Posso não saber para onde irei, mas sei bem para onde nunca mais voltarei

Posso não saber para onde irei, mas sei bem para onde nunca mais voltarei

O futuro pode ser planejado, desejado, repleto de metas a serem alcançadas e, ainda assim, sempre será incerto, improvável, impossível de ser previsto com exatidão. No entanto, desejar e lutar por um amanhã melhor e mais feliz nos faz bem, alimentando nossas forças em sempre querer continuar, inesgotavelmente, haja o que houver. Nessa jornada, devemos estar seguros quanto ao que idealizamos, bem como quanto ao ontem e aos lugares a que não poderemos mais voltar, para nossa própria sobrevivência. Há lugares para onde nunca mais devemos voltar. Jamais.

Não volte aos mesmos erros, aos conhecidos descaminhos, mas reaprenda com cada tombo, superando as próprias falhas e lidando saudavelmente com as limitações que todos temos. O ontem deve permanecer lá atrás, ancorando nosso aprendizado contínuo, de forma a redirecionarmos nossas energias em direção a acertos que nos tornarão cada vez mais humanos e mais felizes.

Não volte ao lar que já se desfez, ao colo que não acolhe, ao vazio solitário de uma companhia dolorida. Devemos ter a coragem de colocar um ponto final em tudo aquilo que nos enfraqueceu e nos diminui, tolhendo-nos a tranquilidade de um respirar livre. O nosso caminho deve ser transparente e leve, sem pesos inúteis que atravancam o nosso ir em frente.

Não volte às promessas quebradas, ao relacionamento fracassado, que em nada acrescentou na sua vida, ao incessante dar as mãos ao vazio, ao compartilhamento unilateral, ao doar-se sem volta. Todos merecemos nos lançar ao encontro de alguém verdadeiro e que seja repleto de recíprocidade enquanto se dividem os sonhos de vida. Todos temos a chance de encontrar uma pessoa que não retorne menos do que doamos, que não nos faça sentir a frieza da solidão acompanhada.

Não volte aos amigos hipócritas, às pessoas que se baseiam em interesses escusos para permanecerem ao seu lado. Amizade deve ser soma, gargalhada, brilho nos olhos e ritmo no coração. Caso não nos faça a mínima falta, caso não nos procure sem razão, nenhum relacionamento pode ser tido como verdadeiro. É preciso poder contar com alguém que permaneça ao nosso lado, mesmo após conhecer nossas escuridões, pois é essa sinceridade que sustentará nossos ânimos nas noites frias de nossa alma.

Não volte ao emprego desumano, que achata os sentidos, não reconhece seu valor, apenas criticando e pedindo sempre mais e mais, sem lhe dar nada em troca. Procure uma ocupação onde os minutos não pareçam uma eternidade, onde obtenha reconhecimento, onde possa atuar como personagem principal da própria vida. Não abra mão daquilo que você é, daquilo em que acredita, ou ninguém reconhecerá a grandeza que possui dentro de si.

Sim, não há como prever o futuro, tampouco controlá-lo. Cabe-nos cuidar do nosso aqui e agora com todo o cuidado que o hoje merece, para que diariamente preparemos, aos poucos, um caminho menos árduo, um amanhã que dê continuidade aos nossos esforços em sermos felizes. Agirmos refletidamente, enfim, nos poupará de atravessar caminhos tortuosos e solitários, sob lamentações e arrependimentos. Porque, tendo plantado paixão verdadeira, tendo cultivado relacionamentos sinceros, colheremos, certamente, sorrisos e abraços de gente de verdade, gente com a intenção de ser feliz bem juntinho, sempre.

Carta de despedida para quando eu ficar

Carta de despedida para quando eu ficar

Quando eu ficar, despeça-se dos óculos de lentes coloridas. Não aqueles transparentes, para colorir e acalmar a vista num dia de sol. Você já teve, quando criança, um daqueles óculos feitos de cartolina ou papelão colorido, com uma imagem predefinida estampada em lugar das lentes? É desse tipo de óculos que estou falando… despeça-se deles, os deixe na infância, ou, ainda, use-os só de vez em quando, de brincadeira, para divertir-se com aquilo que sabe que não é real. Fora isso, tire-os, guarde-os para os momentos lúdicos, deixe-se ver-me viva, em movimento, em constante transformação.

E nas vezes em que eu engatilhar umas balas de desafeto apontando em sua direção, despeça-se dos escudos, cale minha ira com flores, é fácil, é certo, eu irei ceder, sempre preferi flores a armas. E essa ofensiva não passa às vezes de uma irreflexão mecânica, dessas que se ativam de tão acostumados estamos a ter que nos defender no percurso da vida. Sobrevivência, sim, mas, de quando em quando, somente uma digressão. Despeço-me das pontarias, das balas, dos gatilhos.

Sei que muitos admiram a qualidade de ter facilidade em partir, em abandonar, em desapegar-se, em estar sempre deixando para trás. Eles não sabem que para quem sempre parte, o fácil mesmo é se deixar ir e não ficar. Despeça-se dos enganos. Não chame de liberdade a fragilidade dos meus laços, que se tornaram escorregadios tomados pelo lodo dos contratempos. Despeça-se das falsas admirações, critique-me se necessário, mas por isso e não pelo contrário.

Quando eu hesitar em seguir em frente, para esse duvidoso progresso que só se sustenta na lei do rompimento com os conflitos, transforme em dança esse meu movimento de “vai não vai”, dê ritmo, deixe os atritos para os pés que se intercalam no chão, eu irei me abalar, eu irei me embalar, não sou feita de aço. Despeça-se da indecisão, deixe as palavras confusas transformarem-se em música, quando na dança se tornarem conscientes de sua insuficiência em comunicar algo que por si só faça sentido.

E se dissolvidos pelos percalços nos perdermos em palavras agressivas, desprovidas de razão ou emoções definidas, quando a desconfiança nos convencer em ceder a bárbaros ataques gratuitos, desfaça-se dos encontrões violentos, deixe que os corpos se encontrem em abraços, despeça-se das minhas palavras estúpidas, eu me despirei delas e também esquecerei das suas.

Quando eu ficar, mas me desviar com os olhos, simulando a ausência na minha presença integral tão imaturamente, pegue meu rosto com suas mãos, suavemente, minhas articulações não são tão rígidas quanto faço parecer. Coloque-me em direção ao seu rosto, insista para que eu te veja, para que olhe nos seus olhos, deixe que os nossos silêncios se resolvam.

Mas, se mesmo depois de tudo, partir for o que resta, pelos desígnios da vontade ou pela falta dessa, seja minha, seja a sua decisão – que no fim não há decisão dessas que se faça só, mas que só se faz pela impossibilidade do encontro dos desejos, que se faz pelo desencontro dos tempos – despeça-se. Despeça-se dos ares de indiferença e da rigidez dos movimentos, da distância forçada, do receio de um envolvimento que seja vão.

Já te contaram que a vida é feita de momentos? Talvez tenha descoberto por si mesmo, talvez essa desilusão sobre a eternidade tenha te atropelado com o carro desgovernado da realidade frágil da vida, que vai sem nem sempre dar a chance de uma despedida.

Não se engane dizendo que não existe algo do que se despedir, só porque uma vez te disseram, ou tantas vezes disseram que acabaram por lhe convencer, que algumas coisas são e outras não são. Pergunte a si mesmo, e provavelmente descobrirá que, embora não seja como deveria ser, ainda assim é.

Então, despeça-se, mesmo que seja para não saudar futuramente o remorso. Dê cores negras ao luto mesmo que ele agora não seja o seu. Despeça-se e tenha certeza, que é desses encontros e desencontros que é feita a vida, e por mais que tentem nos convencer que somos feitos para o orgulho, somos feitos para viver, para ir, para vir, para voltar, para amar sem fórmulas ou padrões.

Tenha certeza que ora somos pássaros, mas outras somos apenas uma pena à deriva na ventania.

Tenho saudades da carícia dos teus braços- Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços- Florbela Espanca

Tenho saudades da carícia dos teus braços, dos teus braços fortes, dos teus braços carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos (…) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de oiro. Minha linda seda loira, como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos! Tu tens-me feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha vida, tu dize-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no meio de toda a gente é mais isolada ainda. Podes dizer-lhe que eu tenho o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha pensado fazer. Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.

Florbela Espanca, in “Correspondência (1920)”

 

7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

1. Quando você tem uma crise é como se você fosse morrer.

A síndrome do pânico é um “transtorno de ansiedade que se dá por meio de crises severas sem motivo aparente e duram, em média, entre 20 e 40 minutos”, explica ao BuzzFeed Brasil a psicoterapeuta Marina Boccalandro, professora da PUC-SP e autora do livro “Transtorno de Ansiedade e Síndrome do Pânico – Uma Visão Multidisciplinar”.

A comunidade médica brasileira entende o transtorno, como deve ser chamado apesar de ser popularmente conhecido como síndrome. Mariana explica que ele “afeta os três corpos: o físico, o mental e o emocional”, e conta com uma quantidade significativa de sintomas.

Fisicamente, pode ocorrer taquicardia, respiração acelerada ou falta de ar, sudorese, problemas de visão embaralhada, dores de barriga, tremores, mãos e pés frios e boca seca. “Esses são os sintomas mais comuns, mas podem existir muitos outros”, diz Marina.

O professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aurélio Melo, afirma que é comum “muitos pacientes relatarem que sentem que vão morrer” durante a crise, o que acaba afetando o emocional. “Muitos inclusive acabam procurando um hospital por achar que estão sofrendo um ataque cardíaco”, diz.

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2. O pânico surge de forma completamente inesperada e toma conta de você.

O psiquiatra Felipe Corchs, do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirmou em entrevista ao BuzzFeed Brasil que o que caracteriza o transtorno do pânico, além dos sintomas, é rapidez com que se dão as crises.

“Elas ocorrem de forma inesperada, é um medo muito intenso que ocorre sem motivo específico e de forma muito abrupta. Não é como se você estivesse em um dia ruim e como o acumulo do estresse diário tivesse uma crise. Ela vem do nada”, diz Felipe.

Assim como Marina, o psiquiatra afirma que a crise dura em média 40 minutos, mas ressalta que “como na maioria dos casos de doenças mentais, existem muitas variações”.

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3. O transtorno é mais comum entre as mulheres e atinge cerca de 4% da população brasileira.

Segundo Marina, a Academia Paulista de Psicologia, associação do qual é membro, trabalha com a “estimativa de que 4% da população brasileira sofra de transtorno de pânico”.

Ela aponta ainda que as crises são mais comum entre “mulheres na adolescência e entre 35 e 40 anos. “Mas atualmente vemos que têm começado mais cedo, chegando até a crianças e também em idosos”, diz.

Aurélio observa porém que no geral, os homens não buscam ajuda médica. “A gente observa que a procura maior é de mulheres, porém as as mulheres de forma geral procuram ajuda para tudo mais cedo. O homem vai ao médico na urgência e tardiamente”, explica.

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4. Não existe um motivo definitivo para alguém desenvolver transtorno de pânico.

Felipe explica que existem um infinidade de possibilidades. “Isso ainda é muito estudado, alguns acreditam que pode ser genético, outros de que aconteçam a partir de traumas de infância, alguns da combinação disso”, diz, completando que os especialistas ainda não tem certeza de nada. “O que sabemos é que existe um envolvimento pesado dos sistemas cerebrais de defesa, aquele que controla o medo. Mas não sabemos o que o dispara”, diz o psiquiatra.

Segundo Marina, o transtorno pode ocorrer devido a diversos fatores. “Há mais chances de que pessoas que tenham casos na família possam desenvolver o transtorno, mas também o uso de drogas, problemas de abuso na infância, trauma no nascimento, e situações de estresse acentuado como afogamento, por exemplo”.

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5. Não necessariamente existe um gatilho para as crises e em alguns casos os pacientes desenvolvem agorafobia.

“Logo nas primeiras crises a pessoas começa a associá-la ao que estava fazendo, então ela condiciona a crise à algo”, diz Felipe. Ou seja, não são as situações que levam às crises. Marina completa. “É uma consequência da crise caso não se trate logo no começo. A pessoa tende a se isolar, deixa de trabalhar, estudar, se afasta das pessoas porque associam situações às crises”, diz.

Essa situação de isolamento pode se tornar a chamada agorafobia. “Muitos dos que sofrem do transtorno de pânico e não buscam o tratamento podem desenvolver agorafobia que é basicamente o medo de não poder fugir prontamente para o espaço em que se sente protegido, que é geralmente a sua casa”, diz o psiquiatra. Ele explica que estas pessoas até saem, mas sempre buscam uma rota de fuga. “Se vão ao cinema elas sentam próxima a porta, por exemplo”, aponta o psiquiatra.

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6. O tratamento pode envolver terapia e/ou medicamentos.

Os especialistas ouvidos pelo BuzzFeed Brasil disseram que o tratamento pode envolver medicamentos e terapia. “Em geral o tratamento é composto por antidepressivos que são bastante seguros e, às vezes no começo, ansiolíticos, que são os remédios de tarja preta, mas por tempo limitado e com cuidado por conta do risco de dependência”, diz Felipe.

Aurélio ressalta a importância da terapia pelo fato do transtorno do pânico ser apenas uma das questões que a pessoa precisa trabalhar. “Dependendo do quadro, pode ser necessário mais terapia, ou mais medicamento. Vai da necessidade do paciente”.

Com relação à terapia, ele ainda lembra que algumas vezes o tratamento é mais curto, apenas para melhorar a questão das crises. “Mas muitas vezes o pânico é apenas a ponta do iceberg”, diz Aurélio.

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7. O tratamento é mais efetivo com práticas complementares, como meditação, atividade física e alimentação saudável.

Marina diz que trabalha também com outras práticas como “ensino de respiração, meditação, visualização, imaginação semi dirigida” e ressalta que em momentos de crise o mais básico é “trabalhar a respiração: inspirar profundamente e expirar com mais força ainda”, diz.

Felipe completa que “tudo que é saudável ajuda no tratamento psiquiátrico”. “Quase todos transtornos têm ligação com o estresse e maus hábitos cotidianos podem contribuir muito para a evolução das doenças mentais em geral, como falta de atividade física, luz solar, má alimentação e falta de sono. Cuidar disso tudo faz muita diferença no tratamento”, diz.

O psiquiatra faz uma ressalva no caso das atividades físicas. “É preciso cuidado e acompanhamento. Alguns sintomas ligados à prática de esporte se assemelham aos do pânico (sudorese, taquicardia e falta de ar)”.

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A matéria foi escrita por  e publicada originalmente por  BuzzFeed.

As fotografias que ilustram o post são do fotógrafo José Maria Palmieri e os bordados da artista plástica Daniela Ktenas e fazem parte do livro Paúra que traz 12 relatos de pessoas sobre suas experiências com o transtorno e pode ser comprado aqui.

Consulte sempre um médico para avaliar questões acerca da sua saúde e bem-estar.

As incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos

As incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos

 

Vez por outra a gente se pega reparando em pessoas agindo de uma forma tão diferente da gente, que é simplesmente impossível ignorar.

Fico sempre cismada com as incríveis pessoas que parecem ter o tempo nas mãos. Esse tempo que a maioria de nós disputa com sofreguidão, faz estranhas e bizarras trocas por um tempo de folga, tratos e tratados para que ele não passe tão velozmente. A vida é corrida até no sono. O ano passa voando, as férias então, nem se fala…

E assim vamos, no ritmo do tempo, lamentando e sempre sonhando com mais tempo para tudo o que queremos, precisamos e desejamos viver. A maioria de nós.

Mas, contrariando a marcha do tempo, há pessoas que simplesmente vivem no seu próprio ritmo, nas suas passadas,  fazendo do tempo um bom companheiros. Pessoas que não casam suas ansiedades com os ponteiros de um relógio, não tratam o tempo como um adversário feroz. Tão somente vivem, e não há alarme que as tire do sério.

Ainda penso se isso é vantagem, mas tudo depende do ponto de vista. O que parece ser inquestionável é a incrível capacidade de não se contaminar com o ritmo imposto. Isso é sensacional! Pessoas que, nos dias de hoje descascam meticulosamente uma laranja, conversando animadamente, sem pressa para terminar…E terminam, e fazem todas as suas tarefas na medida do seu tempo. É certo que o atraso deve ser um grande amigo dessas pessoas, mas atraso só existe para quem é dominado pelo tempo.

Meu encantamento com essas pessoas é infinito, já que, escrava do tempo assumida, vivo na roda do tempo, hora tentando saltar, hora pedindo para parar.

Não saber o que fazer com o tempo nos torna seres ainda mais ansiosos, nos impede de contemplar muitas maravilhas da vida, de ouvir o que dizem nossos afetos, de reparar no tempo que poderíamos dedicar ao convívio.

Que bom que existem pessoas que nos convidam a essa reflexão, a essa troca de marcha, que em si já sabem que não é necessário correr tanto.

De minha parte, começo hoje o exercício de não correr contra o tempo. Estou decidida a começar uma amizade forte – e duradoura – com ele.

6 atitudes que fazem com que o amor desapareça

6 atitudes que fazem com que o amor desapareça

Por Susana Silva

Há vezes que, sem nos darmos conta, estamos trabalhando diariamente para que o amor que conquistamos deixe de existir.

Adoro me sentir apaixonada pelo meu marido depois de mais de 10 anos juntos. Porém, nem tudo foi fácil e tivemos momentos difíceis, nos quais, sem nos darmos conta, fomos minando esse amor que sentíamos um pelo outro.

As crises de um casal só te deixam mais forte e ajudam a identificar atitudes que podem danificar permanentemente o seu relacionamento se você as tiver por um longo período. Hoje, eu quero compartilhar algumas delas. Se vocês quiserem que o amor desapareça, basta praticá-las de maneira constante.

1- A balança eterna: quando pesamos cada uma das coisas que fazemos e as comparamos com o que o nosso parceiro faz. Dependendo de quem fez mais pelo outro, desistimos ou deixamos de fazê-las.

2- Se você não fizer, eu também não faço. Se você me ajudar com alguma coisa em casa, eu vou ajudar; se você colocar dinheiro em casa, eu coloco; se você me escutar, eu faço… E a lista pode ser interminável, até que se torne um círculo vicioso em que ninguém faz nada por ninguém sem esperar algo em troca.

3- Pouca atenção para o relacionamento. Se quisermos que a nossa relação seja duradoura, devemos dedicar-lhe tempo de qualidade. Quando nossa relação ocupa o último lugar, o amor do casal se danifica.

4- Reclamações constantes. Quando algo nos incomoda, devemos discutí-lo com nosso parceiro de forma respeitosa, porque queixas diárias e contínuas de cada uma de suas ações ou atitudes acabam desgastando pouco – ou muito – o amor de qualquer casal.

5- Rotina. Qualquer relação em que não acontece nada além do habitual acaba sendo chata e, diante do tédio, alguém pode encontrar outros interesses.

6- Ciúmes que matam. Uma coisa é sentir um pouco de ciúmes de nosso parceiro e outra é não ficar tranquila achando que ele pode estar com alguém o tempo todo. Devemos ser suficientemente seguras com nós mesmas e, também, encontrar um parceiro em que podemos confiar. Caso contrário, não faz sentido estar junto.

A lista continua, mas eu acredito que a repetição de qualquer uma dessas atitudes, sozinhas ou combinadas, pode trazer muito dano a qualquer relacionamento.

Vamos primeiro observar se estamos bem com nós mesmas, já que ninguém pode dar o que não tem. Você vai ver que isso resolve grande parte de nossos problemas e nos deixa livres para entregar nosso amor de maneira inteligente.

O amor de um casal pode durar anos se nos comprometermos e refletirmos sobre ele. Na sua experiência, que outras atitudes podem fazer com que o amor de um casal desapareça?

 

Fonte: DisneyBabble, Encontrado em Cá entre nós

Médico ensina técnica para acalmar o bebê em segundos

Médico ensina técnica para acalmar o bebê em segundos

Por Luiza Monteiro

Uma das maiores angústias de uma mãe – principalmente se ela é de primeira viagem – é quando o seu filho recém-nascido começa a chorar e não há nada que o acalme. Se você está passando por isso (ou vai passar em breve), não se preocupe: o pediatra americano Robert Hamilton, da Califórnia, tem uma técnica infalível para acabar instantaneamente com o chororô dos pequeninos.

Em um vídeo que já foi visto por mais de 14 milhões de pessoas, o especialista com mais de 30 anos de experiência ensina o método criado por ele e que foi batizado de The Hold (“O suporte”, na tradução em português). O truque consiste em segurar o bebê com as duas mãos, numa posição de 45 graus. A mão direita sustenta o pequeno na área da fralda e a esquerda comporta os bracinhos, que devem estar dobrados sobre o peito. Aí, é só balançar o recém-nascido com cuidado. “Geralmente, ao fazer isso, o bebê vai se acalmar”, garante Hamilton. Segundo ele, se o seu filho não relaxar, é provável que esteja se sentindo mal ou com fome.

Cuidados

“Tudo é muito suave, você não deve fazer movimentos bruscos”, orienta o médico. Outro ponto de atenção é o ângulo: se o bebê estiver numa posição vertical, a cabeça pode pesar para trás e você corre o risco de perder o controle. E lembre-se: o método só serve para os nenéns de até 3 meses. Depois disso, o peso do pequeno dificulta aplicar a técnica de maneira segura.

A seguir, confira o passo a passo do Dr. Hamilton para obter sucesso com a técnica e assista ao vídeo.

1. Dobre os braços do bebê sobre o peito.

2. Segure os bracinhos gentilmente.

3. Agarre a região da fralda com a sua mão dominante (aquela que você tem mais coordenação e segurança).

4. Num ângulo de 45 graus, balance o bebê suavemente para cima e para baixo.

Fonte indicada: M de Mulher

Enquanto houver elas e eles (não) haverá nós

Enquanto houver elas e eles (não) haverá nós

No ano em que perdi meu pai, a figura masculina mais importante da minha vida, resolvi fazer as pazes com os homens. Olhar o mundo sob a perspectiva do outro é extremamente complicado e perigoso, mas necessário. Nada do que fiz foi consciente ou pensado, tudo fez parte de um processo interno meu de entendimento do mundo, desconstrução de crenças e abertura de mente. O que eu vi a partir do olhar deles, foi um mundo de homens extremamente solitários e com dificuldades muito parecidas com as que nós mulheres encontramos.

Antes de continuar, entendam, não quero entrar em contextos históricos e culturais, não quero falar em “ísmos”, não quero falar de Cunhas e Bolsonaros, apesar de achar que são temas extremamente importantes. Quero falar sobre os homens que conhecemos, sobre nossos irmãos, maridos, namorados, ex-namorados, amigos e tantos casos de amores mal resolvidos. Sim, aquele cara que te fez sofrer, o que não te ligou no dia seguinte, que não respondeu sua mensagem, que terminou tudo com uma mensagem, que te traiu, que te magoou, e todos aqueles que sentem dificuldade de criar vínculos profundos, intimidade e conexão.

Esse ano decidi abandonar minhas armas, destruir barricadas e construir um espaço de diálogo com os homens que cruzaram meu caminho. Amigos, ex-casos e ensaios, todos de alguma maneira ou de outra, encontraram em mim disponibilidade emocional para escutar e validar suas queixas. Foi conversando que resolvi um caso mal resolvido e escutei o velho discurso “o problema sou eu”, com a diferença que dessa vez tenho plena certeza que sim, o “problema” era ele. Ele não estava usando esse discurso como desculpa, porque eu não estava cobrando uma justificativa, o tom dele era de lamento. Nosso abraço final foi um abraço de trégua, que me trouxe a constatação do que eu há muito já sabia: na nossa história não houve vilão, nem mocinha. Assim, como em muitas outras que existem por aí, não há.

E aos poucos, um a um, sem nem cobrar ou investigar, espontaneamente escutei os motivos deles. “Tenho o dedo podre, faço más escolhas”. Esse discurso que já foi meu por tantos anos e de minhas amigas e das amigas das minhas amigas, dessa vez veio de um homem. Sim, eles também se sabotam, eles também têm medo, eles também se sentem sós e nós também podemos ser as más escolhas deles. E por muitas vezes consecutivas escutei de amigos independente se gays ou héteros, em lamentos muito parecidos e no mesmo tom que eu mesma havia escutado e que se resumiram em:”o problema sou eu”.

O que vi durante esse processo de aproximação, observação e diálogo com os homens é o que já desconfiava há tempo: enquanto tentamos apontar culpados, enquanto falamos em “elas” e “eles” como duas grandes polaridades e não como um todo; como combatentes de lados opostos de uma guerra fria travada por nossos antepassados, enquanto isso acontecer, a única parte que existirá de “nós” serão de fato os nós criados durante séculos de desconexão profunda entre as forças do masculino e do feminino. Sim, é fato, somos uma humanidade inteira pautada em processos onde prevalece o poder do masculino, onde predomina a agressividade, a luta, a guerra. Mas, os homens que conheço não me parecem mais felizes por conta disso.

Então, se queremos um pouco de paz, é tempo de pensar em trégua, em união, é hora de começar a criar laços no lugar de nós, construir pontes em vez de muros, e quem sabe assim, um dia, seremos a parte de um todo complementado por tantas elas e tantos eles diferentes; onde haverá espaço para construir pontes que se estendam para muito além dos nós.

O sentido da paixão

O sentido da paixão

Naquela manhã quente, ela foi à praia como quem não quer nada. Diferente das demais jovens que conhecia, ousava isolar-se nas pedras escorregadias a buscar ostras. Seu sentimento de viver era meticuloso. Não combinava com o azul do cosmos, não se agregava a nada nem a ninguém.

Demorou uma vida, até conseguir virar-se e olhar aquele homem tão estranho quanto a cor da pele e o corpo magro, forte, jovem.

Este homem, deu-lhe a mão para que se levantasse sem esforço. Olharam-se por algum tempo incomum. Estranharam-se. Eram 11 horas. Satisfeito, ele agradeceu. Mas, ficou lá, parado, olhando cada parte de seu corpo. Foram caminhando pela areia fina em silêncio. Não se contiveram na conversa.

Ele era um habitante da ilha. Ela era um habitante do planeta terra. Somente entre pausas e pés, sentiu desejo de beijar-lhe. Sem nomes, nem identidades traçadas. Era o momento. Aquele sol que se escondia e brilhava, faziam do homem bonito, uma paixão indefinida. Não importava. Ele lhe segurou a mão, deixou-a no espaço. Perdendo o chão, foi direto para o paraíso de sua boca.Caminho curto para o paraíso.

De vez em quando, um barco. De vez, ela se levaria do barco ao outro lado do horizonte. Não havia o outro lado. Havia a ilusão do outro lado. Ela morria de rir, com vontade de escorregar do limbo para ser a mulher. Aconteceu.

O barco sumiu em uma manhã cinzenta. Tudo se tornou mais pesado sem a imagem do barco. Sem seu delírio, prendeu-se a um galho perdido e nervosamente o quebrou. Cada pedaço de árvore, solto ao vento da agonia. A lamentável dor daquela dia, lhe trouxe uma voz masculina que perguntava docemente. Que horas são? Desequilibrada na pedra, só viu os pés.

O mundo girou, mexendo os corpos enlouquecidos. Os quadris, as pernas, os pés se cruzaram numa dança esquisita. Bunda, braços, boca.

Sentidos que morrem e nascem da paixão. Sem explicação. Sem palavras. Sem medo. A paixão do momento, não parou aí. Viveram tudo. A entrega de corpo e alma. A carícia dos que se permitem amar de novo. a paixão não pede licença. Ela avança o sinal e traz flores violetas. A paixão não quer saber, nem entender, nem controlar. a paixão não é tormento. É paixão,  gloriosa em sua louca invasão de mãos que se estendem suavemente e se falam em silêncio. Paixão escondida, paixão espremida no gozo. Até a água salgada do mar, aprofundar-se nas entranhas e permitir a total ausência de juízo. Paixão demorada. Paixão bem humorada. O horizonte foi testemunha dos risos soltos e disse a areia que ela era feliz.

O momento perfeito para dar uma boa olhada para trás

O momento perfeito para dar uma boa olhada para trás

Quase como uma regra, valorizamos o quanto podemos as perdas e fracassos, atribuindo uma importância gigante e, por consequência, responsabilidade e culpa, as pesadas e enferrujadas correntes.

E vamos acumulando, enchendo a sacolinha, colocando mais um franzido na testa, aborrecidos e contrariados, correndo inutilmente atrás da tão sonhada perfeição, invencibilidade e garantia de todas as vitórias possíveis.

Uma doce ilusão que nos empurra para frente, apesar da sacolinha cada vez mais cheia e pesada.

Chega então o momento da pesagem, a balança já ficando desequilibrada, o pessimismo e as desilusões fazendo um contrapeso parrudo, e bate na porta a depressão. Ela quer muito entrar e fazer ninho quentinho no emaranhado das coisas e causas mal resolvidas, promete um doce e suave torpor, um soninho que não passa, aquela vontade de ficar somente olhando para o teto.

É hora então de buscar rapidamente a caixa com aquelas fotografias antigas, as de papel amarelado, de saudades, de lembranças guardadas e amores correspondidos. E são tantos, tão intensos, tão importantes para o que somos hoje, mas que malvadamente não contabilizamos como o fazemos com as perdas.

Se não houver fotos para ilustrar , a memória, mesmo que pelas metades ou terços ou flashes.
É momento de contabilizar os amores correspondidos, todos eles. A moça da padaria que escolhia o pão doce mais bonito, os cachorros da casa, a primeira melhor amiga, a professora que desenhava coraçãozinho no caderno, o irmão implicante, os primeiros amores…

Olhar para trás para encontrar novamente o lugar de onde veio, as risadas, os colos e abraços. E tentar conectar o hoje com todos esses momentos, não perder-se nas desilusões e decepções. Lá atrás também elas existiram.

Importa portanto, dar essa boa olhada para trás e sentir-se tão confortado quando possível, agradecer aos amores correspondidos e até aos platônicos e impossíveis, pois o exercício sempre nos leva a outro degrau. E se hoje a sacolinha de desilusões está pesando, talvez seja hora de jogar um bocado delas fora e trocar por umas leves e perfumadas lembranças. Afinal, é disso que também somos feitos!

Amor de verdade se conserta, não se joga fora

Amor de verdade se conserta, não se joga fora

Por  Ana Paula Mattar

Considerado o “Poderoso Chefão” dos sentimentos, todo mundo quer encontrar o grande amor. Mas, ao mesmo tempo, ninguém quer dividir tristezas e desilusões, sentir as incansáveis dores físicas, passar por torturas psicológias ou ficar noites sem dormir. Ninguém quer ter que aguentar o outro de mau humor, suportar as diferenças, compartilhar e ceder. As pessoas querem mesmo é viver apaixonadas, curtir aquele desejo e vontade de fazer sexo todas as noites, tomar sol em uma casa de veraneio na praia ao som dos pássaros cantando e viver o sonho da família Doriana. Por isso, os amores de hoje são tão descartáveis. A cada esquina se acha alguém para se apaixonar, mas ninguém para amar. Cadê as pessoas que estão dispostas a suportar, no dia a dia, as imperfeições e que estão afim a criar problemas e, depois, resolvê-los juntas?

Está tão clichê dizer eu te amo e fazer amor (que nem pode mais se chamar de amor), que andar de mãos dadas não reflete companheirismo e um elo, mas sim, só mais duas mãos e alguns passos, que podem seguir separados. O que mais me impressiona não é nem o fato do “felizes para sempre” estar quase que em extinção, mas a coragem que as pessoas têm de, quando não conseguirem fazer as coisas darem certo e enfrentarem dificuldades juntas, se consolarem com o simples “Não era pra ser…”. Porque afinal, a culpa toda é do destino.

Esses dias estava tentando resolver um cubo mágico e me irritei tão fácil que obviamente não cheguei nem na primeira lateral de cores. Fiquei pensando na quantidade de coisas na vida que deixamos passar por falta de força de vontade. Com o amor é assim. Não queremos unir o azul, o amarelo, o verde, o branco e o vermelho, queremos só o vermelho e pronto. Mas para tudo e todo tipo de amor, sejam entre homens e mulheres, amigos e familiares é preciso de uma união de cores, sentimentos e mais do que isso, paciência. Tudo precisa se encaixar no lugar certo. Só que nós precisamos fazer nossa parte para que isso aconteça. Tentar, quem sabe?

Muitas vezes nos contentamos em amar pela metade só porque achamos que felicidade é se manter apaixonado, sempre. Paixões são instantâneas. Isso vai e vem. São lindas, concordo, e fragmentos do amor, mas, meu caro, apesar de estourar fogos de artífico no seu estômago infelizmente não durarão por uma vida inteira. Não é só somando alegrias e momentos bonitos que se ama, é no meio da turbulência que se descobre o verdadeiro amor. Tem uma frase de Clarisse que eu adoro que diz o seguinte: “Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.” E acho que isso resume tudo. Paixão e carinho caminham juntos, mas para amar precisa-se de muito mais.

Ana Paula Mattar é Relações Públicas e psicóloga de bar nas horas vagas, não dispensa um bom vinho e uma liquidação. Romântica, é apaixonada pela vida e raramente acorda de mau humor. Tem rodinhas no pé, vê graça na desgraça e não confia em gente que não sabe sorrir.

Fonte indicada: Ana Paula Mattar

Carta para um filho no futuro

Carta para um filho no futuro

Querido Natan, 

Se o tempo não tiver ficado ainda mais maluco, você tem agora 18 anos. Acho ótimo que você esteja lendo isto agora para que não pense que meus conselhos são implicância. Eles foram escritos há dez anos, quando você ainda cabia debaixo do meu blazer, quando tudo que eu dizia ainda era importante pra você. Escrevi uma lição que aprendi para cada ano.

Um. Gostaria que você soubesse que muita gente vai mentir e trair a sua confiança, mas se arriscar ainda é a única forma de não se tornar uma pessoa amarga. É preciso insistir no amor, apesar de tanta desordem por aí.

Dois. Eu disse a vida inteira que você é muito especial. E você é. Para nós. Para o mundo, infelizmente você ainda vai ter que provar isso. O reconhecimento leva outros dez anos de trabalho duro. Quando estiver cansado, volte para se deitar um pouco no colo do pai, onde você sempre será o melhor cara que já existiu.

Três. Relacionamentos são estradas de mão dupla. Há movimento nos dois lados. Se o afeto só vai ou só vem, tem acidente na pista. Por tanto, desvie, tome outro caminho. Não insista nos egoístas. Ninguém pode mudar ouvindo somente a própria voz.

QuatroInvente desculpas para ver mais seus amigos. Converse fiado, converse sobre o tempo, comemorem o Dia da Árvore, façam de tudo para estar o máximo de tempo juntos. Boa parte dessas pessoas incríveis vai desaparecer misteriosamente, como tudo que é mágico.

Cinco. Seu bisavô me ensinou que a gente nunca deve dar como presente algo que não tem para si. A vida inteira eu achei que ele estivesse falando de livros ou camisas caras. Era de amor que ele estava falando.

Seis. Faça uma lista com 20 pessoas com quem deixou de falar, de quem se afastou por motivos bobos ou por motivos terríveis. Escreva cartas perdoando, pedindo perdão ou as duas coisas. Este foi o exercício mais difícil da minha vida. Mas você vai se surpreender com as respostas e o rumo que a sua vida vai tomar depois disso.

Sete. Pare de dizer que vai fazer aquela viagem incrível. Marque uma data e se comprometa consigo a pegar a estrada. Você pode juntar dinheiro, vender sua guitarra ou parcelar em várias vezes. Tenho amigos que estão há cinquenta anos dizendo que vão para Paris ou Machu Picchu sem saber que a TV da sala deles é quase o preço disso.

OitoSeja cínico com o seu horóscopo. Quando ele disser algo bom, acredite. Quando for algo ruim, lembre-se que é um estagiário que ganha pouco, dorme pouco e transa pouco quem o escreve. Não acredite quando ele diz que você vai ser sempre desorganizado ou infiel. Você sempre poderá se melhorar se realmente quiser.

Nove. Não perca tanto tempo tentando ter razão nas discussões. As pessoas não querem realmente evoluir a compreensão. Só estão debatendo por questões de ego. Ao invés disso, vá comprar flores para alguém especial ou estudar um idioma que só é falado por uma pequena porcentagem da população do mundo.

Dez. “Só me arrependo do que não faço” é conversa fiada de gente bêbada. Você vai se arrepender de muita coisa que fez. Nem tudo que é quebrado pode ser consertado. Mas precisamos admitir que os bêbados se divertem mais. 

Com amor, seu pai.

São Paulo, dez anos atrás.

(Trecho de Cápsula do Tempo de Diego Engenho Novo)

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contioutra.com - Carta para um filho no futuro

Desejo a todos uma segunda chance.

Desejo a todos uma segunda chance.

E lá vem o Natal. Com ele vem tanta coisa.

Vem o verde, o vermelho e o dourado enfeitando árvores e mesas. Vem a magia indescritível que só se sente quando se é criança. Vêm as confraternizações e as revelações dos amigos ocultos. Vem a loucura desenfreada no trânsito e nos shoppings. Vem o fim das dietas, vencidas pelos panetones de chocolate. Vem o latejar das feridas da saudade. Vem o engolir seco das lembranças que doem. Vem a hipocrisia dos que têm muito perto dos que não têm nada. Vêm as imortais músicas natalinas com aquele poder de nos fazer chorar. Vem o cansaço de quem trabalha no comércio. Vem a correria nos supermercados. Vem aquela sensação de que o tempo voou e já chegou mais um Natal.

Junto do Natal vem tanta coisa que talvez seja por isso que muita gente não goste dele. O Natal é um turbilhão de emoções.

Tradicionalmente conhecido como festa cristã apesar dos relatos de que pessoas já se reuniam em volta das árvores bem antes de Cristo, o Natal sempre traz a nós o convite a refletir sobre o que realmente vale a pena. Este ano, um comercial de natal de uma rede de supermercados alemã fez isso com maestria. Nele, um pai já de idade avançada prepara a ceia enquanto ouve pela secretária eletrônica um dos filhos dizer que não ira passar o natal com ele novamente. Em seguida vemos os três filhos em diferentes lugares do mundo, receberem a notícia do falecimento daquele pai e então se prepararem para ir ao enterro. Quando entram na casa do pai, todos de preto, encontram a mesa posta para a ceia de Natal e então o pai entra na sala e pergunta:

-De que outra forma eu conseguiria reunir vocês?

Ao assistir o vídeo novamente para lhes escrever, eu chorei. Chorei como em todas as outras três nas quais assisti. Lembrei-me do enterro do meu avô, cujo caixão foi carregado pelos seus sete filhos que já não se reuniam há bastante tempo. Lembrei-me também dos Natais na casa dele. Pensei em todas as famílias que não se reúnem mais. Pensei nos idosos que passarão o Natal no asilo. Pensei em todos que devem ter algum nó na garganta para engolir no Natal, assim como eu também já tive. Pensei nos meus natais de criança e acabei me lembrando de que, aos doze anos eu pedi uma máquina de escrever para o meu pai de presente de Natal. Talvez eu já gostasse de escrever.

Aquele comercial tocou aos que o assistiram, e acredito que tenha feito em cada um de vocês o mesmo efeito que fez em mim.

O que quero desejar a vocês que durante todo o ano acompanham os meus pedaços sobre a vida, as minhas reflexões sobre a existência e as relações humanas e os meus artigos escritos para levar um pouco da minha ciência até vocês é UMA SEGUNDA CHANCE.

Que o Natal de todos nós seja de amor e que ninguém se sinta só.

Que possamos mudar o curso do nosso caminho em busca de perdão, de paz, de aconchego.

Que a alegria das crianças envoltas na magia do Natal respingue sobre nós.

Que o nosso lado bom vença as nossas batalhas internas.

Que possamos esquecer de todo o mal, de toda a injustiça, de todas as tristezas que vive o nosso país, de toda a agressividade que possa ter chego até nós por quem ainda só tem ódio a oferecer.

Que a corrupção perca a batalha.

Que a água lave a lama.

Que nasça em cada um de nós uma versão melhor de nós mesmos.

Desejo a todos uma segunda chance e espero que aquele comercial de TV tenha mudado os planos de muitos para o Natal.

Desejo que a caridade tome conta do coração de todos nos. Que todas as cartinhas ao Papai Noel entregues no correio sejam respondidas. Que o amor se prolifere em progressão geométrica na noite de vinte e quatro de dezembro e que transborde pelo mundo na manhã seguinte.

Desejo que a gratidão tome o lugar da insatisfação.

E finalmente, desejo que todos os sonhos se realizem.

Obrigada Gazeta de Limeira pelo espaço.

Obrigada leitores.

A todos um Feliz Natal.

A gentileza é o sorriso do coração.

A gentileza é o sorriso do coração.

Nosso mundo anda carente. Estamos perdendo, aos poucos, a humanidade que compõe a nossa essência, por conta do contexto acelerado, frio e materialista que imprime agressividade, concorrência e violência à dinâmica do cotidiano. As aparências tomam o lugar dos escrúpulos, os abraços perdem espaço aos acenos, os diálogos somem sob mensagens virtuais desconexas. O mundo carece de amor. Precisamos ser mais gentis uns com os outros.

Ser gentil é colocar-se no lugar do outro, entendendo que cada um de nós possui uma história de vida pessoal e sente os acontecimentos à sua própria maneira. As pessoas são diferentes umas das outras e lidam com as experiências de vida de acordo com o que possuem dentro de si. Não podemos querer que sintam e reajam como nós, mas sim tentar compreender que o outro vem de lugares onde não estivemos e se tornou quem é após ter experenciado fatos que desconhecemos.

Ser gentil é demonstrar gratidão por tudo o que a vida e as pessoas nos trazem de bom, pelos aprendizados diários que temos a oportunidade de obter. Tudo o que nos acontece e nos fazem, seja positivo ou negativo, servirá para que possamos refletir sobre nossas atitudes e comportamentos, no sentido de que nos tornemos pessoas melhores e fortalecidas. Valorizar as vitórias e aprender com os fracassos determinará o rumo que tomaremos e a qualidade de vida que estaremos construindo em nossa jornada.

Ser gentil é torcer pelo sucesso alheio, deixar que todos brilhem, pois cada um de nós tem algo a oferecer ao mundo, algo que possa fazer a diferença na vida de todos. Ninguém irá tomar o que é nosso, ninguém rouba do outro aquilo que já lhe estiver reservado. Nossas capacidades e talentos se destacarão por si só, a despeito de quaisquer tentativas alheias de nos ofuscarem. Aprender a sentir contentamento com as conquistas dos outros nos libertará dos descaminhos do egoísmo e da distância afetiva.
Ser gentil é saber se colocar e expor pontos de vista sem grosseria, com firmeza e educação. A consistência e coerência daquilo que pensamos não será mais ou menos aceita de acordo com a veemência de nossas palavras, mas se firmará como verdade por conta da forma como se sustenta frente às opiniões contrárias. Persuadir por meio de atitudes coercitivas equivale a impor forçosamente algo em que o outro então apenas fingirá acreditar. A maneira como expomos nossos pensamentos determinará a veracidade e a aceitação por parte de quem os ouve.

Ser gentil é fazer com que as pessoas sempre tenham a certeza de as amamos, de que nos são importantes, de que precisamos delas em nossa jornada, para que possamos respirar com mais tranquilidade e enfrentar os dissabores de mãos dadas com quem está sempre ao nosso lado, haja o que houver. A certeza de sermos amados fortalece nossas verdades, dissipa dúvidas, ergue os ânimos, afaga a alma. O amor alimenta-se também de gentilezas sinceras. Não nos esqueçamos das palavras mágicas aprendidas no jardim de infância: “obrigado”, “por favor” e “com licença”.

Ser gentil é saber viver e conviver em sociedade, aceitando as diferenças e compartilhando conhecimentos e atitudes solidárias, concorrendo à harmonia dos ambientes onde transitamos. E isso depende de que aceitemos a nós mesmos, primeiramente, em tudo o que nos define, vivenciando o que move nossos desejos e sonhos, de forma plena e sincera. Somente vivendo o que somos, o que temos dentro de nós, estaremos prontos a aceitar os viveres alheios com compreensão e empatia.

O mundo já sofre com tragédias demais para que ignoremos o bem que podemos fazer, contribuindo a que a vida se torne menos fria e descolorida. A gentileza é, por isso, imprescindível, pois contagia, espalha-se, multiplica-se, cura, tornando-nos mais felizes, mais humanos, mais gente. Sorrisos sinceros, diretos de nossos corações, sempre serão um doce remédio em meio às atribulações cotidianas, pois nascem de nossa mais pura e íntegra verdade – e é disso que o mundo precisa.

 

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