicitou uma atitude de Zeus, que acabou punindo Esculápio, matando-o fulminado com um raio.

A história de Esculápio traz à tona a questão do poder e da inflação na prática terapêutica. Detentor de um conhecimento específico (ressuscitar os mortos), Esculápio deixa de respeitar as próprias leis da vida, o que acaba despertando a ira dos deuses e causando sua morte.

Muitas vezes, os profissionais da saúde acabam agindo assim. Mobilizados por suas expectativas, por sentimentos de onipotência e auto exigência, e alimentados racionalmente pelo arcabouço de conhecimentos adquiridos, esquecem-se de respeitar aspectos vitais e, por vezes, a própria realidade. Podemos encontrar essa atitude, por exemplo, nos casos de obstinação terapêutica, distanasia, abusos de poder, etc., muitos discutidos nas práticas de saúde atualmente.

No lado positivo do mito de Esculápio, temos a forma como se davam as curas. Nestes casos, a pessoa doente era levada a um templo, o “àbaton” onde ficava aguardando ter um sonho de cura, em que o próprio deus aparecia e intervinha tocando no local doente ou informando como a pessoa deveria proceder para que a cura ocorresse. Muitas vezes, o deus era manifestado por uma serpente, símbolo da capacidade de renovação dado a possibilidade da mesma de trocar sua pele, o que significaria liberta-se da doença e dar lugar a um novo indivíduo. Assim, a cura não ocorria pela intervenção de um médico humano, mas de um médico divino e interior que se manifestava por meio de mecanismos vindos do inconsciente e simbolizados pelo doente no momento em que este se encontrava incubado no templo.

Neste caso, podemos pensar que o paciente tem um papel ativo e importante no seu processo de cura e que precisa compreender qual as mudanças que precisa realizar em sua vida para restabelecer sua saúde. É o que na prática chamamos de processo de conscientização e adesão ao tratamento.

Representando outro aspecto do processo curativo, Quíron era um centauro conhecido por dominar a arte da cura. Um deus grego que combina um aspecto animal e um aspecto humano, trazendo consigo o lado instintivo e o lado racional. Metade homem, metade cavalo, Quíron era portador de uma ferida incurável, provocada por uma flecha envenenada recebida acidentalmente de Hércules. Assim, o deus que promove a cura é também o portador do sofrimento e da doença eterna.

A figura mítica de Quíron nos ensina que aquele que é capaz de promover a cura é também o detentor de uma ferida que é eternamente presente. Isto é, todo curador é também um ferido! E tal observação serve-nos de base para restaurarmos nossa humanidade enquanto cuidadores.

Cada encontro, cada luto, cada perda, cada frustração… desperta no profissional de ajuda sentimentos que precisam encontrar espaço para a elaboração. Estar atento à presença de suas próprias mazelas, sofrimentos e dores é que faz com que o profissional da saúde se conscientize de que cada encontro com os pacientes que cuida lhe toca na alma e o mobiliza emocionalmente.

E assim, ele pode restaurar a empatia que é tão essencial numa relação de cuidado. Desfazer-se das couraças e proteções que criou para se proteger não só da dor do outro, mas das suas próprias chagas. Este é o grande trabalho a se realizar. Pois, aprendendo o caminho para a própria cura e cuidado, o profissional da saúde se torna muito mais apto para compreender, avaliar e auxiliar àqueles que cuida no seu próprio processo de transformação.

Cabe à nossa sociedade cuidar também de quem cuida! Humanizar suas feridas e reconhecer seus sintomas como um quadro que merece tanta atenção quanto o de qualquer outro paciente. Colocar os julgamentos de lado e olhar para o profissional que se encontra dentro do jaleco e para suas histórias, suas dores e necessidades de ajuda e de atenção. Reconhecer que todas as pontas da unidade de cuidado (paciente, família e equipe) são essenciais para que se trilhe o caminho de saúde e bem-estar que tanto almejamos quando nos vemos em uma situação de fragilidade. As mudanças precisam começar no ensino e na formação, mas precisam continuar fora dos muros das universidades e dos hospitais, ou seja, dentro de nossas próprias casas e corações.

Dificuldades na infância alteram estrutura do cérebro, diz estudo

Dificuldades na infância alteram estrutura do cérebro, diz estudo

Por Paula Moura

Dificuldades enfrentadas até os seis anos de idade, como doença na família, separação dos pais, mudança de bairro, entre outras, estão relacionadas à internalização de sintomas de depressão e ansiedade que geram alterações na massa cinzenta no fim da adolescência (dos 18 aos 21 anos). Esta conclusão foi publicada em um estudo divulgado no jornal científico JAMA Pediatrics, que analisou um grupo de 494 garotos e suas mães de 1991 a 2010.

“Devemos lembrar que se trata de uma escala de estresse. É normal ter um pouco de estresse na infância, o que medimos é um acúmulo de vários fatores estressantes”, afirmou ao UOL a coordenadora do estudo e pesquisadora do King’s College, em Londres, Sarah Jensen.

“Problemas de internalização, como depressão, estão extremamente ligados a eventos que aconteceram no início da vida”, explica. A equipe usou como referência 37 tipos de estresse, desde os citados acima até a violência física e emocional contra as crianças e contra as mães.

Segundo os autores, o estudo é importante porque mostra que é possível prevenir diversos problemas, em vez de achar que depressão e ansiedade são causados apenas pela genética. “A descoberta de que as experiências da infância podem afetar o cérebro mostra que a primeira infância não é só um período de vulnerabilidade, mas também de oportunidade”, conclui. “Intervenções contra a adversidade podem ajudar a prevenir que crianças internalizem sintomas e as proteger contra o desenvolvimento anormal do cérebro.”

As mães também apresentaram níveis de internalização de sintomas (depressão e/ou ansiedade) quando os garotos tinham 7, 10 e 13 anos. Os dados foram coletados por meio de imagens de ressonância magnética.

contioutra.com - Dificuldades na infância alteram estrutura do cérebro, diz estudo
Criança chora enquanto caminha na varanda do jardim de uma escola que abriga pessoas desalojadas pelos ataques aéreos no Iemên liderados pela Arábia Saudita, na capital do país Sana. A foto é de agosto de 2015

Sarah e Edward Barker, outro autor do estudo, explicam que existem duas maneiras de reagir à adversidades, uma é a internalização de sintomas, que é o caso da pesquisa, e a externalização, que se reflete no comportamento das pessoas. A equipe observou três partes do córtex associadas à internalização de sintomas. “A ideia é que algumas partes do cérebro que eram associadas com a internalização de sintomas na verdade estão associadas à adversidade”, diz Barker.

Nas crianças que internalizaram sintomas de depressão e ansiedade, o giro frontal superior apresentou um volume inferior de massa cinzenta. “Isso vai de encontro com estudos anteriores que mostram que regiões frontais do cérebro estão implicadas na depressão”, diz Sarah.

Em relação ao volume do precuneus (região do lobo parietal), houve uma surpresa. Existe uma associação positiva entre adversidades e aumento de volume. “Normalmente, o estresse tem um efeito tóxico sobre o cérebro e a massa cinzenta é menor, mas neste caso, foi maior. Pode ser uma proteção, uma compensação, ou quer dizer que algum nível de estresse tenha um efeito positivo nesta área, mas não sabemos ao certo”, explica Sarah. Essa região já havia sido associada a experiências adversas como maus tratos.

O estudo foi feito apenas com meninos por ter sido feito juntamente com outra pesquisa que observou apenas crianças do sexo masculino. A coordenadora avalia que trata-se de uma limitação e que seria interessante repeti-lo com meninas também.

Fonte indicada: Notícias Uol

Diminuir a infelicidade não é a mesma coisa que aumentar a felicidade

Diminuir a infelicidade não é a mesma coisa que aumentar a felicidade

Em 30 de janeiro de  2014, aconteceu no TEDxJardins-  Sao Paulo, Brasil a palestra de Helder Kamei que separamos para nossos leitores.

Helder Kamei
Pesquisador e professor de Psicologia Positiva.
Psicólogo, mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela USP, pesquisador em Ciências do Bem-Estar e Relações na Natura, professor de Psicologia Positiva no programa de MBA em Desenvolvimento do Potencial Humano na Franklin Covey Business School. É autor do blog www.flowpsicologiapositiva.com. Desde 2006 dedica-se ao estudo de temas da Psicologia Positiva, tais como: felicidade, bem-estar, flow (estado de fluxo), motivação, engajamento, emoções positivas, forças e virtudes do caráter, sentido de vida e desenvolvimento do potencial humano.

“Insônia”, por Fernando Pessoa

“Insônia”, por Fernando Pessoa

Depois de uma noite mal dormida, toda a gente não gosta de nós. O sono ido levou consigo qualquer coisa que nos tornava humanos. Há uma irritação latente connosco, parece, no mesmo ar inorgânico que nos cerca. Somos nós, afinal, que nos desapoiámos, e é entre nós que se fere a diplomacia da batalha surda.

Tenho hoje arrastado pela rua os pés e o grande cansaço. Tenho a alma reduzida a uma meada atada, e o que sou e fui, que sou eu, esqueceu-se de seu nome. Se tenho amanhã, não sei senão que não dormi, e a confusão de vários intervalos põe grandes silêncios na minha fala interna.

Ah, grandes parques dos outros, jardins usuais para tantos, maravilhosas áleas dos que nunca me conhecerão! Estagno entre vigílias, como quem nunca ousou ser supérfluo, e o que medito estremunha-se com um sonho ao fim.

Sou uma casa viúva, claustral de si mesma, assombrada de espectros tímidos e furtivos. Estou sempre no quarto ao lado, ou estão eles, e há grandes ruídos de árvores em meu torno. Divago e encontro; encontro porque divago. Meus dias de criança vestidos vós mesmos de bibe!

E, em meio de tudo isto, vou pela rua fora, dorminhoco da minha vagabundagem folha. Qualquer vento lento me varreu do solo, e erro, como um fim de crepúsculo, entre os acontecimentos da paisagem. Pesam-me as pálpebras nos pés arrastados. Quisera dormir porque ando. Tenho a boca fechada como se fosse para os beiços se pegarem. Naufrago o meu deambular.

Sim, não dormi, mas estou mais certo assim, quando nunca dormi nem durmo. Sou eu verdadeiramente nesta eternidade casual e simbólica do estado de meia-alma em que me iludo. Uma ou outra pessoa olha-me como se me conhecesse e me estranhasse. Sinto que os olhos também (…) com órbitas sentidas sob pálpebras que as roçam, e não quero saber de haver mundo.
Tenho sono, muito sono, todo o sono!

Fernando Pessoa
“O Livro do Desassossego”

“A prenda”, uma história encantadora declamada por Mia Couto

“A prenda”, uma história encantadora declamada por Mia Couto
Ghana © Kai Jacobson

A PRENDA

O menino
recebeu a dádiva.

Era o seu dia, assim disseram.

Estranhou:
os outros dias não eram seus?

Se achegou.
Espreitou.

A oferenda,
era coisa nenhuma
que nem parecia existir.

– O que é isso?, perguntou.
– É uma prenda, responderam.

Que prenda poderia ser
se tinha forma de nada.

– Abre.

Abrir como
se não tinha fora nem dentro?

– Prova.

Como provar
o que não tem onde se pegar?

Olhou melhor.
Fixou não a prenda,
mas os olhos de quem a dava.

Foi, então:
o que era nada
lhe pareceu tudo.

Grato,
retribuiu com palavra e beijo.

O que lhe ofereciam
era a divina graça do inventar.

Um talento
para não ter nada.

Mas um dom
para ser tudo.

Mia Couto

No livro “Vagas e Lumes“, págs. 105 e 106

Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo

Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo

REFLEXÕES SOBRE A ARTE DE VIVER” [TRECHO]
Por Joseph Campbell

Se você quer um título universitário para compensar um complexo de inferioridade, abra mão do complexo, pois ele é algo artificial.

Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma e faz isto. Se você quer o título para dar aulas, o ideal é fazer o curso da maneira mais rápida e fácil. Tendo recebido o diploma, aí você expande a sua educação.

Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a Universidade de Paris. Estava dedicando-me ao francês e ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian – toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha, comecei a estudar Sânscrito e me envolvi com o hinduismo. Depois Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo – deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: “Devo voltar para aquela garrafa?” Meu interesse pelo romance celta se fora.

Fui à universidade e disse: “Olha, não quero voltar para aquela garrafa”. Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isto eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.

É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja.

Outras pessoas têm um monte de planos para você.

Ninguém quer que você faça o que você quer fazer.

Eles querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que quiser.

Eu fiz isto. Fui para o mato e li durante cinco anos.

Foi entre 1929 e 1934, cinco anos. Fui para uma pequena cabana em Woodstock, Nova York, e mergulhei. Tudo que fazia era ler, ler, ler, e tomar notas. Foi na época da Grande Depressão. Eu não tinha dinheiro, mas havia uma importante distribuidora de livros em Nova York chamada Stechert – Hafner, e eu escrevia e pedia livros para eles – os livros de Frobenius eram caros – e eles me mandavam alguns exemplares, e eu não pagava. Era assim que as pessoas agiam durante a Depressão. Eles esperaram até eu conseguir um emprego, e então eu os paguei. Foi um gesto muito nobre. Fiquei realmente grato por eles.

Li Joyce, e Mann e Spengler. Spengler fala de Nietzsche. Vou a Nietzsche. Então, descubro que não se pode ler Nietzche sem ter lido Schopenhauer, e por isso vou a Schopenhauer. Descubro que não se pode ler Schopenhauer sem ter lido Kant. Então, vou a Kant.- bem, concordo, você pode começar daqui, mas é bem difícil. Depois Goethe.

Era excitante ver que Joyce estava na verdade, lidando com o mesmo material. Ele nunca menciona o nome de Schopenhauer, mas posso provar que esse foi uma figura importante na forma como Joyce construiu seu sistema.

Depois leio Jung e vejo que a estrutura de seu pensamento é basicamente a mesma de Spengler, e fico reunindo todo este material.

Não sei como passei esses cinco anos, mas estava convencido de que ainda sobreviveria a mais alguns. Lembro-me de uma ocasião em que tinha uma nota de um dólar na gaveta de uma cômoda, e eu sabia que enquanto ela estivesse ali, eu ainda contaria com meus recursos. Foi bárbaro. Eu não tinha responsabilidade, nenhuma. Era excitante – escrever meus comentários no diário, tentar descobrir o que eu queria. Ainda tenho tudo isto. Quando leio esse material hoje, não consigo acreditar. Na verdade, houve momentos em que quase pensei – quase pensei – “Caramba, gostaria que alguém me dissesse o que eu tenho de fazer”, algo assim Ser livre, implica tomar decisões, e cada decisão é uma decisão que altera o destino. É muito difícil encontrar alguma coisa no mundo exterior que se ajuste ao que o sistema dentro de você tanto anseia. Hoje, sinto que tive uma vida perfeita: aquilo de que precisava apareceu justamente quando eu precisava. Na época, eu precisava viver sem emprego durante cinco anos. Isso foi fundamental.

Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito. E tem uma teoria: se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

Trecho do livro”Reflexões sobre a Arte de Viver” publicado pelo site Terra Mística e reproduzido pelo blog Dharmalog.

10 sinais de aviso da doença de Alzheimer e de demências em geral

10 sinais de aviso da doença de Alzheimer e de demências em geral

Por  Travis Jon Allison

Como é que você sabe se os seus pais idosos sofrem da doença de Alzheimer ou de outras demências? Se eles se esquecem onde colocam as chaves de casa ou se confundem os dias da semana? Isso não é suficiente, existem outros sinais de aviso que podem ser determinantes na descoberta da doença. Conheça 10 sinais de aviso da doença de Alzheimer e de demência e observe-os com a máxima atenção.

A demência e a doença de Alzheimer são desordens que afetam o correto funcionamento do cérebro e provocam uma deterioração lenta e progressiva de diversas funções do conhecimento. Os médicos são as únicas pessoas que conseguem diagnosticar estas perturbações, mas os cuidadores podem exercer um papel muito importante ao detetar os sinais de aviso principais. Dos mais importantes, destacam-se os 10 seguintes:

1. Esquecimento e perda de memória

Dos vários sintomas que a doença de Alzheimer apresenta, um dos mais comuns é a perda de memória. No entanto, se a pessoa idosa não se recordar onde colocou os seus sapatos, isso não quer dizer que sofra de Alzheimer ou de demência. Qualquer pessoa pode, por vezes, esquecer os detalhes de uma conversa, isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Porém, o que não é normal, é esquecer-se de uma conversa inteira quando ela teve lugar há momentos atrás. A doença de Alzheimer e a demência são perturbações que afetam, em primeiro lugar, a memória de curto prazo, o que significa que a pessoa afetada se esquece de toda a informação recente que aprendeu. Por outro lado, também existe uma enorme dificuldade em fixar datas, aniversários ou outros eventos importantes. As pessoas afetadas estão constantemente a fazer as mesmas perguntas e, muitas vezes, esquecem por completo os rostos dos amigos e dos familiares mais próximos.

2. Falta de concentração e confusão

Ficar confuso sobre os tempos e os lugares é um sinal de demência e da doença de Alzheimer. Geralmente, as pessoas afetadas têm muitas dificuldades de concentração e demoram mais tempo a tomar medidas e decisões. Como consequência dessa situação, esquecem-se frequentemente do local onde se encontram e de como lá foram parar. Têm muitas dificuldades em perceber e distinguir um evento passado de um presente ou de um futuro, pois não conseguem ter a noção e a consciência do espaço e do tempo em que vivem.

3. Perder as coisas e trocar-lhes o lugar

Uma pessoa que sofre deste tipo de desordens pode colocar as coisas em locais incomuns. Por exemplo, pôr as chaves de casa fora do seu local habitual pode acontecer a qualquer um, mas colocá-las no interior do forno na cozinha pode ser um dos sintomas da doença de Alzheimer. Um paciente com demência ou Alzheimer pode perder um objeto e ser incapaz de refazer os passos dados para o tentar encontrar. Também é muito comum acusarem outras pessoas de roubo quando determinados objetos estão perdidos ou fora do seu local habitual.

4. Dificuldade em realizar tarefas familiares

Uma pessoa que sofre de demência ou da doença de Alzheimer tem muitas dificuldades na realização das tarefas mais básicas do dia-a-dia, como cuidar da sua higiene pessoal, saber que roupa vestir ou que alimentação seguir. As pessoas podem ter problemas em lembrar-se de como conduzir um automóvel, como cozinhar o seu prato favorito ou como jogar às cartas. Podem começar a confiar mais no cônjuge ou num membro da família para fazer as coisas por eles.

5. Problemas de fala e de linguagem

A repetição frequente de palavras, frases, perguntas ou atividades é uma característica da demência e da doença de Alzheimer. Uma pessoa que sofre destas perturbações tem muita dificuldade em se lembrar do nome correto das coisas e da maneira como elas são apelidadas. Por exemplo, é normal utilizarem expressões como “aquelas coisas de ver” quando se querem referir aos óculos ou “aquilo que dá música” quando falam do rádio.

6. A não resolução de exercícios simples de matemática

Quando as pessoas estão num estágio inicial de demência e da doença de Alzheimer podem ter muitas dificuldades em trabalhar com números e não conseguem resolver exercícios simples de matemática. Podem existir muitos problemas na realização de operações bancárias e no pagamento de contas e de prestações. Além da matemática, a doença de Alzheimer também pode agravar os problemas de visão de uma pessoa, nomeadamente a perceção de profundidade e de distância e a nitidez das cores.

7. Incapacidade de julgar corretamente

Uma pessoa que sofre de demência ou da doença de Alzheimer tem tendência a tomar decisões menos racionais. No entanto, isso não significa que uma pessoa que tenha seguido determinadas opções erradas sofra necessariamente destas perturbações. A incapacidade de julgar corretamente é visível quando alguém ponderado começa a decidir de uma forma mais impetuosa e radical. Por norma, as primeiras mudanças que ocorrem no julgamento de uma pessoa estão relacionadas com a má gestão das suas próprias finanças.

8. Mudanças de personalidade e de humor

As pessoas que sofrem da doença de Alzheimer ou de demência podem apresentar mudanças repentinas de personalidade e fortes alterações de humor. Podem ficar com medo, desconfiadas, deprimidas, medrosas e até ansiosas. Uma pessoa autoconfiante pode tornar-se hesitante e tímida e rejeitar qualquer tipo de interação social. Elas podem ficar aborrecidas ao sair de casa, pois sentem-se fora da sua zona de conforto.

9. Alterações na higiene pessoal e na limpeza da casa

A súbita falta de atenção para a higiene pessoal e o descuido nas limpezas gerais da casa podem ser um dos sinais de aviso mais evidentes da doença de Alzheimer ou de demência. Todos os pacientes que sofrem destas desordens têm tendência para serem desleixados com a sua aparência e higiene, e esquecem-se, na maioria das vezes, de escovar os dentes, cortar as unhas, tomar banho e até utilizar a casa de banho/banheiro para a realização das suas necessidades. As atividades de limpeza de uma casa também ficam comprometidas, uma vez que não existe qualquer tipo de interesse na sua realização.

10. O afastar-se de amigos ou de familiares próximos

De uma forma geral, as pessoas esquecem-se e afastam-se de amigos ou familiares próximos e de todo o tipo de atividades que faziam em conjunto. Mais do que chamar a atenção para as falhas de memória ou para as dificuldades de comunicação, as pessoas afetadas evitam qualquer tipo de interação e convívio social. Elas ficam embaraçadas e constrangidas quando estão na presença de outras pessoas, especialmente quando têm de comunicar ou realizar algum tipo de tarefa social. Este é um dos sinais de aviso de uma depressão que conduz à solidão e ao afastamento da vida social.

A doença de Alzheimer e a demência só são diagnosticadas quando o relatório médico determinar que existem duas ou mais funções do cérebro afetadas como, por exemplo, a memória e a capacidade de comunicação. Contudo, se detetar que a pessoa que está a seu cargo apresenta algum dos sinais de aviso apresentados, é preciso contactar o seu médico de família imediatamente para fazer um exame mais detalhado.

Fonte indicada: Cuidamos.com

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