O sangue nos faz parentes, a lealdade nos torna uma família

O sangue nos faz parentes, a lealdade nos torna uma família

Todo mundo tem uma família. Ter uma é algo fácil: todos nós temos uma origem e raízes. Entretanto, mantê-la e saber como construí-la, alimentando o vínculo diariamente para conseguir que ela se mantenha unida, já é uma outra questão.

Todos nós dispomos de mãe, pais, irmãos, tios… Às vezes de grandes núcleos familiares com membros que, possivelmente, já deixamos de ver e com quem não convivemos. Precisamos nos sentir culpados por isso?

A verdade é que, às vezes, sentimos uma certa obrigação “moral” de nos darmos bem com aquele primo com quem compartilhamos pouquíssimos interesses, e que tantos desprazeres nos causou ao longo de nossa vida. Pode ser que o sangue nos una, mas a vida não nos encaixa com nenhuma peça, então nos afastarmos ou mantermos um relacionamento justo e pontual não deve ser motivo de nenhum trauma.

Porém, o que acontece quando falamos dessa família mais próxima? De nossos pais ou irmãos?

O vínculo vai além do sangue

Chegamos a este mundo como se tivéssemos caído de uma chaminé. Neste momento, nos vemos unidos a uma série de pessoas com as quais compartilhamos o sangue e os genes. Uma família que nos fará caber em seus mundos particulares, em seus modelos educativos, que tentarão inculcar seus valores, mais ou menos certos…

Às vezes, tende-se a pensar que ser família supõe compartilhar algo além do sangue ou mesmo uma árvore genealógica. Há quem, quase de forma inconsciente, acredita que um filho deve ter os mesmos valores dos pais, compartilhar uma mesma ideologia e ter um padrão de comportamento semelhante.

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Há pais e mães que se surpreendem por ver o quão diferentes os irmãos podem ser entre si… Como pode ser assim se são todos filhos de um mesmo ventre? É como se dentro do núcleo familiar tivesse que existir uma harmonia explícita, onde não existem excessivas diferenças, onde ninguém deve sair do “padrão” e tudo está controlado e em ordem.

Entretanto, algo que devemos saber claramente é que nossa personalidade não é 100% transmitida geneticamente; podem ser herdadas algumas características e, sem dúvidas, ao viver num entorno compartilhado iremos compartilhar uma série de dimensões. Mas os filhos não são moldes dos pais, e os pais nunca vão conseguir que os filhos sejam como suas expectativas querem.

A personalidade é dinâmica, é construída no dia a dia e não atende às barreiras que, às vezes, os pais ou as mães tentam impor. É aí que, muitas vezes, aparecem os habituais desapontamentos, as “colisões”, as desavenças…

Para criar uma ligação forte e segura a nível familiar, devem ser respeitadas as diferenças, promover a independência ao mesmo tempo que a segurança. É preciso respeitar a essência de cada pessoa em sua maravilhosa individualidade, sem colocar muros, sem censurar cada palavra e comportamento…

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Segredos de famílias que vivem em harmonia

Às vezes, muitos pais veem como seus filhos se afastam do lar familiar sem estabelecer mais contato. Há irmãos que deixam de se falar e famílias que veem quantas cadeiras vazias jazem no silêncio da sala de casa.

A que se deve isso? Está claro que cada família é um mundo, um micromundo com suas regras, suas crenças e, também, com as cortinas abaixadas onde só elas mesmas sabem o que aconteceu no passado, e como se vive no presente.

Entretanto, podemos falar disso baseados em alguns eixos básicos que devem nos fazer refletir.

– A educação tem como a finalidade dar ao mundo pessoas seguras de si mesmas, capazes e independentes, para que possam alcançar sua felicidade, e, por sua vez, saibam oferecê-la aos demais.  Como se consegue isso? Oferecendo um amor sincero que não impõe e que não controla. Um carinho que não censura como alguém é, pensa ou age.

 Não devemos responsabilizar sempre os demais pelo que acontece com a gente. Não é necessário culpar a mãe ou o pai por ainda hoje em dia, você se sentir insegura e incapaz de fazer determinadas coisas. Ou aquele irmão que, talvez, sempre foi melhor atendido ou cuidado do que nós mesmos.

Está claro que, na hora de educar, sempre são cometidos alguns erros. Mas nós também devemos ter o controle de nossa vida e saber reagir, ter voz, e saber dizer “não”, e acreditar que somos capazes de empreender novos projetos com segurança e maturidade, novos sonhos sem sermos escravos das lembranças familiares do ontem.

Ser família NÃO supõe compartilhar sempre as mesmas opiniões e os mesmos pontos de vista. E nem por isso devemos julgar, censurar e, menos ainda, desprezar. Comportamentos como estes criam distâncias e fazem que, no dia a dia, encontremos maior lealdade nos amigos do que na família.

– Às vezes, temos a “obrigação moral” de ter que continuar mantendo contato com parentes que nos fazem mal, que nos incomodam, que nos censuram. São família, não cabe dúvida, mas devemos ter em conta que o que importa de verdade nessa vida é ser feliz e ter um equilíbrio interno. Uma paz interior. Se estes ou aqueles familiares prejudicam nossos direitos, devemos impor distância.

A maior virtude de uma família é aceitar a si e aos outros tal e como são, em harmonia, com carinho e respeito.contioutra.com - O sangue nos faz parentes, a lealdade nos torna uma família

Texto original em espanhol de Valeria Sabater.

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

Nem tão cigarra, nem tão formiga. A dose certa para desfrutar!

Nem tão cigarra, nem tão formiga. A dose certa para desfrutar!

Estava aqui pensando numa forma de amenizar a carga dessas protagonistas da fábula, já que, embora tendo êxito, a formiga se matava de trabalhar, e, durante um período grande, era só que fazia.

E um monte de nós faz exatamente do mesmo jeito, prevendo os mais tenebrosos futuros, catástrofes e apocalipses que nunca virão.

É preciso dosar. Nosso passado dá um tom para o nosso futuro, mas não pode ser o comandante deste barco. Quem de nós nunca passou um sufoco, temendo um amanhã incerto, aquela noite de angústias por não ter no que se agarrar? Isso é horrível e quem dera pudéssemos pular essa parte, ou ao menos esquecer. Mas a vida não se resume somente a prevermos os momentos mais duros e estocarmos incessantemente o que julgamos ser vital para sobreviver.

Se for para pensar dessa forma, aí vai uma reflexão: Numa situação extrema, quem de nós conseguirá se fechar junto com suas conquistas e deixar um irmão, um amigo, um semelhante seu desprovido do essencial? De que adianta ser uma formiga egoísta, se for para passar o inverno condenada à solidão e à mesquinharia?

E a cigarra? A pobre infeliz que provavelmente cantava e cantava para espantar seus medos, para não demonstrar que quase nenhuma habilidade tinha, a não ser cantar? É certo que ela nem tentou, como muitas vezes nós fazemos. Se há alguém fazendo por nós, por que não sair e cantar?

Eu não gosto de ser formiga, embora me identifique mais com ela. Tampouco me agradaria ser cigarra, pois em pouco tempo o tédio me mataria.

Na minha fábula pessoal, sempre que eu estiver muito formiga, que me cutuque uma cigarra, que me convide a cantar.

E, naquela fase cigarra, indolente e preguiçosa, que apareça uma formiga e me tire da inércia, do eterno e etéreo desfrute, que me convide a construir algo comum.

E que isso seja recíproco, de modo que a “moral da estória”, seja uma troca interessante de valores e vivências. Quando não nos completamos, não desfrutamos.

Minha mãe não sai do Facebook

Minha mãe não sai do Facebook

O título do meu artigo de hoje foi sugestão de um grande amigo que, ao responder à minha pergunta sobre quais temas poderiam repercutir, me disse:

-Escreve sobre a relação da terceira idade com as redes sociais! A minha mãe não sai do Facebook.

E eu respondi:

-A minha também não.

Estive no litoral no último feriado com minha família e, enquanto meu marido brincava com nosso filho no mar, eu, que não posso me expor ao sol, estava sentada na sombra fazendo o de sempre: observando gente com os trinta e poucos por cento de visão que dizem que eu tenho.

Um homem de mais de sessenta anos estava sentado à minha frente tirando fotos de si mesmo. E ali estava o tão famoso selfie dominando alguém que nasceu na década de quarenta. Ele mudava a posição da câmera e também do rosto, procurando o melhor ângulo (como todos nós fazemos). Acredito que tenha tirado umas vinte fotos pelo menos. Depois passou a manusear o aparelho como se procurasse a foto que mais lhe agradou. Talvez ele tenha usado os filtros, ou não, mas era certo que iria postar a foto no Facebook ou no Instagram, ou ainda enviá-la para um buraco negro sem fim chamado Whatsapp.

Minha mãe ainda não usa os filtros (eu acho), mas entra diariamente no Facebook. Participa de alguns grupos de Whatsapp e acredito que seja difícil para ela hoje em dia imaginar-se longe da tecnologia sem a qual ela viveu por uns sessenta anos. Quando a vejo conectada e vejo o quanto ela se empolga com cada amiga que revê e que consegue agora manter contato, quanto vejo que ela consegue ficar mais perto dos filhos, visto que eu e meus irmãos moramos fora de Limeira e quanto vejo que ela passou a ter mais informações do que antes eu fico feliz por ela ter se conectado. Acredito que, numa avaliação final, a tecnologia termine com saldo positivo.

Enquanto eu tive contato com a internet aos vinte anos de idade, minha mãe passou a vida longe dela. Ela criou os filhos, viajou com a família, foi ao supermercado, passeou com a cachorrinha, fez as unhas, o cabelo e foi a muitos casamentos sem nem sequer carregar um aparelho celular na bolsa. Ela viu a mim e aos meus irmãos crescerem sem tirar fotos do nosso dia a dia. Se quisesse escrever o que sentia, teria que arranjar um diário e trancá-lo a sete chaves. Sim, porque houve um tempo no qual não escrevíamos publicamente o que pensávamos como fazemos agora. Quando ela ganhava os presentes do Dia das Mães, ela não os fotografava para postar, porém ela os guarda até hoje.

Minha mãe passou a vida sem dar check in e sem tirar selfie. Se ela quisesse conversar com uma amiga, teria que pegar o telefone (que por muito tempo tinha um fio ligado à parede) e discar os números que tocariam o telefone de outra casa. Um número de telefone era o de toda a família, então, elas teriam que ter bastante sorte para conseguirem se falar. Sem a tecnologia a vida era mais solitária. Na terceira idade a solidão pode ser maléfica, dessa forma, uma vida conectada depois dos sessenta pode ser saudável. Por que não?

Talvez “ter o mundo nas mãos” encante a minha mãe e talvez isso faça com que a mãe do Zé não saia do Facebook. Elas estão maravilhadas. Elas voltam no tempo postando as fotos da época do colégio e do jardim. Conversam, marcam cafés, mostram suas famílias como faziam antes com as pequenas fotos que tinham dentro da carteira e que só podiam ser mostradas se encontrassem umas às outras no supermercado ou na sala de espera do consultório médico. Elas são jovens de novo. O tempo não existe para o que sentimos. Elas fofocam com as amigas, se entristecem com pedidos de amizade não aceitos, especulam a vida dos outros, se chateiam com não curtidas e com não comentadas em suas postagens – tal qual era na adolescência. Tudo tão humano não é mesmo?

Elas compartilham as tragédias, acreditam piamente em tudo que leem e ficam bravas conosco (os filhos) quando mostramos “que não é bem assim”. Elas erram ao digitar e ao postar, vivem nos pedindo ajuda e não querem que fiquemos fuçando no celular delas. Acho tudo muito divertido.

Foi bonito ver o homem de cabelos grisalhos tirando selfie na praia porque ninguém, absolutamente ninguém publica uma foto de si mesmo que não lhe esteja agradando. Ele ainda gosta de si mesmo! É bonito ver que minha mãe, a mãe do Zé e todas as jovens de mais de sessenta dominaram a tecnologia. Antes havia o crochê, a costura, os livros – todos deliciosos – porém muitas vezes solitários. Hoje há também o Facebook. Que ele possa se intercalar entre a leitura e os trabalhos manuais e que traga alegria a quem passou a vida desconectado, já que hoje isso é cada vez menos possível.

Não deixe para amanhã o que você pode deixar para lá

Não deixe para amanhã o que você pode deixar para lá

“Ficarmos remoendo, passivamente, o que fizemos ou não, o que fizeram conosco, o que dissemos ou deixamos de dizer, os amores que se perderam, o que não foi mas deveria, sem digerir tudo isso em favor de nosso ir em frente, apenas servirá como peso catalisador de tristeza sem fim. E gente triste não avança, não compartilha, não cresce nem encontra o novo, o recomeço.”

Muito já se disse e se escreveu sobre a necessidade de nos desapegarmos de tudo o que não faz mais sentido em nossas vidas e, mesmo assim, continuamos acumulando bagagens inúteis e que emperram o fluxo de nosso caminhar. Retemos dentro de nós mágoas, ressentimentos, utopias, promessas vazias, alimentando o que já se foi em vão. Temos, em vez disso, que aprender a jogar fora o que está obstruindo o nosso respirar, sem titubear.

Assim como os ambientes ficam intransitáveis, quando lotados de quinquilharias, nossos sentidos também não conseguem se renovar, se perdidos em meio a sentimentos negativos guardados dentro de nós. Por mais que seja difícil, é preciso deixar que as coisas vão embora e saiam de nós, para que possamos deixar nosso caminho livre para receber novidades que nos acrescentarão em todos os aspectos.

É preciso ter discernimento para saber o que merece ser mantido guardado conosco a sete chaves e o que deve ser deixado para trás, longe de nossas vidas, distante de nossa alma. Ficarmos remoendo, passivamente, o que fizemos ou não, o que fizeram conosco, o que dissemos ou deixamos de dizer, os amores que se perderam, o que não foi mas deveria, sem digerir tudo isso em favor de nosso ir em frente, apenas servirá como peso catalisador de tristeza sem fim. E gente triste não avança, não compartilha, não cresce nem encontra o novo, o recomeço.

Nossa felicidade também depende dos reveses que nos vitimam, para que se torne ainda mais especial quando se instala em nossas vidas. Todas as dificuldades por que passamos ajudam-nos a sorver os momentos felizes com mais intensidade e clareza, pois, tendo experimentado o gosto amargo da vida, seremos mais fortemente impelidos a buscar o sabor doce que os momentos certos e as pessoas amadas trazem consigo. Estaremos, então, prontos para agendarmos compromissos com tudo aquilo que nos ajudará a buscar a felicidade, desmarcando possíveis desencontros inúteis.

Gastamos muita energia à toa com gente que não nos ama, com coisas de que não precisamos, com sentimentos que só nos atrasam o enriquecimento pessoal. Em contrapartida, perdemos a chance de encontrar pessoas que nos amarão de verdade, de cultivar sentimentos positivos e edificantes, de contemplar a beleza do mundo ao nosso redor, enfim, deixamos escapar a felicidade que se encontra ao nosso dispor, todos os dias.

Não podemos deixar de nos importar com tudo e com todos, adotando uma postura fria e distante, para evitarmos o acúmulo de tranqueiras emocionais. Da mesma forma, não basta negar e enterrar o que de ruim nos acontece, sem o enfrentamento necessário daquilo tudo, para que não haja pendências. Devemos, sim, lidar com toda a nossa bagagem, corajosamente, libertando-nos de amarras vãs, de pesos inúteis, de lembranças doloridas, pois somente assim estaremos inteiramente prontos para receber o melhor que a vida nos reserva. E, acredite, tem muita coisa boa reservada para cada um de nós.

Justino, uma emocionante mensagem de natal

Justino, uma emocionante mensagem de natal

E foi dada a largada para os comerciais de Natal. Uma surpresa foi um anúncio feito para divulgar o prêmio “El Gordo”, uma espécie de aposta coletiva (vulgo bolão de Natal),  da Loteria Nacional da Espanha. Criada pela Leo Burnett Madri, a história de Justino, um vigia noturno que trabalha numa fábrica de manequins, é de enternecer o coração.

Por conta do turno, ele nunca consegue interagir com os colegas de trabalho e… é melhor assistir.

Além da animação impecável,  campanha também conta com a página do Facebook criada especialmente para a fábrica de manequins  e o  Instagram de Justino.

Via http://www.updateordie.com/

Não queira curtidas no face, queira beijos na boca

Não queira curtidas no face, queira beijos na boca

Os quinze minutos de fama preconizados por Andy Warhol encontrou terreno propício nas redes virtuais, que vem se tornando a vitrine perfeita para aqueles que buscam o sucesso e a popularidade. E, nessa busca desenfreada por fãs, seguidores e gigabites de curtidas, muitos de nós acabamos fugindo completamente àquilo que realmente somos. Importa, afinal, ter o instagram, o face e o blog lotado de curtidas e visualizações. Se o que se valorizam são os bens materiais, a beleza física e o guarda-roupa comprado em euros, esse deve ser nosso objetivo, haja o que houver, rumo à felicidade que ilusoriamente parece estar presente nisso tudo.

Para atingir esse objetivo, muitos usam de artifícios como a exposição de seus corpos, flashes de uma vida coreografada, frases pontuadas por chavões e palavras de baixo-calão, que são os principais chamarizes de grande parte dos navegantes virtuais. Nada parece interessar mais ao grande público do que o glamour, o corpo malhado, a fila interminável de parceiros, uma atitude hedonista e um discurso calcado no senso comum. Além disso, ser popular tornou-se uma profissão rentosa, pois há quem viva – e muito bem – com os lucros de um blog, de uma comunidade virtual ou de um instagram que agrega merchandising. E, mesmo que não se lucre com isso, a satisfação de ver as curtidas e visualizações se multiplicarem parece valer todo e qualquer esforço.

Boa parte do público virtual é ávido por notícias sensacionalistas envolvendo os rostos midiáticos conhecidos, fotos de viagens e de hotéis cinco estrelas, físicos perfeitos, atitudes descoladas e afirmações de autoajuda. Então, é isso o que os aspirantes à fama irão fotografar; é assim que irão se comportar; é a forma como irão escrever. Se o artista tem de ir aonde o povo está, como diz a canção, então vamos embora, mesmo às custas de que contrariemos tudo ou parte do que acreditamos, mesmo que nos percamos de nós mesmos nesse processo.

O sucesso alheio serve-nos como parâmetro daquilo por que ansiamos, pois é lá que muitos de nós queríamos estar, sob flashes, em meio a badalações, festas e viagens internacionais, por isso as visualizações se avolumam em publicações desse tipo. Além disso, observar o sucesso do outro a uma distância segura, como a que nos separa dos famosos, não nos dói, nem provoca uma inveja tão forte e pungente como a que nos acomete quando somos espectadores do sucesso da pessoa ao lado. Podemos,assim, observar o sucesso de quem não convive conosco sem nos sentirmos diminuídos, sem que se abale nossa autoestima.

Da mesma forma, as notícias sobre os famosos flagrados em atitudes suspeitas ou sofrendo algum revés acabam nos trazendo uma espécie de alívio e resignação, porque então nos certificamos de que todos, sem exceção, estamos sujeitos à dor, ao erro e ao fracasso. É inevitável buscarmos o nosso equilíbrio emocional, em momentos de tempestades, olhando em volta e percebendo que existem situações muito piores do que a que estamos enfrentando naquele momento. E perceber que as ventanias também batem à porta de quem parece ter tudo para ser feliz é ainda mais reconfortante, é nossa felicidade clandestina, como diria Clarice Lispector.

Não há nada de errado em querer brilhar na vida por meio da fama e da popularidade, pois cada um que procure ser feliz à sua maneira; o problema é a forma como se busca atingir esse objetivo. É perigoso agir sem ponderação em todos os setores de nossas vidas, e ainda mais perigoso quando estamos nos lançando à exposição sem filtro e sem edição da rede virtual, pois não conseguimos deletar o que já foi publicado e divulgado na internet. Muitas vezes, só percebemos que erramos quando a situação já alcançou proporções gigantescas e nada mais pode ser feito – infelizmente, o print nos torna impotentes frente ao erro cometido.

Essa busca pelo sucesso na rede é por demais sedutora e pode acabar nos levando ao distanciamento de quem somos, de nossas crenças e valores, deslocando-nos de nossa essência. Escrever, alimentar-se, viajar, vestir-se, relacionar-se e expressar-se, pautando-nos tão somente por aquilo que o público curte, compartilha e segue, à revelia do que nós mesmos curtiríamos e seguiríamos, acabará, em algum momento, nos incomodando e machucando nossos sentidos. Ninguém pode ser capaz de sustentar uma mentira por muito tempo, sem sucumbir ao caos emocional que isso provoca.

Precisamos, no entanto, ter consciência de que sermos corajosos o bastante para viver respirando nossas próprias verdades poderá nos relegar ao anonimato, limitando o alcance de nossas ações e a quantidade de curtidas e compartilhamentos em nossos murais, como se fôssemos menos importantes, como se estivéssemos cerceando nossas potencialidades, o que quase nunca corresponde à realidade. Porque um viver sincero, ainda que compartilhado por poucos, estará nos conectando a quem realmente se importa conosco, a quem nos conhece e nos ama em tudo de bom e mau que temos a oferecer. Estaremos então cercados por quem não desistiu de nós e permaneceu ao nosso lado. E essa aceitação, ainda que proporcionalmente ínfima em comparação à do público virtual, é vital no fortalecimento de nossa identidade, no autodescobrimento diário a que nos lançamos. Lá no fim de nossa jornada, afinal, permaneceremos vivos e presentes exatamente na memória desses poucos fãs verdadeiros, que sorriram e choraram uma vida inteira ao nosso lado.

Algumas razões para fazer psicoterapia

Algumas razões para fazer psicoterapia

Apesar de infinitos os motivos pelas quais sofremos emocionalmente, eis algumas razões para procurar a ajuda de um psicoterapeuta.

-DIFICULDADES NOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS.

Seja nas relações sociais, afetivas, profissionais ou familiares, um entrave gera sofrimento e outras perdas. O ser humano é uma espécie que nasceu para viver “em bando”. Inabilidade em se relacionar causa sofrimento, seja pelo isolamento ou pela inadequação de um comportamento, por exemplo, agressivo. As dificuldades nos relacionamentos afetam o desempenho, na escola, no trabalho, na vida em geral. Não relacionar-se impede a nossa evolução em todos os aspectos. Durante o processo de psicoterapia, podemos observar mais detalhadamente cada uma das nossas relações e entender porque algumas delas falham. É comum pessoas nos procurarem por dificuldades de relacionamento afetivo, por exemplo, e vivenciar uma grande evolução durante o processo.

-TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS.

Comportamentos depressivos, ansiosos, fóbicos, além das crises de pânico e transtornos alimentares como anorexia e bulimia também são indícios de que se precisa de ajuda profissional. Essas são as principais doenças que afetam a sociedade atualmente, e devem ser tratadas com acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia, por isso devem ser muito bem diagnosticadas. O bom psicoterapeuta é o que sabe encaminhar ao psiquiatra e vice versa. É preciso ter muita atenção ao diagnóstico. Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG), Síndrome do Pânico, Depressão e Transtornos Alimentares são exemplos de doenças com causas físicas (desequilíbrio em produção de hormônios) e emocionais – por isso é preciso atuar em ambos os pontos.

-STRESS PÓS-TRAUMÁTICO.

São caracterizado por traumas emocionais agudos causados pela vivência de situações como: perda de um ente querido, acidentes de qualquer espécie, assaltos ou qualquer tipo de exposição à violência; entre outros eventos. As reações podem ser as mais variadas, e muitas vezes são físicas, mas a principal delas é o medo de voltar ás atividades da vida diária. Todo reação fóbica (de medo), resulta em fuga/esquiva, por isso é preciso buscar ajuda, ou corre-se o risco de nunca mais conseguir retomar a rotina. Um trauma pode permanecer por toda a vida caso não seja superado – a psicoterapia atua exatamente na superação do mesmo. Nesses casos também existe a necessidade de encaminhar para acompanhamento médico. Importante lembrar, não só esse, mas todos os quadros de stress indicam necessidade de psicoterapia.

-AUTOCONHECIMENTO.

Entender-se e descobrir-se faz de cada um de nós pessoas melhores. Lapidar conceitos sobre si mesmo, melhorar a autoestima e a autoimagem nos fazem mais felizes. Conhecer e aceitar nossas características físicas ou nossa opção sexual, por exemplo, são etapas importantes para nos tornarmos maduros emocionalmente. A não aceitação de si mesmo é receita de fracasso em qualquer quesito da nossa vida. Evoluir e buscar o que se quer é uma obrigação tão grande quanto cuidar da saúde física. A psicoterapia é um processo de desvendar-se, é superar os obstáculos criados muitas vezes por nós mesmos.
Termino com a frase que mais gosto de um grande homem, conhecido como o pai da psicanálise, por quem nutro profundo respeito: “NO DIA EM QUE A VONTADE FOR MAIOR QUE O MEDO DE MUDAR, A PESSOA MUDA!” – só procure um psicoterapeuta se estiver disposto a mudar – para melhor!

Meu mundo por um elogio!

Meu mundo por um elogio!

Quem não gosta de um elogio, de reconhecimento, de um bom destaque? É uma sensação deliciosa, não se deve negar.

Mas, esse é um terreno perigoso que pode embriagar e viciar, principalmente se não soubermos reconhecer por nós mesmos o valor de nossas qualidades,  seja lá por qual razão, pois que são diversas e nos espreitam por todos os cantos, tentando entrar: inseguranças, comparações, concorrências, competições, vaidades, rejeições e toda a sorte de aniquiladores do reconhecimento genuíno.

Somos legítimos quando reconhecemos, ou pelo menos desconfiamos de nossas qualidades e defeitos. Somos imperfeitos e também livres, porque é pública e acessível a nossa lista de prós e contras.

Somos forjados quando queremos e precisamos viver somente de elogios e falsas afirmações, quando lutamos por espaços que não nos pertencem, quando somos vaidosos a ponto de anular o outro somente para garantir um destaque e fama.

Essa é uma via do perigo, e ainda existe outra, da qual podemos nem nos dar conta, que é a manipulação que sofremos para obter os louros que tanto queremos. Nos vendemos, muitas vezes nos liquidamos, e quem compra, por tão pouco, também pouco valor nos atribui. Pinta o cenário com as cores que sonhamos mas nos manipula como bem desejar. Nos alimenta o ego e mata de fome a alma. E tudo por uma afirmação externa, a mesma que não somos capazes de sustentar sozinhos.

  • Você vai sair desse jeito? Não deveria se arrumar um pouco mais?
  • Preciso repetir o que acabei de falar? Como você não entende? Perdeu a inteligência?
  • Seu trabalho poderia ser melhor!
  • Sua comida não me agrada, seu perfume me enjoa, seu andar é esquisito…

Exemplos… alguns… o suficiente para muita gente se descaracterizar por completo e lutar desesperadamente para ser o padrão do outro, para obter os elogios de que tanto precisa e se sentir pertencendo a alguma coisa. Coisa alguma.

Mas como nada a ferro e fogo se justifica, muitas criticas são justas e devem ser aproveitadas.  Já outras, as nocivas,  talvez seja melhor ficar com elas como experiência e mandar para longe quem as fez, assim como os elogios vazios.

Em todos os casos, é preferível sempre um reconhecimento duro do que um elogio frívolo. Não é preciso, não é necessário, não é vantagem, não alimenta.

Na dúvida,  seja gentil. Não elogie à toa, não critique sem razão.

Estes 7 hobbies deixam seu cérebro mais rápido e inteligente. Você pratica algum deles?

Estes 7 hobbies deixam seu cérebro mais rápido e inteligente. Você pratica algum deles?

Todas as partes do nosso corpo envelhecem, inclusive o cérebro. Entretanto, neurocientistas descobriram que é possível atrasar esse processo.

Em alguns casos, é possível até reverter o envelhecimento do cérebro através de atividades específicas.

Um dos melhores jeitos de fazer isso é através de hobbies, ou seja, atividades que nos deem prazer. Aqui estão 7 exemplos que a ciência destaca.

1. Leia qualquer coisa que você goste

Não importa se você gosta de jornais ou prefere histórias em quadrinhos.

Ler estimula o crescimento de neurônios à medida em que nós absorvemos informações. Isso porque a leitura ativa partes do cérebro ligadas à resolução de problemas, identificação de padrões e interpretação de linguagem e sentimentos.

Além disso, ler estimula a memória. E até mesmo quem lê muito rápido tem benefícios: a leitura dinâmica ajuda a aumentar as sinapses, já que o cérebro precisa processar informações rapidamente.

Quanta coisa, né?

E olha que boa notícia: enquanto você lê este texto, seu cérebro já está ficando um pouquinho mais jovem. 🙂

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2. Aprenda a tocar um instrumento musical

Tocar um instrumento aumenta o volume de matéria cinzenta e faz conexões neurais entre os dois hemisférios do cérebro.

Por esta razão, o aprendizado musical precoce permite que as crianças melhorem em diversos aspectos, da matemática ao desenvolvimento de pesquisas.

De uns tempos para cá, os cientistas têm percebido que os benefícios não são só para as crianças. Adultos de todas as idades podem evoluir com a música.

E não se preocupe se você não quer tocar violão, teclado, saxofone ou bateria. A voz também é um instrumento e qualquer pessoa pode praticar.

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3. Pratique exercícios regularmente

Atividades físicas produzem a proteína BDNF na corrente sanguínea.

Como o sangue viaja através do cérebro, as células absorvem esta proteína que é responsável pelo aumento de memória e foco.

Uma das experiências mais interessantes nesse sentido foi um teste de memória aplicado em dois grupos. Um grupo se exercitou antes do teste e o outro não.

Os resultados do teste do grupo que se exercitou foram esmagadoramente melhores. Os participantes foram capazes de se concentrar nas fotos e lembrar delas após um momento de espera.

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4. Aprenda um novo idioma

Várias áreas do cérebro são usadas para entender um som, dar significado a ele e formular uma resposta.

Pessoas bilíngues têm mais massa cinzenta na área responsável por idiomas e desenvolvem a habilidade de se concentrar em mais de uma tarefa ao mesmo tempo.

Em experimentos, mais uma vez os cientistas começaram observando as crianças. Aquelas que cresceram falando mais de um idioma em casa ou na escola mostraram mais atividade nas partes do cérebro ligadas ao raciocínio,planejamento e memória.

E, novamente, as pesquisas atuais apontam que esses benefícios se aplicam a pessoas de qualquer idade.

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5. Aposte na aprendizagem “cumulativa”

Aprendizagem cumulativa é definida como o processo de adicionar novas camadas de informações sobre algo que já sabemos.

Difícil de entender? Bom, aí vai um exemplo bem prático: a matemática.

Nela, crianças aprendem primeiro as operações fundamentais. Em seguida, aprendem como usar essas operações para resolver problemas. Depois aprendem álgebra, e assim por diante.

As pesquisas mostram que se a gente continuar exercitando essas aprendizagens, podemos aguçar a memória, melhorar nossa resolução de problemas e evoluir nas atividades relacionadas à linguagem.

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6. Exercite seu cérebro com jogos e quebra-cabeças

Nosso cérebro é muito semelhante a computadores e músculos.

Quanto mais informações inserimos nele, mais funções ele pode realizar. E quanto mais ele é exercitado, mais forte fica.

Inclusive, “plasticidade cerebral” é um termo usado para se referir às novas conexões que são continuamente criadas quando nos forçamos a absorver informações, raciocinar e lembrar de algo.

Palavras cruzadas, atividades de pensamento dedutivo, jogos estratégicos como o xadrez ou até mesmo alguns jogos de vídeo, forçam o cérebro a receber novas informações e fazer novas conexões.

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7. Pratique meditação ou yoga

Meditação já deixou de ser vista como “aquilo que os budistas ou monges fazem”.

A ciência mostra que quem medita tem mais foco e controle sobre os pensamentos, mesmo quando não está meditando.

Nos idosos, a meditação ajuda a manter uma quantidade maior de massa cinzenta. Já as crianças que têm problemas de comportamento costumam melhorar bastante quando começam a meditar.

Pelo jeito, a meditação é ótima para todas as idades. Inclusive, já mostramosneste post o que acontece no cérebro de quem medita. Os benefícios são inúmeros!

Aliás, todos os 7 hobbies que citamos são fáceis de incorporar no dia a dia. E nada melhor do que cuidar do cérebro enquanto você faz algo prazeroso, não é mesmo?

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Fonte: lifehack.org, via Awebic

Onde habita o amor

Onde habita o amor

Um grande amor não tem nada de simples. Quantos eventos aleatórios (ou não) são necessários para nos tornar aptos a experimentar esse amor? Daquele que desafia nossas estruturas solidificadas por inúmeras desilusões e desencontros. Quando percebemos a presença desse amor já não há tempo para usar dos velhos artifícios numa tentativa de descartá-lo. Não conseguimos mais manter as defesas de antes. O nosso coração está irremediavelmente aberto.

A alquimia de um grande amor está na imprevisibilidade de sua origem. Dois seres completamente distintos que se aproximam com o objetivo de se amarem até que a transformação de apenas um deles ou de ambos esteja completa. Essas relações não se resumem apenas a carma ou predestinação. O livre arbítrio está sempre presente. As nossas escolhas irão determinar o momento e o nível da transformação a que seremos submetidos.

Então, como reconhecer a presença desse tipo de amor? Seria o amor descrito nos ensinamentos budistas como incondicional, ou seja, aquele no qual se pensa primeiro na felicidade do outro? Essa seria a essência do amor não egoísta. Ou, seria um amor que corre nas veias, como o descrito em uma das poesias de Rumi? Tão visceral que se apossa de tudo. Até mesmo das palavras.

Um grande amor, no mínimo, deveria nos fazer sentir como se estivéssemos em nossa casa. Cada canto protegendo nossa história de amor. Cada objeto guardando nossas memórias. Cada visita honrando nossa escolha de estarmos juntos. Cada reforma expondo nossa transformação interior. Cada filho revelando nossa fé. Cada mudança de casa desafiando o nosso apego.

Seria algo que poderia ser descrito assim: “Abrimos a porta. Tiramos o sapato com um suspiro de alívio. Andamos descalços. Sentimos necessidade de abrir as janelas. Resgatamos aos poucos quem somos sem máscaras ou julgamentos. Soltamos o cabelo. Afrouxamos a gravata. Queremos liberdade das amarras que nós mesmos criamos. Beliscamos algo ainda de pé. Cantamos alguma música que ouvimos no caminho.

Repetimos o refrão até cansar. Ficamos na penumbra. Esperamos o pôr do sol. Honramos nosso pequeno altar. Acedemos velas perfumadas. Sentimos alegria nesses pequenos rituais. Conhecemos cada canto. Sabemos como fazer funcionar o que apresenta defeito. Aproveitamos as sobras do almoço. Guardamos o que é importante. Descartamos o lixo. Planejamos uma reforma. Vamos deitar cansados. Estamos juntos novamente. Seguros em nosso lar”.

Que todos os seres tenham a experiência de um grande amor. Que todos os seres sejam transformados pela força poderosa do amor. Que todos os seres possam se sentir verdadeiramente em casa.

Solidão dá um tempo e vá saindo

Solidão dá um tempo e vá saindo

Há dias mansos, dias calmos, cheios de uma introspecção serena nos quais nos reservamos para nós. São dias de revermos o passado, de juntarmos livros, de desdobrarmos roupas e retirá-las do armário. Neles experimentamos broches de família e escrevemos com canetas antigas. São dias nos quais marcamos horário conosco. São dias nos quais, apesar de solitários, a solidão tristonha não tem vez, pois nós nos bastamos.

Nesses dias somos tudo o que precisamos ser. Neles passamos felizes um bom tempo ao nosso lado, sem hora para nos despedirmos, sem hora para dizermos que o mundo nos chama.

Nesses dias crescemos ao olharmos nossos planos e avaliarmos, carinhosos, se estamos seguindo de maneira a alcançá-los. Esses são dias especiais nos quais nos voltamos mansos para nossas escolhas. São dias nos quais saímos à caça de nosso propósito e aprumamos o corpo para seguirmos animados em frente.

A solidão boa nos leva pelo braço e nos ensina novas formas de tentarmos o que já foi tentado antes. Ela deixa que descansemos calados dentro dos nossos sonhos e permite que leiamos em um olhar a beleza de um momento.

A solidão bonita permite que contemplemos a beleza das estrelas que caem do céu em uma noite escura e nos ajuda a empostar a voz quando cantarolamos alguma canção. Ela é uma professora que nos ensina muito sobre nós.

Os dias calmos e serenos que nos levam de encontro a nós são sublimes, recheados de uma solidão benéfica, mas os desdenhosos cheios de um vazio silencioso são angustiantes. Eles são repletos de uma outra solidão, uma solidão mesquinha com a qual não devemos criar laços, na qual não devemos nos aninhar.

Esses dias tristes, revestidos de uma garoa fina, de um desconforto latente que não nos deixa ficar em paz, são dias reticentes nos quais não nos encontramos. São dias rasos, cheios de desalentos nos quais ninguém quer estar, nem mesmo nós. São dias nos quais nos sentimos pequenos e sozinhos, onde não há espaço para mais nada além de uma solidão pesarosa e sentida. Essa solidão não carrega o anseio feliz dos que se bastam, é uma solidão catatônica, isenta de qualquer enlevo, chata e desdenhosa. É uma solidão que nos nega a companhia de um bom filme, de um livro especial e até mesmo de um pensamento amigo.

Ao fazermos um convite para nossa própria companhia devemos nos atentar para não endereçarmos o mesmo para a solidão errada, para aquela que chega sem pedir licença e só vai embora quando quer.

Para a solidão errada não devemos nem mesmo dizer oi e se ela por ventura chegar com ou sem convite e adentrar nosso mundo, que nós sejamos fortes o bastante para mandarmos ela para longe, dizendo em alto e bom tom que ela não pode e nem deve ficar, que aceitamos ao nosso lado apenas a solidão contemplativa e benéfica que chega e parte respeitosa, deixando-nos iluminados e fortes, repletos de nós.

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(Imagem de capa Meramente Ilustrativa)

Relatos Selvagens e o prazer de perder as estribeiras

Relatos Selvagens e o prazer de perder as estribeiras

Relatos Selvagens é dirigido pelo argentino Damián Szifron e conta com um excelente elenco, entre eles o icônico Ricardo Darín. Dividido em seis episódios, sucesso de crítica e público, o longa retrata pessoas normais que por situações diversas perdem completamente as estribeiras.

Ácidos, ousados e estranhos, os contos são ótimos. O cartão de visita é de um humor negro atroz, um comissário de bordo ressentido com algumas pessoas do seu passado reúne todos no mesmo avião. Em seguida, uma garçonete é obrigada a servir o homem que destruiu sua família. Depois, dois sujeitos que se envolvem numa briga de trânsito não imaginam as consequências dos seus atos. Um engenheiro cansado de ser vítima da burocracia e da corrupção do seu país tem um dia de fúria. Temos, ainda, um pai que tenta evitar que seu filho seja preso depois de atropelar e matar uma mulher grávida. E, por fim, uma noiva que descobre a infidelidade do marido em plena festa de casamento.

De todas as histórias, a protagonizada por Darín é a que possui uma conotação mais social. Ele interpreta um engenheiro e pai de família comum que tem o carro rebocado injustamente no dia do aniversário da filha. Pior, ele precisa pagar uma taxa indevida ao departamento de trânsito, burocrático e corrupto, para liberar o veículo, o que o leva a um ataque de ira. Burocracia e corrupção. Soa familiar?

No entanto, a cereja do bolo está no último episódio, épico por sinal, que mostra a reação de uma noiva, numa atuação fantástica de Erica Rivas, ao saber da infidelidade do marido em plena festa de casamento, cuja amante está presente. Dá para imaginar?

A questão é que Relatos Selvagens mostra, com uma pitada de humor negro, como a injustiça, a burocracia, a corrupção, a traição e outros males que assolam a sociedade causam excesso de estresse em muitas pessoas. O filme fala exatamente sobre essas pessoas, só que aqui elas vão ultrapassar a linha que divide a civilidade da barbárie.

Os personagens cruzam a barreira do permitido, chutam o pau da barraca e perdem mesmo o controle, nos lembrando que não somos seres cem por cento racionais e que nosso lado animal as vezes fica sedento por liberdade.

Sim, no íntimo é possível nos identificarmos com alguns personagens do filme, pois apesar de bons e pacientes podemos ser também impulsivos e vingativos, principalmente quando nos sentimos vítimas em determinadas situações.  Quantos sapos não engolimos nessa vida? As vezes um pode entalar.

Lógico que não defendo aqui a perda de controle como nos episódios de Relatos Selvagens. Longe disso!  O filme mostra tudo ao extremo, porém, sem os absurdos excessos dos seus personagens, é difícil imaginar uma pessoa que nunca tenha perdido o controle na vida.

Até porque, manter o controle não deve ser sinônimo de passividade. Manter o controle não pode ser desculpa para a covardia. Manter o controle não significa represar nossos pensamentos e sentimentos em toda e qualquer situação.

Ninguém gosta de ser enganado, ultrajado ou vilipendiado. Paciência tem limite e estamos fartos de tanta falta de caráter, escrúpulo, moral etc.

No nosso íntimo temos um forte desejo de justiça, por isso quando assistimos em Relatos Selvagens os episódios protagonizados por Ricardo Darín ou Erica Rivas, mesmo sabendo que jamais faríamos o mesmo, é difícil esconder riso no canto do lábio.

Afinal de contas, divertir-se com um filme é socialmente aceitável.

15 filmes sobre SOLIDÃO que VALEM O SEU TEMPO

15 filmes sobre SOLIDÃO que VALEM O SEU TEMPO

Por Philippe Torres

1- Ela

Direção: Spike Jonze
País: EUA
Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.

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2- Morangos Silvestres

Direção: Ingmar Bergman
País: Suécia
A caminho de uma cerimônia de premiação numa universidade, um médico é assediado por situações e personagens que o conduzem a um mergulho em sua vida pregressa.

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3- Dois Dias, Uma Noite

Direção: Irmãos Dardenne
País: França
Na Bélgica, Sandra (Marion Cotillard) ficou afastada do trabalho por depressão e, quando retorna, descobre que seus colegas aceitaram receber um bônus salarial no lugar de sua vaga. Agora, ela tem apenas um final de semana para fazê-los mudarem de ideia, para que ela possa manter seu emprego.

 

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4- Cidadão Kane

Direção: Orson Welles
País: EUA
A ascensão de um mito da imprensa americana, de garoto pobre no interior a magnata de um império dos meios de comunicação. Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst.

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5- O Samurai

Direção: Jean Pierre Melville
País: França
O matador Jeff Costello é um perfeccionista: ele sempre planeja com extremo cuidado todos os seus assassinatos para nunca ser pego. Uma noite, porém, ele finalmente é surpreendido por uma testemunha, e aos poucos, a partir daí, ele vai sendo cada vez mais pressionado.

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6- Solaris

Direção: Andrei Tarkovsky
País: Rússia
Solaris é um planeta distante, que vem sendo constantemente estudado há décadas, e cujo mistério sobre seu oceano ainda não foi esclarecido, nem seus efeitos. Por falta de interesse e resultados, a solarística está morrendo; aliado a isto, os membros na estação espacial que orbita o planeta estão sendo afetados pelo oceano. Por conta disto, o psicólogo Kelvin – conhecido de um dos doutores da solarística e amigo de um dos tripulantes – é mandado para a estação para averiguar a situação. Lá, ele percebe aos poucos que Solaris é, mais que um planeta, um espelho da alma.

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7- Paris, Texas

Direção: Wim Wenders
País: Alemanha
Um homem é encontrado exausto e sem memória, em um deserto ao sul dos EUA. Aos poucos ele vai se recordando de sua vida, sendo acolhido pelo irmão Walt, que é casado com Anne. Com eles vive também Alex, filho do homem sem memória, que aos poucos volta a se identificar com o pai.

 

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8- A longa caminhada

Direção: Nicolas Roeg
País: Austrália
Duas crianças são abandonadas pelo pai louco que, pouco antes de se suicidar, tenta matá-las em meio a uma região desabitada do deserto australiano. À mercê do destino e com poucos recursos para sobrevivência, o garoto e a menina passam a ser auxiliados por um aborígene, que vive sozinho pelo deserto para cumprir um ritual de sua tribo.

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9- A liberdade é azul

Direção: Krzysztof Kieslowski
País: Polônia; França
Após um trágico acidente em que morrem o marido e a filha de uma famosa modelo (Juliette Binoche), ela decide por renunciar à sua própria vida. Após uma tentativa fracassada de suicício, ela volta a se interessar pela vida ao se envolver com uma obra inacabada de seu marido, que era um músico de fama internacional.

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10- Asas do desejo

Direção: Wim Wenders
País: Alemanha
Na Berlim pós-guerra, dois anjos perabulam pela cidade. Invisíveis aos mortais, eles lêem seus pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram. Entretanto, um dos anjos, ao se apaixonar por uma trapezista, deseja se tornar um humano para experimentar as alegrias de cada dia.

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11- Luzes da Ribalta

Direção: Charles Chaplin
País: EUA
Londres, 1914. Calvero (Charles Chaplin) é um velho comediante, que no passado fizera sucesso no vaudeville e music hall. Calvero foi esquecido e isto o deixou muito próximo de se tornar alcoólatra. Porém tudo muda quando, numa tarde, ao voltar para pensão onde vive, sente um estranho cheiro e constata que é gás, vindo de um dos quartos. Ele arromba a porta e acha inconsciente uma jovem, Thereza Ambrose (Claire Bloom). Calvero chama um médico e ambos a carregam para o seu apartamento, que fica dois andares acima. Quando ela desperta, Calvero lhe pergunta por qual razão quis cometer suicídio. Theresa lhe explica que sempre sonhou ser uma grande bailarina, mas agora suas pernas estão paralisadas. Calvero promete fazer tudo para ajudá-la, mas o que ele não imagina é que, em pouco tempo, Theresa fará tudo para ajudá-lo.

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12- Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera

Direção: Kim Ki Duk
País: Coréia do Sul
Ninguém é indiferente ao poder das quatro estações e de seu ciclo anual de nascimento, crescimento e declínio. Nem mesmo os dois monges que compartilham a solidão, em um lago rodeado por montanhas. Assim como as estações, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma grande espiritualidade e a tragédia. Eles também estão impossibilitados de escapar da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós. Sobre os olhos atentos do velho monge vemos a experiência da perda da inocência do jovem monge, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências. Assim como as estações vão continuar mudando até o final dos tempos, na indecisão entre o agora e o eterno, a solidão será sempre uma casa para o espírito.

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13- Mary & Max

Direção: Adam Elliot
País: Austrália
Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. O filme é uma viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.

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14- Limite

Direção: Mario Peixoto
País: Brasil
Um tema, uma situação e três histórias. O tema, a ânsia do homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. A situação, um barco perdido no oceano com três náufragos – um homem e duas mulheres. As três histórias são aquelas que os personagens mutuamente se contam. Na situação se esboça o tema que as três histórias desenvolvem. A tragédia cósmica se passa no barco. E para ele convergem as histórias.

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15- Na natureza selvagem

Direção: Sean Penn
País: EUA
Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após 2 anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

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Fonte indicada: Cineplot

O amor é a alma-gêmea da saudade. Quem leva um ganha o outro.

O amor é a alma-gêmea da saudade. Quem leva um ganha o outro.

E de repente anoiteceu. Nossa festa ensolarada chegou ao fim. No silêncio de nossa noite, abraçamos cada um em seu canto do mundo a saudade boa da manhã povoada de vozes e cheiros, risos e cores, os comércios abertos, os casais desfilando, as mãos dadas, os velhos e as crianças apanhando sol de seu jeito, os cachorros ranhetas se estranhando à sombra segura de seus donos cheios de orgulho.

Depois veio a tarde, o calor generoso, a preguiça no fim do almoço e a tardinha mansa de sol alaranjado lá longe, o dia escorregando lento como um velho caramujo, estendendo no chão em que seguimos a pé seu rastro de luz e encontro. Nessas horas o dia é uma criança que brinca de andar de costas, vai partindo aos pouquinhos, um pé atrás do outro em marcha invertida, devagar, os olhos mirando o que em breve será lembrança, prolongando sua existência, preparando suas saudades como conta-gotas pingando noite no céu azul de nosso encontro.

Tão logo o sol se vai, anoitece. Anoiteceu, amor. Nosso dia se foi. Mas antes se fez todo nosso. E um dia como esse dia não se vai com nenhuma noite. Fica guardado em nosso aqui dentro, teimando a vida feito vela de aniversário, reacendendo nosso tempo que inicia, ensolarando nossa saudade.

Há tanto que viver ainda! Nosso dia há de brilhar em toda noite escura, todo canto só. Em cada hora entristecida há de se ouvir um riso franco, um resto de música, uma frase solta, livre, leve, um sopro de vida abrindo caminho novo, memória boa de coração alegre desfazendo o peso do mundo em nossas costas. Serão lembranças de nosso dia, recursos de nossa reserva amorosa.

Nosso dia de sol há de seguir adiante em juventude eterna. Até chegar sua hora distante de desbotar feito fotografia antiga, os cantos comidos de história, os rostos esbranquiçados, o papel puído e uma tristezinha miúda de dia cinza chuviscando dolorida. Então seremos velhos amantes sãos e salvos do tempo, escapando de nossas dores, fugindo do cuidado de nossos bisnetos para tardes de amor preguiçoso, carinhos longos, abraços de vida inteira.

Pois aqui estamos nós. Apartados de nós mesmos, vivendo sós nossa primeira noite. Por enquanto o sol vai longe e a hora é alta. Tudo agora é silêncio e solidão e espera. Tudo agora é esperança no dia de amanhã.

É noite, amor. A noite que levou embora nosso dia. Mas o que é nosso, o fogo do nosso encontro, esse nos pertence como a lembrança mais funda. Esse nem a distância, a dor, o medo, a solidão e a insegurança nos levam. Esse nem a idade apaga. O sol desse dia nem a lua nos tira. Nem a lua. Boa noite, amor. Até amanhã. Até amanhã.

INDICADOS