Depressão: Não é frescura, você pode ter e não sabe! Conheça 8 indícios

Depressão: Não é frescura, você pode ter e não sabe! Conheça 8 indícios

Embora muita gente acredite se tratar de frescura, a verdade é que a depressão é uma doença séria e que pode trazer consequências graves. Isso porque essa enfermidade emocional é silenciosa e, às vezes, nem mesmo quem sofre com depressão percebe isso por um bom tempo.

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Só para se ter a dimensão desse mal que assola o mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo planeta. Desse total, a maioria é formada por mulheres. No Brasil, a estimativa é de que a cada 10 pessoas, pelo menos uma sofra com depressão.

Para auxiliar a identificar esse mal e fazer com que mais pessoas se recuperem desse transtorno mental, separamos abaixo alguns sintomas que ajudam a identificar a depressão. Segundo médicos especialistas no assunto, se você apresentar pelo menos 5 desses sintomas, especialmente o humor deprimido durante a maior parte do dia e por pelo menos duas vezes na semana, é possível que você esteja sofrendo com depressão. Lembrando que este teste não é um diagnóstico e sim um indicador de sintomas, logo, se você apresenta a maioria desses sintomas, é bom ficar alerta e procurar um especialista.

Sintomas:

1. Alteração de humor

Estar sempre deprimido, triste, desanimado ou simplesmente desinteressado com tudo são sinais alarmantes caso persistirem durante semanas e se forem realidade durante a maior parte do dia. Normalmente, as pessoas que podem estar com depressão não conseguem ver o lado bom das coisas, mesmo quando algo grandioso acabou de acontecer com elas. Isso porque depressivos tendem a dar mais atenção ao aspecto ruim dos eventos. Autoestima baixa e sentimento constante de incapacidade também podem ser sinais de que a depressão está por perto.

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2. Desinteresse

Perder o interesse por coisas que antes costumavam ser prazerosas também pode ser um sinal de depressão. É preciso ficar atento a esse sintoma, que pode ser manifestar nos âmbitos familiar, profissional, sexual e até mesmo com atividades relacionadas ao lazer.

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3. Problemas relacionados ao sono

Dormir demais ou de menos podem também ser sinais alarmantes. Isso porque é um sintoma comum da depressão problemas relacionados aos dois extremos do sono, como acordar no meio da noite e ter dificuldades de voltar a dormir ou sentir sonolência excessiva durante todo o tempo.

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4. Alterações no apetite

Da mesma forma que com relação ao sono, a perda ou o aumento do apetite podem ser sinais de depressão. Ainda não está claro para os especialistas do assunto porque isso acontece, mas, conforme estudos, se a alteração do apetite persistir por, no mínimo, duas semanas, as chances da pessoa estar com depressão aumentam muito.

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5. Ganho ou perda de peso

Como reflexo da mudança no apetite, a alteração do peso, tanto para mais quanto para menos, em um curto período, pode ser sinal de depressão.

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6. Dificuldade de concentração

É possível enfrentar a falta de concentração por diversos motivos ao longo da vida, mas é fato que a depressão também tem esse efeito. A doença também afeta a capacidade de tomar decisões e de racionar claramente. A depressão, dessa forma, pode prejudicar bastante o trabalho e os estudos.

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7. Cansaço constante

Energias reduzidas e cansaço frequente também podem ser sinais de depressão, especialmente se não estiverem relacionados a esforços físicos. Isso porque, para os depressivos, o simples ato de levantar de manhã e se vestir pode ser cansativo.

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8. Pensamentos sobre morte

Pensar constantemente sobre morte e, às vezes, chegar ao extremo de tentar suicídio são outros sintomas indicativos de depressão. Segundo especialistas, a motivação para a morte, no caso dos depressivos, pode mudar de acordo com cada paciente. Muitas pessoas, por exemplo, pensam no suicídio como uma forma de desistir diante de obstáculos tidos como impossíveis ou, simplesmente, como uma forma de interromper o estado emocional doloroso.

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Fonte indicada: Equilíbrio em Vida

Psicólogos e Psiquiatras relatam suas experiências mais profundas com pacientes de doenças mentais

Psicólogos e Psiquiatras relatam suas experiências mais profundas com pacientes de doenças mentais

Título original: Psiquiatras relatam suas experiências mais profundas com pacientes de doenças mentais

Por  ISABELA MOREIRA

No último sábado (28), o usuário theone1221 criou um tópico no fórum do Reddit com a seguinte pergunta: “Psiquiatras e psicólogos do Reddit, qual foi a coisa mais profunda ou perspicaz que você já ouviu vindo de um paciente com doença mentais?”.

Foram mais de 7300 comentários e alguns deles são surpreendentes. O site Science of Us separou alguns deles que valem a pena ler. Confira:

“‘Meus braços sentem sua falta.’ Foi assim que um paciente autista, de dez anos, me pediu um abraço.” – GetOffMySheet

“Eu trabalho com crianças. Tinha um menino no meu consultório (provavelmente com idade entre 7 e 9 anos) e tudo com que ele brincava batia, explodia ou era destruído de alguma forma. Eu perguntei a ele o motivo disso (depois de ele ter feito um desenho). Ele teve dificuldade no passado (não viveu com os pais, presenciou o uso de drogas, etc). ‘Bem, se você ficar bravo com os adultos que te deixam louco, você se encrenca. Mas se você fizer uma explosão imaginária com o seu carro, eles acham que você está brincando.’ Sim, 100%. Até os adultos fazem isso.” – mindilo0hoo

“Um paciente com esquizofrenia me descreveu como foi ficar o dia inteiro trancado em um quarto com o rádio muito alto sem poder abaixar o volume.” – GeniusLost

“Uma criança com autismo que estava tendo dificuldade em fazer e manter amigos: ‘Tudo bem se você não tiver amigos. Ter amigos te deixa feliz mas não te torna uma boa pessoa. Você sabe quem é bem popular? Hitler’. A menina era tão sozinha e sofria tanto por conta disso, mas ainda conseguia ver a diferença entre ser popular e ser bom. Nós desenvolvemos um projeto para encontrar exemplos de pessoas não populares que fizeram coisas boas e importantes. Ela ainda tem uma vida difícil à frente dela, mas acredito que sua atitude a ajudará a se manter forte.” – nezumipi

“O que mais atrapalha é a imagem na nossa cabeça que mostra como as coisas DEVERIAM ser.” – Coopz

Leia mais relatos na página do Reddit.

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira

Fonte indicada: Galileu

Nós, os perdidos

Nós, os perdidos

Por IVAN MARTINS

Estar perdido ou sentir-se perdido parece ser parte da condição humana. Ninguém escapa

Gente envolvida com a espiritualidade oriental tem uma palavra bonita para falar de si mesmo. Eles se descrevem como buscadores – pessoas que procuram respostas para as angústias da existência através da contemplação. Os buscadores podem ser religiosos ou laicos, mas todos exibem a disposição de encarar a vida como uma jornada de transformação pessoal e compreensão do mundo. Essa jornada, invariavelmente, começa no momento em que cada um deles se descobre perdido. Considerando o quanto essa experiênciaé frequente, somos um planeta repleto de buscadores em potencial.

Sem a necessidade de consultar estatísticas, eu aposto que a maior tribo do mundo é formada por gente que está na vida sem ter noção do que fazer com ela ou consigo mesmo. São os perdidos. Eles podem ter rotinas, hábitos, obrigações e distrações, mas o senso de propósito e direção está ausente. Vivem um dia depois do outro e às vezes parecem avançar decididamente em alguma direção, mas é melhor não perguntar por quê. A pessoa pode desabar no choro. Quem é perdido – ou está perdido – tem sentimentos dolorosos e confusos.

Se essa descrição parece familiar demais, não se envergonhe: o mundo está cheio de gente como você, ainda que passem o dia fingindo que sabem para onde vão. Eu, por exemplo, me sinto perdido várias vezes por semana, e tudo indica que sou uma pessoa normal. Estar perdido ou sentir-se perdido parece ser parte da condição humana. Ninguém escapa.

Isso não quer dizer que seja gostoso. Todos se lembram da sensação infantil de soltar-se da mão da mãe na multidão. É horrível. Estar perdido na vida adulta pode reviver a mesma aflição. A gente olha em volta e não sabe para onde prosseguir. Não sabe nem para onde quer ir. Não há ninguém capaz de nos acolher e orientar. A confusão é assustadora e pode durar um tempo enorme. Ao contrário das crianças, os adultos não choram pedindo ajuda. E, mesmo quando o fazem, outros adultos não vêm correndo para abraçar e socorrer. Sentir-se sozinho parece ser parte inseparável da sensação de estar perdido.

Ainda bem que não é o fim do mundo. Embora o mundo adore os práticos e trate melhor quem avança em linha reta, a falta de rumo pode ser apaixonante. Seres humanos perdidos costumam ser transparentes e sinceros, além de surpreendentes. A fragilidade da sua condição lhes confere uma espécie de humanidade explícita, que pode ser muito sedutora. Se a pessoa não tem um plano detalhado para a própria vida, está aberta a grandes e pequenas aventuras. Pode viajar, pode se apaixonar, pode mudar de ideia radicalmente. Pode jogar tudo para o ar e começar do zero – em outro país, em outra companhia, em outra profissão, em outro plano.

Mesmo os moderadamente perdidos costumam ser mais interessantes do que os que andam pela vida com GPS ligado. Esses, francamente, costumam ser chatos, enquanto as pessoas que sofrem, hesitam e se confundem são capazes de despertar compaixão e empatia. É mais fácil amá-las – eu acho – porque a gente se percebe nelas. Elas verbalizam os medos que os outros escondem e fazem perguntas a si mesmas que os demais têm vergonha de fazer. Eu sou feliz? Eu tenha certeza? É realmente isso que eu desejo?

Quando a gente se envolve com gente assim, é convidado a entrar num mundo que sacode e suspira, e que, frequentemente, tem os olhos cheios de lágrimas. Nele há longas conversas noturnas, sexo apaixonado e necessidade de abraçar e cuidar. Existe também o risco de que amanhã cedo sua pessoa perdida se levante e anuncie a partida, movida por uma inquietação aguda e inefável que exige apenas uma coisa: mudança. O que fazer?

Tudo isso parece levemente insano, mas, num mundo estropiado como é o nosso, os perdidos podem estar certos. Como é possível ter clareza e direção em meio ao caos que nos circunda, lendo as coisas assustadoras que lemos nos jornais? Talvez haja algo de errado com quem não sente estar perdido e simplesmente avança, como se o mundo não estivesse chacoalhando ao redor. Os que têm certeza talvez sejam esquisitos.

Isso nos traz naturalmente de volta aos buscadores. Num mundo de mentiras e autoengano, eles são de alguma forma especiais, porque admitem estar sem rumo e desorientados. Fazem disso a sua plataforma de largada. É provável que, assim como o resto de nós, eles não cheguem a lugar nenhum – mas ao menos terão tentado. Não é certo que a vida faça sentido e que haja nela algum propósito. Mas tampouco é certo que sejao contrário. Talvez a vida seja aquilo que a gente escolhe fazer dela: um bolinho de arroz, um filho de cabelos crespos, um beijo no escuro da barricada.

Fonte indicada: Época

Solidão a dois

Solidão a dois

Por Bruno Inácio

Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. “Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será”, concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros. O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.

Fonte indicada: Obvious

O verdadeiro lado da vida de um ansioso- DOMIE LENNON

O verdadeiro lado da vida de um ansioso- DOMIE LENNON

Por  DOMIE LENNON

Não há como entender a ansiedade sem mostrar o que se passa na cabeça de uma pessoa ansiosa.
Este texto será uma viagem dentro da cabeça de um ansioso.
E só para constar: ansiedade não é esperar por um telefonema, como dizem outros textos. É uma patologia, que se não trabalhada, evolui para pânico, depressão e até suicídio.

Dormia e me remexia na cama, o coração apertado, a respiração ofegante. Pensava:

-eu deveria estar dormindo melhor, por quê não me acalmo?

Estou com sono, quero dormir em paz.

Me reviro, me reviro e começo a despertar aos poucos.

Olhei para o relógio. Eram 07:30.

Mas como se fui dormir às quatro?

Lembrei que cheguei um pouco alegre, derrubei algumas coisas, mas estava bem.

Passei a lembrar daquele pub, muito Rock n`Roll, muitas pessoas bonitas, mas o clima era pesado.

Voltei a tentar dormir, não conseguia.

Fui ficando com frio, mais frio e os pensamentos de culpa não saíam de minha cabeça.

Pensava que logo teria que me arrumar para viajar, mas não me sentia bem.

Como sairia daquela cama sem me sentir bem?

Coração acelerado, frio, enjôo e dor de barriga.

Decidi me levantar e tomar um banho.

Durante o banho, sentia aquela ducha quente tentar me acalmar.

Tentava me convencer de que aquela ducha me acalmaria.

Coração apertado, ofegante e cabeça a mil.

Começava então a me culpar.

Você não conseguiu nada de útil em sua vida até hoje. Quem é você? Quando terá uma vida melhor? Por quê não consegue levantar cedo e ir caminhar como as pessoas sãs conseguem?

Você está sozinho, está longe de tudo e de todos.

Quem é o seu grupo? O que faz neste mundo?

Quantos anos você tem? Como esperava que sua vida estivesse quando atingisse esta idade?

Onde mora? O que te pertence?

Quem te pertence?

O que você fez até hoje?

Para onde quer ir?

Por quê não está estudando mais?

Por quê foi beber aquela cuba libre ontem?

Por quê está se condenando de ter bebido esta cuba libre se existem pessoas que bebem garrafas de vinho ou vodka sozinhos e nada sentem de culpa logo após?

Por quê todos conseguem rir menos você?

Como queria que sua vida fosse?

Por quê não existe naturalidade em nada que faz?

Por quê você não pertence? Por quê sonha com coisas tão inalcançáveis?

E se tivesse escolhido outro caminho?

Como será o futuro?

Esta tortura psicológica irá passar um dia?

Quando serei feliz de verdade?

Quando poderei ver meus valores e seguir com segurança?

Segurança?

O que isto significa?

Não estou seguro.

Esta cidade está um caos.

Demorarei séculos para chegar a algum lugar.

Tudo caro.

Quando terei um lar próprio?

Estou longe de todos que conheço. Não, espera! Tem amigos próximos.

Amigos?

Que amigos?

Não me sinto à vontade para chamá-los para sair.

Sempre saio sem fazer aquilo que realmente gosto.

O que eu gosto?

Poucas coisas eu gostei em minha vida. Dança, filmes, momentos raros, abraços raros, praias raras, sensações de pertencimento raras.

Por quê todos conseguem se divertir com coisas banais e eu não?

Por quê não pertenço?

A onde pertenço?

Quero viver, sonhar, voar, mas para onde?

Teria coragem de voar?

Tenho medo, muito medo.

Quero conquistar o mundo.

Que mundo?

Teria eu habilidade para dominar este mundo?

Será que fiz escolhas que me trouxessem sanidade?

Ou será que escolhi o caminho que será mais tortuoso?

Mas se tivesse escolhido o caminho mais fácil, seria eu feliz, sem me intrigar?

Oh, quantas indagações…

Ignorância realmente é uma benção…

Será que todos são assim como eu?

Estou com medo de sair de casa.

Que lugar é esse?

Pertenço a aqui?

Meu estômago ainda recusa o pensamento de comida, meu coração não desacelera.

Deveria eu tomar um calmante?

Mas e se eu tomar calmante e não relaxar?

E se eu só relaxar com calmantes no futuro?

Como lidarei com problemas maiores em minha vida se não consigo lidar com as pequenas pressões de hoje?

Pequenas pressões?

Seriam pequenas as pressões de tentar se criar uma identidade neste mundo cheio de pessoas tão melhores do que eu?

Auto estima…

Por quê penso eu que estas pessoas são melhores?

Você deveria trabalhar melhor esta auto estima ai…

Cansado.

Cansado de pensar tanto.

Só queria relaxar e ser ignorante.

Queria não querer saber de tudo.

Queria ter o mesmo sorriso leve das pessoas na rua.

Como são suas vidas?

São completas?

Ou seriam todos fúteis querendo comprar a felicidade num shopping?

Ignorantes, felizes todos os ignorantes…

Estou eu ficando doente?

Por quê não me sinto bem?

Preciso de terapia…

Terapia é caro! óh meu Deus, nada tem solução!

Onde estará a felicidade em mim mesmo?

Seria eu feliz quando estiver velho?

Quando já tiver vivido tudo o que tinha para viver e já saberia como foi minha vida? Sem medo do que será o futuro que já teria passado?

Ah sim, eu com meus netos num jardim nos fundos de casa… Aí sim relaxaria.

Meu parceiro já estaria velho e assexuado, não tendo eu que me preocupar com fidelidades…

Ah, o senso de família feliz… quando foi que te perdi?

Oh vida feliz de Disney, onde estará?

Oh Príncipe encantando, existes?

Não se pode confiar em ninguém.

As pessoas sempre desapontam. Elas dizem coisas para ganhar sua atenção e depois se mostram tudo o que antes criticavam… As pessoas são fracas. As pessoas são doidas. As pessoas não têm valores. A quem admirar? Não há. Quando virei uma pessoa tão realista? Para onde foram os sonhos? A vida teria graça em si? Ou nós faríamos esta graça? O que será do amanhã? E o agora? Deveria estar vivendo o agora. Ainda estou neste banho e estou cansado, cansado de pensar, cansado de sofrer. Quero ser leve. Quero ser livre. Quero morrer. Haveria liberdade nos céus? Mas a igreja criou o céu? O que há depois daqui? Não, não quero mais morrer, quero encontrar a felicidade aqui. Aqui. E aqui. Estou cansado de pensar. Vou ligar uma música. E assim os pensamentos se esvaem no modo automático de se viver, onde todos aqueles ignorantes vivem. Oh dom incoerente o de pensar e questionar. Oh dom causador de toda esta necessidade de ser ter o controle sobre tudo. Oh maldita necessidade de acelerar as coisas e controlar aquilo que não posso. Oh vida…

Saía do banho, tentava ver o mundo como algo a que pertenço e começava a arrumar minhas coisas para viajar. Aos poucos o coração foi desacelerando. A crise de ansiedade ia passando… O corpo se aquietando. E a busca por um dia de paz se iniciava… Os prantos e as orações para alguém que talvez estivesse me olhando invadiam o peito e a paz ia entrando. Como fazer para manter esta paz? Já não se sabia mais, afinal, de que adiantava pensar tanto? Ligava o botão do desligamento e do modo automático e sonhava com uma vida tranquila numa varanda, numa rede e um copo de café. Ah não, desta vez, chá, porque café incita a ansiedade.

Caros, esta foi uma viagem dentro da cabeça de um ansioso.

Chamo suas atenções para um problema que está dominando a sociedade atual. Estamos vivendo em um mundo competitivo e vivemos sob muitas pressões. Muitos de nós já acordamos com taquicardia, respiração ofegante e medos. Medos de como será o futuro. Medos de, se a pessoa que está conosco, está de fato conosco, medo de viver. Esse medo de viver, nos coloca dentro de uma caixa de pensamentos auto destrutivos que precisam ser buscados em sua origens e tratados. Devemos ter um ponto de equilíbrio e este ponto tem que ser imbatível. Nos colemos a orações, a fés em alguma coisa, a tratamentos e à criação de pensamentos positivos. Somos a sociedade da loucura. Dos remédios para dormir e dos remédios para acordar. Somos robôs. Somos marionetes de um sistema que nos quer sugar tudo o que temos. Não nos deixemos virar fruto dessa sociedade agitada. Mantenhamos nossos próprios ritmos. Ansiedade é normal, mas passando de certo ponto, há de se investigar sua causa e tratamento. Pensar demais pode levar à um quadro de loucura e perda de controle de seus pensamentos, que podem levar à síndrome do pânico, a ataques violentos e até ao suicídio. Precisamos sair um pouco deste modo de vida. Ansiedade não é bobeirinha de querer que alguém responda rápido a uma mensagem. Não é só roer as unhas. É tremer, perder o controle e se questionar se ainda somos sãos. Se ainda somos donos de nossas escolhas. Não banalizem um problema sério da sociedade atual!

Fonte indicada: Obvious

6 Lembretes úteis para pessoas em crise

6 Lembretes úteis para pessoas em crise

Uma tendência enlouquecedora dos eletrônicos de bolso é que quando a bateria está prestes a acabar eles gastam a maior parte da energia remanescente bipando e piscando, nos avisando para carregá-los.

Da mesma forma, o corpo humano tem vários elementos que se autossabotam. Por exemplo, quando o oxigênio falta, digamos ao tentar resgatar o tal eletrônico do fundo de uma piscina, o corpo entra em modo de alerta, aumenta o batimento cardíaco, e assim queima o pouco oxigênio disponível ainda mais rápido.

A mente também exibe esse tipo de tolice. Ela tem o hábito cruel de esconder a sabedoria bem quando mais precisamos. Há certas verdades que, quando estou em pânico, preciso realmente lembrar, e é bem nesse momento que isso é mais difícil. Então pode ser útil manter alguns lembretes bondosos à mão, já que da próxima vez que sentir pânico, vai ser difícil lembrar esses pontos.

1. O mundo já acabou mil vezes

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Não seria possível eu contar o número de vezes que meu mundo já acabou. Pelo menos algumas dúzias de vezes na minha vida me encontrei numa situação tão emaranhada e desesperadora que não conseguia nem mesmo acreditar que algum dia voltaria a ser feliz.

De alguma forma, durante cada um desses apocalipses pessoais, esqueci que em todas as vezes anteriores de alguma forma as coisas se ajeitaram, e aqueles problemas hoje não são nem mais relevantes.

Ainda assim, quando a catástrofe vem, ela sempre parece prometer a morte ou pelo menos uma desfiguração completa da totalidade da minha vida, e assim me sinto obliterado pelo desespero e pela indignação. Se ao menos eu lembrasse que quase todos os problemas que tenho já foram solucionados, exceto talvez dois ou três… Mas é assim que a vida segue.

São os problemas que seguem indo para a forca, não eu.

Tenho certeza que seu mundo também já acabou muitas vezes. A mente em pânico subestima a escala da vida humana e assim calcula lá em cima a importância de qualquer problema em vista. Não se engane.

2. Os problemas são os mesmos que todos os seres humanos sempre tiveram

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Você nunca descobrirá um jeito de sofrer que já não tenha sido plenamente explorado. Coração partido, a morte de pessoas amadas, doenças e velhice, dor crônica, vergonha, dependência de substâncias, fracasso, pobreza e pesadelos introspectivos são reinos já desbravados consistente e exaustivamente pelas pessoas ao longo de milhares de anos, e em graus muitos piores com que hoje nos deparamos. No fundo, há apenas alguns poucos tipos de problemas humanos, e todos eles já foram confrontados e sofridos em algum momento.

A experiência da humanidade com o sofrimento é um recurso disponível para cada um de nós, uma vez que para cada problema humano clássico há um universo de literatura sobre as melhores formas de lidar com as coisas que os outros humanos encontraram, e nunca foi tão fácil acessar essa sabedoria.

3. O desespero vem de uma crise dos pensamentos sobre a vida, não de uma crise da vida

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O sentimento de desespero cria uma ilusão convincente. Nos faz pensar que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, mas isso não é bem possível. Enquanto que diversas situações podem ocorrer ao mesmo tempo — digamos acúmulo de dívidas ao mesmo tempo em que um relacionamento está se desfazendo — a vida ainda assim segue um momento de cada vez, e é bem raro que se precise fazer mais do que uma coisa a cada momento.

Cada questão pode exigir que se lide com vários momentos difíceis, mas via de regra só se precisa lidar fisicamente com um momento particular de cada vez. A sensação de que “tudo está acontecendo ao mesmo tempo” é um fenômeno mental que não espelha a forma linear na qual se desenrolam os problemas concomitantes.

Os pensamentos mudam muito mais rapidamente do que os acontecimentos da vida, assim, um minuto de pensamentos preocupados nos fazem vivenciar mentalmente uma dúzia de problemas.

É fácil se perder nesse reino abstrato, pensando que demasiadas coisas estejam acontecendo “ao mesmo tempo” para que nos decidamos sobre o que fazer, mas quando estamos prontos para realmente lidar com um problema no mundo físico, podemos seguramente ignorar os outros por um instante, enquanto lidamos com aquele específico.

4. É matematicamente improvável que os problemas sejam tão ruins assim

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A maioria das pessoas parece ser pessimista. Eu mesmo certamente sofro dessa tendência e tenho paulatinamente me recalibrado para um âmbito mais otimista.

De uma perspectiva evolutiva, é fácil compreender porque tendemos a engendrar catástrofes a partir de nossas dificuldades. Se fugimos de todas as cobras porque alguma delas pode ser venenosa, é menos provável que morramos de mordida de cobra, ainda que passemos 85% do tempo fugindo de criaturas que deveriam estar fugindo de nós.

As tendências pessimistas ajudam na autopreservação de forma geral, ao longo de uma vida inteira de situações ambíguas, mas isso ao custo de elevar o estresse, e de nos fazer constantemente fugir das coisas sem necessidade.

Saber que se é pessimista é saber que as coisas geralmente são melhores do que parecem ser. Uma mente pessimista muitas vezes cria uma imagem mental da situação que é muito mais perigosa e difícil de resolver do que efetivamente se mostra na vida real.

E, para muitos entre nós, não se trata de pequenos exageros com relação a seriedade de nossos desafios. Nas muitas ocasiões em que percebi um erro no meu trabalho, geralmente isso se expandiu rapidamente até a certeza de que eu tinha cometido um erro, que eu seria descoberto e demitido, e que eu nunca mais conseguiria trabalhar nessa carreira. Em meio minuto sofro um filme mental inteiro com meu corpo se arrastando pelas calçadas num dia melancólico, entregando currículos para gerentes de restaurantes de fast food.

Se esse reflexo mental soa familiar — e se você entra em pânico frequentemente, é quase certo que soa — você provavelmente é um pessimista, e assim pode quase sempre contar com a situação ser bem mais fácil de lidar do que você inicialmente imaginou.

5. As coisas mudam rapidamente quando se começa a fazer e não pensar tanto

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A escuridão na mente da pessoa em crise vem do sentimento de desespero, e o desespero vem da crença de que nada que se faz importa. Embora esse sentimento seja comum, quase sempre não é verdadeiro.

Não importa o quão ruins acabem por ser as circunstâncias externas, provavelmente não serão tão terríveis quanto Auschwitz, e mesmo naquele local, você poderia deparar com a grande descoberta de Viktor Frankl — a descoberta de que ninguém pode nos tirar a liberdade de escolher como nos relacionamos com nossas circunstâncias.

Onde quer que se esteja, é possível fazer algo para tornar o resto do dia melhor, e isso quer dizer que não se está numa situação desesperadora. Não importa quão pequena seja a ação, uma vez que se reconheça que se é capaz de melhorar a situação, o sentimento de desespero não vai continuar, a não ser que se queira.

O desespero é uma aflição de pensamentos confusos, e não tanto de circunstâncias confusas, e isso se torna mais claro quando se começa a agir sobre as circunstâncias. Várias vezes ao longo de minha vida vi um dia infernal se tornar tolerável no instante em que dou um peteleco em pelo menos um de meus dilemas. Isso destrói a miragem de uma catástrofe total, e assim fica difícil permanecer um mero participante passivo do dia ruim.

6. É mais tentador não fazer as coisas quando mais se precisa

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Esse é outro hábito de autossabotagem da mente humana normal. Há uma tendência para congelar quando as coisas começam a parecer que vão descarrilhar, por duas razões.

A primeira razão é que tememos piorar as coisas. O chão está sacudindo por toda parte, e em nosso evidente torpor de incompetência não queremos pisar no lugar errado. Mas a razão principal é que ao tomar a decisão de fazer algo, essa é a decisão de tomar responsabilidade pela situação que nos encontramos, e isso não é um reflexo natural para a maioria de nós.

Particularmente, quando acreditamos que nosso problema é culpa de outra pessoa, é tentador esperar que pessoa responsável assuma enfim sua responsabilidade. Isso não ocorre frequentemente, e no mais das vezes estamos mesmo errados sobre quem botamos a culpa, de todo modo. Sei que sempre quero que a culpa seja de outra pessoa, e não acho que eu seja a exceção aqui.

Acreditar que o outro é responsável é tentador porque nos deixa fantasiar um fim de deus ex machina para sua crise, a cavalaria que chega bem na hora, o que acaba sendo um filme bem ruim porque faz o protagonista de bobo, e, na verdade, nunca acontece na vida real.

Desafie a tentação de cruzar os braços e esperar por alguma forma de salvação — ou pelo menos lembre que haverá uma tentação de não fazer nada, bem no momento em que se devia estar fazendo alguma coisa.


Escrito por David Cain
Publicado em Raptitude
Traduzido por Eduardo Pinheiro

Via Medium

Filhos do Paraíso e a maravilhosa cumplicidade entre irmãos

Filhos do Paraíso e a maravilhosa cumplicidade entre irmãos

O premiado filme iraniano “Filhos do Paraíso”, dirigido por Majid Majidi, nos conta a história de dois irmãos, Ali e Zahra, provenientes de uma família humilde de Teerã.

Ali, um garoto de nove anos, numa atuação cativante de Amir Farrokh Hashemian, leva ao sapateiro o velho  par de sapatos da sua irmã mais nova Zahra para reparos, mas o perde no caminho de casa. O detalhe: o sapatinho perdido é o único de Zahra.

O que falar para a sua irmã de seis anos que espera de meias o seu único par de sapatos? O que falar para os seus pais que não podem comprar outro? Assim começa a saga de Ali e Zahra.

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Na tentativa de escapar da punição do pai e, ainda, preocupado com a situação de Zahra, Ali traça um plano com a irmã: eles vão revezar, sem contar a ninguém, o único par de sapatos disponível: o tênis sujo e muito velho de Ali.

A cumplicidade das duas crianças é evidente no filme, pois mesmo muito chateada Zahra aceita a proposta de Ali. Ela ama e confia no irmão.

Então, Zahra passa a usar o tênis de manhã e o devolve ao meio dia para que Ali possa ir às aulas a tarde. A partir daí, os irmãos passam por diversas aventuras. Tudo na tentativa de não revelar a verdade aos seus pais e professores, assistir às aulas e cumprir suas tarefas como se nada tivesse ocorrido.

Durante todo o filme, vemos um Ali triste, preocupado e angustiado, que não segura as lágrimas diante das suas limitações, mas que também não perde a determinação em solucionar o problema sem ter que envolver o pai.

Zahra mantém vivo o seu lado infantil. Em alguns momentos, despreocupada e sonhadora, ela acredita num final feliz. É a única que faz o irmão rir. Através dos seus olhos, o diretor Majid Majidi nos mostra a esperança.

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Já o patriarca da família é mostrado como um homem bastante religioso e honesto, o que fica evidente em vários momentos do filme. Apesar de rude, também é nítida a preocupação dele com a esposa e os filhos.

A história mostra um lar com muito amor, respeito, disciplina e honestidade, o que nos faz entender que os valores familiares foram repassados para as crianças desde cedo.

A valorização da honestidade, independente das dificuldades, é destacada na película.

E assim, sem o pai desconfiar de nada, surge uma oportunidade para Ali solucionar o problema. Uma competição entre escolas em que o prêmio para o terceiro lugar é um par de sapatos.

Mesmo com o tênis velho, que não proporciona a Ali condições de competir de igual com as outras crianças, ele consegue se inscrever na corrida.  E quando chega o dia, ele corre, corre e corre…

Durante a corrida, cansado e com dores, Ali busca em sua memória lembranças do amor e companheirismo da irmã. Ele está empenhado em conseguir o terceiro lugar e, consequentemente, o tão sonhado prêmio: um novo par de sapatos para Zahra.

A cena da corrida é muito emocionante, mas não é o final do filme, nem o desfecho é tão previsível assim.

Se Ali ganha a corrida ou não, consegue o par de sapatos ou não, é o que menos importa nesse filme, porque, quando os créditos sobem na tela, descobrimos que os premiados somos nós, os espectadores, pela oportunidade de assistir um dos filmes mais belos do cinema.

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Em “Filhos do Paraíso” podemos ver claramente, em seus personagens, o amor e a cumplicidade. E neste ponto o filme chama a atenção e nos faz refletir.

O que seria do amor sem a cumplicidade? Saint-Exupéry afirmava: “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção”.

A cumplicidade é essencial para fortalecer as relações, mas envolve esforço, confiança, companheirismo e apoio nas decisões a serem tomadas. Quando existe entre irmãos é algo extraordinário, simplesmente porque são almas que coexistem desde a idade mais tenra.

Nem toda relação entre irmãos é de cumplicidade, nem toda relação entre irmãos é de amor, mas ao escrever sobre “Filhos do Paraíso” só há espaço para falar daqueles irmãos que são unidos por sentimentos de amizade, de amor, de carinho, de cuidado e de proteção.

Os irmãos que crescem juntos, tornam-se testemunhas da vida um do outro. Não há como esconder o passado de um irmão, nem as dores do crescimento, nem as alegrias, nem os sonhos que um dia existiram.

Quem tem irmão sempre terá alguém para lembrar a criança que um dia fomos.

Segundo a escritora Tati Bernardi: “Ter um irmão é ter, para sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração…”

As experiências compartilhadas tornam possível para um irmão desvendar o adulto que o outro se tornou. Quando compreendemos uma pessoa é mais fácil lidarmos com ela. É mais fácil entender suas atitudes, perdoar suas falhas e torcer por seus sonhos. Esse é o papel que todo irmão deveria desempenhar na vida do outro.

contioutra.com - Filhos do Paraíso e a maravilhosa cumplicidade entre irmãosEm “Filhos do Paraíso” observamos que as palavras são desnecessárias, pois a simples troca de olhares basta para que os irmãos se entendam.

Felizes os que dividem tal cumplicidade, pois se tornam companheiros de uma vida inteira.

No filme Zahra poderia simplesmente contar aos pais que Ali perdeu o seu par de sapatos, mas não o fez. Optou pelo caminho mais difícil naquele momento, mas ganhou no final: fortaleceu sua ligação de amor, confiança e companheirismo com o irmão.

E assim é na vida, muitas vezes precisamos escolher o caminho mais difícil para fortalecer os laços com quem amamos.
Para quem ficou curioso. Que tal um trechinho do filme?

6 traços de imaturidade emocional

6 traços de imaturidade emocional

Você é uma pessoa inteligente emocionalmente? Considera-se uma pessoa de opinião forte e  decidida…Ou nunca consegue decidir nada sozinho?
A sua inteligência emocional está madura o suficiente para enfrentar todas as questões do mundo? Ser mais velho significa ser mais maduro?

Assista ao vídeo do psicólogo clínico Frederico Mattos e entenda um pouco mais sobre o que acontece com você.

Ah, e depois de um vídeo como esse…recomendo que tire uns minutos para pensar.

O Dia em que o Whatsapp me fez sofrer

O Dia em que o Whatsapp me fez sofrer

Eu estou dirigindo por uma das tantas avenidas lotadas e congestionadas da capital. Agora deram para limitar a velocidade máxima para cinquenta por hora – como se fosse possível andar a mais de quarenta nessa avenida estreita e cheia de semáforos. Todos os dias os aviões passam sobre a minha cabeça e então eu me lembro de uma foto ilustrativa que vi uma vez sobre como é o tráfego aéreo diário no céu do nosso planeta. Aquele era apenas um avião entre os milhares que passam próximos e barulhentos nas regiões dos aeroportos. Talvez a confusão lá em cima seja bem parecida com a provocada pelos carros nas avenidas das grandes capitais.

Enquanto eu devaneio sobre a quantidade de aviões voando em todo o mundo naquele exato segundo, ouço o conhecido toque que alerta para o recebimento de mensagem no Whatsapp. Então os aviões tornam-se poucos quando eu imagino a quantidade de mensagens que, naquele exato segundo, chega e sai dos aparelhos smarthphones de todo o mundo. Imagino milhões de papelzinhos dobrados voando de origens para destinos, contendo “bom dias” das mães para os seus filhos e “ois” que podem fazer corações dispararem.

Naquele exato segundos as mães mandam mensagens e se enraivecem porque ninguém as respondeu imediatamente. Os “ois” chegam para marcar encontros, desencontros ou reencontros. Os grupos de amigas movimentam-se, o assunto do dia é sobre os filhos que estudam na mesma classe, as fofocas correm nos subgrupos e sempre uma mulher é pega para “cristo”. Vídeos eróticos empesteiam os grupos masculinos e alguns políticos se esquecem da vida assistindo-os enquanto o país desaba. Piadas em foto e vídeo carregam as memórias (e delas eu confesso que gosto bastante). Demissões são feitas e relacionamentos afetivos são terminados. Casais trocam informações sobre o dia a dia e programam os horários. Viajantes dividem através das fotos os locais que visitam; recém-nascidos são apresentados enquanto muitas roupas, sapatos e acessórios femininos são vendidos.

Temos ainda as correntes do livro, salmos da bíblia, campanhas pró ou contra qualquer coisa. Acusações políticas, informações “úteis”, muitas mentiras e vírus também são comuns. Fotos expõem mulheres em momentos íntimos por vingança ou por puro machismo. Um verdadeiro buraco negro, um poço sem fundo recebendo milhões de pedacinhos de papéis virtuais em um único segundo.

E nessa constatação do quanto é insignificante aquela mensagem que eu recebi e ainda nem vi eu percebo que as relações humanas estão acontecendo ali e junto delas estão as dores, as alegrias e toda a emoção que em outros tempos seria falada ou trazida em um pedaço de papel.

Viajo no tempo e percebo que, tal qual já vivemos sem os aviões, já vivemos também sem mensagem alguma a apitar e a nos levar para um universo paralelo no qual nos tornamos surdos para vozes reais e cegos para o que está fora daquela pequena tela. Diferente do que acontecia quando Dr. Freud atendia seus pacientes, hoje as pessoas trazem aos nossos consultórios resquícios do que muitas vezes aconteceu através daquele canal tão restrito e tão propenso a má interpretação. O Whatsapp, bem como todas as ferramentas de comunicação via internet, parece ser hipócrita na medida em que nos afasta e nos aproxima ao mesmo tempo.

Eu desejo então viver em outros tempos. Quero sentir o coração disparar ao abrir um bilhetinho escrito à mão em um papel real. Quero nunca ter visto nada que não sejam pássaros voando no céu azul. Quero receber uma serenata e não uma música enviada em um arquivo midi. Quero que os acordos políticos sejam fechados com a chegada do mensageiro que viajou semanas com um pergaminho em punho. Quero nunca ter chegado nem perto da internet. Quero conhecer apenas as pessoas do vilarejo, visto que, quem nós temos que encontrar está sempre nas redondezas.

Assim, a resposta para as perguntas que me faço sobre as razões pelas quais nos transformamos numa sociedade rasa de relações volúveis e sem raízes está ali na minha cara. Não somos mais a mesma espécie que éramos e talvez tenhamos passado do limite. Estamos bloqueando, deletando e excluindo tudo com muita facilidade, imaginando que reiniciar a vida é como reiniciar o aparelho “quando dá pau”. Tudo se tornou descartável. Não construímos mais relações, apenas as consumimos e depois partimos em busca de outras.

Sofremos ou nos alegramos com aquelas pequenas mensagens jogadas aos milhões todos os dias, em todas as línguas, das mais variadas origens aos mais variados destinos. Quantas emoções em um único dia? Quantos desvios da atenção e da concentração? Quantas conversas cara a cara interrompidas?

 

A angústia e a total consciência de que não há mais saída me traz as palavras de um grande mestre:

“O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo – numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.” (Albert Einstein).

 

Alunos à Prova

Alunos à Prova

Física. Essa é a matéria que a professora Elika Takimoto, do CEFET/RJ, ensina para seus alunos. Mas será que eles aprendem?

Para avaliar como esses jovens pensadores estão se saindo e aproveitando o centenário da publicação da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, Elika usou de mais uma de suas estratégias criativas de ensino: em vez de avaliar os estudantes por suas respostas, pediu que eles formulassem perguntas sobre o tema.

O resultado foi tão interessante que viralizou na internet quando a postagem explicando o processo e as respostas foram exibidos.

Na sequência, surgiram entrevistas e a publicação da história na revista Galileu. Para nós da CONTI outra que a acompanhamos como colunista e conhecemos sua constante avaliação crítica e saídas criativas e inteligentes para o ensino tradicional, essa foi só mais uma grata surpresa que nos encheu de orgulho e que merece ser compartilhada.

Segue a descrição do processo e resultados pelas palavras da própria professora Elika. Os estudantes que responderam têm, em média, 17 anos:

“Este ano eu resolvi virar a mesa e as carteiras. Tudo começou quando desatei a pensar sobre o assunto. Narrei parte desses devaneios em dois textos: “Tô iluminado pra poder cegar, Tô ficando cego pra poder guiar” e Sobre a Educação e a Pobreza no Mundo. Daí, fui tomando coragem para sair da caixa. A primeira experiência foi descrita no texto Fé na Humanidade e a segunda, narro aqui hoje.

Apliquei uma prova de física (sobre Relatividade) diferente onde os alunos não tinham que responder nada e sim elaborar perguntas.

Eles podiam usar celular, internet, WhatsApp… Só pedi para não conversar entre eles para não atrapalhar a concentração do colega. A prova teve três folhas com um texto meu sobre o tema. Nem precisava de gúgol para obter mais informações sobre o assunto, mas se eles não gostassem do meu texto e quisessem ler outro, estava tudo liberado.

Tudo isso me ocorreu porque ando levantando a bandeira contra o sistema tradicional de ensino e lutando por uma escola que ensine os alunos a perguntar, a questionar, a pesquisar e a debater e não a responder.

“Professora, eu tenho que saber a resposta da minha pergunta?”, foi uma dúvida que surgiu na hora da prova. Preferencialmente, nem eu devo saber. Respondi.

Como disse Einstein: “a imaginação é mais importante que o conhecimento”. E não é que parece que ele está certo? Segue, para o vosso testemunho, algumas respostas (quer dizer, perguntas…) que li ontem.

Nunca me diverti tanto corrigindo prova. Vamos de Marx ao sentido do Amor Eterno passando pelo questionamento do que vem a ser a matemática e o livre-arbítrio! Li perguntas que grandes filósofos da ciência já fizeram em outros contextos. Fala sério!!!

Só orgulho dessa garotada. Só orgulho!!! E ainda ganho para isso…

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PROPOSTA DA AVALIAÇÃO DA PROFESSORA ELIKA
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Tia Elika, qual foi a maior diferença que aconteceu depois que você começou a aplicar a Teoria da Relatividade na sua vida?
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É necessário haver teorias que hoje nos parecem absurdas para que teorias aceitáveis surjam?
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Quais seriam as consequências de se abstrair isso para o campo das ciências humanas? Se a realidade funciona de maneira diferente para cada observador, não haveria uma verdade só, mas diferentes verdades dependendo do observador. Como se debater política sem que se adote uma base materialista, sem que se aceite uma só realidade como sendo verdadeira?
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…tudo não passa do nível das ideias?
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A criação de realidades alternativas faz sentido científico?
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Sempre imaginei o tempo como sendo um rio, sempre em frente. Com base na Relatividade, posso associá-lo a quê?
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Podemos confiar nas equações matemáticas só porque elas têm lógica? Será que a matemática está mesmo presente na natureza fazendo com que os fenômenos físicos sejam equacionados ou será tudo uma lógica criada pelo homem? Existe um limite para fatos e descobertas?
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Se não se pode ultrapassar a velocidade da luz, o infinito temporal não existe?
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O que dilata o tempo é a luz?
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Estamos presos no passado?
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A pessoa irá para o tempo infinito e se perderá no espaço-tempo?!!!
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A imortalidade poderia existir se pudéssemos viajar na velocidade da luz? De acordo com Einstein, se um objeto estivesse próximo a velocidade da luz poderia desaparecer. Por que e como isso é possível?
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… temos que aceitar que diversas coisas em nosso ambiente de vivência estão em tempos diferentes…?
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Sentindo-me confusa sobre a vida. Se as coisas no espaço-tempo formam curvaturas ao seu redor e quando um outro corpo entra nessa curvatura fica preso… a que o Universo está preso?
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É concebível a ideia de tempo negativo?
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Se a distinção entre passado, presente e futuro é uma ilusão, significa que tudo o que eu fizer “agora” já estaria pré-determinado?
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O Universo está se expandindo e acelerando só no espaço? Só no tempo? Para onde?
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Adorei essa aqui: Tenho uma prova de física para fazer e preciso de mais tempo. Eu poderia entrar em uma avião que voa a uma velocidade bem alta se afastando da Terra e fazer a prova lá e deixar a Elika esperando na Terra, já que quanto maior a velocidade, mais devagar o tempo passa? Será que funciona? Mas se tudo der errado e, na verdade, o meu avião estiver parado e a Terra estiver se mexendo muito rápido? Como eu vou saber? Eu posso estragar tudo e ter ainda menos tempo para fazer a prova?
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Extinguindo-s e a ideia de passado, presente e futuro e sabendo que o que vivemos agora pode não ser simultâneo em outro referencial, como entendemos o “destino” e o “livre-arbítrio”?
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Um astronauta da Nasa se atrasou para sua viagem. Mas seus superiores não brigaram nem descontaram seu salário. Por quê? Einstein provou que o tempo absoluto não é absoluto, logo, em algum referencial o astronauta não estava atrasado. Os seus superiores não tem motivo para puni-lo.
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É possível amor eterno? Acredito que sim. Com uma resposta simples. Leve um casal que se ama para o planeta da primeira questão, onde a gravidade tende ao infinito e o tempo tende a estar parado. Do referencial do casal o amor será eterno.

Do seu jeito.

Do seu jeito.

Ninguém devia se importar com seu corte de cabelo, sua roupa justa, sua fé em pêndulos, seu desejo por morangos azedos, sua boca suja de palavrões inteiros, sua bota da estação passada, suas unhas sujas da terra que você plantou.

Ninguém devia se importar com seu riso alto, sua voz que quase não fala quando não há o que dizer, sua preferência por séries, muitas vezes mais sensatas que pessoas, seu amor por um pet, pelos livros que você não sentiu o mínimo tesão de ler.

Ninguém devia se importar com as delícias que decidiram morar em você. Ninguém devia ligar a mínima para seus óculos extravagantes, sua bolsa gigante, seus brincos de diamantes que você nem pode pagar.

Ninguém devia ligar se a namorada nova do Miguel não conhece tão bem outros verbos além de beijar, amar e abraçar. Ninguém devia se importar com quem gasta dois terços do salário com jogos e outro terço com comida congelada pra não ter que perder tempo com o que não lhe importa.

Ninguém devia ligar para os casais que nem mesmo respeitam o período de carência dos convênios pra casar – Eu adoro seu jeito de rir. Vem morar comigo? – e amou aquele riso desconhecido por muitos anos ainda. Ninguém devia se importar com nada isso.

Ninguém devia ligar para as pessoas que dançam, que bebem demais, que dizem que amam sem nem conhecer. Nem com a chuva que invade o meio do dia, nem com os garotos de doze anos que andam de salto melhor que você.

Ninguém devia ligar para a ausência de proteína no prato dos veganos, para a ausência de cabelos, para o banquete de unhas, para a falta de jeito de quem não sabe gargalhar sem roncar. Ninguém devia ligar pra quem ama o funk e acha que Roberto Carlos é mais nu dos reis nus.

Ninguém devia ligar, já que a vida é um tempo tão curtinho e sedento, que voa na pressa do tempo, sem perdoar as nossas distrações. Ninguém devia se importar com as tentativas dos outros de serem felizes do seu jeito. Ninguém devia ligar, mas somente tentar, fazer ao menos uma coisa na vida, como jamais foi feito.

 

Diego Engenho Novo

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Ganhos secundários: linhas invisíveis que definem o nosso comportamento

Ganhos secundários: linhas invisíveis que definem o nosso comportamento

Os ganhos secundários são as consequências que acompanham situações nas quais nos sentimos mal ou simulamos um sentimento negativo. E que além disso, paradoxalmente, possuem algo de positivo para a pessoa que os obtém.

Este “algo positivo” pode se converter em algo muito perigoso, já que é um estimulante ou um prêmio que vai incentivar que voltemos a nos colocar na situação desagradável.

Por exemplo, uma doença pode supor uma reação dos outros com a pessoa doente, de cuidados, de atenção, de demonstrações de afeto e de condescendência. Além disso, pode existir o ganho secundário de não ter que ir trabalhar, ou de melhores condições trabalhistas adaptadas à doença, ajudas governamentais, etc.

São tantas coisas boas que alguém poderia pensar. Por que vou investir em me curar se, em troca de uma dor mais ou menos suportável, obtenho um monte de coisas positivas?

Como descobrir os ganhos secundários?

Os ganhos secundários podem ser muito sutis e encobertos, de tal forma que a pessoa que os recebe talvez não seja consciente do benefício que está recebendo.

A pessoa que sofre de mal-estar por uma doença ou emoções que a oprimem, na verdade é uma pessoa infeliz, e com frequência se queixa da sua situação.

Contudo, ela reconhece que a sua situação poderia ser pior, já que, apesar do sofrimento, o ocorrido lhe concede alguns privilégios, como ter por perto as pessoas que gosta, ficar sem trabalhar, conseguir mudanças nas pessoas próximas já que estas farão o possível para que melhore o estado e a dor da pessoa que está mal, etc…

Como os ganhos secundários afetam as relações?

Os ganhos secundários são um benefício, dentro do mal-estar, para a pessoa que os recebe, mas são um desgaste grande para aquelas pessoas com as quais convive, já que sofrem como se fosse seu o mal-estar da pessoa doente.

Os familiares, o cônjuge, amigos próximos ou seres queridos são quem sofrem as piores consequências, já que podem acreditar que a pessoa doente se recuperar ou melhorar é algo que depende do seu comportamento.

Esta carga termina se transformando em uma dependência para ambas pessoas, já que a pessoa que sofre o seu processo dependerá daquelas que cuidam dela.

A chantagem emocional

Portanto, dentro dessa dependência que se forma da pessoa doente em relação às pessoas que lhe facilitam os ganhos secundários, é muito fácil se deixar levar pela chantagem emocional. Isto é, a pessoa doente pode acabar culpando, exigindo ou carregando a pessoa que cuida com o desenrolar da sua doença ou estado de saúde, na tentativa de conseguir o que espera.

Podemos ver um exemplo disto naquelas pessoas que têm um estado ultrapassado de irritação, ira ou fúria, etc… Elas costumam culpar as outras pessoas pela sua reação e mal-estar. Além disso, esperam que a outra pessoa mude, peça desculpas ou reconheça o erro, mantendo a irritação, a ira, etc… por um longo período de tempo. Mantêm a sua postura como medida de pressão: esperando sentir-se melhor apenas quando o outro mostrar algum tipo de mudança na direção que elas pretendem.

Assim, dessa forma, a pessoa culpada tenderá a ceder para evitar o conflito ou o mal-estar que a pessoa emocionalmente afetada lhe provoca.

Resistência à mudança

As pessoas que obtêm algum tipo de ganho secundário evitam as mudanças terapêuticas, já que, apesar do mal-estar, a recompensa obtida com este estado é maior.

Contudo, por se tratar de um processo inconsciente, tanto nos ganhos quanto na resistência, quando a pessoa se torna consciente disto, costuma trabalhar mais profundamente a sua mudança de atitude e, consequentemente, a sua melhora de saúde física e psicológica.

Texto original em espanhol de: Dolores Rizo

Fonte indicada: A mente é maravilhosa

A era descartável

A era descartável

Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” A frase do sociólogo polonês Zygmunt Bauman resume com brilhantismo a vida do homem na pós-modernidade ou, como ele mesmo prefere, modernidade líquida, uma vez que a fluidez das relações exige que estejamos em constante mudança.

Sendo assim, vivemos sob a égide da velocidade, ou seja, toda relação que se proponha a durar não possui espaço no mundo líquido. Em outras palavras, o sucesso está relacionado à capacidade de rotatividade nos relacionamentos, isto é, à capacidade de trocar de relacionamentos no menor espaço de tempo possível.

Essa característica do homem contemporâneo é o que determina o seu sucesso, segundo Bauman. Para ele, o sucesso do “homo consumens” não se caracteriza pelo acúmulo de bens (sejam materiais ou humanos), mas pela maior capacidade em desfazer-se deles.

“É a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homo consumens.”

Posto isso, há de se considerar que a incapacidade em manter relações que apresentamos faz com que não consigamos acumular o menor volume de compras e, assim, transformamos a vida em uma grande rede descartável.

Como não consigo ter um relacionamento que me traga satisfação, tento preenchê-lo com inúmeros relacionamentos efêmeros. Esse vazio também é preenchido com bens materiais, entretanto, como o sucesso é medido pela rotatividade, faz-se necessário que se troque constantemente de bens, a fim de que mantenha o vazio “preenchido”.

Dessa forma, não existem laços que prendem as pessoas, de tal maneira que, a todo tempo, pessoas se desfazem de pessoas, como se estas fossem tão importantes quanto um copo descartável. Aliás, uma pessoa e um copo descartável exercem a mesma função. Em um primeiro momento, são úteis para atender a uma necessidade imediata, mas, logo em seguida, perdem o valor e ambos são amassados e jogados fora.

Na era descartável, quanto maior for a capacidade de desfazer-se, maior é o sucesso do indivíduo. As relações humanas, assim, caracterizam-se por uma imensa fragilidade, em que o valor dos relacionamentos está ligado a um prazo de validade.

Pessoas entram e saem da nossas vidas sem que possamos, de fato, conhecê-las. Habituamo-nos a não criar laços, não fincar raízes. Temos necessidade de relacionamentos que sejam levados pelo vento, pois só o tempo permite que criemos raízes, as quais parecem inadequadas aos nossos tempos.

Quanto maior a raiz, mais profundo um relacionamento fica e, por conseguinte, torna-se mais difícil arrancá-lo. Assim sendo, o valor que o outro nos atribui varia conforme a sua necessidade. Podemos ser essenciais em determinado momento e, noutro, sermos estranhos.

Esse intervalo entre ser essencial e ser um estranho vem diminuindo com o passar do tempo, uma vez que, como nada é feito para durar, nossas necessidades também mudam constantemente e, por conseguinte, deixamos de ter importância para o outro, pois essa importância é condicionada à necessidade que tínhamos.

O homem contemporâneo parece não gostar de raízes e busca relacionamentos baseados na facilidade de desconectar e de jogar fora. Não passamos de meras mercadorias, como qualquer outra; estamos ficando mais sozinhos e com relacionamentos frágeis. A era descartável é silenciosa e fugaz: quando menos esperamos, somos jogados fora, dado que nossa utilidade chegou ao fim.

Na modernidade líquida, a velocidade assume o controle e, portanto, não existe tempo para refletir, apenas fazemos e deixamos de fazer, somos importantes e deixamos de ser importantes, sem a menor capacidade de reflexão. A única capacidade que temos é a de desfazer-se, sendo que qualquer um pode tê-la.

Qualquer um pode tê-la, porque é fácil e a facilidade é uma jovem sedutora. Livrar-se do outro quando se quiser é sempre mais fácil; o grande problema é que, com o passar do tempo, as opções vão diminuindo, até que todos sejam descartados e você esteja sozinho. Mas, talvez não haja tanta diferença, afinal, em tempos líquidos ou descartáveis,

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.”

Na capa: Escultura de gelo de Nele Azevedo

Sobre ler pensamentos, por Diego Caroli Orcajo

Sobre ler pensamentos, por Diego Caroli Orcajo

As pessoas acreditam que ter a capacidade de ler mentes lhes traria uma vida muito mais feliz do que andam tendo, visto que alguns dos maiores temores do indivíduo pós-moderno são os de ser enganado, traído e abandonado.

Já ouvi diversas vezes alguém dizendo que seria interessante ler os pensamentos das pessoas na balada, visto que se saberia com as quais deveria iniciar interações. Também ouvi em referência a entrevistas de emprego, já que poderia alterar comportamentos não muito bem recebidos pelo entrevistador, ampliando as chances de contratação. Enfim, situações específicas e hipotéticas, nas quais posso dizer que eu também adoraria dominar tal arte.

Agora voltemos ao mundo real. Será mesmo que ler pensamentos seria interessante? Se houvesse um botão liga e desliga de repente sim, afinal mataríamos algumas curiosidades, porém e se ocorresse em um contínuo?

Certa vez Bertrand Russell disse: “Se a todos fosse dado o poder mágico de ler os pensamentos dos outros, suponho que o primeiro resultado seria o desaparecimento de toda a amizade”. E é dessa direção que partiremos.

Você acabou de ser retirado da barriga de sua mãe. O trabalho de parto foi um pouco longo, atrasando o término do expediente dos profissionais envolvidos. Então, logo de início, seria exposto a pensamentos não muito sutis por parte daqueles os quais atrasou o passeio de sábado à noite.

Posteriormente, quando estivesse nos braços de seus pais, veria se passar pela mente deles tudo aquilo que houveram idealizado e comparando com o que de fato você o é. Além do mais, ter um filho frequentemente gera algumas crises existenciais episódicas, nas quais teria de “saber” coisas como: “Tive que parar x projetos por conta dessa gestação”; “Essa criança só dá trabalho”, e daí por diante.

Todo amor anda de mãos dadas com boas doses de ódio, que em nossa sociedade têm suas manifestações suprimidas, gerando sentimentos de culpa constantes naquele que os sente. Em suma, todo relacionamento humano é e sempre será ambivalente, porém, de repente não estejamos prontos para ter consciência dos aspectos hostis existentes em nossas interações.

Sou da opinião de que não é nada provável que a humanidade possa existir na ausência de grandes ilusões, dentre as quais sem sombras de dúvidas cabe incluir a ilusão do amor incondicional.

Segundo Nietzsche: “A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar”. E aí, você se considera forte o bastante para saber tudo que pensam a seu respeito?

Diego Caroli Orcajo. Águas de Lindóia – SP.

[email protected]

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