Os efeitos das emoções e pensamentos negativos no nosso corpo.

Os efeitos das emoções e pensamentos negativos no nosso corpo.

Há várias décadas, tem crescido o interesse pela relação entre as emoções, os pensamentos e o corpo físico. A comunidade científica já aceitou a inegável influência que esses fatores “invisíveis” têm sobre nosso corpo.

Como por exemplo, ao sofrer uma grande dor emocional, como a perda de um ente querido, alguém pode sofrer um ataque cardíaco ou um derrame, o que pode até levar à morte.

Mas, quando as emoções não são tão intensas, é um pouco mais difícil notar a relação entre elas e o estado da nossa saúde. Além disso, os pensamentos que alimentamos também podem influenciar nosso bem-estar, para bem e para mal.

Sintomas físicos da relação corpo-mente

A relação entre as emoções e o nosso corpo é bem conhecida pela sabedoria popular. Algo que percebemos graças à experiência e ao instinto. Por exemplo, é comum sentirmos dor de barriga antes de uma prova, entrevista de emprego ou outra situação em que seremos avaliados.

A dor de estômago também pode ser sintoma de estresse, como quando temos dificuldades no trabalho, nos relacionamentos ou problemas financeiros.

Dificuldades para dormir, perda do apetite e tremores também são sintomas de uma mente estressada.

A ansiedade pode levar algumas pessoas a procurar conforto na comida, sobretudo em alimentos ricos em açúcar e carboidratos, como chocolate, bolos, biscoitos, coxinhas, pizzas etc. Isso pode levar ao aumento de peso e a todos os problemas associados a ele.

A vergonha faz nosso rosto ficar vermelho e o medo faz com que o nosso rosto fique pálido. Quando a emoção é muito forte, o coração bate mais rápido, aumentando a pressão arterial.
Enfim, há muitas “provas” de que as emoções têm influência direta sobre o nosso corpo, o que pode causar doenças. Mas será que podemos ter algum domínio sobre o que sentimos e pensamos?

Afirmações positivas para curar

A autora Louise Hay é uma das mais respeitadas quando se trata de afirmações para a saúde, prosperidade, bem-estar e cura. Nos seus livros “Você pode curar sua vida”, “Cure seu corpo” e “O poder das afirmações positivas”, ela compartilha muitas informações valiosas sobre como você pode assumir a responsabilidade pelas suas emoções e pensamentos, curando, assim, não apenas o corpo, mas também todas as áreas da sua vida.

Louise acredita que o amor próprio é a chave da saúde e da felicidade verdadeiras. Um exercício simples que qualquer pessoa pode fazer e que a autora recomenda em seus livros, é este:

“Cerca de três vezes por dia, durante pelo menos um mês, diga, na frente do espelho, olhando para seus olhos: “Eu amo você. Tenho orgulho de você”. Essas afirmações simples, mas poderosas, devem ser ditas com sinceridade, sem nenhum criticismo. É normal sentir alguma resistência no início, mas persista até que se torne um hábito natural se elogiar.”

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Pensamentos de autocrítica

Constantemente, temos um “diálogo interno” com nós mesmos, sem que nos demos conta.

São as histórias que repetimos por dias, meses, anos, décadas e por toda a vida, sobre quem somos, o que podemos ou não fazer, o que outras pessoas nos fizeram, etc.
Quando esse diálogo é muito negativo, ele traz consequências danosas para a saúde física e mental. Exemplos de diálogos internos negativos:
– “Sou muito burra”.
– “Sou muito gorda”.
– “Não consigo emagrecer”.
– “As pessoas vivem me passando para trás”.
– “Ninguém gosta de mim”.
– “Não sou (bonita/inteligente/rica/boa…) o bastante”.
E por aí vai.
Uma boa maneira de combater esses pensamentos negativos é fazendo terapia. Anotá-los em um diário e questioná-los também é bastante eficaz, pois você se tornará consciente de seu próprio diálogo interno.
Outro efeito nocivo desses “diálogos internos” inconscientes é que eles vão atrair pessoas que pensam como você a seu respeito. Assim, se você acreditar que é “burra”, por exemplo, atrairá pessoas em sua vida que vão confirmar esse pensamento.

Boas maneiras de melhorar sua saúde através das emoções e pensamentos

Não podemos “controlar” nossos pensamentos e emoções, mas podemos adotar práticas saudáveis que nos ajudarão a lidar melhor com eles.

Uma dessas práticas é a meditação. Meditar pode ser a melhor coisa a fazer assim que você acorda, pela manhã. Dedique cerca de 15 minutos por dia a uma prática meditativa, sozinho ou em grupo.

Outra prática muito benéfica é a de atividades físicas. Corrida, hidroginástica, caminhadas na natureza, aeróbica, pilates, ioga e os vários tipos de esportes podem fazer maravilhas para o corpo, aumentando o nível de endorfina e a sensação de bem-estar, ajudando a equilibrar as emoções.

Cantar, dançar, pintar e realizar alguma atividade criativa e artística são bálsamos para as emoções. Você pode se dedicar a algum tipo de atividade assim, como a escrita, a pintura em tecidos, o bordado e a dança, apenas para citar algumas. É também uma excelente oportunidade de conhecer novas pessoas.

Exercícios de relaxamento profundo podem ser muito curativos. Você pode comprar CDs ou baixar meditações pela internet, como a ioga nidra, uma técnica de relaxamento simples, mas muito eficaz.

Cuidar bem da sua saúde mental e emocional terá um impacto positivo na saúde do seu corpo. Além disso, você estará cultivando uma postura mais positiva diante da vida, o que atrai felicidade.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Frequência afetiva, qual é a sua?

Frequência afetiva, qual é a sua?

Por Eduardo Benesi

Via contioutra.com - Frequência afetiva, qual é a sua?

Dias desses mandei um inbox parabenizando uma amiga querida pelo seu aniversário. Na verdade, eram votos atrasados, já que ela tinha aniversariado no dia anterior. Ao agradecer meu pequeno textinho, ela escreveu: “gratidão pelo carinho e energia positiva, também por aceitar minha frequência afetiva”. Eu nunca tinha lido essa expressão “frequência afetiva” e ela ficou na minha cabeça por alguns dias. Propositalmente, não perguntei a ela o que aquilo significava porque eu simplesmente quis atribuir o meu sentido para aquela expressão tão especial, usada em um contexto tão carinhoso, por uma pessoa tão profunda.

Comecei a pensar que todos nós tínhamos a tal frequência afetiva. Essa ideia talvez estivesse diretamente ligada ao nível de presença que exercemos na vida das pessoas importantes para nós e também a forma como demonstramos isso. Pensei então em alguns exemplos de amigos que possuíam frequências afetivas muito especificas:

– A Natalia é uma amiga dos tempos de faculdade muito querida. Era daquele tipo do fundão que se infiltra no seu grupo sem você convidar, mas que no fim fazia tudo certinho. Sua característica marcante era o fato dela apreciar novelas do canal Viva – isso era um segredo dela. Depois que deixamos de conviver, comecei a perceber que eu só conseguia marcar algo com ela de seis em seis meses, em média. Que se eu tentava marcar coisas com intervalos menores, por algum motivo, o role não saia. Passei a aceitar que esse era o tempo dela e que isso não diminuía a minha importância em sua vida. Até hoje mantemos essa amizade tão especial quanto semestral.

– Tem a Carol que foi minha amiga da época de acampamento. A Carol é muito intensa e já viveu as fases mais exóticas que você pode imaginar. Ela já quis ser cigana e atriz, já foi para Brasília para defender ideias de esquerda, já morou nos Estados Unidos e em Londres e hoje trabalha como professora. O fato é que nessas fases de turbilhão a Carol sumia por muito tempo, tipo quatro anos, e depois reaparecia do nada. Depois, sumia novamente por tempo indeterminado e eu nunca sabia em que momento da vida eu encontraria ela novamente. Nossa amizade sempre teve esses intervalos bruscos, sem data para a próxima vez. Há dois meses a Carol me chamou para ser padrinho do seu casamento. E eu me dei conta de que essa falta de obrigatoriedade temporal na nossa amizade pouco influía na consideração que um tinha pelo outro.

– Tem o exemplo da Divimary. Nós temos uma amizade cinéfila. Nossos encontros são assíduos até hoje. Ao menos uma vez por mês damos um jeito de marcar nosso café com cinema. Desde os tempos de faculdade, nos acostumamos a passar tardes na Rua Augusta, regadas a filmes de todos os tipos e passeios sem destino. Ela é daquele tipo de amiga que para te ajudar, manda o seu currículo sem você saber e chega a ir à entrevista de emprego junto pra te dar apoio moral. É daquelas que te dão apoio quando você esta começando algo incerto e faz propaganda positiva sobre você para todos os outros amigos dela. É engraçado que mesmo não fazendo por ela exatamente na mesma medida o que ela faz por mim, tenho a certeza que ela aceita a minha frequência afetiva.

A ideia de “frequência afetiva” a meu ver envolve muito de aceitar o que o outro tem pra te oferecer, mas principalmente o que ele não tem. Nos últimos meses passei por diversas situações em que eu tive que dizer não para alguns amigos e pessoas queridas. A verdade é que quanto mais relações afetivas você tenta manter, mais você tem que disponibilizar o seu tempo e fazer escolhas em prol delas. Muitas vezes, essas escolhas não vão favorecer um amigo seu e a maneira como ele reage a isso é um momento importante para que você se descubra seletivo em suas relações. Às vezes você não diz não por egoísmo, às vezes você diz não porque tinha outra prioridade. Você conhece verdadeiramente as pessoas – que supostamente gostam de você – quando observa como elas se comportam diante desse não. Existe a situação oposta: aquelas amigos que nunca podem fazer nada, que de 100 convites, topam apenas um. Eu não deixo de ser amigo dessas pessoas por isso, mas elas deixam de ser prioridade na hora de pensar em quem vou chamar pra ir pra balada ou pro teatro. Na minha escala de amizades assíduas, os amigos que costumam topar coisas em cima da hora costumam naturalmente estar no topo das minhas prioridades.

 

Essa aceitação vale para todo tipo de relação, inclusive para as familiares ou para os namoros. Existem relações familiares que se estabelecem apenas pela convenção das datas comemorativas. Primos que você vê somente no Natal e que talvez você não procure durante o ano exatamente por isso. Porque esse tipo de frequência estabeleceu-se na relação com eles e não porque no fundo você só os vê pela obrigação da data. A frequência também envolve o jeito de demonstrar afeto. No mundo também existe gente que “não gosta” de receber ou demonstrar afeto ou que não é de abraço, pior ainda se for demorado. Tem até gente que não lida bem com elogios. E essa negociação de espaços é muito importante. Saber colocar em prática a arte da empatia tentando entender e tolerar o outro da maneira como ele é, caso você faça questão da relação.

Não tem como finalizar esse texto sem tocar em um tipo de frequência afetiva extremamente importante na vida virtual. A frequência de likes. Existem aqueles amigos que não são de entrar na internet ou de interagirem em redes sociais. Tem os que leem você em silêncio ou aqueles que simplesmente têm preguiça do que você escreve – não necessariamente preguiça de você. Existem os que usam o like como uma forma de vínculo/interação/ manutenção de relação. Existe até aquela pessoa que estranhamente só da like quando você conta alguma zica que te aconteceu. Existe também o ciúme. – Por que ela vive dando like no amiguinho e não em mim?

Na vida conjugal as coisas ficam um pouco mais delicadas. Quanto menos expectativas sobre o seu par melhor. Mas e pra baixá-las? É difícil entender que existem parceiros que se esquecem de datas importantes ou namoradas que não sentem ciúme de você e pronto. Aceitar uma vida a dois tem muito de estarmos preparados para tudo o que não iremos receber. Você está preparado para não receber? Você está preparado para receber, só que não exatamente da forma que esperava? Você respeita a frequência afetiva dos outros?

Eduardo Benesicontioutra.com - Frequência afetiva, qual é a sua?

Escritor, mochileiro-cinéfilo, paulistano praticante, hipster inconfidente, ator-pedagogo, cansou de ser sexy mas ainda é quentinho. Tem o péssimo hábito de somar em pensamento o provável peso das pessoas no elevador, pra ver se passa do limite. Dá abraço demorado, se acha mais legal que o Bruno de Luca e um dia quer fugir com circo. Enquanto isso, transforma viagens em devaneios junto com a sua trupe no www.demalaemochila.com.br.

Será que as nossas crianças têm brinquedos demais?

Será que as nossas crianças têm brinquedos demais?

Por Ana Cristina Marques

Qual é a criança que não quer brincar? Que não quer correr atrás da bola para fazer um gol, levantar os braços em sinal de comemoração? Uma criança que não brinca é uma criança doente. Não somos nós que o dizemos, antes Paulo Sargento, psicólogo e diretor da Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches. É que o ato vai muito além de entretenimento garantido ou de gargalhadas voluntárias, uma vez que brincar é crescer e perceber como funciona o mundo em que vivemos. E se tal não é necessariamente sinônimo de brinquedos, o que acontece quando uma criança tem muito, até demais, por onde escolher?

Vamos por partes. Divertir, entreter, gracejar, galhofar ou brincar é meio caminho andando para garantir o desenvolvimento dos mais pequenos, seja a nível socio emocional, psicomotor ou cognitivo. A isso, acrescenta-se que as brincadeiras devem seguir três etapas evolutivas: as atividades que geram ação (quando um bebê atira um brinquedo ao chão está a ter uma primeira noção da lei da gravidade), as simbólicas (pegar numa vassoura e transformá-la num cavalo é um exercício de imaginação) e as que exigem regras (os jogos de computador e os de tabuleiro ajudam a perceber que a vida rege-se por um conjunto de normas).

Não sobram dúvidas — se é que elas existiam — de que brincar faz bem à saúde e recomenda-se tanto a crianças quanto para adultos. Mas nem tudo é um mar de rosas. Considerando as sociedades atuais e ocidentais, talvez não seja muito difícil encontrar lares cujos quartos estejam cheios de brinquedos — desde o antigo cavalo de madeira  às novas naves de Lego dos filmes Star Wars. Tanto um como outro representam momentos de lazer favoráveis, mas o mesmo não se pode dizer quando estes são apenas dois em dezenas (ou centenas) de brinquedos.

A infância não se mede pelos brinquedos acumulados, ou pelo menos não deveria. Por vezes menos é mais, sobretudo porque brincar ajuda a moldar o temperamento e a criatividade de uma criança. Por favor, menos brinquedos e mais brincadeiras!

Fonte indicada: Observador

Os monstros que carregamos: reflexões acerca da depressão

Os monstros que carregamos: reflexões acerca da depressão

“Um, dois, três… vá, você consegue. Você não apenas consegue, você também precisa. Um, dois, três… por favor, vamos, você não tem o dia inteiro.”

A frase acima assemelha-se ao discurso de alguém que tenta escalar uma montanha ou atingir alguma meta que requer esforço anormal, mas é só o tipo de coisa que um indivíduo deprimido fala para si mesmo ao tentar levantar da cama num dia comum. A depressão não é algo poético, ao contrário do que muitos pensam, e não é assunto para ser romantizado. Há um mito que cerca a condição, e ele precisa ser extinto. A depressão não ajuda pessoas criativas. O sofrimento pode inspirar, mas a depressão paralisa. É uma doença cruel, dolorosa e insidiosa, que leva o hospedeiro a ter vontade de pedir ajuda para tomar banho, pentear cabelos e escovar os dentes: ela leva embora a energia vital presente em cada um de nós, transformando tarefas simples como se alimentar em tarefas complicadas como erguer um monumento. É uma máxima: não há beleza na depressão.

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Cena do filme “Garota interrompida”, 1999.

Muitas vezes os incentivos não geram resultados, todo e qualquer esforço falha ou parece falhar, e a desistência se apresenta como a única saída viável. Após a ideia da desistência criar raízes firmes, a idealização do grand finale, o suicídio, parece se formar na mente do doente, límpida e nítida como uma pintura ou até mesmo como um filme.

Os mais diversos cenários são imaginados: do envenenamento (costuma ser descartado, pode ser extremamente doloroso e falho) até o tiro fatal da misericórdia, da auto-defenestração até a overdose, tudo é levado em consideração. Os prós e contras são ponderados. É possível que o deprimido considere que é melhor deixar o tiro pra lá, afinal, ninguém gosta de limpar sujeira, e morrer de forma serena não parece uma má ideia. Para completar, conseguir uma arma não é muito fácil em grande parte dos casos. Infelizmente, muitos doentes abraçam algum dos métodos, o método escolhido decide abraçar de volta, e é assim que o monstro consegue mais um soldado para seu exército em constante expansão.

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Noite estrelada- Van Gogh

Mas é difícil que pessoas vivas cometam suicídio: a maior parcela dos suicidas é constituída de mortos que caminham entre os vivos, até que se cansam do ciclo vicioso e estabelecem o que acreditam ser um fim definitivo para a dor.

Ainda bastante incompreendida, a condição leva os portadores a serem vítimas de preconceitos e julgamentos, estes que são alguns dos principais aspectos sociais da doença. Além de suportarem diversos martírios dentro de si mesmos, depressivos são julgados “preguiçosos”, “inúteis”, muitas vezes escutam insultos de pessoas próximas, aquelas que deveriam ajudar e cuidar: “Levante daí, você não cansa de ficar nessa cama o dia inteiro?”, “E então, quando você vai decidir fazer algo da sua vida?”, “Você parece bem, não parece doente, está rindo, será que não poderia fazer algo que preste?”, “Me poupe, isso não passa de frescura”.

Além disso, é comum que pessoas deprimidas não suportem ouvir o termo “reagir”. “Reaja!”, o mundo parece gritar em uníssono. Por favor, parem. É uma situação extremamente delicada. Não é assim que funciona, não foi e nunca será. Depressão não é tristeza. Estamos reagindo, mas estamos acorrentados, e do que adianta tentar fugir quando seu carcereiro decidiu te acorrentar? O único resultado que será possível obter é o cansaço, e nossos corpos já não comportam mais qualquer adição de cansaço. Estamos fazendo o possível.

Não há depressão que seja igual. Diferentemente da gripe ou de qualquer outro vírus terrível que possa torturar nossos corpos, a depressão é única para cada portador, o que faz dela um martírio solitário. É a doença da solidão, do isolamento, e, por fim, da ausência de amparo. Muitas pessoas deprimidas são abandonadas ou ignoradas por seus familiares, cônjuges e amigos quando mais precisam de conforto e ajuda. As pessoas cansam e vão embora. Não queremos dar trabalho, não queremos causar desconforto, mas precisamos de amor. Não pedimos para ter uma doença. Da mesma forma que alguém não escolhe um câncer, não escolhemos desenvolver a depressão.

O amor é um aliado porque nos fortalece, e nos torna mais esperançosos no que tange a luta diária por coisas que não deveriam envolver lutas: é como se, ao sentirmos que somos amados, estivéssemos lutando com um propósito que não é apenas o de permanecermos vivos. Se você conhece alguém que sofre de depressão, demonstre compaixão. Desenvolva sua empatia, ela pode salvar uma vida. Se você sofre de depressão, tente buscar o amor. Se não o encontrar no outro, busque-o dentro de si.

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Como se não fosse doloroso o suficiente o fato de estarmos sendo julgados com frequência, também ocorre de sermos interpretados das piores formas possíveis. O inferno parece não ter fim: se elaboramos alguma desculpa para não sairmos de casa em determinado dia, somos péssimos amigos. Mas não somos, na verdade. Acreditem que zelamos por nossas amizades, acontece que não queremos preocupar ninguém ao sermos obrigados a dizer coisas como “desculpe, hoje não, talvez na semana que vem, sabe, faz três dias que tento sair da cama e não consigo, mas hoje consegui ir até a cozinha e fazer um lanche, de tanta felicidade por ter feito isso eu poderia dançar frevo se tivesse alguma energia restante”. Ou então: “não acho que é uma boa ideia ir naquele encontro de hoje, eu acabo de ter uma crise de choro no chão do meu quarto e agora estou deitada em posição fetal”. A maioria das vítimas da depressão crê que é bom evitar contribuir para que sejam vistas como “loucas”, e omitem detalhes de suas lutas diárias contra a doença na tentativa de sentirem-se mais “normais”.

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Van Gogh

Mas, afinal, o que é a normalidade? O que é normal para um peixe é completamente insano para uma zebra. Os conceitos de “loucura” e “normalidade” foram bastante distorcidos ao longo da história da humanidade, e, em todo caso, são tão relativos e complexos quanto o conceito de “perfeição”: se o que é perfeito para um não é perfeito para outro, a perfeição absoluta não existe. E a tentativa de se enquadrar no padrão do supostamente “perfeito” ou até mesmo da “normalidade” é uma grande armadilha. Não é possível se enquadrar no que não existe. De perto, somos todos uns loucos, e nem toda loucura é algo negativo.

A depressão é traiçoeira, e costumo compará-la com uma árvore repleta de galhos. Dificilmente um deprimido será apenas um deprimido. Muitas vezes ele também é ansioso, é bipolar, é borderline, é obsessivo-compulsivo, é anoréxico, é bulímico, é vítima de transtorno do estresse pós-traumático, é esquizofrênico. Há uma miríade de condições que podem acompanhar a depressão, e elas caminham lado a lado, em algo que pode ser visto como uma espécie de complô para drenar a vida da vítima.

Muitas vítimas da depressão insistem no fato de que, na verdade, não estão doentes, não estão deprimidas, não precisam de ajuda, mas estas pessoas não apenas estão deprimidas como também possuem outras condições eclodindo no fundo de suas mentes: condições tão complicadas e dolorosas quanto a depressão em si.

Por experiência própria, é válido ressaltar que a meditação pode ser como o oásis no deserto da tormenta para algumas pessoas. Foi o meu caso. Através dela, é possível reestabelecer um tipo de conexão com seu verdadeiro eu, conexão esta que é muitas vezes destruída pela depressão, fazendo com que o deprimido sinta-se “completamente perdido” e não saiba para onde ir, quem procurar ou o que fazer. A meditação leva clareza para onde há escuridão: é como a amiga solícita que bate na sua porta e te entrega uma lanterna ao ver que faltou luz em sua casa. Há os que preferem antidepressivos, mas a eficiência de tais medicamentos é propensa a questionamentos e é tema de debates acirrados entre psiquiatras: apesar de algumas obterem verdadeiro êxito, nem todas as pessoas respondem bem ao tratamento com intervenção medicamentosa. Sempre nutri certa recusa ao tratamento com auxílio de fármacos por medo de virar uma escrava das companhias farmacêuticas, que, segundo algumas pessoas, tratam clientes, e não doentes. A última coisa que preciso, eu costumava dizer para mim mesma no auge da dor, é virar dependente química agora: já estou no meio de uma luta e não creio ser necessário participar de outra.

Por ser natural, procurei refúgio na meditação, e descobri que é possível estabelecer paz no caos. É possível decorar o abismo de forma a torná-lo habitável, e o resgate não é imediato, mas ele acontece. E, quando você menos espera, pode se ver fora do abismo pela primeira vez em muito tempo. É uma sensação única, talvez inigualável, e pode ser comparada com o ato de receber um novo par de olhos: é como enxergar o mundo pela primeira vez novamente.

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Talvez um dia os grandes cientistas desenvolvam a arma definitiva para aniquilar o monstro para sempre.

Até lá, resta a luta.

Perdoar é para quem tem coragem de ir para o inferno, mas escolhe voltar

Perdoar é para quem tem coragem de ir para o inferno, mas escolhe voltar

A nossa incrível evolução acadêmica e tecnológica, não foi capaz de provocar em nossas vulcânicas emoções nem um tipo de transformação na balança dos julgamentos. No que se refere à nossa capacidade de oferecer ao outro, equidade e justiça, pautadas no mesmo peso de crime, castigo, mérito ou indulgência que tão ruidosamente exigimos em causa própria, somos um desastre de proporções meteóricas.

Cada um de nós é capaz de saber exatamente a dimensão, a duração, a intensidade e a valia de cada batalha nossa impetrada no desenrolar dos dias. Apenas nós somos capazes de entender o que sentimos ; de ser indulgente com nossos medos, ainda que pareçam tolos; de mensurar nossos esforços para vencer limitações inatas ou impostas; de intervir no momento exato onde mora o limiar entre a necessidade de suporte e a autonomia conquistada; mais ninguém tem essa clara percepção de nós. Somos verdadeiros mistérios, uns para os outros. Construímos um casulo tão impenetrável que nos condenamos a um isolamento voluntário; tudo isso por medo de parecermos fracos, de revelar o que não sabemos e de quebrar aos olhos do outro a nossa idealizada imagem.

É bem verdade que são as grandiosas batalhas que vão alinhavando nossa vida; bordando lembranças com retalhos coloridos de memória; mantendo-nos enraizados em nossas essências, por meio de pontos firmes, tecidos de forma tão caprichosa. No entanto, são as pequenas lutas, os embates “inocentes” do correr das horas que nos conferem a humanidade. É das pequenas dores, que por vezes não passam de um formigamento na alma, que nos tornamos mais ou menos aptos para avaliar a escala de sofrimento que conseguimos bancar; e, muito mais importante: reconhecer no outro, ainda que ele sofra em silêncio, o momento exato de estender a mão, enlaçar no abraço e garantir, caso a inevitável queda venha a ocorrer, que haverá amparo amoroso, nenhum julgamento e, depois (só depois), a possibilidade de ser ouvido, seja para um desabafo ou uma confissão.

O fato é que vestimos, com a maior desenvoltura, orgulhosas togas morais, dentro das quais nos quedamos absolutamente familiarizados e confortáveis. Com que facilidade, apontamos o dedo na exata direção dos deslizes, falhas e fraquezas alheias! Tão fácil julgar! Tão automático condenar. O infortúnio do outro desperta em nós a curiosidade e, a depender da nossa estatura virtuosa na ocasião, somos também capazes de nos comover, demonstrar empatia e até sermos solidários. Mas é a curiosidade nosso combustível renovável. O acontecimento em si nos mobiliza, atiça a imaginação desperta o desejo de estar presente, sem pertencer.Alguns de nós, menos empedernidos conseguimos até deslocar o foco de nossas valiosas existências para dispor nosso tempo, atenção e por que não, algum auxílio material no socorro de quem descarrilou e perdeu o posto de ser humano correto, valoroso e vencedor!

O cenário é de tirar o sono, se porventura nos arriscarmos a tirar a casca de “normalidade” e dizer ao outro, olho no olho: “Minhas fraquezas são tantas, que talvez eu não as conheça todas; mas criei coragem para te dizer que eu me arrisco a me perder de mim porque tenho medo de não ver admiração nos seus olhos diante dos meus feitos. Eu finalmente entrego meu coração, instável e imperfeito em suas mãos, porque te honro com a minha confiança; e posso apenas garantir que, tendo me libertado de sua adoração posso, enfim, revelar meu lado humano e lindo. Humano porque sangra e cicatriza; lindo porque é de verdade.”

E se formos valentes assim, a ponto de enfrentar essa travessia, olharemos encantados uns para os outros; cada um com as mãos preenchidas por um coração vivo e curioso: o coração do outro. Dentro do peito, no lugar do músculo que andava exausto, uma revoada de passarinhos; a leveza do voo sem itinerário, trazendo pra dentro de nós a luz diáfana que suaviza o olhar e o calor morno de um colo que fortalece a coragem.

Seremos absurdamente felizes quando desistirmos de nos acorrentar uns aos outros em jaulas de certezas que não passam de grades enferrujadas; certezas acerca de uma infinidade de verdades mofadas e insustentáveis. Seremos pessoas mais vivas, fluidas e íntimas dos sentimentos de cura que permeiam o amor. Tomara não nos demoremos demais para desancorar nossas almas, da intolerância que aprisiona e da perfeição que aniquila o desejo. Tomara sejamos audaciosos o suficiente para mergulhar na confusão do outro de mãos entrelaçadas com ele; conhecer seus cantos escuros; arranhar nossa casca de estereótipos, já tão craquelada; estar em seu lugar mais tenebroso e escondido… E, então, justamente pela maravilhosa oportunidade de ter vislumbrado a escuridão do outro, estar pronto para voltar do inferno e oferecer-se inteiro, sem a desumana expectativa da excelência, mas com a disposição de aprender e admitir que perdoar é libertar a alma de velar o sonho morto para seguir adiante.

Professor assume escola dominada por traficantes e em dois anos a transforma em referência premiada

Professor assume escola dominada por traficantes e em dois anos a transforma em referência premiada

O cenário era o mais desanimador possível. Banheiros imundos e sem vasos sanitários, salas com vidros quebrados e sinais de incêndio, as mesas e as cadeiras estavam todas depredadas e jogadas nos fundos.

Parece descrição de filme de terror, mas essa era a realidade da escola municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP), quando o professor Diego Lima a assumiu ano passado.

Quando você acha que já estava bem complicada a situação, parte da escola ainda estava dominada por traficantes, que escondiam cápsulas de maconha e cocaína em buracos no muro do local.

“Os alunos demonstravam sua insatisfação depredando a escola. Não gostavam de estar aqui, sentiam vergonha, não tinham nenhuma sensação de pertencimento”, relembra Diego.

Para começar a mudar essa realidade, a primeira coisa que o professor fez foi entender a comunidade, conhecê-la de fato.

Conversou e aplicou questionários para pais, alunos, funcionários e moradores locais do bairro Santo Antonio, onde localiza-se a escola.

A primeira decisão de Diego foi reformá-la para que as crianças gostassem do ambiente. Para isso, ele falou com diversas escolas na região que passaram por reforma vendo se poderiam doar sobras de tinta e material de pintura. A prefeitura cedeu dois pintores, mas ainda era pouco, afinal, depois do descrito no começo, era muito trabalho.

Em 2014, um carro de som saiu pelas ruas chamando os pais para a entrega de materiais escolares, o que geralmente era feito através do envio de bilhetes.

Ao chegarem no local e notarem algumas salas pintadas, uma das alunas, emocionada, agradeceu dando um grande abraço na inspetora, que, por sua vez, contagiada com o efeito das melhorias nas crianças, resolveu colocar a mão na massa e passou a ajudar na pintura também.

Como um ciclo virtuoso do bem, outros funcionários logo começaram a fazer o mesmo e ajudar na reforma da escola.

“Começamos a receber materiais e tintas de todas as partes das cidades, e alguns pais pediam folga no trabalho para nos ajudar. Teve tanta gente envolvida que conseguimos pintar a escola inteira”, disse Diego.

Para o primeiro dia de aula, mais um surpresa. Todos os alunos foram recebidos pela equipe completa na porta enquanto em um telão passava um vídeo mostrando pais e funcionários arrumando a escola para eles.

Mas as aulas não começaram logo de cara. Antes, todos os estudantes foram envolvidos para criar as normas de convivência e desenvolver o novo regimento.

Diego contou ao O Globo que, por semana, havia uma média de 60 suspensões por indisciplina. Com frequência, esses alunos suspensos acabavam evadindo, e houve ano em que mais de 200 de um total de 1.100 abandonaram os estudos.

Mas, com as novas condutas definidas em parceria com os alunos, as suspensões acabaram, e, para evitar a evasão, a direção passou a procurar, um a um, os jovens que começavam a faltar com frequência.

Resultado? Em 2014, apenas dois largaram os estudos. Que diferença, né?!

E lembra que falamos dos traficantes que dominaram parte da escola? Hoje, ele é um lindo jardim.

A escola também realiza atividades culturais nos finais de semana e nas sextas-feiras. Nesses dias, as portas ficam abertas para toda a comunidade e qualquer morador do bairro pode se apresentar no projeto Prata da Casa.

Bom, não à toa, o trabalho de Diego foi reconhecido e ele foi um dos dez vencedores do Prêmio Educador Nota 10 (das fundações Victor Civita e Roberto Marinho) e poderá ser escolhido Educador do Ano em novembro.

Fonte: O Globo, via Razões para Acreditar

De repente não era amor

De repente não era amor
“Querido filho, se não fizer o que eu quero, eu não te amo mais. Amado, se você não me levar para jantar fora hoje, eu não te amo mais. Prezado amigo, se você não me curtir nas redes sociais, eu não te amo mais. Irmã, se você não aparecer aqui em casa hoje, eu não te amo mais. Namorado, se você não atender ao telefone, eu não te amo mais. Amante, se você não se deitar comigo, eu não te amo mais. Colega, se você não concordar com o que eu digo, eu não te amo mais”…

São tantas as desculpas para o não amor. E quem desprevenido acredita nelas pode ser levado a crer que o amor é algum sentimento tirano e mesquinho que exige servidão e préstimo. Algum sentimento egoísta e incerto que se desfaz em um piscar de olhos.

No dicionário define-se amor como uma forte afeição e nada se diz a respeito de existir alguma razão para amar. E ela realmente não existe.

O amor é longo. Um traço forte e contínuo a perder de vista. O amor nunca é razão. A razão no amor é o levantar do lápis, é o romper da linha contínua, é a ruptura efêmera que desalinha nossa escrita.

O amor não busca porquês, o amor não vive fundamentado em reflexos instintivos. O amor não é ponto. O amor é uma larga sentença repleta de intimidade.

O amor não cobra. Ele se alimenta da beleza que é e não sobrevive de expectativas. O amor não é interesseiro. O amor nunca aguarda retribuição. O amor não se empresta, ele se dá por inteiro.

Enumerar o amor em uma lista de razões pelas quais se ama é fazer o amor sangrar.

O amor não é lapso, ele ignora que existe hoje no mundo uma dinâmica que por vezes subverte a ideia de amar.

O amor não se finca em palavras ensaiadas. Ele é modesto e mora em olhares profundos e atitudes verdadeiras. O amor sobrevive de ações sinceras e não se exalta. O amor não grita e não exige méritos.

A obrigação no amor é o não amor puro.

O amor é para sempre e não até o dia em que, largo como é, não cabe em alguma aspiração.

O amor nunca deve. O amor tem em si o nosso melhor. O amor é bondoso. O amor é complacente. O amor nunca busca parecer, ele simplesmente é.

Vislumbrar a amplitude do amor em um meio onde existe um escambo supérfluo de ações, não é fácil.

Contudo quando alguém disser do amor e fizer exigências para nos amar, não devemos hesitar em dar um passo atrás. É desse jeito que nos afastamos do engano e de suas breves verdades.

E quando nos restar um fio de dúvida, façamos calar o mundo para ouvir o coração. Ele sabe reconhecer o amor que nos toca a alma na compreensão bonita de que amanhã podemos sempre um pouco mais.

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10 sinais preocupantes de que você não está sabendo educar seu filho

10 sinais preocupantes de que você não está sabendo educar seu filho

Por Karin Cristina Guedes de Oliveira

A culpa está atrelada a maternidade e paternidade. Ela é descabida quando fundamentada em sentimentos irreais, porém pode ser bastante sinalizadora quando você não está se desenvolvendo bem em suas atividades parentais. Sua culpa pode não ter te levado a esses caminhos, mas reflita sobre os obstáculos que podemos encontrar na longa jornada de criar filhos.

1. Você não castiga quando seu filho faz algo errado

Seja sempre instável e nunca cumpra com sua palavra, o resultado será surpreendente. Dar tarefas é o mesmo que oferecer a oportunidade da criança conquistar mais responsabilidades, caso ela não cumpra seu dever sofrerá uma consequência. O castigo por não realizar uma tarefa ensinará a regra básica da vida, afinal criança ou adulto ao descumprirmos o que nos cabe colhemos algo negativo. O castigo pode ser um período sem o brinquedo preferido, um tempo sem assistir o desenho predileto, o importante é combinar com antecedência e cumprir o combinado sempre. Se você prometeu um castigo, imponha o que prometeu.

2. Não estabelece limites

Quer ser um péssimo pai ou uma péssima mãe é só deixar seu filho se criar sozinho. Sozinho ele não respeitará as regras, na verdade não haverá regras. Por mais que as crianças digam algo parecido como “eu só quero fazer o que gosto!” ou “parem de mandar em mim”. Toda criança necessita de limites, eles pedem isso o tempo todo. Quando se sentem soltas demais passam a testar os adultos até encontrar alguém que se importe com elas o suficiente para impor as regras que necessitam. Sim, elas entendem os limites como demonstração de afeto.

Impor regras, limitar, traçar uma linha a ser seguida é promover a segurança do indivíduo em formação. Essas limitações as tornará mais seguras, conhecendo e respeitando sem sofrimento as regras da família e da sociedade.

Isso não significa negar tudo o tempo todo. Por exemplo, em vez de negar um sorvete, você pode dizer que sim, mas somente após almoçar.

3. Prolonga demais os limites

Um dos principais erros de pais e mães “durões” é manter os limites da primeira infância e não reajustá-los. Enquadrar os limites em cada fase do seu filho irá proporcionar maior autonomia e confiança em sua capacidade. Não estenda os limites por muito tempo, aquilo que ele ou ela não podiam fazer aos 5 anos, aos 10 pode ser que já consigam. E ao completarem 10 anos necessitarão de novas regras. Uma boa conversa sobre criar ou anular novas diretrizes pode ser bem produtiva e colaborativa.

4. Cede constantemente

Uma cena bem familiar a todos os pais é uma criança chorar ao ouvir um não, insistir, argumentar até o adulto ceder e fazer sua vontade. As crianças possuem um grande poder de negociação e usam seu conhecimento sobre as limitações dos pais para alcançarem o que querem. Sabem que seu pai não suporta uma manha ou que sua mãe morre de vergonha quando se joga no chão ao andarem pelo shopping. Sabe que ao se jogar ela vai ceder e comprar o carrinho. Mostre para sua prole que “não” é a resposta mais curta e “de jeito nenhum” é a resposta mais longa que terão para a negociação que o pequeno quer impor. Aconteça o que acontecer mostre que você não vai ceder, logo ele entenderá que “não” é “não” e pronto. Não ceder não significa mostrar quem manda, mas sim revela ao seu filho que você é constante, responsável e que conhece o melhor para ele. Isso aumentará a confiança dele em você.

5. É um serviçal

Trabalho não é punição, é presente. Nada vem fácil na vida de ninguém. Para que alcancemos qualquer coisa precisamos pagar um preço. Faça seu filho entender isso logo cedo, caso contrário você se verá chateado por diversas vezes quando ele for adolescente e não conseguir cuidar dele próprio. Ensine-o a juntar seus brinquedos, limpar e organizar o que for possível, elabore tarefas compatíveis com sua faixa etária.

6. Intimida sua criança

A intimidação pode parecer a solução quando o grito e choro se instalam na sua casa. Logo você grita, aponta o dedo e ele fica calado como se dissesse “eu te respeito papai e você é a autoridade aqui”. Mentira! Ele ficou quieto pois percebeu que você perdeu o controle de si e da situação. Ao perceber que irá “perder as estribeiras” tome essas atitudes e recupere seu autocontrole:

– Respire fundo
– Conte até 10
– Relaxe o corpo
– Coloque as mãos no bolso ou segure as mãos do seu filho.
– Concentre-se no problema, não na criança.

Outra dica importante é sempre estar no nível do seu filho e o encarar nos olhos, seja para corrigir, elogiar ou apenas conversar, preocupe-se em abaixar-se. A altura que os separa irá intimidar e não causar a aproximação necessária para resolver o problema.

7. É amigo demais e não pai

Você é o melhor amigo do seu filho? Não queira ser. Ele precisa e deseja que você seja o pai ou a mãe. Estudos mostram que quando você for um professor, um líder, um fornecedor e um disciplinador, só então será um pai. Seu filho deve respeitar sua autoridade como pai primeiro. Então confiará em você mais do que em qualquer outro amigo. Muitos podem ser amigos dele, inclusive você, mas a figura paterna e materna ele só encontrará em vocês.

8. Compara e critica

O abuso verbal pode retardar e afetar negativamente o desenvolvimento cerebral das crianças. Provocando angústia mental, depressão e baixa auto-estima.

Comparações negativas não estimulam as crianças, nem ninguém, a agir de maneira melhor. Pelo contrário só provoca desmotivação. Procure fazer o contrário: identifique as qualidades e os pontos positivos de seus filhos e mostre que você o aprecia. Ao querer desabafar ou tratar de alguma situação negativa que eles provocaram, não confie em conversas codificadas, criancas são inteligentes e logo entederão tudo o que você está dizendo.

9. Faz demais para ele sempre

Seja comprando tudo o que ele pede ou tudo o que você deseja comprar. Seja auxiliando em todo e qualquer projeto ou tarefa que ele precisa desenvolver. Caso você faça além da conta sempre, certamente estragará o seu filho. O que ele busca na verdade, não são os celulares ou brinquedos lançados ontem, nem ajuda em tudo o que for fazer. Ele deseja mesmo é mais presença, mais tempo gasto em não fazer nada.

10. Não sabe ouvir

Seu filho pede ajuda ou simplesmente lhe conta algo e você já começa “na minha época…”. O que quer na verdade é que você o escute mais. Ouça-o, sente-se com ele, peça para lhe dizer o que deseja alcançar, pergunte como deseja chegar a tal resultado, preste atenção no seu filho, seus sentimentos e emoções, saiba mais sobre os desafios e realizações diárias, pergunte como pretende colocar a solução em ação, e peça para filtrar as ideias levantadas para que alcance o objetivo.

Fazendo assim você estará oferencendo incentivo e eventualmente fazendo perguntas para colher mais informações. Se possível, pode sim perguntar se deseja saber sua opinião, mas esteja preparada para a negação e aceite-a. Muitas vezes a função dos pais é colocar as mãos no bolso, respirar fundo, confiar e deixar o filho viver as próprias experiências. Os filhos estão preparados para caminharem sozinhos, muitos pais não estão prontos para a constante maturidade que o filho conquista a cada dia.

Fonte indicada: Família

Dica de livro: ‘A Garota no Trem’, de Paula Hawkins

Dica de livro: ‘A Garota no Trem’, de Paula Hawkins

Você não sabe quem ela é, mas ela conhece você…

O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros.

Neste dia em que escrevo sobre ‘A Garota no Trem’ (Editora Record), um ‘best-seller’ que tem merecido excelentes referências por parte dos leitores e dos críticos, este livro continua nos primeiros lugares do top do ‘The New York Times’, quase consecutivamente desde a altura em que entrou para a lista dos mais vendidos, sendo já considerado o êxito de vendas mais rápido de sempre. Vamos nos debruçar sobre a história que tem cativado milhares de leitores em todo o mundo, que desenrola-se em Inglaterra e cuja acção principal decorre no Verão de 2013 e é-nos contada através do ponto de vista de um trio de narradoras: Rachel, Megan e Anna.

É em torno da primeira que toda a narrativa gira. Rachel tem 33 anos e vive com uma amiga em Ashbury, após Tom, o seu ex-marido, se ter envolvido com outra mulher, Anna. Não aceitando ter sido rejeitada pelo homem com quem esteve casada seis anos, esta mulher para quem «a vida não é um ponto parágrafo» insurge-se consigo própria e entra num ciclo vicioso autodestrutivo, de onde fazem parte o álcool, a culpabilidade e a obsessão. Rachel muitas vezes não compreende a consequência dos seus actos quando bebe, pois sofre de amnésia alcoólica. Sem visualizar um único sentido para dar à sua existência, quando contioutra.com - Dica de livro: ‘A Garota no Trem’, de Paula Hawkinsdesloca-se de comboio para o trabalho, ela foca diariamente o seu pensamento num casal aparentemente feliz, que vive perto da sua antiga casa, em Blenheim Road, Whitney, onde Tom continua a viver com a nova mulher e filha. A alegria alheia, principalmente a desse casal idílico, corrói o mais profundo das suas lembranças e feridas que continuam por sarar. Todo o rumo desta história altera-se e ganha maior ritmo quando Rachel numa das suas viagens de comboio repara que na varanda da moradia do casal a mulher está a ter um ‘affair’ com outro homem. Mais adrenalina vem se juntar à narrativa quando essa mesma mulher é anunciada como desaparecida, no dia seguinte.

Até onde a mente perturbada de uma mulher abandonada e traída pode chegar? Será que conhecemos totalmente a pessoa com quem partilhamos a vida? Como reconhecer os traços de personalidade de um mentiroso compulsivo? Que segredos escondem a última pessoa que nos dirigiu a palavra ou o olhar? Eis algumas questões que ‘A Garota no Trem’ (em Portugal tem o título ‘A Rapariga no Comboio’ (Editora Topseller)) pode despoletar no leitor, quando todas as páginas terem sido lidas e finalmente reveladas todas as ocultações de factos e acções que, através das vozes narradoras deste romance psicológico, Paula Hawkins nos fez acreditar, para também nos pôr à prova, revelando assim o seu jogo de mestria na arte de compor uma história inteligentemente bem delineada, com enredos com voltas e reviravoltas.

‘The Girl on the Train’ (título original) é, inquestionavelmente, um excelente livro de estreia, que nos envolve desde o início e faz com que desconfiemos da índole de todos os personagens criados pela autora. A obra já vendeu mais de dois milhões de exemplares nos Estados Unidos e tem sido comparado pelos críticos ao livro-sensação do ano passado, ‘Garota Exemplar’, e também será adaptada cinematograficamente em breve por Tate Taylor (o mesmo realizador do filme ‘As Serviçais’/’The Help’).

A indicação de leitura é do nosso blog parceiro Silêncios Que Falam

Encontre o livro nos links abaixo:

Edição em Português do Brasil: Saraiva/ Edição em Português de Portugal: Wook

Separados pelo Smartphone

Separados pelo Smartphone

O casal da mesa ao lado estava conversando. Não entre si, mas com outras pessoas, através de seus celulares. Os dois saíram juntos de casa para jantar fora, mas no meio do caminho, foram parar em qualquer outro lugar, menos ali, menos juntos. Acho que foi uma das cenas mais tristes que já vi na vida. Não pela modernidade, adoro a internet e suas possibilidades, mas pela distância abissal entre os dois.

Em outra mesa havia um casal, dois rapazes, rindo juntos de algo em seus celulares. Mais adiante, outra duplinha grudada fazendo selfies. A cena do primeiro casal nada mais é do que uma roupagem moderna para o abandono cotidiano afetivo. Gente que por algum motivo abandona a relação, mas não comunica as autoridades, não admite pra si. Seguem arrastando-se por quilômetros, aturando-se, desviando-se pela casa, sorrindo em coordenação quando na frente dos outros. São como rodinhas da bicicleta emocional do outro.

É errado dizer que não se falam. Falam, é claro, mas não se conversam. Não se juram mais saudade, não se confessam mais os sonhos, não se riem juntos de suas inseguranças, talvez nunca tenham o feito. Não relembram suas memórias, não esclarecem os ruídos, não buscam mais calor em algum pedaço de pele, ambos perdidos. Não se tocam em silêncio, não se beijam demorado, não imaginam estrelas nas pintinhas pelo corpo, não aprenderam a linguagem secreta da iris do olhar do outro.

Seguem juntos, orbitando, como um planeta frio e sua lua, mantendo a distância segura para não se perderem, ou engolirem-se tampouco. Não foi culpa de ninguém, o passado é miúdo. A gente vai mesmo se perdendo, pouco a pouco, de não dizer em não dizer, de adiamento em adiamento. Não há culpa, mas mérito em quem consegue se manter interessante e interessado pelo alcance do outro. A internet nunca foi a  vilã da história, bem sabemos que o amor adora uma conexão.

As dez denúncias do psicanalista Adam Phillips

As dez denúncias do psicanalista Adam Phillips

“Um dos mais influentes psicanalistas da Inglaterra, autor de dez livros e editor da nova tradução da obra de Sigmund Freud (1856-1939), Adam Phillips, mais parece um profeta do que um homem da ciência. Pelo menos essa é a ideia que se tem depois de ler a entrevista que ele concedeu à revista Veja em 12 de março de 2003, “Páginas amarelas”), mas que sete anos depois me parece atualizadíssima as questões erguidas por ele, da qual se extraíram as dez denúncias abaixo numeradas:

1. Hoje as pessoas têm mais medo de morrer do que no passado. Há uma preocupação desmedida com o envelhecimento, com acidentes e doenças. É como se o mundo pudesse existir sem essas coisas.

2. A ideia de uma vida boa foi substituída pela de uma vida a ser invejada.

3. Hoje todo mundo fala de sexo, mas ninguém diz nada interessante. É uma conversa estereotipada atrás da outra. Vemos exageros até com crianças, que aprendem danças sensuais e são expostas ao assunto muito cedo. Estamos cada vez mais infelizes e desesperados, com o estilo de vida que levamos.

4. Nos consultórios, qualquer tristeza é chamada de depressão.

5. As crianças entram na corrida pelo sucesso muito cedo e ficam sem tempo para sonhar.

6. No século 14, se as pessoas fossem perguntadas sobre o que queriam da vida, diriam que buscavam a salvação divina. Hoje a resposta é: “ser rico e famoso”. Existe uma espécie de culto que faz com que as pessoas não consigam enxergar o que realmente querem da vida.

7. Os pais criam limites que a cultura não sanciona. Por exemplo: alguns pais tentam controlar a dieta dos filhos, dizendo que é mais saudável comer verduras do que salgadinhos, enquanto as propagandas dão a mensagem diametralmente oposta. O mesmo pode ser dito em relação ao comportamento sexual dos adolescentes. Muitos pais procuram argumentar que é necessário ter um comportamento responsável enquanto a mídia diz que não há limites.

8. [Precisamos] instruir as crianças a interpretar a cultura em que vivemos, ensiná-las a ser críticas, mostrar que as propagandas não são ordens e devem ser analisadas.

9. Uma coisa precisa ficar clara de uma vez por todas: embora reclamem, as crianças dependem do controle dos adultos. Quando não têm esse controle, sentem-se completamente poderosas, mas ao mesmo tempo perdidas. Hoje há muitos pais com medo dos próprios filhos.

10. Ninguém deveria escolher a profissão de psicanalista para enriquecer. Os preços das sessões deveriam ser baixos e o serviço, acessível. Deve-se desconfiar de analistas caros. A psicanálise não pode ser medida pelo padrão consumista, do tipo “se um produto é caro, então é bom”. Todos precisam de um espaço para falar e refletir sobre sua vida.”

Fonte indicada: Cá entre nós

Adolescência: 5 coisas que os pais têm de saber

Adolescência: 5 coisas que os pais têm de saber

Por Ana Cristina Marques

O seu filho vai mudar quase da noite para o dia. Vai ser mais difícil comunicar com ele ou de o entender. A adolescência pode significar tempos difíceis, com a casa a tornar-se num campo de batalha do “diz que disse”, mas não há motivos para desesperar. A pensar nisso, o espanhol ABC entrevistou os autores do livro Un extraño en casa (“Um Estranho em Casa”), Rocío Ramos-Paúl e Luis Torres, para saber qual a melhor forma de conviver com as crianças nesta etapa de transformação. Aqui ficam as ideias principais:

1. O filho muda de repente e não há como evitá-lo, apenas aceitá-lo

“Os pais pensam que o filho vai ser sempre assim. Mas não: a adolescência revoluciona tudo. O menino obediente agora é rebelde, não quer falar e fecha-se no seu quarto”. Apesar de não existirem dois adolescentes iguais, dizem os entrevistados, há uma ideia que serve de consolo: esta etapa é como uma gripe, pelo que quando a criança chegar aos 20 anos, pais e filho voltam a dar-se bem.

2. É provável (e normal) que o adolescente prefira a opinião dos amigos à dos pais

A primeira coisa que eles, adolescentes, valorizam é a opinião dos amigos. Já a dos pais é facilmente rejeitada, sobretudo tendo em conta a idade e modo de vida dos filhos. Mas a rejeição não significa que a mensagem não seja interiorizada: “Os filhos nunca se esquecem do que lhes dizemos, a mensagem permanece ali, silenciosa, mas é o que mais força ganha à medida que o tempo passa”. Faz tudo parte desta transição: para se definirem enquanto adultos, os adolescentes começam por rejeitar o que já conhecem e aproximam-se do seu grupo.

3. Por estes dias, a adolescência chega cada vez mais cedo

E por que é que isto está acontecendo? Porque os adolescentes têm acesso a mais coisas muito cedo na vida, respondem os autores. A culpa é, sobretudo, das novas tecnologias que facilitam muitas (e novas) experiências. “Eles são mais espertos, estão mais motivados e um dos riscos é que a tentação de consumir álcool e/ou drogas chega mais cedo.”

4. Só há quatro coisas a proibir aos filhos

Desde que os filhos acordam, ouvem coisas como “arrume o quarto”, “coloque a mesa”, “arrume a roupa suja”, “não desligou o computador”… A ideia é que não se pode controlar permanentemente os filhos, até porque esta é uma linguagem negativa. “Se lhe digo «Está proibido de sair com esse amigo», ele vai ficar com mais vontade de ir. É preciso trabalhar com eles a [ideia de] negociação.” E como isso funciona? Damos um exemplo: não o deixe sair à noite, como combinado, caso ele não faça os trabalhos de casa na totalidade. “Devemos incutir comportamentos de responsabilidade.”

5. E como falar sobre sexo? Assim:

“Se não o tiverem feito antes, os pais devem ter uma grande conversa com o filho. É muito importante normalizar o tema. Entre os 15 e os 16 anos iniciam-se as relações sexuais. (…) O que é fundamental é associar as relações sexuais a valores como o carinho, porque só quando são mais adultos é que conseguem entender [esse conceito]. Também se deve explicar que não devem fazer nada que não queiram e que, quando o fizerem, deve existir uma relação de afetividade. É importante que associem o sexo a este valor”.

Fonte indicada: Observador 

Emitir opiniões e decisões não deveria jamais ser uma atitude leviana.

Emitir opiniões e decisões não deveria jamais ser uma atitude leviana.

Precisamos cobrar e pagar, dependendo da posição em quem estamos no momento da negociação. E negociação se aplica a quase tudo. Ou tudo…

Temos o direito de dizer sim ou não em qualquer situação, mas temos noção da responsabilidade que essas palavras carregam nos contextos de cada vida?

Dizer sim… parece em primeira análise a melhor parte de uma conversa, a mais fácil e fluida. Todos gostam do sim. Mas… dizer sim também pode significar desistência, indiferença, desprezo, desamor…

Dizer não, a oposição… só contrariedade à primeira vista. Mas, ao contrário disto, pode significar responsabilidade, preocupação, educação, respeito…

Há um preço para cada opinião, decisão e argumento que emitimos. Somos responsáveis pelo que acreditamos como bom para a nossa vida e para quem servimos de exemplo. Ou, ao menos deveríamos ser. Emitir opiniões e decisões não deveria jamais ser uma atitude leviana.

Porém, se quisermos ter um espaço individual – e digo isso porque há pessoas que preferem abrir mão deste espaço, numa boa, sem ressentimentos – tenhamos ciência de que para tudo o que expressarmos, haverá um preço… mas nem sempre terá valor. Quando contrariamos a maioria, tendemos a ser abafados, ignorados. E, muitas vezes preferimos ir com a maré, só para garantir um espaço na massa. Mas aí, nesse momento, nossa fala fica sem valor. Pagamos um preço alto e ainda ficamos sem valer grande coisa.

Valor só se contabiliza quando algo que dizemos ou fazemos, retorna de forma positiva, gera frutos, multiplica e também afeta positivamente quem está ao nosso redor. E nessa seara precisamos ser ousados, contrariar muitas vezes a opinião coletiva, a moda, as tendências, as probabilidades, aquele amigo que fala mais alto e não se envergonha de te chamar de ignorante e ainda dar risada.

Portanto, além de pagar o preço, há que se ter coragem. De qualquer formar, se posicionar é sempre uma arte delicada e perigosa. Não ocupar um lugar alheio, entonar resposta de acordo com cada questionamento, defender opinião sem se defender diretamente, dizer sim ou dizer não, qualquer que seja a resposta, que seja cheia opinião pessoal e totalmente vazia de modismos e intenções ocultas.

Sim ou não?

Pais devem aprender a não expor as crianças às brigas de casal, alerta psicóloga

Pais devem aprender a não expor as crianças às brigas de casal, alerta psicóloga

Por Gladys Magalhães

Brigar, discutir, se desentender… Tudo isso faz parte da rotina de um casal, especialmente daqueles que estão juntos há algum tempo. Contudo, quando se tem filhos, essas situações podem ter consequências que vão além das duas pessoas diretamente envolvidas. Por isso, “os pais devem aprender a não expor as crianças às brigas”, alerta a psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Rita Calegari.

Segundo Rita, geralmente, depois das brigas, o casal faz as pazes e fica “cheio de amor entre si”. Já a criança fica fragilizada e assustada por dias. Além disso, se as discussões ocorrerem com frequência, os pequenos podem desenvolver distúrbios de comportamento e doenças. “Sem a base que deveria sustentá-las, ajudando-as a formar sua personalidade e protegendo-as, a lista de problemas de comportamento e doenças que podem aparecer é enorme: insegurança, ansiedade, terror noturno, bruxismo, alergias de pele, problemas de concentração na escola, irritabilidade, agressividade, tristeza, depressão, obesidade, anorexia, dificuldades de socialização, insônia, enurese [quando a criança faz xixi involuntariamente] e encoprese [quando a criança faz cocô involuntariamente], são apenas algumas”, explica.

Nem toda “briga” é ruim

Qualquer briga ou discussão em que os adultos fiquem exaltados, agressivos, nervosos ou chorosos pode ser nociva para a criança, em razão do descontrole emocional dos pais, presenciado por ela.

Entretanto, segundo a professora titular do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, nem toda briga ou discussão é ruim. Os adultos devem ficar atentos quando há violência física ou psicológica. “Apenas discordar, sem o uso de violência, faz parte da vida. A criança pode ficar preocupada, mas os pais devem explicar que se respeitam e estão apenas chateados. O que não pode é ter conflito violento, físico ou psicológico na frente dos filhos”, diz.

Rita acrescenta ainda que deve se ter cuidado redobrado com “as brigas em silêncio”, aquelas em que quase não se fala nada, mas há afastamento e hostilidade entre os pais. “Não se enganem: a criança sente esse clima e essa situação prolongada ou mal resolvida”. afirma.

Cada idade, uma percepção

Todos nós nascemos com a capacidade de atentar para o que nos faz mal. No entanto, as reações mudam conforme a idade e a maturidade. Crianças pequenas, de até seis anos, costumam se sentir inseguras e com medo diante de conflitos violentos. Porém, nesta fase elas estão menos atentas aos pais e mais ligadas em si. Logo, em uma situação mais branda, se os pais disfarçarem e atenderem suas necessidades, ela levará um tempo para sentir que há algo errado. A percepção vai aumentando com o tempo. Uma criança de 5 anos captará melhor a situação, em comparação a uma de 2, por exemplo.

Com o passar dos anos, ela perceberá olhos inchados de choro, expressões de tristeza ou raiva e poderá achar que são para ela, o que fará com que ela se sinta culpada, visto que é comum nesta idade, os filhos acharem que o humor dos pais é consequência do comportamento deles. “A criança é especialmente egocêntrica até uns sete anos e acredita que o humor dos pais é uma reação aos seus comportamentos bons ou ruins”, relata a psicóloga do Hospital São Camilo.

Por volta dos sete anos, mais amadurecida, a criança poderá entender melhor que os problemas dos pais não têm ligação direta com ela, mas ainda sentirá muito medo, pois o rompimento da família a atinge diretamente. É a fase na qual os pequenos passam de egocêntricos para egoístas. “A criança dessa idade é muito competitiva, não gosta de perder e não quer ver os pais brigando, pois podem se separar e quem perderá é ela. Já sabe que precisa ser cuidada por alguém, por sua estrutura familiar e egoisticamente buscará se preservar. Se os pais não estão felizes entre si, tudo bem. Mas, ela não poderá ficar infeliz”, afirma Rita.

Por fim, explica a psicóloga, as crianças mais velhas, acima dos sete anos, já têm a empatia mais desenvolvida. Assim, elas sofrem ao presenciar brigas severas, pois tentarão “ajudar” os pais a resolverem seus conflitos. “Ao ficar do lado de um dos pais, a criança pode se sentir traindo o outro e, para piorar, alguns pais fazem os filhos passar por essa escolha. Quem ela  apoiará: o pai ou a mãe?”

Rolou uma briga. E agora?

Ainda que se tome todo cuidado, conflitos mais duros na frente dos filhos podem acontecer. Nestes casos, dizem as especialistas, os pais devem conversar com a criança e explicar que ela não tem culpa do que ocorreu e, em uma linguagem simplificada, dizer o que houve e como ficarão as coisas no futuro.

Se, por ventura, o relacionamento chegar ao fim, é essencial respeitar o ex-parceiro (a) e procurar não falar mal dele para os filhos. Os adultos também não podem nunca envolver a criança nos conflitos após a separação. “Isto é uma violência emocional”, finaliza Lúcia.

Fonte indicada: Crescer

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