Sou psicóloga e tive depressão pós parto.

Sou psicóloga e tive depressão pós parto.

O meu depoimento é real e fidedigno.

Meu nome é Viviane, sou psicóloga sou a mãe do Arthur. Meu objetivo com este depoimento é não só alertar, mas desmistificar um assunto rodeado de tabus e falsos conceitos: a Depressão pós-parto. Acredito que todas vocês já tenha lido inúmeros artigos sobre o assunto, teóricos e técnicos, além do mais, hoje em dia é bem fácil conseguir informações sobre isso. Difícil é falar de como, de fato, a depressão pós=parto acomete mulheres de todas as idades.

A pergunta mais sem nexo que ouvi quando estava doente foi:

-“Mas você? Psicóloga, teve depressão pós-parto?” Como se médicos não adoecessem, e cirurgiões dentistas não tivessem dor de dente!

Eu tive depressão pós-parto e é disso que quero falar com vocês. Acredito que contando minha história possa ajudar muitas mulheres e muitas famílias a perceber e conduzir melhor o problema. Quero também lembrar que, todas nós mulheres, podemos passar por este quadro no período pós-parto, e que, ser psicóloga me ajudou a perceber o que eu tinha, mas não me isentou de sentir, e de sofrer. Somos humanos e, cada vez mais temos que entender que esta condição implica sempre em dualidade, seja de sentimentos, seja de pensamentos. Por mais que a maternidade seja um momento repleto de magia, há que se ter consciência de que não é só seu lado poético que existe. Seu corpo muda, a sua vida muda, a sua mente muda.

Eu tive uma gestação tranquila e sem intercorrências físicas, porém, emocionalmente foi um pouco conturbado e intenso. Logo depois do parto, vieram outros problemas de ordem profissional e acredito que tenham também me deixado mais sensível, porém, essencialmente, a queda brusca de hormônios, associada à mudança radical das atividades da vida diária, me levaram a um estado de profundo desânimo e distorção da realidade.

Via minha vida sem perspectiva nenhuma, não tinha forças nem físicas nem mentais para levantar da cama. Cuidar do meu filho se tornou um fardo e eu não me sentia mais segura longe das pessoas. Ao ouvi-lo chorar, queria correr, fugir e parecia que nunca mais eu seria feliz. Junto disso sentia uma culpa enorme por não estar “radiante” com a chegada de um filho que foi muito esperado e planejado e sentia-me impotente diante do choro dele, não sabia o que fazer. Comecei a ter muitos medos, muitas inseguranças e meus sentimentos eram confusos. Não queria visitas e meu cansaço físico era imenso.  Depois de quinze dias comecei a perceber meu estado e então pedi ajuda à minha família e à enfermeira que estava vindo para cuidar do meu filho.

Acredito, não só por conta da minha profissão, no poder da mente humana e me propus a sair dessa sem eles. Iniciei o uso de vitaminas e fitoterápicos, sempre deixando claro o que eu sentia: as minhas fraquezas, meus limites. Acredito que esconder é sempre uma péssima decisão.

Procurei não me julgar e entender o que eu estava passando, mesmo que muitos ao meu redor não entendiam. Acredito que a maior dificuldade das mulheres que passam por este estado seja a culpa e a cobrança, tanto do meio quanto de si mesma. Os dias foram passando, as coisas foram se encaixando e hoje estou seguindo minha vida normalmente. É possível enfrentar o problema e passar por ele, desde que se aceite, enfrente e haja com acolhimento e aceitação. Negar nunca resolveu nada, e neste caso vale a regra.

Eis algumas informações que podem ser úteis sobre o assunto:

-Segundo pesquisas A Depressão Pós-parto atinge aproximadamente 15% das mães de todo o mundo, porém acredita-se que este número seja bem maior.

-Não se preocupe com isso durante a gravidez, somente após o parto, caso sinta-se deprimida, procure seu obstetra e conte a sua família seus sentimentos e suas sensações.

-Aos familiares vai uma dica: procurem ficar atentos, entendam, não julguem e principalmente, apoiem.

-Mantenha uma alimentação equilibrada e consuma bastante água. Isso ajuda no funcionamento global do ser organismo e por consequência no reequilíbrio dos hormônios.

-A ingestão de antidepressivos é eficaz e ajuda muito, mas deve ser feita com acompanhamento médico.

-Tenha clareza dos seus limites físicos e emocionais, peça ajuda para quem lhe for mais próximo e confiável.

-Não se culpe. Você não é menos mãe e nem ama menos seu filho por conta do que está sentindo. Seus hormônios estão em desequilíbrio, isso altera a forma como você vê o mundo, as pessoas e as situações. Tudo vai passar, acredite.

-Ter depressão pós-parto não significa que você ame menos seu filho.

-Procure ajuda de um psicólogo, ele vai te ajudar a sair mais rápido do estado depressivo.

Quero finalizar lembrando que todos nós estamos sujeitos a tudo, viver é essencialmente experienciar, tanto o bom quanto o mal. Saiba que a condição humana não deve jamais ser idealizada e quanto mais humana for sua vivência, melhor você irá preparar seu filho para o mundo. Ser feliz faz parte da vida. Ao decidir ser mãe você escolheu ser feliz, apesar dos pesares (sim, porque tudo na vida é “apesar dos pesares”)

Nós, seres humanos fomos feitos para “dar certo”, este é o curso natural da vida.

A parte que nos cabe desse latifúndio – ou dessa pampa pobre

A parte que nos cabe desse latifúndio – ou dessa pampa pobre

Não, antes de qualquer coisa, eu não estou isentando os responsáveis pelas tragédias atuais (nem por qualquer outra) de responderem pelo que fizeram. Não estou pregando a impunidade. Mas proponho uma reflexão sobre a nossa obsessão pela punição, como se fosse a única solução ou a única preocupação relevante diante das catástrofes que homem causa no mundo.

Nem “olho por olho e dente por dente”, nem a sonhada justiça poderão recuperar o que foi perdido devido a uma má ação. Podemos encontrar os culpados pela morte de nossas águas e puni-los. Eles poderão pagar milhões, poderão morrer, e até mesmo que pudéssemos linchá-los, tudo isso serviria apenas para direcionarmos a nossa raiva, a nossa angústia em ver destruído um bem doado pela natureza por interesses particulares e mesquinhos.

Poderia também servir para causar temor ao responsável e aos outros, de modo a impedir que algo assim se repita – e é mais ou menos nesse sentido que a nossa “justiça” se sustenta. Será? Honestamente não me permito mais crer num tal idealismo. A triste verdade é que a punição estimula naqueles realmente mal-intencionados, que enxergam apenas a própria ambição, estratégias mais mirabolantes para passarem incólumes pelos desvios que cometeram ou que pretendem cometer.

Nenhuma punição purificará as nossas águas, nem ressuscitará os inocentes mortos na Síria ou as vítimas dos ataques terroristas na França. Não apagará as mazelas deixadas pelos regimes totalitários em nenhum país, estas que até hoje assombram como fantasmas as gerações que nasceram dessas aflições. Nenhuma desculpa anula as feridas de violência, seja ela física ou verbal, nenhum dinheiro paga pelas perdas subjetivas, nenhuma gratificação preenche o vazio infeccionado da negligência. Que justiça é essa que só trabalha nas urgências, tentando tapar com ideais os estragos concretos?

Me parece que um dos maiores problemas dos nossos tempos é tentar responder sempre com uma ideia de justiça, com revolta, com punição, a situações que por si só estão perdidas. Com isso não afirmo que estas medidas não devam existir, afinal, digamos que o mal feito precisa ser de alguma forma recompensado, porque é o que nos resta. Mas não é bem por aí que as coisas funcionam.

Também não há essa história de carma. Uma coisa absurda! Não consigo pensar em carma, que um bem ou um mal feito é recompensado pelo universo, quando vejo tantos inocentes em situação de calamidade e tantas pessoas vis desfrutando de mais, muito mais do que precisam. Que esperança nos resta num mundo sem carma, sem justiça, sem retorno, sem solução?

Com ou sem carma, com ou sem justiça, o que nos resta, se quisermos acordar e deixar de ver e mesmo sentir na pele tantas atrocidades acontecendo diariamente, é tomarmos em nossas mãos a responsabilidade de transformar o mundo num lugar melhor. Não é algo fácil, não é algo simples e não devemos esperar gratificações por isso, mas, pense bem: se cada pessoa capaz de se indignar com os dramas do mundo mudasse a forma de lidar com as coisas em seu cotidiano, qual efeito isso teria?

Não, não é mesmo justo que tenhamos que nos ver como responsáveis pelo mundo, pois já é bem difícil ser responsável pela própria vida. Mas dentro de um raciocínio lógico, a justiça, de fato não existe. Talvez seja apenas a partir dessa consciência que poderemos deixar de lado aquilo que nos abala e seguir o nosso curso em vez de descontar a nossa raiva nas pessoas que tem o azar de compartilhar conosco o convívio num dia ruim. Talvez seja apenas assim que paremos de pensar que se os políticos estão roubando, desviando dinheiro, etecetera e tal, então, porque não podemos deixar um troco passar a mais em vez de devolver a diferença para o caixa? E assim, poderíamos também procurar ajudar as vítimas diante de uma situação de calamidade em vez de postar denúncias inúteis aos causadores da mesma – infelizmente, a nossa revolta online, se não é organizada, se não é racionalmente direcionada, se perde em si mesma.

Em vez de colocar bandeiras nos perfis, poderíamos deixar de consumir coisas de empresas irresponsáveis, que tantas vezes, pelo status da marca temos orgulho em exibir. Dar mais valor ao que é sustentável, ao que é produzido por pequenos produtores em vez daquilo que é produzido por grandes indústrias, que tal? Comprar do feirante da esquina em vez de verduras embaladas ou enlatadas. Andar de ônibus sempre que possível e se reunir à luta por um transporte público mais digno. Colocar os filhos em escola pública e exigir melhor educação. Rever as próprias ideias, antes de entrar numa discussão séria por simples disputa. Ouvir o outro em vez de responder com dez pedras na mão antes que ele finalize a frase. Rever nossos preconceitos. Não gastar mais do que precisamos. Compartilhar o que temos quando nos sobra. Isso e muito mais, quem quer?

É muito fácil ser politicamente correto no discurso. Mas no discurso, todos estes que hoje temos como vilões também podem logo converterem-se em vítimas. Se a vida alheia nos interessasse mais para intervirmos nos abusos que identificamos do que para sabermos quem traiu quem, quem é “piriguete” e quem é charlatão, até mesmo isso teria um efeito fenomenal! Quando tudo o que nos resta fazer são atitudes simples, parece sem valor. Afinal o que isso tem a ver com os incidentes que estão ocorrendo no mundo? Essa descrença no valor das próprias ações, da própria mudança de vida, vem da ideia de que somos seres individuais. Os responsáveis por esses incidentes também pensam em si mesmos como pessoas individuais, não pensam nas consequências que suas ações têm para milhões de pessoas, ou simplesmente não se importam com isso.

Quando agimos como pessoas que não se importam com as consequências que suas ações exercem sobre os outros e sobre o ambiente onde vivem estamos sendo exatamente como esses grandes vilões, mas sem o mesmo poder que eles têm nas mãos, poder esse que muitas vezes somos nós que concedemos. Alimentando um mundo que funciona com essa lógica individualista e irresponsável acabamos por contribuir para que as coisas continuem assim, não importa quantas postagens indignadas compartilhemos na internet.

Enquanto apenas nos lamentamos e esperamos por justiça, enquanto desejamos punição com frases de efeito, enquanto acreditamos que vamos salvar o mundo com “energia positiva”, mas não somos capazes de ser gentis nem na nossa forma de andar em uma rua lotada no centro de uma cidade, o mundo mergulha em lama, em bombas, em discórdia, em balas, em crises econômicas, e pode ser que amanhã seja um de nós, que hoje está tranquilo em mesclar todas as suas frustrações pessoais a uma suposta preocupação com o mundo, sem fazer nada sobre um ou sobre outro, que será atropelado por uma nova tragédia.

Embora já não acredite em justiça, e possivelmente por isso, eu sonho que essa consciência possa fazer com que voltemos a ser “caudilhos” dessa pampa pobre, em vez de sermos soldados em marcha pela sua destruição…

Imagem de capa:  Herone Fernandes – Últimos Refúgios

É preciso deixar ir quem nunca fez nada para permanecer

É preciso deixar ir quem nunca fez nada para permanecer

É preciso deixar ir quem nunca fez questão de ficar, essas pessoas de sentimentos temporários, que nos fizeram investir tempo e imaginação. Deixar ir requer coragem, mas longe de aceitar tal ato como um final, devemos vê-lo como o começo de algo novo.

Quem nunca se viu obrigado, em certa ocasião, a ter que encerrar uma etapa de sua vida? Às vezes chamam isso de “fechar ciclos”.

No entanto, esta ideia de circularidade, mais que nos dar a visão de algo que se encerra com um início e um final, nos faz visualizar melhor uma entidade que nunca termina, como uma espécie de ciclo eterno. Devemos ver estas etapas da nossa vida como uma linha pela qual avançamos, pela qual fluímos conforme crescemos.

E para crescer nos desprendemos de certas coisas, ao mesmo tempo em que ganhamos outras. A vida é um avanço que não se pode parar, que nos esmaga e tira nosso fôlego, e de nada adianta ficarmos encalhados em algo ou em alguém que nos puxa para baixo, como faz a pedra ao cair num poço.

Quem não nos reconhece, quem nos faz mal e causa erosões em nosso ser, em nossa essência como pessoa, está violando nosso crescimento.

Entretanto, pode ser que demoremos para nos darmos conta, que não desejemos ver isso durante um tempo, mas a infelicidade é algo que ninguém pode esconder. Dói, murcha e nos apaga. Então não permita que isso aconteça. Na vida, sempre chega um momento no qual é melhor melhor soltar, deixar ir…

É preciso deixar ir até quem nos abandonou

O deixar ir, encerrar uma etapa de nossa vida, não se refere somente a dizer adeus a quem compartilha a vida conosco, num ato de decisão ou coragem.

É possível que não seja você quem esteja abandonando, pode ser que, na realidade, você tenha sido abandonado. Neste caso, a ideia de soltar, de assumir essa ruptura e avançar de novo em frente, é algo vital.

Devemos deixar ir quem nos abandonou, porque ao não fazê-lo nós seguiremos presos num infinito de emoções negativas que vão nos ferir cada dia mais. E os responsáveis, nesse caso, seremos nós mesmos.

Fechar esse ciclo de nossa vida, no qual ainda existe uma dor tremenda do abandono, requer tempo. O luto deve ser vivido, chorado, assumido e, mais tarde, deve-se aceitar o ocorrido até ser possível chegar a um perdão. Uma vez cauterizada a ferida, e quando nos encontremos livre de cargas por ter podido perdoar, nos sentiremos mais aptos para deixar ir com máxima plenitude.

Um abandono é a ruptura de um vínculo, e como tal, devemos “retornar” a nós mesmos.

Até pouco tempo, tal laço era nutrido pelo amor existente na relação. Agora que o cordão umbilical está partido, devemos nos reencontrar, nos cuidar, e nos entender para podermos reforçar o vínculo com a nossa autoestima, para volar a olhar em frente. Fortalecidos.

Não alimente nostalgias, não focalize seu olhar no ontem, porque o passado não existe mais, se foi, não está mais aqui… E lembre-se, acima de tudo, de que quem vive de nostalgia não faz mais do que alimentar o sofrimento, e se prender, enquanto idealiza um passado, deixando que o presente se perca. Sua oportunidade de ser feliz é “aqui e agora”.

É preciso deixar ir sem ressentimentos

Quem alimenta a raiva, o despeito e o ressentimento torna-se prisioneiro de quem lhe fez mal. É simples assim e contundente assim, também. Quem lhe provoca a raiva e focaliza todo o seu desprezo, faz com que você seja um eterno cativo de suas próprias emoções negativas.

Perdoar não é fácil. Às vezes, assumimos que o perdão é uma renúncia a nós mesmos, que é como vacilar e nos vermos como vítimas. Nada mais longe da realidade…

Para perdoar, você deve conseguir, de novo, ter confiança em si mesmo. Ninguém é tão forte quanto a pessoa que pode conceder o perdão a quem lhe fez mal, porque demonstra, por sua vez, que superou o medo, que já não teme o inimigo e que se sente mais livre.

Ao nos desprendermos dos ressentimentos e da raiva, voltamos ao nosso estado inicial, nosso coração volta a se curar e deixa de lado as emoções negativas. Só então o ato de “deixar ir”, se transforma em algo mais fácil de se conseguir, ao mesmo tempo em que é libertador.

Não invista tempo em quem não merece, em quem não fez nada para permanecer ao seu lado ou para lutar por você. Abra o caminho e ofereça liberdade para essa pessoa, deixe-a ir. Porque não vale a pena lutar contra a corrente, porque toda porta que se fecha, é uma oportunidade que se abre.

Créditos da imagem: Mila Marquis, Shawna Erback, Lucy Campbel

Texto original em espanhol de Valeria Sabater

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

Paixão: o poderoso sentimento que nos faz perder a razão

Paixão: o poderoso sentimento que nos faz perder a razão

Seja na literatura, na história ou nas mais diversas manifestações da arte, a paixão está presente como um sentimento poderoso, arrebatador, insaciável, que escraviza e nos faz perder a razão.

Shakespeare, em Hamlet, já afirmava: “Dá-me o homem que não é escravo da paixão, e eu o usarei no cerne de meu coração, sim, no coração do coração, como faço a ti”.

Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Páris e Helena de Troia, Abelardo e Heloísa, Anna Karenina e Vronsky, Mata Hari e Vadim Maslov, Victor Hugo e Juliette Drouet, Ana de Assis e Dilermano, são exemplos de personagens da literatura, da mitologia ou mesmo da história que movidos pela paixão não mediram as consequências para ficarem juntos.

A paixão na sua forma apocalíptica pode ser muito bem representada no romance de Leon Tolstói. A aristocrata russa Anna Karenina, que dá nome a obra, deixa o marido, o filho e as convenções da época para viver a paixão pelo Conde Vronsky. Rejeitada pela sociedade e sem amigos, ela fica cada dia mais paranoica quanto à possibilidade do fim do relacionamento. Ciumenta, irracional e sem controle, a angustiada e apaixonada Anna se mata, dando fim, talvez, a mais dramática história da literatura.

Já na sua forma mais aprazível, a paixão pode ser representada pela história de Victor Hugo e Juliette Drouet. Ela, atriz, abandona a sua vida artística para se dedicar a ele, tendo o acompanhado durante quase meio século. Porém, sempre independente, Juliette recusou-se a dividir a mesma casa com o escritor, para que a paixão permanecesse acesa até o fim. Ela foi a musa inspiradora de Victor Hugo por mais de meio século.

A maioria das histórias mostra que os apaixonados desprezaram os acontecimentos alheios, não se intimidaram, ignoraram as críticas e o preconceito, exibiram seus afetos com ardor, não se desculparam, nem negociaram o que sentiam.

Não interessa se os envolvidos juraram castidade, eram casados, noivos ou namorados, eles foram capazes de romper quaisquer juras e promessas em nome da paixão.

No entanto, muitos sofreram e fizeram sofrer para viver o sentimento. Não há o que julgar. Não há certo ou errado, vilão ou mocinho. Tudo que existia era a vontade de estar ao lado da pessoa desejada.

A paixão é um sentimento poderoso, que nos deixa a flor da pele, mexe com os nossos instintos mais primitivos e, por isso, não pode ser racionalizada, explicada ou reprimida, mas apenas sentida.

Não existem diferentes tipos de paixão, toda ela é ardente e nenhuma é suave. A paixão não é escolha, pode ser uma dádiva ou uma sentença.

Viver uma paixão é dar uma chance ao amor. É também um ato de coragem, porque a dor pode ser inevitável, mas sufoca-la também não levará a um caminho melhor.

As pessoas que muito tentam se proteger do sofrimento, acabam se protegendo também da felicidade. Nas palavras de Voltaire: “Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar. Outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas.”

Para os que abrem mão de uma paixão, deixando-a contida, restam apenas a serenidade dissimulada, a alegria fingida e o olhar opaco de quem não sabe o que é sentir o coração bater descompassado ao simples olhar da pessoa desejada.

Seja como for, ninguém está imune à paixão e quando ela chega, sem avisar, não tem remédio que a cure, não tem aguardente que a sacie, não tem reza que a faça sumir. Assim já cantava Chico Buarque:

“O que será que será\ Que dá dentro da gente e que não devia\Que desacata a gente, que é revelia\Que é feito uma aguardente que não sacia\ Que é feito estar doente de uma folia\ Que nem dez mandamentos vão conciliar\ Nem todos os unguentos vão aliviar\ Nem todos os quebrantos, toda alquimia\ E nem todos os santos, será que será\ O que não tem descanso, nem nunca terá\ O que não tem cansaço, nem nunca terá\ O que não tem limite.”

Segundo o filósofo Friedrich Hegel “nada existe de grandioso sem paixão”, então vamos celebrar esse sentimento arrebatador, irracional e poderoso.

Para ler com os olhos e entender com a alma

Para ler com os olhos e entender com a alma

Por Ana Luíza Santana

Costumo sempre pensar na vida e em tudo que acontece durante nossa -breve- passagem por esse plano. É uma mania. Uma terapia. Uma loucura. Mas, sem dúvida, é a forma que encontro para refletir, tentar achar respostas, encontrar novas perguntas e buscar evoluir, tanto emocionalmente quanto espiritualmente. Tudo, absolutamente tudo que acontece em nossa vida traz uma grande carga de lições e não podemos tapar os olhos para esse fato.

Desde nova me dei conta disso, pois fui ensinada cedo, pelos acontecimentos em minha trajetória, a fazer isso. A entender que é preciso ter um olhar mais profundo sobre tudo que passamos e vivemos, e a estender esse olhar a vida do próximo. Não, não com curiosidade ou intuito de fazer fofoca, jamais. Mas com empatia e para saber que nossa evolução também se encontra no outro.
A perda de uma amiga próxima me fez, mais uma vez, refletir sobre tudo. Uma morte, literalmente, inesperada. Pegou a todos de surpresa. Despedidas são sempre tristes. Acho que por mais evoluído que o ser humano seja, a dor da partida de uma pessoa amada sempre irá doer. Sempre ficaremos com uma sensação de impotência. Mãos atadas. Coração sangrando. É difícil acreditar que uma alma boa, de aura leve, coração transbordante de amor e energia boa nos foi tirada, assim, de uma hora para outra. Mas é assim, de repente mesmo que acontece. Sem aviso prévio. Sem dar tempo para algum preparo. Acontece de um jeito que foge do nosso entendimento. E é aí que a gente precisa se propôr a refletir. Estamos doando quais tipos de sentimentos? Estamos transmitindo quais tipos de coisas? Estamos perdendo/ganhando tempo com o que? É preciso parar e pensar.

Deixamos de falar o que sentimos as pessoas que amamos porque nos disseram que é sinal de fraqueza. Porque bonito é ser “casca grossa” e correr atrás é coisa de gente idiota. Demonstrar por atitudes é pior. É pedir para ser “trouxa”. Perdemos tempo com orgulho, medo, falta de tempo ou por acharmos que o temos demais. Deixamos para amanhã. E quando chega o amanhã a gente adia de novo. Guardamos mágoas. Sentimentos que em NADA, eu digo NADA de bom, nos acrescentam. Deixamos de perdoar porque achamos que isso é querer tapar o sol com a peneira, afinal é impossível esquecer o que o outro fez, quando na verdade, perdoar é soltar o pescoço do outro e ver que quem consegue ficar aliviado e respirando melhor somos nós mesmos. Evitamos pedir desculpas e/ou perdão porque nos disseram que é humilhante. Alimentamos ressentimentos. Tem gente se achando melhor do que os outros. Gente puxando o tapete do “amigo” na primeira oportunidade e sem pensar duas vezes. Gente que sofre ao ver o outro feliz.

Mágoa, inveja, rancor, orgulho, prepotência, arrogância, julgamentos… e assim acumulam-se toneladas de lixo emocional. Mas por quê? Não consigo encontrar uma lógica coerente que explique por que perdemos tempo com tanta coisa que só devastam e regressam nossa alma. Procuro a cada dia aprender e tenho a consciência tranquila que não me limito aos meus textos. Sou melhor escrevendo e todos que me conhecem sabe disso. Quando falo, sou desastrada, desajeitada, mas ainda assim procuro através dos gestos e atitudes demonstrar aos que amo o amor que trago comigo. Com os conhecidos e desconhecidos busco ter pudor com o que digo e faço. Erro. E como eu erro. Sei que tenho muito que aprender e mudar. Mas estou em paz porque estou de braços e coração aberto para isso. Para a vida. E que todos estejamos.

Que a gente não se limite a frases lindas e reflexivas de redes sociais. São importantes, claro. Os textos e as palavras em si possuem um poder enorme sobre nós e por isso sou tão apaixonada pela escrita e encontro nela a chave para abrir a janela de minha alma e coração. Mas precisamos levar tudo conosco. Precisamos que nossas atitudes sejam condizentes com nossos dizeres. Que a gente sorria de verdade e com verdade, que nossos abraços sejam apertados, que nosso orgulho seja deixado de lado, que o amor seja a maior arma que a gente carregue.

Que a gente valorize os que nos amam e deixemos de lado os que não se agradam com nossa presença. E que, dia após dia, a gente aprenda. Evolua. Nossa passagem é breve, mas os sentimentos que plantamos, as almas que tocamos, os corações que entramos, as pessoas que convivemos e vivemos não são. Uma hora eu vou, você vai, nós vamos. Mas o que fizemos e passamos aos outros a gente deixa aqui. Propõe-se a pensar também no que você deixará quando for. ♡

Ana Luíza Santana

contioutra.com - Para ler com os olhos e entender com a almaPernambucana por naturalidade e baiana por amor,apaixonada por abraços apertados e cafunés e fascinada pelo comportamento humano e suas facetas. 
Para mais textos da autora visite seu blog: Bagunça Boa

A lama que soterra o Brasil

A lama que soterra o Brasil

Por Lílian Paula Serra e Deus

É estarrecedor ver a imprensa brasileira noticiar o rompimento da barragem em Mariana valendo-se da palavra tragédia. À tragédia competem desgraças inevitáveis, cujo destino é o maior responsável. No caso do rompimento da barragem de “responsabilidade” da Samarco, juntamente à Vale e à australiana BHP, o adjetivo trágico não qualifica. Nesse caso, para entender os verdadeiros motivos da irresponsabilidade acontecida em Bento Rodrigues, é preciso perscrutar o mar de lama que encobriu a Vale nas últimas décadas e, quem sabe assim, alguns nomes possam emergir do barro em que se afundam em prol da elevação do capital ao mais alto patamar. Nesse sentido, faz-se necessário desenrolar um novelo histórico para trazer a lume personagens que, há tempos, lutam para submergir o Brasil em águas lamacentas: A quem pertencia a Vale anteriormente ao mandato de FHC? Por que se lutou tanto pela sua venda? Foi ela vendida ao preço que valia à época? Por que a honesta mídia brasileira faz questão de omitir o vínculo entre a Samarco e a Vale? Quem patrocina a mídia no Brasil? Quem determina quanto “Vale” a vida nesse país?

Imbricadas às questões aqui trazidas estão as respostas que direcionam para o que efetivamente aconteceu e, infelizmente, ainda acontecerá no Brasil.  E é triste perceber que os nomes perscrutados são os mesmos que lutam, com as mãos ainda  sujas de lama, pela venda de mais uma estatal: a  Petrobras. Para entender por que a memória de tantos seres humanos inocentes continuará sendo cruelmente engolida pela lama, há que se fazer emergir memórias outras. Há que se perceber que todo rio tem seus afluentes, que a água que desembocou no mar do Espírito Santo, teve sua nascente em outro estado. Para entender Bento Rodrigues é preciso entretecer nascente, afluentes e foz. Somente dessa maneira, entender-se-á que o rio de lama que hoje encobre a cidade mineira, teve sua nascente para além das águas de Minas Gerais. Dessa maneira, perceber-se-á que as nascentes nem sempre são minas de água, muitas vezes as fontes encobrem outras minas. E como o caminho comum aos rios é o oceano, vai assim, o rio de lama, se convertendo em mar, atravessando o país como enxurrada e exibindo, para além do encadeamento das águas, a desconexão entre o ser humano e natureza: a  lama manchando as águas, as vidas se desfazendo em sangue, o capital afogando o homem.

Ao que parece, na maioria das vezes, a privatização coloca o capital, principalmente o estrangeiro, em um altar, posto para além das correntezas, enquanto seres humanos inocentes são, cotidianamente, varridos pela lama.

(Lílian Paula Serra e Deus)

Nota da Página: a CONTI outra agradece o envio do artigo e autorização para publicação.

Faça estas 7 coisas e tenha certeza de que sua vida é importante

Faça estas 7 coisas e tenha certeza de que sua vida é importante

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Charles Chaplin

Todos nós queremos deixar uma marca neste mundo. Mas quantos de nós estamos realmente fazendo isso? Seja como for,  nunca é tarde demais para pensar sobre como você pode fazer do mundo um lugar melhor. Se você realmente quer deixar um legado para as próximas gerações, lembre-se destas 7 coisas.

1. Ensine a empatia.
A empatia é uma arte perdida, infelizmente. Vivemos em um mundo onde nós ensinamos as pessoas a ser auto-centradas. Se você não acredita em mim, basta olhar para as mídias sociais. Em essência, uma “atualização de status” implicitamente diz: “Olhe para mim! Olhe para mim! Eu sou mais importante do que você! “Não que haja algo de errado com a mídia social. Mas, quando estamos tão focados em conseguir a atenção de outras pessoas que nos esquecemos de demonstrar amor e compaixão por sua dor, a tendência é o afastamento afetivo. Portanto, tente chegar aos outros e reconhecer suas dores e lutas. Ajude-os e mostre que também os enxerga.

2. Espalhe simpatia e energia positiva.
Se você for positivo, as pessoas vão lembrar de você de uma forma muito simples: como você os faz sentir. Você os coloca para cima. Você os faz sentirem-se melhores sobre si mesmos. Será que eles querem passar mais tempo com você, porque eles amam a sua energia positiva e visão da vida? Ou, ao contrário, as pessoas pensam que você é um “vampiro de energia”, que suga a vida dos outros? Comece escolhendo novos pensamentos e palavras e você verá que coisas boas atraem coisas boas.

3. Ensine a outras pessoas as lições de vida que você aprendeu.
Quanto mais velhos ficamos, mais aprendemos. Quando somos crianças, nós pensamos que sabemos, tudo é o que é, até que realmente começamos a experimentar a vida e, eventualmente, percebemos o quão pouco nós realmente sabemos. Você teve uma fase em sua vida em que você bebeu e festejou tanto que quase foi reprovado na escola? Ou talvez você tenha feito parte de um relacionamento abusivo até que você acordou e decidiu se amar o suficiente para ir embora. Se assim for, pegue essas experiências de vida e passe as lições para a próxima geração. Detalhe, não precisa nem ser a próxima geração. Apenas compartilhe suas histórias com quem pode aprender com o que você já passou.

4. Coloque as pessoas em primeiro lugar.
Nosso mundo valoriza muito o dinheiro. E não que haja algo de errado com o dinheiro! Todo mundo ama o dinheiro! Mas se você está tão consumido com o dinheiro, ou poder, ou o sucesso (ou qualquer outra coisa) que você se esquece de como as pessoas são importantes, então você precisa para parar e reavaliar a sua vida. Trate a todos com amor e respeito, até mesmo seus “inimigos”. Trate o zelador da mesma forma que você trataria o presidente da empresa onde você trabalha. Perceba que todos realmente só querem ser amados, aceitos e reconhecidos. É muito simples. A “Regra de Ouro” é fazer aos outros o que você teria feito a si mesmo.

5. Descobrir a sua paixão e dedicar sua energia a ela
Você ama a criação de arte? Você gosta de escrever? Você ama pescar? Seja qual for a sua paixão, você deve passar cada vez mais tempo se dedicando à ela. Você pode até mesmo ser capaz de encontrar uma maneira de canalizá-la em uma carreira e ter renda com ela. Talvez você escreva em seu diário ou mantenha um blog apenas para a diversão. Mas talvez você fazer isso de maneiras diferentes.Se gostar da ideia, faça! Não há nada mais bonito do que quando a nossa paixão encontra um propósito na vida. Quanto mais apaixonados formos pelo que fazemos, melhor será o mundo.

6. Gaste seu dinheiro em experiências que você vai se lembrar em vez de em coisas que você não precisa.
Como diz o ditado: “Quanto você morrer, você não vai levar seu dinheiro com você.” Em outras palavras, o dinheiro é maravilhoso, mas você não pode levá-la para o outro mundo. Então, se você está usando o seu dinheiro para comprar uma casa enorme só para impressionar as pessoas, então talvez você esteja canalizando o seu dinheiro na direção errada. Em vez disso, talvez você deva reduzir as despesas com coisas bobas em casa e levar sua família para férias. Essas são as coisas que as pessoas se lembram, então reavalie suas prioridades quando se trata de gastar o seu dinheiro.

7. Mantenha um nível saudável de interação com as mídias sociais.
Claro, é ótimo para se reconectar com amigos perdidos e manter contato com os membros da família que moram longe. Mas se você achar que você necessita narrar sua vida em mídias sociais para o mundo inteiro ver, então talvez você tenha ido longe demais. Se você está de férias com sua família na Disney World, mas você tem que parar a cada 5 minutos para enviar as fotos que acabou de tirar, então você está passando do limite. Em vez disso, aproveite o momento. Aproveite o AGORA . Haverá tempo mais tarde para fazer o upload dessas fotos. Portanto, tente libertar-se um pouco da internet e volte para o mundo real com mais freqüência. Você perceberá que isso te fará mais feliz.

Faça a diferença, começando por você mesmo!

Traduzido e adaptado do original Life Hack

O papel da espiritualidade na terminalidade

O papel da espiritualidade na terminalidade

Por Nazaré Jacobucci, especialista em Luto

É inegável que a espiritualidade é uma característica humana que, dentre outros aspectos, proporciona ao indivíduo a possibilidade de encontrar significado e propósito para a sua vida. Embora estejam relacionadas, espiritualidade e religião não são equivalentes. As situações que antecedem e envolvem os processos de morte e o morrer estão entre aquelas em que a espiritualidade e a necessidade de conforto espiritual são visíveis. A crença religiosa traz contida em sua simbologia a sensação de acolhimento e proteção diante da morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o cuidado espiritual no que tange aos cuidados totais para o paciente que se encontra em cuidados paliativos, pois auxilia no enfrentamento da angústia e do sofrimento, imprimindo-lhe algum sentido. A importância da espiritualidade no enfrentamento de uma doença terminal tem sido constantemente corroborada por algumas pesquisas. O bem-estar espiritual oferece proteção contra o desespero no fim da vida, ocasionando paz e significado para aqueles na iminência da morte (Liberato; Macieira, 2008).

Com efeito segundo Dias e Riba (2008), proporcionar assistência espiritual ao paciente não é fácil para os profissionais da saúde. “A espiritualidade é frequentemente confundida com religiosidade, e as crenças do outro nem sempre são compreendidas, respeitadas e aceitas”. Infelizmente, a visão de muitos profissionais da área médica que atuam em hospitais é de que os cuidados médicos e espirituais não sejam complementares, visão esta, no mínimo insensível quando um paciente está em processo de morte.

Contudo, se faz necessário distinguir espiritualidade de religiosidade. A espiritualidade é uma dimensão de cada ser humano, é a relação do indivíduo com o sagrado. E este sagrado pode ser definido e compreendido pelo indivíduo de várias formas diferentes. Assim, a espiritualidade é entendida como um sistema de crenças filosóficas que transmite força e significado aos eventos da vida. Estas crenças possibilitam que as pessoas tenham atitudes positivas melhorando a sua qualidade de vida. Muitas pessoas expressam a sua espiritualidade por meio de uma religião, ou seja, possuem crenças, valores, estilo de vida, linguagem e práticas devocionais que pertencem a uma determinada instituição religiosa como, por exemplo, cristianismo, judaísmo, de matrizes africanas, espiritismo e várias outras. As práticas e as regras são as mais variadas: para uns, imagens são sagradas, para outros, locais são sagrados e cada um cultua a Deus de forma diferente. Cada religião possui uma proposta filosófica e um conjunto de regras que está contextualizada dentro de um sistema sócio-cultural. Cada religião possui dentro da sua doutrina um sistema de dogmas para explicar a morte. Conforme o contexto acima, pudemos observar que espiritualidade e religião não são iguais. Entretanto, pela religião também se pode alcançar a espiritualidade.

Nós psicólogos constantemente, em nossa prática clínica, nos defrontamos com inquietações sobre o tema e a relação estabelecida entre saúde, espiritualidade, fé ou religião e finitude, afinal, somos seres biopsicossociais e espirituais. Eu tive a honra de conversar com a Psicóloga Regina Liberato, uma estudiosa do assunto, sobre questões que permeiam este tema. Abaixo segue um pouco sobre o que conversamos.

Eu tenho feito esta pergunta aos meus entrevistados, falar de morte é um tabu?

Na opinião de Regina este tema já foi mais, pois hoje ela percebe um movimento maior de pessoas que começam a falar sobre este assunto de uma forma menos incômoda. Segundo Regina isto se deve ao esforço de várias pessoas que estão falando insistentemente sobre o assunto e provocando, de alguma forma, uma reflexão sobre morte e o morrer.

Questiono Regina sobre o que é espiritualidade (?)

Para ela, os dois conceitos estão interligados, mas são completamente diferentes. Segundo Regina, espiritualidade é quase inconceituável, pois é necessário acreditar na linguagem simbólica que a define, é uma parte complexa e multidimensional da experiência humana. Não se restringe a um grupo de pessoas, uma religião, ou uma cultura. Ela diz que há três palavras que estão intrinsicamente relacionadas à definição de espiritualidade: fé, transcendência e sagrado. Você pode expressar a sua espiritualidade, por exemplo, crendo numa força superior, contemplando a natureza e sua intensidade, expressando a sua compaixão e você pode expressá-la de várias outras formas. Ela cita Boff e Lama – para Boff a espiritualidade se expressa quando a gente se sente conectado com o universo. Para Lama a espiritualidade é um processo de transformação.

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(Slides 1 e 2*)

Pergunto sobre o papel da espiritualidade em quadros crônicos em que o paciente se encontra em cuidados paliativos

Regina me diz que no seu entendimento o cuidado espiritual precisa ser mais contemplado, mais assistido nas equipes de cuidados paliativos. Segundo ela, o cuidado espiritual é absolutamente necessário em todas as fases da vida, especialmente no final dela, pois neste momento há um acúmulo de perdas e as pessoas se encontram mais sensíveis e, é justamente, a espiritualidade que dará um significado para a situação que este paciente e família está vivenciando.

A espiritualidade pode auxiliar no processo de enfrentamento da situação reduzindo o sofrimento e, posteriormente à morte, na elaboração do luto. Segundo ela, muitas das situações vivenciadas durante um processo de adoecimento são quase insuportáveis, mas a espiritualidade pode dar sentido a este sofrimento.

Contudo, mesmo quando a pessoa se diz ateu – e, como já vimos, espiritualidade é diferente de religiosidade – há várias formas de aproximarmos este paciente do sagrado como, por exemplo, por meio de uma música, uma poesia, uma pintura, pois a arte é um caminho para se expressar a espiritualidade. Regina diz que, precisamos descobrir onde “mora” o sagrado para aquela pessoa, pois é lá que está a dimensão espiritual. Para ela não há nada mais sagrado do que a história de vida de uma pessoa, como ela se expressou durante a sua existência e como ela se relacionou com esta existência.

Questiono Regina sobre a dificuldade dos médicos de agregarem a espiritualidade na prática da medicina

Para Regina os médicos possuem uma dificuldade de fazer uma ligação estreita entre a prática da medicina e a dimensão espiritual. Infelizmente, ciência e espiritualidade ainda não andam juntas. Para ela é absolutamente necessário – na verdade, urgente – que algumas disciplinas entrem na grade curricular dos cursos de medicina como, por exemplo, a psicologia e estudos sobre espiritualidade. Pois, o olhar sobre este paciente em cuidados paliativos e, se possível, de todos os outros, precisa ser ampliado. É necessário ter conhecimento das diversas formas de expressão espiritual e, para isso, precisamos ler, estudar e observar. E, claro, assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento espiritual e aprender a cultivar a própria alma.

Pergunto a Regina o que é necessário para mudarmos este cenário e incluirmos a espiritualidade no contexto médico/hospitalar (?)

Para ela é muito necessário que façamos mais pesquisas sobre a importância da espiritualidade na vida das pessoas. O trabalho dos profissionais da saúde precisa contemplar a dimensão espiritual, portanto precisamos de estudos para que as intervenções sejam mais efetivas e humana. Segundo Regina, há várias pesquisas que demonstram resultados altamente positivos sobre a importância da espiritualidade na fase final de vida, mas precisamos de muito mais. Para ela, o mundo avançou por que algumas pessoas ousaram nos seus estudos sobre algo até provarem a importância desse “algo” para a sociedade. Portanto, nós precisamos avançar introduzindo novos horizontes até ser possível que os recursos espirituais sejam reconhecidos no cuidado do paciente.

No final da nossa conversa Regina enfatiza a importância de se observar o sagrado todos os dias no cotidiano no que está disponível, pois o sagrado está nas coisas comuns e se despede com uma frase que simplesmente adorei! Ela diz – “Viver é imperdível”.

Após esta conversa com Regina, eu penso que a ciência não é capaz de dar todas as respostas a todas as nossas perguntas, pois existem respostas que transcendem ao nosso entendimento e somente a dimensão espiritual é capaz de nos fornecer uma resposta plausível. Se faz necessário implementar efetivamente, nos serviços de saúde, cuidados holísticos – físico, psíquico, social e espiritual – e não apenas para os pacientes em processo de finitude, mas para todos que necessitam de cuidados médicos.

Nazaré Jacobucci
Psicóloga Especialista em Luto
Member of British Psychological Society

Nazaré Jacobucci

Possuo graduação em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista emcontioutra.com - O papel da espiritualidade na terminalidade Psicologia Hospitalar pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Especialista em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto pelo 4 Estações Instituto de Psicologia. Atuando principalmente nos seguintes temas: Psicóloga Clínica, Avaliação Psicológica, Intervenção em Perda e Luto e Medicina Paliativa. Atualmente resido na Inglaterra. Estou aprimorando meus conhecimentos em Tanatologia, Perdas e Luto (Grief and Bereavement).

Conheça mais trabalhos da autora em seu blog Perdas e Luto.

Regina Liberato

Entrevistada: Regina Liberato – Psicóloga, psicoterapeuta especializada em Psicologia contioutra.com - O papel da espiritualidade na terminalidadeAnalítica, Psiconeuroimunologia e Psico-Oncologia, coordenadora da Oficina de Convivência e do Núcleo de Programas Multiprofissionais do Instituto Oncoguia, colunista do Portal Oncoguia, presidente diretoria nacional da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia na gestão 2010-2013, professora do Instituto de Ciências Virtual da Faculdade de Ciências Médicas de MG nos cursos de pós-graduação em Psico-Oncologia e de Cuidados Paliativos. Adoro dançar, sou protetora de animais e acho que Viver é imperdível.

Referências:

Dyson J, Cobb M, Forman D. The meaning of spirituality: a literature review. J Adv Nurs, 1997;26:1183-1188.
Jacobucci ANP. Caracterização clínica e psicossocial de pacientes hospitalizados sob cuidados paliativos. 2010.
Liberato RP, Macieira RC. Espiritualidade no enfrentamento do câncer. In: Carvalho VA, Franco MHP, Kovacs MJ, Liberato RP, Macieira RC, Veit MT et al. Temas em psico-oncologia. São Paulo: Summus; 2008.
Pessini, Leo.  Terminalidade e espiritualidade: uma reflexão a partir dos Códigos de Ética Médica brasileiros e leitura comparada de alguns países. Mundo saúde (Impr.); 33(1): 35-42, jan.- mar. 2009.
Riba JJ, Dias JPC. Psicólogos. In: Juver J, Saltz E, organizadores. Cuidados paliativos em oncologia. Rio de Janeiro: Senac Rio; 2008.
Soares, Márcio. Cuidando da família de pacientes em situação de terminalidade internados na unidade de terapia intensiva. Rev. bras. ter. intensiva, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 481-484, Dec.  2007 .
Teixeira EFB, Muller MC, Silva JDT (Org). Espiritualidade e qualidade de vida. Porto Alegre:  EDIPUCRS, 2004. 224 p.

*Slides 1 e 2 foram cedidos por Regina e pertencem a sua aula intitulada: Espiritualidade: um caminho para a transformação

Ninguém aqui é puro anjo ou demônio

Ninguém aqui é puro anjo ou demônio

É incrível imaginar que mesmo numerosos sobre a terra não há um só de nós que seja apenas o bom ou tão somente o ruim. E quando digo sobre ser bom ou ruim não estou dizendo apenas para os outros, mas também para nós.

Nascemos assim misturados, com um pouco de cada lado. Somos como promessas que podem vir a ser, somos como enigmas a espera de um sinal, somos caminhantes em busca de uma razão. E muito de tudo que somos depende apenas de nós.

Dentro de nossa natureza instintiva existem forças que lutam para sobreviver. Os antigos índios Cherokees costumavam contar que cada um de nós carrega dentro de si bons e maus lobos. Os bons dizem de nossas virtudes, belezas e de tudo de melhor que nos habita. Os maus lobos falam de nossos medos, de nossas fraquezas, de nossas neuroses, em suma representam o ruim que existe em nós. Para os índios essas duas forças não vivem de forma harmônica, pelo contrário, elas se digladiam dentro de nós e se alimentam do que lhes ofertamos diariamente.

Serão mais numerosos e robustos em nós os lobos bons ou maus? Isso dependerá apenas de quais iremos efetivamente alimentar. Dependerá de nossa escolha diária em nutrir o melhor ou o pior que existe em nós.

Eu sou uma grande admiradora da sabedoria indígena, pois ela é hábil em, através da observação minuciosa do cotidiano, transformar vivências em belas estórias. Pensar o bem e o mal como matilhas interiores é uma bela forma de expressar nossa complexidade sem esconder ou recriminar o que é imperfeito em nós, contudo não deixa de ser uma ótima maneira de nos mostrar, com sinceridade, que podemos vencer o nosso ruim com boas decisões.

Medos infundados, ressentimentos profundos, rancores latentes, apreço material, competitividade desleal, ataques de ansiedade, insegurança, ausência afetiva… tudo de ruim que há em nós nasceu pequeno e foi diariamente nutrido pelas nossas fraquezas ou até mesmo pela nossa indiferença.

E as coisas podem até mesmo caminhar relativamente bem para nós até que em um belo dia, ao buscarmos o que temos de bom dentro da gente, ao engendrarmos as mãos procurando um bálsamo, encontramos apenas a sombra do melhor que nos habitou.

Nesse momento é muito importante que tenhamos clara a ideia de que nos equivocamos em alimentar o que não era bom e que o melhor de nós pode ser resgatado sim, contudo por meio de esforço e de mudanças efetivas.

Mudar não é fácil, mas é necessário. E assim como quando nos mudamos de casa, quando retiramos tudo dos armários para decidir o que levar, mudar a forma de viver exige que a gente avalie o que estamos levando conosco e se isso é realmente importante. Mudar é olhar para dentro, é encontrar muitas vezes coisas das quais não gostamos e decidir que mesmo diante das dificuldades podemos fazer diferente.

Há pouco li um texto sofrido de uma jovem redatora que após ter se formado e de ter começado a trabalhar para revistas escrevendo matérias encomendadas, muitas vezes contrárias à sua opinião, já não conseguia mais colocar as próprias ideias no papel. Ela mencionava que tinha escolhido a profissão por ter o sonho de um dia escrever seu próprio livro, mas que com o tempo acabou vendendo seu lado criativo e minando o ímpeto da escrita que existia nela.

Apesar de ter ficado com o coração na mão ao ler suas palavras, enxerguei no texto o início de uma busca interior pelo resgate de um bom lobo. Seu texto denotava, mesmo que receoso, que ela começava a alimentar o melhor novamente. Contudo só alimentar o nosso bom lado não basta, é preciso que deixemos minguar de fome as forças que nos impedem de seguir pelos melhores caminhos. É preciso que assumamos que há em nós o que também não é imaculado, para que assim possamos nos posicionar de maneira a liderar as matilhas que nos habitam, fazendo crescer a boa e diminuindo a má.

Ninguém é puro anjo ou demônio, ninguém é só o bom ou o mau, somos tudo isso, mas para que possamos ser o que quisermos precisamos admitir essa realidade dúbia que nos habita, decidir de forma ponderada pelo melhor e seguir em frente.

 

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Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

(Imagem de capa Meramente Ilustrativa)

Abuso infantil é tema de vídeo que alerta crianças

Abuso infantil é tema de vídeo que alerta crianças

No último dia 18 de novembro, por iniciativa do Conselho da Europa, comemorou-se pela 1ª vez, o Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual.

O vídeo abaixo foi produzido pelo Governo de Portugal e remete a um número de denúncia que não funciona no Brasil- o 144 funciona apenas lá. Entretanto, a história da animação possui conteúdo universal e merece ser compartilhada para prevenção de todos, independente do local do mundo onde estiver quem a assista.

Depois do vídeo, você encontrará os dados para denúncia no Brasil.

Como denunciar casos de violência sexual no Brasil (dados Unicef Brasil)

É preciso romper com o pacto de silêncio que encobre as situações de abuso e exploração contra crianças e adolescentes. Não se pode ter medo de denunciar. Essa é a única forma de ajudar esses meninos e meninas.

Saiba a quem recorrer em caso de suspeita de violência sexual infanto-juvenil:
Conselhos Tutelares – Os Conselhos Tutelares foram criados para zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes. A eles cabe receber a notificação e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for confirmado o fato, o Conselho deve levar a situação ao conhecimento do Ministério Público.
Varas da Infância e da Juventude – Em município onde não há Conselhos Tutleares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias.
Outros órgãos que também estão preparados para ajudar são as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e as Delegacias da Mulher.

OU DISQUE 100
O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Por meio do 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares.

O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo.

Sobre violência doméstica, por Hirondina Joshua

Sobre violência doméstica, por Hirondina Joshua

Por Hirondina Joshua

Bater uma mulher será sinal de superioridade?

Assediá-la será sinal de masculinidade?
E o machismo? Parece-me ser um mal que atacou não só os homens, mas as mulheres também. Aquelas que dizem e aceitam a condição de serem manipuladas, de não poderem se auto-descobrir.
Só aos homens é admitida a “liberdade” e que se não questione. A Natureza assim o fez. E prontos. Vivemos e morremos nesse dogma de sobrevivência que alguém inventou…
Bom é saber que ainda há mulheres humanas. Ser humano não é se supervalorizar, é antes reconhecer no outro um ser; igual ou não mas um ser.
E as mulheres com quem conversei esta semana, infelizmente vítimas de violência doméstica, são humanas, não porque apresentam estrutura física que demonstre. Mas porque denunciam actos desumanos. Não permitir que um outro ser destrua nossa integridade física, moral e intelectual é um gesto de ser humano.
A violência inicia quando uns se julgam superiores aos outros e outros e as vítimas se aceitam como “coisas”, e de facto se tornam coisas.
A sociedade educa um indivíduo a ser ou Homem ou mulher. Deviam educar para serem humano.

Hirondina Joshua

contioutra.com - Sobre violência doméstica, por Hirondina JoshuaNasceu em Maputo, Moçambique, a 31 de Maio de 1987.
Está integrada em várias antologias, revistas, jornais, sites, blogues nacionais e internacionais. Teve Menção Extraordinária no Premio Mundiale di Poesia Nósside 2014.

Hirondina Joshua no Facebook

A incrível Técnica “4-7-8” que faz dormir em um minuto

A incrível Técnica “4-7-8” que faz dormir em um minuto

Já lhe aconteceu alguma vez de deitar-se na cama para dormir e simplesmente não conseguir ? É horrível, certo?

Isso já me aconteceu muitas vezes sabendo que no dia seguinte teria que despertar muito cedo para ir trabalhar. A pessoa começa a dar voltas na cama, com calor ou frio, enrolando-se nos lençóis e em vez de ficar cansada fica ainda mais desperta.

Então como facilmente adormecer? Vou-lhe mostrar uma técnica que o vai pôr a dormir em menos de 1 minuto. É garantido, eu já experimentei e passo agora esta informação para você.

Chama-se Técnica do 4-7-8 e foi descoberta pelo Dr. Andrew Weil, doutorado pela Harvard Medical School, EUA (veja o seu video demonstrativo mais em baixo). Esta técnica vai garantir-lhe um sono profundo e relaxado.

Como funciona esta técnica?

Trata-se de uma técnica completamente natural, que o vai fazer adormecer em pouco tempo, e com uma sólida base científica que a apoia.

Quando estiver com problemas em adormecer lembre-se destes números 4-7-8, pois são estes que vão determinar a partir de agora a sua respiração quando quiser dormir tranquilo.

Passos:

1 – Expire pela sua boca completamente deixando todo o ar sair com um som tipo “oooosh”.
2 – Feche a boca e inspire silenciosamente pelo nariz contando até ao número 4.
3 – Pare a sua respiração, mantenha o ar nos pulmões e conte mentalmente até ao número 7.
4 – Expire completamente pela boca com um som “oooosh” contando até ao número 8.
5 – Esta foi a primeira respiração. Agora faça de novo até perfazer um total de quatro respirações.

Saliento que você deve sempre respirar silenciosamente pelo nariz expirando depois pela boca fazendo o som “oooosh”. (veja o video demonstrativo em baixo – salte até ao minuto 1:41).

Há quem não consiga aguentar as quatro respirações pois só com a primeira fica com vontade de dormir. O estado de sonolência vai deixá-lo bem. O Dr. Weil recomenda também que durante todo o exercício mantenha a ponta da sua língua tocando a parte superior da boca (também chamado o céu da boca).

Por que motivo esta técnica funciona?

O stress, a ansiedade, os nervos ou até algumas substâncias como a cafeína, alteram o nosso organismo de tal maneira que fazem com que respiremos de forma errada. Nestas situações temos tendência a respirar de forma menos profunda do que seria desejável e os nossos níveis de gases (oxigênio, dióxido de carbono) concentram-se no nosso sangue com proporções inadequadas.

Com a técnica 4-7-8 o que estamos fazendo, basicamente, é controlar a nossa respiração para devolver a concentração de gases no sangue a níveis normais, para baixar o nosso ritmo cardíaco e para entrar num estado de relaxamento.

Estas técnicas de controle da respiração já eram praticadas durante muitos séculos em algumas culturas orientais, mas graças à explicação simples do Dr. Weil resultam muito mais fáceis de se colocar em prática.

Fonte indicada: Hoje descobri

10 pensamentos diários de um verdadeiro ansioso

10 pensamentos diários de um verdadeiro ansioso

Um dos sintomas mais desagradáveis que uma pessoa ansiosa sente é ter que lidar com pensamentos que se transformam em preocupações constantes. Por vezes estes pensamentos tem justificativa, como por exemplo “Será que apaguei o forno?” ou “Será que tranquei a porta do carro?”, mas em pouco tempo transformam-se em pensamentos infundados como “Será que o meu chefe me odeia?” ou “Será que eu disse algo de errado?”, etc.

Conheça agora uma lista com alguns dos pensamentos mais estressantes e invasivos que tomam conta da mente de um ansioso ao longo do dia:

1. Dizer algo que possa ofender alguém

– Será que disse algo de errado?
– Apesar de ser cuidadoso para não ofender ninguém, será que disse algo mais ofensivo?

Um ansioso muitas vezes pensa que o que ele diz ou faz pode deixar os outros desconfortáveis.

2. Ficar preso nos transportes públicos

Quando o ônibus ou o metro para durante a viagem e os passageiros não têm qualquer informação acerca do motivo, um ansioso ficará assustadoe vai querer sair para procurar um táxi, apesar de saber que irá pagar muito mais e que a viagem poderá demorar o mesmo tempo.

3. Preocupar-se em chegar pontualmente

– A que horas tenho de sair para chegar onde vou?
– Como está o trânsito à hora que tenho de sair para o trabalho ou para a consulta com o médico?
– Será que vou conseguir arranjar estacionamento facilmente?

A pessoa ansiosa repassa mentalmente o seu itinerário várias vezes ao dia.

4. Receio de que algo lhe aconteça

– Estou sempre com medo de que algo de mal aconteça.
– Se discutir com o meu marido tenho medo que ele me expulse de casa.

As pessoas ansiosas supervalorizam as consequências dos seus atos.

5. Esquecer-se de fazer algo importante

Num dia “bom” um ansioso sairá da sua casa sem ter que verificar as chaves de casa três vezes ou assegurar-se que a luz da cozinha ficou apagada. Nos dias bons até consegue controlar este seus pensamentos, mas nos dias maus não deixará de pensar no que aconteceria se deixasse a porta aberta ou a luz acesa.

6. Não ser capaz de controlar o que acontece agora ou no futuro

A cada minuto do dia o ansioso preocupa-se com o que está acontecendo, algo que aconteceu recentemente, ou algo que pode acontecer nos próximos momentos, mais tarde hoje ou no futuro.

7. Perguntar aos seus entes mais próximos se estão chateados

– Por que demorou tanto tempo para responder à minha mensagem?
– Está com raiva de mim?

Um ansioso quer que o aceitem o tempo todo.

8. Cometer um erro no trabalho que possa resultar num julgamento de valor sobre si

– Por engano, enviei um e-mail para a minha chefe que era para enviar à minha namorada.

Essa ação bem pode representar para o ansioso, um dia inteiro de incertezas.

9. Perceber-se como alguém “pouco inteligente” num encontro social

– Estão rindo de mim?
– Acham que isto é engraçado?
– É melhor não comentar!

São questões que inundam a cabeça de um ansioso numa reunião social.

10. Sentir ansiedade por estar ansioso

– Por que estou tão ansioso?

A maior ansiedade, geralmente, é acerca de ter um transtorno de ansiedade. A pessoa sabe que não tem razão nenhuma para estar preocupada e que na sua vida tudo corre bem, mas mesmo assim vive em alerta constante e é precisamente isso que faz com que o ciclo recomece novamente.

Fonte consultada para este artigo: www.infobae.com

13 gestos simples capazes de salvar um relacionamento

13 gestos simples capazes de salvar um relacionamento

Por Cibele Carvalho

Aprendi há pouco tempo a ouvir o canto dos passarinhos pela manhã quando acordo, percebi que eles sempre estavam ali todos os dias cantando alegremente, apenas eu não me dava conta disso.

Assim tento fazer com que meus dias se tornem mais leves e consiga frear por segundos que sejam minhas ansiedades e temores.

Em nossos relacionamentos podemos também aprender a realizar essa pausa necessária e essa reflexão diária de coisas, ou seja, gestos pequenos e simples que realizamos ou recebemos todos os dias.

A seguir confira alguns desses gestos que são praticados por você e pela pessoa que convive com você rotineiramente, mas que por vezes passam despercebidos, porém, são esses gestos que podem salvar seu relacionamento:

1. Um beijo simples antes de ir para o trabalho

Há uma frase em um dos meus textos favoritos que menciona o seguinte: “Sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos”(O menestrel).

2. Um sorriso delicado ao conversar

Nossas expressões falam muito sobre o que sentimos e refletem nosso respeito. Sorrir delicadamente mesmo que não esteja achando o assunto interessante pode mudar seu dia.

3. Uma pausa para lembrar

Podemos arrumar alguma desculpa para todas as coisas simples e importantes que precisamos realizar, ou simplesmente escolher fazê-las. Demonstrar preocupação e amor ao nosso companheiro é uma questão de escolha diária de prioridades.

4. Um afago sem ser esperado

Quem não gosta de receber aquele carinho, beijinho, aperto ou abraço inesperado? Eu amo receber! Porém, percebo que com a rotina e as tantas tarefas esquecemo-nos desses detalhes tão preciosos.

5. Um agrado para o almoço

Em suas compras de supermercado o que você leva em seu carrinho? Traz consigo somente o que lhe agrada, ou deseja sempre conciliar os gostos de ambos? Já pensou em lembrar uma única vez de levar um agrado para quem você ama?

6. Um segundo de atenção para ouvir

Reserve um tempo para ouvir as lamentações, angústias e preocupações que o outro anseia lhe contar, isso aumentará a união entre vocês.

7. Outra pausa para deixar de falar

Antes de me casar li no manual do curso que fizemos preparatório para casamentos, que nem todos os assuntos ou problemas devem ser dados atenção, procure reclamar daquilo que realmente lhe ofendeu.

8. Parar para caminhar ao lado

Alguns casais com o tempo deixam de se preocupar em andar juntos, um ao lado do outro. Espere, não deixe quem está com você para trás, você faz isso com todas as pessoas com quem convive?

9. Segurar firme sua mão

O suave aperto de mão, ao segurar um a mão do outro, indica que estão unidos, juntos, que podem contar um com o outro, segure-se em mim e vamos passar por isso!

10. Uma carícia na hora do jantar

Aquele jeitinho que só você sabe dar carinho da maneira com que ele ou ela gosta.

11. Aquela brincadeira sem graça

Pode ser sem graça, mas se um dia você deixar de praticar e decidir nunca mais brincar, a vida a dois pode se tornar pesada demais, brinquem, riam das besteiras suas e dos outros.

12. Um abraço apertado mesmo magoado

Exerço com muita frequência esse exercício que vou lhes ensinar: Prefiro, todos os dias ter paz do que ter razão, e não espero que o outro me procure para que eu possa ser feliz ao seu lado, o procuro porque eu quero, porque eu desejo e simplesmente faço, um dia a menos de briga e assim sucessivamente.

13. Aconchegar-se na hora de dormir

Aquele jeitinho particular de cada casal de fazer seu ninho para dormir agarradinhos. Evite dormir brigado, resolva suas questões antes de dormir, assim não permitirá que sejam plantadas novas ervas daninhas em sua mente.

Pratique essas ações, gentileza gera gentileza, e amor floresce em muito mais amor!

Valorize os momentos e segundos da sua vida simples e amorosa. Procure lembrar em ser mais grato ao outro por tudo que já fez, ao invés de somente cobrar pelo que deixou de fazer.

Fonte indicada: Família

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