As transformações do sofrimento psíquico

As transformações do sofrimento psíquico

No Café filosófico CPFL, o psicanalista Christian Dunker analisa como a abordagem das dores psíquicas muda de acordo com o contexto histórico. “Até Freud, boa parte do sofrimento era interpretado segundo duas grandes chaves: ou era um problema médico ou era um problema moral”, afirma, ressaltando que a angústia até então não era reconhecida. Em Transformações do sofrimento psíquico, Dunker traça um panorama sobre as mudanças na forma de reconhecer e tratá-lo nos últimos cem anos.

Confira a apresentação:

Fonte indicada: Mente e Cérebro

Uma alma enjaulada faz o corpo sofrer

Uma alma enjaulada faz o corpo sofrer

Uma palpitaçãozinha, o peito começa a apertar, as mãos suam… e ainda há tempo para tentar entender o que se passa. Levei um susto? No que acabei de pensar?  Que preocupação ronda secretamente meus pensamentos? Por que de repente me sinto assim, prestes a cair de um despenhadeiro?

Em seguida, um descompasso generalizado. Respira, respira, respira fundo! E uma bruta sensação de desamparo, de solidão, de que as pernas pararão de obedecer, o ar vai faltar . Vou desmaiar, vou cair, vou morrer, vou sucumbir.

Mais uma crise de ansiedade, que vem como uma tromba d’água, arrastando tudo o que vê pela frente, despertando o exército de inseguranças e medos, fazendo as veias saltarem, os olhos esbugalharem e a alma assombrar-se.

Como uma sensação dessas se instala na gente, sem aviso, sem sinais, sem causas óbvias muitas vezes? Será que todo mundo já sentiu isso uma vez ao menos?

Me espanto todas as vezes, que acontece. Sim, acontece comigo e eu morro de medo. É incontrolável demais, fico com ânsia de mandar minha alma correr para fora do corpo.  Penso que ninguém imagina a dimensão desses monstros a não ser quando capturados por eles.

Crise de pânico, de ansiedade, piti, chilique, surto… que importa o nome do monstro?  O que me interessa saber de tudo isso se não for para aprender a me proteger, me resguardar, salvar minha sanidade das bocadas desse bicho?

Mais uma enfermidade moderna, mais uma consequência de emoções e paixões descontroladas de nossa época, dos passos descompassados, dos medos e sustos, neuroses e paranoias muito bem alimentadas. Talvez seja o preço que estamos pagando pelo progresso, pela vida que já deixou há muito tempo de ser construída para humanos e sim para máquinas; Talvez estejamos nos fragilizando de susto, com tantas tecnologias, com tanta gente no mundo, com a correria e atraso constantes . Talvez seja qualquer coisa que não conseguimos entender agora, porque estamos doentes de ansiedade…

Talvez, em algum lugar dentro de nós, more uma pessoa tranquila, dócil, bem humorada e esperançosa, mas que está trancafiada sobrevivendo com o mínimo, calada e ameaçada, pois não é a pessoa que pode se apresentar à sociedade dos dias de hoje. Talvez tenhamos apagado e rabiscado tanto a nossa personalidade para poder nos posicionar bem na vida, que por fim, um dia, os defeitos começam a sair, como os suores e tremores. Pode ser a pessoa interna, a alma verdadeira, implorando para sair.  E nessa seara, cada um sabe a porta que consegue abrir.

Um vídeo para pensarmos sobre o tema…

O ciúme, uma intrigante explanação de Rubem Alves

O ciúme, uma intrigante explanação de Rubem Alves
“Ela tinha a beleza tranquila da maturidade.
 Alguns fios de cabelo branco davam ao seu rosto um encanto especial.
 De hábitos domésticos e simples, um de seus prazeres era assentar-se numa poltrona e entrar na bolha que a leitura cria.
Quem lê está num outro mundo, muito distante.
O marido a observava de longe. Olhos que observam são aqueles que olham quando o outro não está olhando. Seu olhar era o de apaixonado que desconfia, olhar de ciúme. Os olhos do ciumento vigiam.
Vigiam gestos, movimentos, horas, sorrisos.
Vigiam porque as modulações silenciosas e distraídas da pessoa amada podem conter revelações sobre aquilo que ela esta pensando.
O ciumento suspeita que o ser amado lhe esconda alguma coisa.
Olha na esperança de ver algo escondido, de entrar dentro do segredo do outro. O ciumento detesta os pensamentos.
Por mais que os vigie, eles estão além de sua vigilância.
Ele queria adivinhar seus pensamentos.
E a sua vigilância se exacerbava quando ela sorria ou ria.
Como explicar este sorriso se ele, o marido, não estava dentro do livro?
Ela não precisava dele pra ser feliz.
Porque ali, mergulhada no livro, o marido não existia…”
“O ciúme nasce quando se toma consciência de que a pessoa amada é livre. Ela é um pássaro pousado no ombro.
Nada o prende. Pode voar quando quiser.”

Falar com estranhos te deixa mais feliz

Falar com estranhos te deixa mais feliz

Se você é daquelas pessoas mal-humoradas que não faz contato visual com velhinhos no metrô e que vira os olhos quando alguém puxa papo com você, atenção: você pode estar perdendo uma dose diária de felicidade. É o que indica um novo estudo feito no transporte público de Chicago. Passageiros tiveram que falar com estranhos em um trem, sentarem-se sozinhos e calados, ou então fazer o que fariam normalmente. Em seguida, eles responderam um questionário falando como se sentiam.

Aqueles que conversaram com estranhos relataram ter experiências mais prazerosas do que aqueles que ficaram sozinhos e caladinhos (esses, aliás, relataram as piores experiências). As respostas foram comparadas com um grupo que não fez nada, mas teve que imaginar como se sentiria em situações parecidas. A maioria concordou que conversar com estranhos no metrô faria os dias delas bem mais feliz.

Se falar com estranhos faz bem, porque tanta gente foge desse tipo de situação como diabo foge da cruz? É que aparentemente, ainda de acordo com esse estudo, a gente acha que os outros não têm vontade de conversar. Pois bem, não é verdade: talvez com exceção dos mal-humorados ou dos que tiveram um dia ruim, parece que bater um papo com estranhos na rua deixa melhor o dia de qualquer um.

Via Scientific American, Fonte indicada: Galileu

9 características das pessoas altamente sensíveis (PAS)

9 características das pessoas altamente sensíveis (PAS)

Cada pessoa tem seu próprio dom, ainda que não consigamos identificá-lo. Muitas vezes, ao examinar com atenção nossa própria história de vida, percebemos que nossas feridas podem se converter em dons, desde que possamos percebê-las assim. Elas aparecem quando nossa sensibilidade é ferida, e algumas pessoas mostram-se mais sensíveis do que a maioria, sentindo as dores emocionais com mais intensidade.

Assim, podemos perceber que há vários dons diferentes entre nós, há quem sabe escutar, quem gosta de tomar a iniciativa, quem gosta de liderar, quem é criativo, quem é perseverante, quem tem o dom do humor etc. E há quem sente de maneira excepcional, que são as Pessoas Altamente Sensíveis, ou PAS.

Também chamadas de introvertidas, essas pessoas podem se revoltar contra a própria natureza, considerando-a mais uma maldição do que uma virtude. Afinal, nossa sociedade valoriza o extrovertido, o despojado, o chamativo. Quem fala mais alto geralmente consegue o que quer em um mundo barulhento, em que vale a lei do “mais forte”.

As pessoas muito sensíveis podem se sentir acuadas e fracas, achando que deveriam ser “mais isso ou aquilo” para poder se enturmar, se relacionar com os outros e ter sucesso na vida.

Mas quem é muito sensível geralmente é mais empático, intuitivo e tem grande capacidade de compaixão, entre várias outras características. Se você for assim, não precisa se esconder ou tentar ser alguém que não é.

Características das pessoas altamente sensíveis (PAS)

“Ser vulnerável não tem que dar medo. Temos que ter a coragem de ser sinceros, abertos e honestos. Isso cria a oportunidade de uma relação mais profunda. Cria força pessoal e o tipo de conexões com os outros que buscamos na vida. Falar a partir do coração nos libera dos segredos que nos oprimem. São os segredos que nos adoecem e nos tornam medrosos. Dizer a verdade ajudará você a obter clareza sobre a autêntica direção do seu coração”.
Sara Paddison

Ser altamente sensível pode não ser fácil, mas lembremos que a vida de ninguém é. A hiper-sensibilidade tem seu poder e beleza.

Você pode viver em sintonia com o resto do mundo. Pode encontrar pessoas tão ou mais sensíveis do que você e também aprender a se relacionar melhor consigo e com os outros, mesmo com pessoas menos sensíveis que você. Conheça abaixo algumas características das pessoas PAS e veja se pode se identificar com algumas ou com todas elas:

1. São muito intuitivas

Além de contarem com um raciocínio afiado, as pessoas altamente sensíveis contam com uma intuição bem desenvolvida. Assim, podem perceber o que se passa ao seu redor, ainda que não haja um motivo lógico para o que percebem.

Por exemplo, ao entrar em contato com outra pessoa ou grupos de pessoas, podem pressentir com facilidade qual o estado de ânimo no ambiente ou que tipo de conversa estava se realizando logo antes de chegar ao local.

2. Apreciam as sutilezas com facilidade

Esse tipo de pessoa é realmente perspicaz, podendo perceber o que a maioria não pode. Por exemplo, podem “sentir” quando alguém está mentindo ou escondendo algo. Além disso, podem encontrar a beleza em lugares inesperados, e apreciar pequenos gestos de bondade e gentileza, que poderiam passar desapercebidos. Em resumo, se há uma característica que define as pessoas hiper-sensíveis é sua percepção de tudo aquilo que parece sutil demais para os outros.

3. Têm capacidade de empatia altamente desenvolvida

Sua conexão emocional com os outros é extraordinária, pois demonstram grande habilidade na hora de estabelecer esse tipo de relação com os demais. Para compreender isso, podemos recorrer às palavras de Peter F. Druncker: “Os verdadeiros ouvintes empáticos podem ouvir até o que se diz em silêncio. O mais importante na comunicação é ouvir o que não se está dizendo”.

4. Experimentam sensações extraordinárias

Transmitem e captam as emoções de maneira verdadeiramente mágica. Geralmente, as trocas emocionais se realizam de maneira sutil; assim, sua intensidade é, às vezes, praticamente imperceptível. Entretanto, as pessoas altamente sensíveis têm uma grande capacidade de captar as sensações e emoções do ambiente em que se encontram, de maneira mais intensa que os demais.

Isso pode parecer algo muito agradável, mas nem sempre. Imagine por exemplo, uma criança (as crianças já são, por natureza, mais sensíveis do que os adultos) que tenha sensibilidade elevada e que viva em um ambiente em que há um excesso de emoções negativas como preocupação, tristeza, raiva etc. Ela se deixará influenciar e absorverá, como uma esponja, as emoções dos adultos ao seu redor. O que pode inclusive prejudicar a saúde do seu corpo, seu aprendizado e desenvolvimento emocional.

5. São capazes de expressar sentimentos facilmente

Dada a natureza de sua sensibilidade, essas pessoas são capazes de utilizar com graça e elegância seus recursos na hora de descrever experiências e momentos emocionalmente intensos em sua vida. Isso faz com que muitas pessoas se identifiquem com o que estão comunicando. É comum que a maioria de nós não consiga expressar bem como se sente, através de palavras ou de outro meio de comunicação.

6. Se sentem bem quando estão sozinhas

Geralmente, estar só é algo visto como desagradável, pois todos nós temos medo da solidão. Entretanto, precisamos de momentos a sós para nos conectarmos com nosso eu interior, para rezar, meditar, contemplar nossos desafios na vida e buscar soluções, longe do barulho exterior.

Quem tem a sensibilidade elevada sabe disso mais do que ninguém e procura oportunidades de ficar só consigo. São pessoas que gostam, por exemplo, de viajar sozinhas ou de ter um período só seu durante o dia, para se conectar com suas emoções. Essas pessoas muitas vezes são conhecidas como introvertidas, pois ao invés de se voltarem para o exterior buscam no seu interior.

7. São pessoas dispostas a ajudar

Pessoas altamente sensíveis geralmente têm muito amor disponível, e podem canalizá-lo para trabalhos humanitários e voluntários. O seu objetivo é fazer do mundo um melhor lugar para todos, facilitando a vida dos demais. A única advertência é que não se deve esquecer de si para ajudar os outros.

8. Choram e riem facilmente

Suas emoções vivem à flor da pele, e podem ser acionadas rapidamente ante acontecimentos, pessoas ou coisas que suscitem emoção. Isso é saudável, mas é preciso prestar atenção para não se deixar mergulhar muito profundamente na tristeza (e ficar por lá), nem se embriagar pela euforia, deixando de prestar atenção a aspectos importantes da vida. Mas, de maneira geral, a liberação de emoções reprimidas faz bem para o corpo e para a alma.

9. São pensadores profundos

Por essa razão, trabalham muito bem em equipe e conseguem realizar grande parte das metas e objetivos que possuem. Essas pessoas tendem a dar tudo de si aos projetos em que participam.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Confira 11 sites para baixar livros de graça

Confira 11 sites para baixar livros de graça

Pensando em ampliar a sua experiência de leitura, selecionamos 11 sites nacionais e internacionais em que é possível baixar  livros e ler online de maneira legal, sem complicações e, o melhor, de graça.

Ler para aprender, ler para expandir a mente, ler para estimular a memória.  Não importa o porquê você dedica tempo para essa atividade, o que vale é aproveitar todos os seus benefícios, seja no papel ou nos modernos leitores digitais.

Confira as opções de leitura gratuita.

1. Universia – Reúne mais de 1000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.

2. Open Library – Projeto que pretende catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em cerca idiomas.

3. Brasiliana – O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3000 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.

4. Biblioteca Digital de Obras Raras – O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.

5. Portal Domínio Público – Biblioteca virtual criada para divulgar clássicos da literatura mundial, oferece download gratuito de mais de 350 obras.

6. Biblioteca Nacional de Portugal – Entre os destaques do portal está um site dedicado do escritor José Saramago. Nele, estão disponíveis manuscritos do autor.

7. Machado de Assis – Criado pelo MEC, o site do escritor oferece sua obra completa – em pdf ou html – para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.

8. Biblioteca Mundial Digital – Oferece milhares documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.

11. Dear Reader – Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber  diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.

9. eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.

10. Projeto Gutenberg – Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.

11.  Unesp Aberta – Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita”, o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está aberto s para consulta em diversos formatos.

Boa leitura!

Fonte indicada: Canal do Ensino

O perigo de silenciar os sentimentos

O perigo de silenciar os sentimentos

Quantas coisas você internaliza todos os dias? Quantos sentimentos e pensamentos você guarda para si mesmo, tentando não causar danos ou ofender a quem você deveria enfrentar? Vá com cuidado! Pois no final quem estará sofrendo danos será você. Explicaremos por que isso acontece a seguir.

1. Quem cala consente, mas tudo tem um limite

O silêncio é sábio, disso não há dúvidas, e é sempre muito bom que ante algumas palavras ignorantes, ante um comentário fora do lugar ou ante uma expressão um pouco inadequada, optemos sempre por fechar a boca e agir com mais inteligência do que aquele que fala sem pensar.

Bom, porém devemos saber manter um equilíbrio entre guardar silêncio e defender nossas necessidades:

  • Silenciar nossos sentimentos ou nossos pensamentos deixa que, a pessoa que está na nossa frente, não saiba que está nos machucando, ou que está ultrapassando alguns limites. Ninguém consegue adivinhar o pensamento dos outros, por isso se não dissermos aquilo que nos faz mal ou que nos ofende, as outras pessoas não o saberão.
  • Existem silêncios sábios e palavras sábias. Saber quando se calar e quando falar é, possivelmente, a melhor habilidade que podemos aprender a desenvolver. Não se trata, de modo algum, de estar sempre caldo ou de dizer aquilo que temos em mente. Os extremos nunca são bons. Mantenha o equilíbrio, mas lembre-se sempre que esconder os sentimentos pode nos machucar. Você permite que outros invadam seu espaço pessoal, que atravessem os limites e que falem por você ou que escolham por você. No final, você será quase uma marionete guiada por fios alheios.

2. As palavras silenciadas convertem-se em doenças psicossomáticas

Você não ficará surpreso em saber que a mente e o corpo estão intimamente relacionados e conectados. A conexão é tão grande que os especialistas advertem que quase 40% da população sofre ou sofreu em sua vida com alguma doença psicossomática.

O nervosismo, por exemplo, altera nossas digestões, causa diarreias ou a clássica dor de cabeça. Muitos herpes labiais são desencadeados por processos de estresse elevados, de nervosismo e febre. Logo, ficar calado todos os dias e internalizar o que sentimos e o que pensamos gera em nosso organismo uma alta carga de ansiedade.

Pense em todas aquelas palavras que não deseja dizer aos seus pais ou aos seus amigos para não ferir seus sentimentos. Eles fazem as coisas por você pensando que estão ajudando, quando na verdade não estão contribuindo. Por que você não conta a verdade?

Tudo isso, no final, irá originar doenças psicossomáticas, enxaquecas, pressão alta, cansaço crônico.

3. Dizer em voz alta suas palavras: a chave do desabafo emocional

Não tenha medo de escutar sua própria voz, e muito menos que os outros também o façam. É algo tão necessário como respirar, como comer, dormir. A comunicação emocional é ideal para o nosso dia a dia, para estabelecer relações mais saudáveis com os demais e, logicamente, com nós mesmos.

Aqui vão algumas dicas básicas para obter sucesso:

– Pense que tudo tem um limite. Se não dizermos em voz alta tudo aquilo que pensamos e sentimos, não estaremos atuando com dignidade, perderemos nossa autoestima e o controle de nossa vida. Primeiramente, tome consciência de que dizer o que está pensando e precisando é um direito.
Dizer o que você pensa não é causar danos a ninguém. Significa se defender e, por sua vez, informar aos demais de uma realidade que deveriam conhecer.

Não fique preocupado com a reação das outras pessoas, não tenha medo. Porém, se você se preocupa muito com o que pode acontecer, pode se preparar ante as possíveis reações. Um exemplo: está cansado do fato de que seus pais apareçam em sua casa todos os finais de semana e que não está tendo relações com seu companheiro. De que maneira você acredita que irão reagir? Se você acredita que eles irão ficar chateados, prepare-se para justificar que não existe razão para magoas. Caso você pense que eles ficarão machucados, prepare também o modo como irá argumentar, para não feri-los.

Pense que as palavras, dizer em voz alta aquilo que sentimos e pensamos é, na verdade, o melhor modo de liberação emocional que existe. Pratique-o com sabedoria, cuide de si mesmo.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Ensaio sobre a lucidez – fragmentos da obra de José Saramago

Ensaio sobre a lucidez – fragmentos da obra de José Saramago

Há pessoas incapazes de ler sem que seus livros fiquem grifados, com páginas marcadas ou mesmo repletos de anotações. A inquietação causada por certas palavras é tanta que precisa de destaque ou mesmo de repetição.

Abaixo alguns dos belos e inquietantes trechos do livro “Ensaio sobre a Lucidez” de José Saramago.

“…os humanos são universalmente conhecidos como os únicos animais capazes de mentir, sendo certo que se às vezes o fazem por medo, e às vezes por interesse, também às vezes o fazem porque perceberam a tempo que essa era a única maneira ao seu alcance de defenderem a verdade.”

“…talvez, antes de ti, o teu corpo saiba já que vão te matar.”

“…a isto pode ser reduzida a tão badalada suprema dignidade da pessoa humana, afinal tanto como um papel molhado.”

“…em toda a verdade humana há sempre algo de angustioso, de aflito, nós somos, e não estou a referir-me simplesmente à fragilidade da vida, somos uma pequena e trêmula chama que a cada instante ameaça apagar-se, e temos medo, acima de tudo temos medo.”

“Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos…”

“Sentiu a nostalgia da capital, do tempo feliz em que os votos eram obedientes ao mando, do monótono passar das horas e dos dias entre a pequeno-burguesa residência oficial dos chefes de governo e o parlamento da nação, das agitadas e não raras vezes joviais crises políticas que eram como fogachos de duração prevista e intensidade vigiada, quase sempre a fazer de conta, e com as quais se aprendia, não só a não dizer a verdade como fazê-la coincidir, ponto por ponto, quando fosse útil, com a mentira, da mesma maneira que o avesso, com toda a naturalidade é o outro lado do direito.”

“…o incompreensível pode ser desprezado, mas nunca o será se houver maneira de o usarem como pretexto.”

“Que monstruosas coisas é capaz de gerar o cérebro…”

“…as verdades há que repeti-las muitas vezes para que não venham, pobres delas, a cair no esquecimento.”

“O cão tinha se aproximado quase a tocar com o focinho os joelhos do comissário. Olhava para ele e os seus olhos diziam, Não te faço mal, não tenhas medo, ela também não o teve naquele dia. Então o comissário estendeu a mão devagar e tocou-lhe na cabeça. Apetecia-lhe chorar, deixar que as lágrimas lhe escorregassem pela cara abaixo, talvez o prodígio se repetisse. A mulher do médico guardou o livro na bolsa e disse, Vamos, Aonde, perguntou o comissário, Almoçará conosco se não tem nada mais importante que fazer, Tem a certeza, De quê, De querer sentar-me à sua mesa, Sim, tenho a certeza, E não tem medo de que eu esteja a enganá-la, Com essas lágrimas nos olhos, não.”

“Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que nós chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão.”

“Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos Quem assinou isto por mim.”

“…há que ter o máximo de cuidado com aquilo que se julga saber, porque por detrás se encontra escondida uma cadeia interminável de incógnitas, a última das quais, provavelmente, não terá solução.”

Os registros são provenientes do blog Gus Fragmentos.

“O PSICANALISTA NÃO FALA, SÓ ESCUTA” – Verdade?

“O PSICANALISTA NÃO FALA, SÓ ESCUTA” – Verdade?

Por Flavia Bonfim

A ideia do analista sempre silencioso é uma caricatura. Isso não quer dizer, contudo, que o silêncio não tenha sua função no processo analítico. Se fosse “verdade” que o analista não fala, ainda assim teríamos aí uma questão que mereceria melhores esclarecimentos. Pois como a “verdade é sempre não-toda“, nos diz Lacan, essa afirmativa por si não seria capaz de dar conta de dizer tudo sobre a práxis do analista. Por outro lado, vale dizer que “escutar”, ou melhor “a escuta de um psicanalista” em si já não é pouca coisa, pois permite ao sujeito falar daquilo que há de mais íntimo, sem ser censurado e julgado segundo critérios morais: do bem e do mal, do certo ou errado, além de contar com o sigilo de seus maiores segredos.

Escutar o paciente, antes de falar e fazer suposições, trata-se de uma posição ética, que supõe um saber do lado do analisando a respeito de si próprio (mesmo que ele ainda não saiba) a ser construído no processo analítico. Além disso, isso aponta para o fato de que qualquer intervenção e interpretação do analista só é mediante a prévia escuta do paciente.

Não se trabalha com um saber pronto, produzido de ante-mão, que caberia para todo sujeito. A teoria psicanalítica orienta e jamais o analista pode prescindir dela, mas ela não substitue o singular e só se confirma e se autentifica medicante o caso a caso. A psicanálise é a clínica do particular.

Desse modo, o analista trabalha essencialmente com a fala do paciente, pois é na fala que o inconsciente pode emergir. É isto que Lacan quer assinalar com seu famoso aforismo, que marcou sua releitura da obra freudiana: “O inconsciente é estruturado como uma linguagem”. O inconsciente não está dentro, nem fora, mas se encontra na própria fala do analisando, cabendo ao analista intervir para que o inconsciente exista. É o analista que enfatiza aquilo que o analisando desconsidera (as manifestações do inconsciente: atos falhos, chistes, sonhos, sintoma) e aponta para seu estatuto de representante da verdade do sujeito. Daí, a tese de Lacan: O inconsciente não é sem o analista.

De modo mais preciso, afirmamos que a psicanálise trabalha com os ditos do paciente, questionando a posição do sujeito frente a eles, o lugar do enunciante frente ao seu enunciado,–  permitindo reformular sua queixa e introduzir o mal-entendido. Isso o guia ao encontro do inconsciente, levando-o ao questionamento de seu desejo e do que pretende dizer quando fala.  O ato analítico consiste em implicar o sujeito em sua queixa, de modo que possa avançar, deslizando da queixa a respeito do outro, para a pergunta: “Qual minha parte nisto?”, produzindo, então, uma retificação subjetiva, uma responsabilização do sujeito sobre seu sintoma. Convém destacar que responsabilizar não é de modo algum culpabilizar o paciente pelo seu sofrimento. Responsabilizar é o primeiro passo para permitir que o analisando – apesar do assujeitamento do Outro, do determinismo inconsciente e dos dramas pessoais – possa se autorizar pelas escolhas de sua vida e encontrar outras vias de se posicionar frente ao mundo, bem como outros modos de satisfação, construindo, assim, soluções inéditas para si.

Finalizando, devo dizer que  ética da psicanálise é regulada pelo desejo e toda intervenção/interpretação analítica incide na tentativa de apontar para a dimensão desejante do sujeito. Logo, o psicanalista fala. O que ele não fala é sobre si, já que isso produz apenas identificações imaginárias que só tendem a contribuir ainda mais para a alienação do sujeito – indo na contramão do processo analítico. Ele também não diz ao paciente como agir, pois quem pode dizer o que é melhor para o outro? Quanto a isso, Freud há tempos nos alertou , escrevendo que “A felicidade constitui um “problema da economia da libido do indivíduo.” Não existe uma “regra de ouro” para todos. Cada sujeito deve descobrir o seu caminho que conduz ao prazer.” Nesse sentido, Lacan, por sua vez, foi bem claro ao formalizar que o analista dirige o tratamento, não o paciente.

Fonte indicada: Flávia Bonfim Psicanálise

Se você não existisse, que falta faria?

Se você não existisse, que falta faria?

De todos os seres vivos terrestres somos os únicos que possuem a consciência da própria finitude. Nascer e morrer são duas prerrogativas sabidamente irrevogáveis para todos nós, contudo durante a vida caminhamos quase sempre evitando pensar nisso.

Ninguém quer morrer, mas todo mundo vai, contudo vivemos como se fossemos imortais. Colocamos sobre o colo milhares de pequenos afazeres e nos esquecemos de contemplar o tempo e onde estamos no espaço-tempo da nossa própria vida.

Dessa forma, antes de mais nada, é preciso dizer aqui em alto e bom tom que a vida humana é lamentavelmente curta. E pior, é ainda mais curta para os que não acordam para o real sentido dela. E nesse ponto preciso concordar com Benjamin Disraeli “a vida é muito curta para ser pequena”.

Mas quando uma vida é pequena mesmo?

Uma vida é pequena quando nossa presença nela não faz diferença alguma. Quando vivemos de forma banal, fútil, inútil e superficial. Quando de acordo com o filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella nos tornamos “mornos”.

Morna é aquela pessoa “mais ou menos”. Mais ou menos amiga, mais ou menos profissional, mais ou menos amante. Morna é a pessoa que adora ditar o velho chavão do “eu faço o que posso”. Morna é a pessoa que não acredita no melhor, nem na aplicação dele para melhoria da vida de todos. Morna é aquela pessoa que não faz falta.

E, de acordo com Cortella, para fazer falta é preciso ser importante. Entretanto, diferente do que podemos imaginar, para ser importante não é necessário ser famoso (haja visto que a fama é efêmera), basta apenas que sejamos importados para dentro do coração daqueles que nos cercam e que são tocados pelas nossas iniciativas e atitudes.

E talvez depois disso, depois de nos tornarmos importantes para os que estão ao nosso lado, possamos pensar na possível “não morte”.

A “não morte” não diz respeito à negação da morte física, mas à sobrevida do nosso Eu. Dessa forma só morremos mesmo quando somos definitivamente esquecidos.

Assim, quando vou até a cozinha e me lembro do cheiro delicioso da farofa molhada da minha avó, a torno viva através de meus pensamentos e memórias. Quando cito um filósofo do século passado, puxo a manta do esquecimento que dedilha sua lápide. Quando entoo uma canção de Vinicius de Moraes, o reavivo, prolongando sua vida para além dela mesma.
Sabe aquele ditado que nos diz sobre “plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho”? Ele tem muito a ver com esse sentido de “não morte”.

Quando planto uma árvore e cuido para que ela se fortaleça e sobreviva a mim, ela levará consigo um pouco do que sou e de minha iniciativa e atitude. Ela será como uma lembrança minha a acenar para os que contornam seu tronco que eu em corpo um dia lá estive e ideologicamente ainda estou.

Com um filho também é assim, se eu não apequenar minha vida e dar a ele o tempo necessário para que aprenda comigo, ele levará consigo o que sou não só nos traços e genes, mas em sua ideologia e caráter também.

Dizer de um livro é o mesmo, pois se minhas palavras e pensamentos compilados forem de importância significativa para a vida dos que vierem a me ler, o que foi escrito por mim ficará e transcenderá o tempo.

Mas o que estamos fazendo hoje com nossas vidas? Estamos nos dando tempo para plantar e regar uma árvore ou estamos apenas jogando uma muda de qualquer jeito dentro de um buraco raso?

Estamos criando vínculos com nossos filhos ou protelando a outros questões que só nos dizem respeito?

Somos movidos por reflexões profundas, recheadas de sentido, que partilhadas podem fazer florescer o melhor em outros corações ou estamos apenas preocupados com aforismos dedilhados rapidamente em alguma conversa superficial?

Fazemos o nosso melhor dentro das possibilidades que nos foram dadas ou nos contentamos com o comedido e desmotivante “faço o que posso”?

Somos pessoas repletas de amor e de importância para nossa família, amigos e comunidade ou resmungões solitários que esperam o mundo dar errado para dizer “eu falei”?

Seremos lembrados apenas durante nossos anos de vida ou tomaremos tento para esse tempo curto no qual enchemos os pulmões de ar e faremos dele o ponto de partida para o que pode transbordar para um tempo além do nosso?

É esse o momento para verdadeiramente ser, para verdadeiramente amar e para verdadeiramente proclamar o melhor que carregamos em nós.

Apenas sendo de verdade, dando o melhor de nós, podemos enfim ganhar um lugar cativo no coração daqueles que sinceramente tocamos e dessa forma não nos rasgaremos em temores quando uma voz sabiamente nos indagar: “Se você não existisse, que falta faria?”

> Para os que buscam saber mais acerca do tema eu indico que assistam ao escritor e filósofo Mário Sérgio Cortella aqui.

(Imagem de Capa Meramente Ilustrativa)

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Ninguém precisa ser grosseiro para ser sincero. Gentileza é bom e todo mundo gosta.

Ninguém precisa ser grosseiro para ser sincero. Gentileza é bom e todo mundo gosta.

Não, eu não concordo com essa grossura toda, não. Esse negócio de achar que truculência e competência são a mesma coisa, esse estrabismo de enxergar eficiência onde só há intolerância, essa história de aceitar e elogiar a grosseria em nome do resultado. Para mim, não dá. Eu não aceito.

Vão me desculpar os autointitulados “sinceros”, mas cuspir nossas verdades pessoais na cara dos outros assim sem mais, sem pedir licença, sem jeito e sem pudor não é sinceridade. É falta de educação mesmo. Pretexto para humilhar, subjugar e acabrunhar alguém que, em nossa lógica perversa de autoproteção, precisa ficar em seu lugar.

Quase sempre, na esteira de um dissimulado “desculpe a sinceridade” vem uma enxurrada de afrontas, preconceitos e ofensas proferidos com falso desprendimento. A cada crítica forçada e opinião venenosa, o sujeito muito orgulhoso de sua “sinceridade” pisa com selvageria disfarçada as cabeças de suas vítimas enquanto festeja sua “personalidade forte”. E eu aqui me pergunto se isso não passa de fraqueza de caráter, insegurança profunda e essas coisas que ninguém assume.

Tem até quem ofenda e magoe alguém com a desculpa de tentar ajudá-lo. Balela. Mentira. Não está ajudando. Truculência não é boa intenção. É mal gosto mesmo. Digamos a verdade com firmeza mas com doçura. Por que não?

Sim, senhor! É claro que se pode ser sincero sem ser agressivo. Todos podemos declarar nossa versão da verdade sem vociferar e agredir. Mas tem gente por aí acusando pessoas de bom senso e almas cuidadosas de hipocrisia, frescura, falsidade e outros acintes pelo simples fato de elas ainda usarem o tato e a cautela para lidar com os outros.

É estranho, mas a incrível inversão de valores que nos assola transformou em “fingido” o sujeito de bons modos. Reduziu à condição de “sonso” o cidadão que ousa dizer o que pensa com firmeza, sim, mas com toda a delicadeza que lhe cabe. Na ótica míope dos hostis, o ser gentil é um molenga, um banana e um fingido. E a gentileza, veja só, é uma farsa.

Uma coisa é a nossa dificuldade de ouvir “a verdade” alheia, nosso embaraço em aceitar críticas e receber opiniões diversas. Isso se trata e se corrige. Outra coisa é o nosso direito de ouvir o outro com o mínimo de jeito e delicadeza. Isso não se negocia.

Sigamos assim, exaltando os grosseirões autointitulados “sinceros” e julgando como hipócritas, frouxos, covardes de personalidade fraca os bem educados, e estaremos cada vez mais distantes uns dos outros, rolando ladeira abaixo no caminho para o nada.

Nessas horas eu sinto saudade de minha bisavó, Benedita Rosa, que me visita com a brisa da tarde, na Hora da Ave Maria, Hora do Ângelus, “Hora da Rosa”. Pensar nela me faz bem. Olhando em nossos olhos durante uma bronca, tinha a firmeza e a direção das locomotivas. Mas nunca perdeu a doçura dos anjos e dos sonhos de padaria. Valei-me, Vovó. Valei-nos Deus! Com toda a sinceridade, está faltando sua gentileza aqui embaixo.

A arte de conviver com sabichões

A arte de conviver com sabichões

Sabichão é aquele sujeito ou sujeita que não tem a menor sombra de dúvida sobre nada ou ninguém. O sabichão sabe – e na maioria das vezes não sabe – tudo a respeito das notícias atuais, sabe historia como ninguém, sabe sobre leis, direitos, deveres, regras sociais, moda, estilo, cinema, artes, composição do chiclete, quantas pernas tem um piolho e muito mais.

O sabichão domina a conversa, interrompe as pessoas, ignora os bocejos entediados e continua o discurso com a mesma empolgação.

Até esse ponto, poderia ser só um chato. Mas tem chatos mais bacanas, que de vez em quando param para respirar e depois dizem: Isso eu não sei. O sabichão nunca vai pronunciar isso.

Quem convive com um ou mais sabichões sabe do que estou falando.  É uma verdadeira arte conviver com personalidades tão vaidosas, arrogantes,  irascíveis. Não há diálogo, não há troca, não há prazer.

E quando uma pessoa dessas é contrariada, quando alguém ousar discordar, o mundo vem abaixo, sob diversas formas: uma saraivada de argumentos, teorias exaltadas, defesas apaixonadas, socos na mesa, qualquer coisa vale para quem não sabe ficar sem os créditos de uma razão.

Mas como se faz para conseguir conviver com tamanha sabedoria? Submissão? Indiferença? Provocação?

E quando ainda assim temos afeto, gostamos tanto dessa pessoa insuportável  que somos capazes de encarar todas os capítulos da história do mundo que ela sabe de trás para frente?

O truque de dar bastante comida para que ocupe a boca não funciona bem, o sabichão não tem dó de deixar a comida esfriar em troca de longos e detalhadas explicações.

Tampouco levantar um assunto que teoricamente ele não domina, pois o efeito desse desafio pode ser uma enxurrada de teorias e hipóteses.

Solução definitiva não sei se há, mas se um sabichão entrou na sua vida, ou você na vida dele, de qualquer forma que for, a melhor experiência que posso compartilhar é de propor tréguas de sabedoria – O dia em que nenhum de nós nada sabe – é um exercício no mínimo engraçado, mas cuidado, você corre o risco de descobrir que o verdadeiro sabichão pode ser você.

Afinal,  poucos são os que não reclamam a verdade e sabedoria para si próprios.

Por um mundo com mais curiosidade e menos certezas!

Abençoados sejam os inimigos que nos fortalecem

Abençoados sejam os inimigos que nos fortalecem

A cada escolha que fazemos, abrimos mão de algo que também nos era valioso; é uma questão de atribuir valor à escolha. A cada decisão que tomamos, angariamos a admiração de uns e o repúdio de outros; é o preço que pagamos por sermos fiéis ao que acreditamos. A cada opinião que emitimos, encontramos eco nos semelhantes e críticas nos divergentes; é a consequência imediata por admitirmos uma posição, por não cabermos no conforto da alienação. Jamais estaremos em acordo completo com todos. E, muitas vezes, o simples fato de existirmos dentro de um conceito social e humano, pode despertar a ira alheia. Que venha a ira! É melhor sermos odiados do que sermos ignorados.

A citação “Os amigos dizem-se sinceros; os inimigos são-nos”, de autoria do Filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), serve como um espinho sobre as nossas mais profundas idealizações acerca dos relacionamentos sócio-afetivos. Cercamo-nos da proteção daqueles que se declaram nossos amigos, afetos e amores, apoiados na crença de que, dessa forma, estaremos protegidos do mal e da maldade. Difícil saber. O ser humano é movido pelas paixões e não é capaz de amar a ninguém mais, na mesma medida que ama a si mesmo. Salvo o amor aos descendentes, consanguíneos ou não, todo o resto fica menor diante da necessidade de auto-preservação e da ameaça à felicidade, ao sucesso e à segurança. Os amigos utilizam-se da sinceridade em doses calculadas, cujo limite é o nosso ponto de aceitação em relação ao pensamento despido do outro. Na verdade, não estamos de fato interessados em sinceridades sem limite. Estamos? Quantas vezes jogamos no colo do outro, questionamentos referentes ao nosso modo de agir, pensar ou nos apresentar, apenas interessados em uma opinião que venha ao encontro da nossa? A sinceridade é a verdade sem maquiagem. A sinceridade é ferramenta útil nas mãos do inimigo. Sem nos confrontarmos com ela, tornamo-nos pessoas gelatinosas e mornas, no conforto das “mentiras sinceras” que brotam das bocas, olhos e abraços daqueles que nos querem bem. Precisamos da sinceridade do inimigo para nos atiçar o desejo do bom combate, para nos despertar diante do opositor. Amigos não são sinceros o suficiente para nos fortalecer; os inimigos, sim.

Mahatma Gandhi, foi o maior líder pacifista de toda a História da humanidade. Embora usassem de atos violentos contra a população da Índia, os ingleses evitavam o confronto aberto contra Gandhi. O líder expressava seu desacordo contra a ocupação inglesa por meio de jejuns, marchas e desobediência civil, incentivando o não pagamento de impostos e o boicote a produtos ingleses. Em 1922, Gandhi foi detido em virtude de uma greve contra o aumento de impostos, que culminou com uma multidão incendiando um posto policial. Gandhi foi julgado e condenado a seis anos de prisão. Libertado em 1924, Gandhi continuou a orientar a população a posicionar-se contra a opressão inglesa de forma pacífica. Em 1930, liderou a marcha para o mar, na qual milhares de pessoas caminharam mais de 320 quilômetros para protestar contra o imposto sobre o sal. Para complicar ainda mais o cenário, as rivalidades existentes entre hindus e muçulmanos na Índia, retardaram o processo de independência. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou à luta pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Por fim em 1947 os ingleses reconheceram a independência da Índia, contudo mantiveram seus interesses econômicos. As divisões internas levaram o governo a criar duas nações, a União Indiana, governada pelo primeiro ministro Nehru, e o Paquistão, de população muçulmana. A divisão interna gerou violenta migração de hindus e muçulmanos em direções opostas da fronteira, o que resultou em sérios conflitos. Gandhi aceitou a divisão do país e atraiu o ódio dos nacionalistas. Um ano após conquistar a independência, foi morto a tiros por um hindu rebelde, quando se encontrava em Nova Délhi, capital indiana, no dia 30 de janeiro de 1948. Suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges, local sagrado para os hindus. É dele a citação “O fraco jamais perdoa; o perdão é uma das características do forte”. Gandhi tinha profundo respeito por seus inimigos. Ele não os temia, mas era temido por eles. E pagou com sua vida pela insurgência contra o sistema de opressão política e intolerância religiosa.

Considerado um líder universal, para quem não havia causa que não coubesse em seus braços, Martin Luther King, levou uma vida complexa de luta contra a opressão. Em sua obstinada missão de alimentar e vestir os pobres e famintos; lutar contra a discriminação de qualquer espécie e servir a humanidade, Luther King angariou uma multidão de admiradores e uma legião de inimigos. Líder religioso, King ficou à frente de um boicote contra as empresas de transporte em defesa de Rosa Parks, uma costureira negra que foi hostilizada por não concordar em ceder seu lugar no ônibus para uma passageira branca. O boicote teve grande adesão da população e durou mais de 300 dias, culminando em uma determinação da Suprema Corte que instituiu a dessegregação nos ônibus de Montgomery. Tendo obtido notoriedade para sua causa, King passou a ser citado como referência na busca pela igualdade racial. Nos anos seguintes, participou de inúmeros protestos, marchas e passeatas, sempre lutando pelas liberdades civis dos negros, de forma pacífica (à luz da filosofia pacifista de Gandhi). Luther King foi preso e torturado diversas vezes, e sua casa chegou a ser atacada por bombas. Em 1963, conseguiu que mais de 200.000 pessoas marchassem pelo fim da segregação racial em Washington. Nesta ocasião proferiu seu discurso mais conhecido, “Eu Tenho um Sonho”. Dessas manifestações nasceram a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965. Em 1964, Martin Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz. No início de 1967, King uniu-se aos movimentos contra a Guerra do Vietnã. Em abril de 1968, foi assassinado a tiros por um opositor, num hotel na cidade de Memphis, onde estava em apoio a uma greve de coletores de lixo. É dele a citação “No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”.

Existe sempre a possibilidade de nos refugiarmos nas sombras da mediocridade. Sendo medíocres, jamais incomodaremos ninguém. Se não nos opusermos de forma direta ao que consideramos indigno, desumano, incorreto ou injusto, temos a chance de não sermos vistos; tornamo-nos invisíveis aos olhos dos opositores. A falta de posicionamento é uma poderosa arma contra a notoriedade e a vigilância dos divergentes. No entanto, se houver algo de vivo correndo dentro de nós; algo que nos mova na direção de um ideal humano de igualdade e justiça, acabaremos por entender que os inimigos são necessários. Os inimigos são o nosso contraponto; a referência daquilo que não aceitamos como legítimo. Aprendamos, então, a respeitar os inimigos; temos muito que aprender com a dureza de seus sinceros posicionamentos, ainda que venham na forma de atos e palavras mais agressivas. Olhemos nos olhos do inimigo, se quisermos conhecer a verdade sobre nós mesmos. Ouçamos a voz do inimigo, se quisermos, enfim, testar o quanto somos fiéis àquilo que nossa própria boca ousa proferir como verdade.

18 livros grátis que você precisa ler antes de morrer

18 livros grátis que você precisa ler antes de morrer

Confira uma lista com os livros clássicos que não podem ficar de fora das suas leituras mesmo que você tenha um estilo muito pessoal. Clássicos como Machado de Assis e Franz Kafka estão no ranking.

Você tem um tipo preferido de leitura? Romances? Mistério? Ficção? Auto-ajuda? Seja lá qual for o seu tipo de leitura, você não pode deixar de lado os grandes clássicos da literatura.

Mas é claro que esses clássicos não incluem somente os grandes autores brasileiros. Entre eles você até vai encontrar grandes nomes da literatura nacional, como Machado de Assis e Euclides da Cunha, mas nós não deixamos de fora os grandes autores da literatura espanhola, como Miguel de Cervantes, e inglesa, como Shakespeare e Jane Austen.

Confira a seguir uma lista com os principais títulos que você precisa ler antes de morrer:

1. Do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

2. A Divina Comédia, de Dante Alighieri

3. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

4. Fausto, de Goethe

5. Madame Bovary, de Gustave Flaubert

6. Os Sertões, de Euclides da Cunha

7. O Príncipe, de Maquiavel

8. As Viagens de Guliver, de Jonathan Swift

9. Dom Quixote – (Volume I), de Miguel de Cervantes

10.Dom Quixote – (Volume II), de Miguel de Cervantes

11. Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

12. Moby Dick, de Herman Melville

13. O Processo, de Franz Kafka

14. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

15. Coração das Trevas, de Joseph Conrad

16. Hamlet, de William Shakespeare

17. Os Miseráveis, de Victor Hugo

18. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

E aí, você concorda com a lista acima? Tem outras sugestões de livros para ler antes de morrer? Compartilhe sua opinião no campo de comentários e nos ajude a incrementar essa lista!

Fonte indicada: Canal do Ensino

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