O que nos escapa- Liliane Prata

O que nos escapa- Liliane Prata

Por Liliane Prata

E então, a amiga perguntou por perguntar, apenas iniciando a conversa, e então, perguntou acendendo um cigarro, sem interrogação, e então, como vai a vida de casada.

Vai bem, ela respondeu, vai bem, quer dizer, em alguns momentos é ótima, alguns poucos momentos não são tão bons, ainda não tivemos um instante realmente terrível.

Mas como é na maior parte do tempo, a amiga perguntou, agora com um ânimo frouxo, uma quase ansiedade que fez com que repetisse com um pouco mais de energia: como é?

Na maior parte do tempo, você sabe, ela respondeu, na maior parte do tempo é rotina. Porque tudo é assim, casamento, filho, o emprego dos sonhos, tudo é acomodado em dias, e os dias são um conjunto de poucos momentos ótimos, alguns momentos bons, poucos momentos terríveis e, na maior parte do tempo, rotina.

É acordar, fazer o café, arrumar a mesa, ir ao banheiro, esquecer alguma coisa, voltar para pegar, suspirar, lembrar de alguma coisa e ir.

É comer uma fruta, pagar a fatura do cartão de crédito, telefonar para alguém, fazer planos, consultar as horas, rir de alguma bobagem, pensar em algo sério, tentar esquecer alguma coisa.

A maior parte do tempo é olhar o mundo automaticamente, olhar o mundo com a intimidade de quem já habita há algum tempo este mundo, o velho mundo de sempre, é olhar o mundo com a intimidade de quem está misturado ao concreto, passa reto pelos cruzamentos, faz parte da paisagem.

Sofrer, se divertir, trabalhar, sonhar, planejar, se desiludir, ansiar, rir, degustar alguma angústia amarga que veio sem avisar na tarde de uma terça-feira, assim é a maior parte do tempo.

A maior parte do tempo é descolada das circunstâncias, é cega e não tem tato – apenas existe, apenas varre, passa como o vento, levando tudo, como se nada fosse muito grande ou muito pequeno. A maior parte do tempo é a massa, a forma, é onde a maior parte da existência se dá, a maior parte do tempo é o lado de fora, fora dos grandes dramas e das delicadezas miúdas.

A maior parte do tempo é o que nos escapa.

Do Blog da autora.

Um milhão de formas de dizer eu te amo

Um milhão de formas de dizer eu te amo

Por  Nathalí Macedo

“Como é que se diz eu te amo?” – Não foi só Renato Russo: Todo mundo, em algum momento da vida, já se fez essa pergunta. O amor pode se converter em palavras, mas em tantas outras coisas também. E – em se tratando de amor e afins – acho que as palavras se tornam obsoletas, inúteis, insuficientes. Até porque já me disseram ‘eu te amo’ de tantas formas.

Aquecendo meu café, saindo mais cedo pra me dar uma carona, me abraçando forte. Me fazendo cafuné. Elogiando meu cabelo. Me trazendo inspiração de presente. Me dando o lugar na fila quando eu estava apressada, segurando meus livros no ônibus quando não havia lugar para sentar, tomando minhas dores numa discussão, deixando-me à vontade em minha solidão quando precisei. Já recebi amor embrulhado pra presente.  

Já me disseram eu te amo com um simples sorriso – e foi tão melhor do que aquelas três palavras. Já me trouxeram amor em forma de consolo, em forma de beijo, em forma de bronca. Incrível como o amor pode ter tantas formas e ser sensacional em todas elas.

Por isso é tão injusto culpar alguém por não conseguir converter o amor em palavras quando consegue convertê-lo em tantas outras coisas mais bonitas, mais sinceras, mais autênticas. É triste condenar aquele que não sabe traduzir o que sente em palavras quando é mais conhecedor do amor que tantos poetas habilidosos.

Em um mundo em que o amor é tão banalizado, em que dizer “eu te amo” se transformou numa simples forma de puxar assunto, ser amado em silêncio é um privilégio – porque, curiosamente, a verdade do amor se revela melhor sem palavras. Pequenas gentilezas traduzem-no melhor que qualquer verso de amor exagerado. Ceder numa briga é mais belo que qualquer buquê de rosas vermelhas – que, em poucos dias, estará murcho e jogado numa lixeira.

Nesse mundo em que expressar-se deixou de ser uma necessidade para transformar-se em obrigação, aprender a respeitar o silêncio do outro faria bem às nossas relações. E aprender a ler o silêncio do outro faria bem à nossa alma – pois o silêncio pode dizer tanto se a gente tiver sensibilidade pra ouvir.

Cabe-nos parar de condicionar o amor a um milhão de versos, de verbos, de alianças, de declarações públicas clichês, de atitudes pré-concebidas. Valorizemos quem “nos ama calado, como quem ouve uma sinfonia.”Porque o amor genuíno tem um milhão de sentidos – cada um mais intraduzível que o outro.

Fonte indicada: EOH

Saiba diferenciar Alzheimer e envelhecimento

Saiba diferenciar Alzheimer e envelhecimento

Via contioutra.com - Saiba diferenciar Alzheimer e envelhecimento

O Alzheimer é uma doença degenerativa que ataca o cérebro e provoca a perda das funções cognitivas, como memória, capacidade de orientação no tempo e/ou espaço e capacidade de planejamento. O problema se inicia com alterações na memória e avança progressivamente até a dependência total do paciente.

Os sintomas do Alzheimer, porém, vão além do simples esquecimento do dia a dia. Portadores da doença têm dificuldade para se comunicar, aprender e raciocinar. Essas mudanças impactam o trabalho e atividades sociais e familiares. Como a doença é difícil de diagnosticar, é fundamental que pessoas com mais de 60 anos procurem um médico para entender melhor os sintomas. A descoberta precoce é a chave para uma melhor qualidade de vida e controle da doença.

A Alzheimer Association, nos Estados Unidos, desenvolveu um teste para ajudar a diferenciar sinais normais da idade com o mal de Alzheimer. Confira os sintomas:

Perda de memória

Esquecer informações aprendidas recentemente é um dos primeiros sintomas da doença. Não se assuste: confundir nomes e compromissos ocasionalmente é normal. O que é preciso prestar atenção, na verdade, é se a pessoa esquece coisas com mais frequência e fica incapaz de relembrar o assunto posteriormente.

Dificuldade para realizar atividades rotineiras

Portadores de Alzheimer têm dificuldade para planejar e completar tarefas do dia a dia, como preparar uma refeição, fazer uma ligação ou jogar um jogo. Já esquecer ocasionalmente o que você ia dizer ou o que você ia fazer é normal.

Esquecimentos

Pacientes com Alzheimer podem se esquecer de onde estão e de como chegaram até determinado local. Além disso, perder-se na própria vizinhança ou esquecer o caminho de casa são comuns lapsos comuns entre os portadores da doença.

Poder de julgamento e raciocínio abaixo do normal

Vestir-se de forma inapropriada, com várias camadas de roupa em dias quentes ou pouca vestimenta em dias frios pode ser um sinal de que o cérebro não vai bem. Pacientes de Alzheimer mostram pouca capacidade de julgamento, como doar alta soma de dinheiro sem motivo específico.

Problemas com pensamento abstrato

Dificuldade acima do comum para realizar raciocínios mentais, como esquecer para que servem os números ou como devem ser usados, é outro sinal da doença. Já achar difícil decifrar ou desenvolver uma fórmula matemática é normal.

Errar o lugar as coisas

Pessoas com Alzheimer podem errar o lugar de coisas usuais. Por exemplo: colocar o ferro de passar no freezer é um sintoma comum da doença. Entretanto, é normal colocar as chaves do carro ou carteira em lugar estranho de vez em quando.

Mudanças de humor e comportamento

Rápida alternância de humor e comportamento também é um sinal da doença. Pacientes mudam de humor muito rápido e sem motivos aparentes. Eles podem ir de um estado calmo ao depressivo e raivoso em pouco tempo.

A personalidade de pessoas com Alzheimer pode mudar drasticamente. Elas se tornar confusas, desconfiadas, medrosas ou dependentes de um membro da família. Entretanto, com o passar dos anos, é normal alguma mudança na personalidade. Fique atento se a transformação for mais severa que o usual.

Perda de iniciativa nas atividades

As pessoas com Alzheimer tornam-se muito passivas. Ficam, por exemplo, horas em frente à TV, dormem mais do que o normal e, normalmente, não têm disposição para realizar tarefas usuais.

Problemas com a linguagem

Esquecer palavras simples, substituir palavras comuns e usuais, dificultar a forma de falar ou escrever pode ser um sinal da doença. Por exemplo: um portador do problema não consegue encontrar a escova de dente e, ao invés de perguntar “onde está minha escova de dente?”, perguntaria “onde está o objeto de limpar a boca?”.

Conheça o blog brasileiro onde mães podem desabafar anonimamente

Conheça o blog brasileiro onde mães podem desabafar anonimamente

Existe um tabu que todas as mães enfrentam: elas não podem demonstrar insatisfação pública com a gravidez e com a maioria das coisas que estão acontecendo durante todo o processo anterior e após o parto. É como se qualquer problema fosse um sintoma de menos amor pela criança ou pelo processo da maternidade, algo não digno.

TEMOS QUE FALAR SOBRE ISSO é uma plataforma de relatos ANÔNIMOS de mães que passaram pelas mais diversas situações: depressão pós parto, transtornos ligados à saúde mental na maternidade e no período perinatal (desde a concepção até o primeiro ano do bebê), dificuldades durante a gravidez, sofrimento psíquico intenso, problemas com amamentação, perda gestacional e neonatal, partos traumáticos, prematuridade extrema, gravidez de alto risco, processo de adoção, violência obstétrica, entre outros.

contioutra.com - Conheça o blog brasileiro onde mães podem desabafar anonimamenteDesabafos de mulheres que, desamparadas, não encontram ajuda ou apoio para falar sobre isso.

Mães com dificuldades em contar suas histórias por medo de serem consideradas incapazes de cuidar de seus próprios filhos, por vergonha, por insegurança, por se sentirem sozinhas ou qualquer razão seja, têm um espaço de acolhida e suas vozes serão ouvidas.”

O desabafo anônimo permite que algumas coisas sejam ditas pela primeira vez. Nas palavras sem assinatura, sentimentos que encontram vazão e dão os primeiros passos no caminho do simbólico e da libertação.

A identificação com outras pessoas que sofrem de problemas semelhantes permite que a sensação de inadequação diminua.

Ajudar essas mães a encontrar forças e conforto nelas mesmas e em outras mães, para seguir adiante e ultrapassar esses obstáculos tão delicados nesses períodos tão sensíveis.

Para quem quiser saber mais: TEMOS QUE FALAR SOBRE ISSO!

O dia que amanheceu depois do fim

O dia que amanheceu depois do fim

Coisas ruins acontecem, é inevitável. Muitas vezes, uma situação dificílima que aparentemente já foi resolvida, volta pra nos cobrar umas migalhinhas. O perigo não bate só nas outras portas, faz ruído em nossas soleiras também. E o que pode nos conceder alguma vantagem diante das ciladas da vida é ter coragem para reconhecer que se chegou ao limite máximo do pior que poderia acontecer. E o que pode nos dar a possibilidade de voltar a caminhar é ter honestidade para conquistar a própria confiança e perceber que o fundo do poço pode ser um lugar extremamente sedutor para quem se esqueceu que existe um mundo lá fora, esperando pelos corajosos. Pelos corajosos!

As crises existem, são reais e são cíclicas; e a única maneira de enfrentá-las é buscar entendê-las. Quando a crise atinge um grupo grande de pessoas, ainda que essas pessoas sejam diferentes entre si, há um sentimento de nivelação. É como se a desgraça tivesse o dom mágico de unir, pelo desespero, os que têm muito, os que têm pouco e os que têm nada. Isso vale para qualquer tipo de crise; seja ela moral, econômica, amorosa, existencial, social ou política. O mais incrível de tudo é que, em situação de crise coletiva, os que têm nada se encontram em posição de vantagem em relação aos que têm tudo. Que louco, não é? Mas é verdade! No caos, os menos favorecidos vislumbram uma oportunidade, enquanto os que se habituaram à fartura enxergam uma ameaça; e os que têm pouco, podem não perceber, mas é a sua chance de migrar para um ou para outro lado.

Do ponto de vista econômico, as crises cíclicas do capitalismo são reféns do método de produção. O capitalismo, em si, é um sistema econômico autodestrutivo, porque sendo desprovido de finalidade social, tem seu destino em rota de colisão com sua própria falência. Imagine que o industrial capitalista tenha capital sobrando e use a maior parte dessa sobra para modernizar sua indústria. Ele compra novos recursos tecnológicos para aumentar seu próprio poder de competição e, por isso, não precisa mais de tantos empregados. Acontece que ele não é o único a pensar assim. O que significa que a produção como um todo vai se tornando mais eficiente; assim, as indústrias, pouco a pouco, vão sendo concentradas nas mãos de uma minoria. Como consequência, cada vez menos trabalhadores são necessários, o que resulta em mais e mais desempregados. Aumentam, portanto, os problemas sociais.

O fato é que sempre que o lucro for investido nos meios de produção, sem que haja um excedente suficiente para garantir a continuidade da produção a preços competitivos, o dono da indústria terá de baixar salários a fim de poder comprar matérias-primas para a produção. Quando isso ocorre em grande escala, os trabalhadores empobrecem tanto que não podem comprar mercadorias. Com a queda do poder de compra, o colapso do sistema se torna iminente.

Ahhhh, meu assustado leitor… Nessas alturas você deve estar tendo uma estranha sensação de reconhecer essa situação, não é mesmo? Sinto não poder consolá-lo neste momento. É este exatamente, o preço que pagamos por colocar toda a nossa expectativa de realização no nosso poder de compra. Estamos absolutamente equivocados e não percebemos que há anos reproduzimos modelos econômicos e sociais alheios, sem nos darmos conta de que demos outra configuração, seja ela geográfica, histórica, política ou social. Estamos há séculos construindo uma trajetória vazia, já que nos convém a anestesia moral e intelectual. Não encontramos soluções porque não somos capazes de parar, pensar, analisar e reconhecer que podemos ser donos de nossas próprias histórias e que há soluções para os nossos problemas. Nós as encontraremos quando pararmos de idolatrar outras civilizações “de primeiro mundo”, que, caso você não tenha percebido, estão caminhando para um colapso.

Tudo bem! Pode ser que essa questão de crise no mundo ou no país seja por demais complexa para nossa cabeça. Vamos por partes, então. Reserve cinco minutos para analisar, com cautela aquela área da sua vida que anda precisando de uma auditoria. Pronto? Escolheu? Agora, faça a si mesmo algumas poucas perguntas. Como foi que eu cheguei aqui? Qual é a minha responsabilidade nessa confusão? Quais são os meus recursos reais para sair dessa situação? E, a pergunta mais importante… Eu quero sair? Isto posto, meu amigo leitor, bote um sorriso na alma (na cara só não vai adiantar!); arregace as mangas e as barras das calças (tem lama no caminho!); olhe pra dentro e enxergue pra fora. Você foi dormir achando que era o fim do mundo; no entanto, o dia clareou só por teimosia, só para esfregar na sua cara que ainda se espera muito da sua capacidade de recolher os cacos e se reinventar. E aquela mudança que você tanto espera, encontra-se exatamente na mesma situação que os sonhos que você aprendeu a domesticar e guardar no fundo da gaveta dos planos futuros. Sonhos e mudanças esperam que você acorde, reaja e demonstre que merece respeito e o direito de honrar o novo dia que amanheceu depois do fim.

NÓS X ELES

NÓS X ELES

Marcelo – Vocês viram que ano que vem estreia Batman x Superman?

Ivan – Não curto. Sempre achei o Superman muito coxinha. Conformado demais pra um cara que perdeu o próprio planeta, sabe? Aí ele resolve bancar o bom garoto, salvando a Terra toda hora? Sei não…

Paulo – Coxinha? Já reparou que a capa dele é vermelha? Tipo uma bandeira enorme? E a cueca pra fora da calça também é vermelha. Propaganda comunista, com certeza!

Ivan – Claro que não! O uniforme é azul. Junta tudo e dá a bandeira dos Estados Unidos. Imperialismo subliminar.

Paulo – Pra dar a bandeira, falta o branco. Acho que você tá confundido com o Capitão América.

Ivan – Vixi, esse aí já é um caso de imperialismo declarado. Dá até vergonha.

Paulo – Tanto faz, eu prefiro o Batman. Ele podia ser um símbolo da meritocracia! O cara perdeu os pais, mas não quis saber, foi à luta! Virou um self-made hero!

Ivan – Foi à luta? Que luta? Tinha tudo de mão beijada! O cara era milionário, típico filhinho de papai!

Paulo – Que papai? Acabei de falar que ele perdeu pai e mãe!

Ivan – E aí foi criado pelo mordomo! Mordomo! E mordomo inglês! Quem é que tem mordomo inglês?

Paulo – Pois é, exatamente! Ele podia ter ficado lá, esparramado na Mansão Wayne, alimentado com danoninho pelo Alfred e sofrendo a orfandade enquanto passava as tardes jogando Xbox, mas não! Ele preferiu fazer alguma coisa pelo bem da cidade, malhando pra virar herói e combater o crime!

Ivan – Ele que doasse a fortuna pro programa de renda mínima de Gothan. Se ele desse condições pros menos privilegiados, aí não ia ter Charada, Pinguim nem Hera Venenosa. Esse pessoal ia poder ganhar a vida sem ter que cometer crime usando aquelas fantasias ridículas.

Paulo – Sei, você tá dizendo que se tivesse tipo uma Bolsa-Família em Gothan, o Coringa não viraria criminoso e provavelmente ganharia a vida fazendo stand up?

Ivan – Por que não? De repente, ele podia ter virado uma variante mais inofensiva do Danilo Gentili.

Paulo – Aí você vai dizer também que nem o Batman existiria, porque o assassino que matou os pais dele era só uma vítima da sociedade?

Ivan – Vítima das Corporações Wayne, obviamente. Que é só uma representação do que o capitalismo tem de pior. E é tudo uma caricatura: a família feliz tá saindo de um teatro, onde foram assistir uma ópera. Madame vai feliz, com seu colar de pérolas, o Patrão de smoking, os dois levando o herdeiro pela mão, quando na esquina dão de cara com o andar de baixo da sociedade, que vem cobrar a conta.

Paulo – Nada a ver! Os Wayne simbolizam tudo de bom que tem a civilização ocidental cristã, são mecenas que iluminam uma sociedade corrompida.

Ivan – E o bandido representa quem?

Paulo – A barbárie, é claro.

Ivan – E a barbárie é quem? As minorias? O outro?

Paulo – Qualquer um que escolha o crime, seja lá quem for!

Ivan – Ninguém escolhe o crime, é empurrado pra ele.

Paulo – Olha aí, não falei? O cara mata o pai e a mãe do Bruce Wayne e você vem me dizer que é vítima da sociedade! Palhaçada, viu?

Ivan – O Batman é a Rachel Sheherazade de uniforme. É a personificação simbólica de quem amarra menor no poste e quer resolver o problema que ele mesmo criou na porrada.

Paulo – E na hora que o Duas Caras está prestes a destruir Gothan, você quer que o Batman passe a mão na cabeça dele?

Ivan – Ele que chame o Comissário Gordon, ao invés de fazer justiça com as próprias mãos.

Marcelo – Gente, eu só fiz uma pergunta sobre um filme, pelo amor de Deus! Vocês tão vendo política em tudo! Capaz de verem problema até em Chapeuzinho Vermelho!

Paulo – Óbvio, é a típica lavagem cerebral comunista pra crianças, afinal, ela não é vermelha à toa. O Lobo Mau é o capitalismo e o Caçador é o Povo.

Ivan – Você sabe que Chapeuzinho é mais velha que Marx, não sabe?

Paulo – Vai ver que antes era azul e ele mudou!

Marcelo – Pra mim já deu! Vou assistir a TV Senado, que até lá as conversas andam menos politizadas! Fui!

Não existe justiça no amor- Fabrício Carpinejar

Não existe justiça no amor- Fabrício Carpinejar

— Não confie na frase de sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece.
Não existe justiça no amor.

O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.

É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.

O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.

O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.

Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.

É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.

Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.

Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.

Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.

Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.

Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.

Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.

Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.

Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.

Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.

Fabrício Carpi Nejar, ou Fabricio Carpinejar, como passou a assinar em 1998 (Caxias do Sul, 23 de outubro de 1972) é um poeta, cronista e jornalista brasileiro
http://www.carpinejar.com.br/

O que é o amor? – animação francesa com música de Édith Piaf

O que é o amor? – animação francesa com música de Édith Piaf

O que é o amor?

Adorável animação francesa.

Simples nos desenhos, dinâmica na sequência de imagens e excelente na escolha da música:

“A quoi ca sert l’amour”, de Édith Piaf.

A falsa liberdade e a Síndrome do “TER DE” – Lya Luft

A falsa liberdade e a Síndrome do “TER DE” – Lya Luft

Essa é uma manifestação típica do nosso tempo, contagiosa e difícil de curar porque se alimenta da nossa fragilidade, do quanto somos impressionáveis, e da força do espírito de rebanho que nos condiciona a seguir os outros. Eu tenho de fazer o que se espera de mim. Tenho de ambicionar esses bens, esse status, esse modo de viver – ou serei diferente, e estarei fora.

Temos muito mais opções agora do que alguns anos atrás, as possibilidades que se abrem são incríveis, mas escolher é difícil: temos de realizar tantas coisas, são tantos os compromissos, que nos falta o tempo para uma análise tranquila, uma decisão sensata, um prazer saboreado.

A gente tem de ser, como escrevi tantas vezes, belo, jovem, desejado, bom de cama (e de computador). Ou a gente tem de ser o pior, o mais relaxado, ou o mais drogado, o chefe da gangue, a mais sedutora, a mais produzida. Outra possibilidade é ter de ser o melhor pai, o melhor chefe, a melhor mãe, a melhor aluna; seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode: temos de ser muito mais que isso, temos de fazer o impossível, o desnecessário, até o absurdo, o que não nos agrada –  ou estamos fora.

A gente tem de rir dos outros, rebaixar ou denegrir nem que seja o mais simples parceiro de trabalho ou o colega de escola com alguma deficiência ou dificuldade maior.  A gente tem de aproveitar o mais que puder, e isso muitos pais incutem nos filhos: case tarde, aproveite antes! (O que significa isso?) A gente tem de beber em preparação para a balada, beijar o maio número possível de bocas a cada noite, a gente tem de.

A propaganda nos atordoa: temos de ser grandes bebedores (daquela marca de bebida, naturalmente), comprar o carro mais incrível, obter empréstimos com menores juros, fazer a viagem maravilhosa, ter a pele perfeita, mostrar os músculos mais fortes, usar o mais moderno celular, ir ao resort mais sofisticado.

Até no luto temos de assumir novas posturas: sofrer vai ficando fora de moda.

Contrariando a mais elementar psicologia, mal perdemos uma pessoa amada, todos nos instigam a passar por cima. “Não chore, reaja”, é o que mais ouvimos. “Limpe a mesa dele, tire tudo do armário dela, troque os móveis, roupas de cama, mude de casa.” Tristeza e recolhimento ofendem nossa paisagem de papelão colorido. Saímos do velório e esperam que se vá depressa pegar a maquilagem, correr para a academia, tomar o antidepressivo, depressa, depressa, pois os outros não aguentam mais, quem quer saber da minha dor?

O “ter de” nos faz correr por aí com algemas nos tornozelos, mas talvez a gente só quisesse ser um pouco mais tranquilo, mais enraizado, mais amado, com algum tempo para curtir as coisas pequenas e refletir. Porém temos de estar à frente, ainda que na fila do SUS.

Se pensar bem, verei que não preciso ser magro nem atlético nem um modelo de funcionário, não preciso ter muito dinheiro ou conhecer Paris, não preciso nem mesmo ser importante ou bem-sucedido. Precisaria, sim, ser um sujeito decente, encontrar alguma harmonia comigo mesmo, com os outros, e com a natureza na qual fervilha a vida e a morte é apaziguadora.

Em lugar disso, porém, abraçamos a frustração, e com ela a culpa.

A culpa, disse um personagem de um filme, “e como uma mochila cheia de tijolos. Você carrega de um lado para o outro, até o fim da vida. Só tem um jeito: jogá-la fora”. Mas ela tem raízes fundas em religiões e crenças, em ditames da família, numa educação pelo excessivo controle ou na deseducação pela indiferença, na competitividade no trabalho e na pressão de nosso grupo, que cobra coisas demais.

Dizem que devemos nos informar melhor, mas quanto mais informação, mais dúvidas; quanto mais abertura, mais opções; quanto mais olhamos, mais se expande a tela onde se projetam nosso desejos.

Nessa rede de complexidades, seria bom resistir à máquina da propaganda e buscar a simplicidade, não sucumbir ao impulso da manada que corre cegamente em frente. Com sorte, vamos até enganar o tempo sendo sempre jovens, sendo quem sabe imortais com nariz diminuto, boca ginecológica e olhar fatigado num rosto inexpressivo. Não nos faltam recursos: a medicina, a farmácia, a academia, a ilusão, nos estendem ofertas que incluem músculos artificiais, novos peitos, pele de porcelana, e grandes espelhos, espelho, espelho meu. Mas a gente nem sabe direito onde está se metendo, e toca a correr porque ainda não vimos tudo, não fizemos nem a metade, quase nada entendemos. Somos eternos devedores.

Ordens aqui e ali, alguém sopra as falas, outro desenha os gestos, vai sair tudo bem: nada depressivo nem negativo, tudo tem de parecer uma festa, noite de estreia com adrenalina a aplausos ao final.

Autora: Lya Luft
Livro: Múltipla escolha
Editora: Record
Ano: 2010

Crônica encontrada em : Flavio Hastenreiter  

Aprenda a reconhecer os abusos emocionais que sofremos no dia a dia

Aprenda a reconhecer os abusos emocionais que sofremos no dia a dia

Como reconhecer o abuso emocional

Por Georgia Lee

O abuso emocional tem muitas definições, mas é mais bem caracterizado por padrões típicos de comportamento e dinâmica de relacionamento. O abuso emocional tende a girar em torno de um desequilíbrio de poder, onde pelo menos uma pessoa no relacionamento tenta exercer controle psicológico e às vezes físico sobre o outro. Mas, o abuso emocional não envolve a agressão física em si. Curiosamente este tipo de abuso nem sempre é consciente, óbvio, ou intencional, embora muitas vezes seja.

Alguém que cresceu em um ambiente emocionalmente abusivo pode não reconhecer o seu próprio comportamento abusivo. Ou pode não reconhecer o abuso que sofreu como tal. Alguém pode também confundir controle com cuidado, e ver a sua atitude dominadora ou invasiva, não só como adequada e necessária, mas também como sinal de afeto.

O abuso emocional no casamento e relacionamentos em geral, pode ser caracterizado de duas maneiras. A forma mais agressiva de abuso emocional é evidente, e deixa a vítima com uma compreensão clara da experiência. Você sabe o que o agressor sente e diz sobre você, assim como as outras pessoas em sua vida.

A forma mais passiva é menos caracterizada pela dominação, mas por alfinetadas irritantes. Pequenas e aparentemente insignificantes implicâncias ou correções que se acumulam em uma espécie de relação mestre e subordinado ao longo do tempo. E você não pode nunca realmente saber o que o agressor pensa, sente ou diz sobre você – ou até mesmo o quanto o abuso o afeta.

Então, como você sabe se o seu cônjuge, companheiro, ou alguém em sua vida é emocionalmente abusivo?

Sinais mais agressivos de abuso emocional

Xingamentos

Ela pode usar xingamentos, durante uma discussão, para repreender o outro, ou no dia a dia ser infantil e desrespeitosa. Você não é estúpido, inútil, feio, ou qualquer outro nome degradante.

Menosprezo e condescendência

Você está sempre abaixo dele. Ele precisa fazer com que você e as suas realizações pareçam inúteis e insignificantes. E ele pode causar constrangimento na frente das pessoas que a respeitam e se importam com você.

Condenação e crítica

Você não consegue fazer nada direito. Você está sempre errado, não importa em quê. Você é uma pessoa ruim, um pai ruim, mau amigo, mau seguidor. Ou o que mais você puder pensar. Ou, pelo menos, você não é tão bom, ou tão hábil como ela é.

Controle e possessividade

Ele tenta controlar seu dia, sua localização, sua aparência ou prioridades. Você não pode ir a lugar nenhum sem ele, sem sua permissão, ou sem informá-lo primeiro. Se você fizer isso, haverá uma longa palestra ou intensa briga depois.

Acusações e paranoia

Acusações de infidelidade são os mais típicos. Mas as acusações podem ser tão estranhas como traindo com um amigo, um membro da família ou por dinheiro. Ela pode acusá-lo de roubar dela, ou até mesmo tentar prejudicá-lo ou os seus filhos.

Ameaças

Ele poderia ameaçar com a violência, humilhação ou abandono, o que silencia quaisquer objeções ao tratamento torturante.

Manipulação e corrupção

Ela vai querer manter uma agenda que só beneficia ou agrada a ela. Ou que seja prejudicial ou ofensivo a você. Ela, muitas vezes, convence-o a cumprir os compromissos, ou tenta fazê-lo crer que a ideia partiu de você, quando na verdade não foi assim.

Corrupção e extorsão

Ele vai usar um segredo como objeto de abuso, como um meio para manter e aumentar o controle.

Isolamento

Ela impede o seu contato com amigos, familiares, colegas de trabalho, e outros que se preocupam com sua saúde e bem-estar, e geralmente com qualquer outra pessoa no mundo. Isso ajuda a manter seu controle. A única pessoa que você precisa é ela.

Exposição e voyeurismo

Ele fala ostensivamente sobre os abusos, de maneira livre e independente, e até mesmo sobre suas conquistas, em frente a você e outros. Ele pode vê-la sofrer por seu controle e humilhação, e convidar outras pessoas para juntar-se a ele. Ele pode mesmo filmar como você esfrega o chão, abaixada e de joelhos.

Sinais mais passivos de abuso emocional

Culpa e vergonha

Ela tenta fazer você se sentir mal por algo que está fora de seu controle. Quando as coisas saem erradas, e elas sempre saem, a culpa é sua. E mesmo se você tentar o seu melhor para manter as coisas organizadas, ou consertá-las, o seu esforço ainda não é suficiente.

Culpa

O problema é sempre você, ele não faz nada errado. Você merece o jeito como ele, e outros, tratam você. Novamente, você é responsável pelo que os outros fazem.

Comparação e desaprovação

Você não é bom o suficiente do jeito que é. Você precisa mudar. Ou você precisa ser mais parecido com alguém. E mesmo assim, provavelmente ainda não será bom o suficiente.

Correção

Os erros são proibidos. Ela faz as regras e decide quando e como quebrá-las. Justificada ou não, ela vai encontrar algo que você fez de errado e fará você saber disso.

Fofoca

Ele fala negativamente ou com pena de você pelas suas costas. Especialmente para as outras pessoas que a respeitam para degradar a opinião destas sobre você, ou para pessoas que já o veem negativamente, acrescentando lenha à fogueira.

Sabotagem

Ela aberta ou discretamente desacredita, se recusa a ajudar, ou atrapalha você em suas realizações.

Ignorar

Ele usa o tratamento do silêncio. Geralmente administrado como punição por fazer, dizer, ou até mesmo pensar em ser algo que ele desaprova.

Rejeição e negligência

Ela deliberadamente retém amor, carinho, apoio, intimidade, tempo de qualidade ou qualquer necessidade do relacionamento.

Exclusão e imposição

Ele é uma constante intromissão em sua vida, e até mesmo na vida dos outros ao seu redor. Ele quer ter o acesso completo. Ele sempre precisa de você para estar perto dele, em contato com ele, ou prontamente disponível para ele. Ele diz o que você deve e não deve fazer. Ele pergunta a seus amigos, familiares, colegas de trabalho ou até mesmo empregadores sobre cada detalhe de sua vida.

Se você acha que está em um relacionamento emocionalmente abusivo, procure ajuda profissional. Ou, pelo menos, converse com alguém que você confie. Faça pesquisas online sobre “o que é” e “o que não é” abuso, o que parece ser, e como impedir. Decida que você merece estar em um relacionamento saudável, feliz. Trabalhe para construir essa relação com quem quer construir com você.

Traduzido e adaptado por Stael Pedrosa Metzger do original How to recognize emotional abuse, de Georgia Lee

Fonte indicada: Família

O verdadeiro patrimônio: um texto sobre o que realmente importa

O verdadeiro patrimônio: um texto sobre o que realmente importa

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.

Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.

Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:

Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.

Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.

Abraço!

Pedro Schmaus

Fonte indicada: Sedentário & Hiperativo

Van Gogh shadow- fabuloso!

Van Gogh shadow- fabuloso!

Vincent Willem van Gogh foi um pintor pós-impressionista neerlandês, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.
Sua vida foi marcada por fracassos. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, cometendo suicídio.
A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. (Wikipédia)

30 verdades difíceis de questionar…

30 verdades difíceis de questionar…

30 verdades difíceis de questionar…Tenho certeza de que você vai se identificar com várias.

1. Você não pode mudar outras pessoas, e é grosseiro tentar.

2. É muito mais difícil queimar calorias do que se controlar para não comer alguma coisa.

3. Crianças são criaturas extremamente honestas até que a gente as ensine a não ser.

4. Gritar sempre piora as coisas.

5. Sempre que você se preocupa com o que os outros vão pensar de você, na verdade você está se preocupando com o que você irá pensar de você mesmo.

6. Talvez você tenha se esquecido disso, mas fomos feitos pra pisar na grama e celebrar o sol nascendo.

7. Se você nunca questiona suas crenças, então provavelmente você está errado.

8. Ninguém sabe tudo sobre a vida.

9. Cada rosto que passa ao seu lado na rua representa uma história tão complicada quanto a sua.

10. A vida é uma viagem solitária, mas você vai receber várias visitas. Algumas duram um bom tempo, mas a maioria não.

11. As pessoas sempre embelezam tudo pra fazer as coisas parecerem mais bonitas e legais do que realmente são.

12. Aqueles que mais reclamam são os que menos realizam.

13. Evitar fazer algo o torna automaticamente mais difícil e mais assustador.

14. A maioria das coisas que você vê é somente o que você acha daquilo que vê.

15.  Às vezes você tem que afastar algumas pessoas da sua vida – mesmo que elas sejam da família.

16. Culpar os outros é o passatempo favorito dos que não gostam de responsabilidades.

17. Qualquer pessoa que você conhece é melhor do que você em algo.

18. Nada – nunca – acontece exatamente como você imaginou.

19. O que torna os humanos diferentes dos animais é que os animais conseguem ser eles mesmos com facilidade.

20. Auto-reflexão é a única saída do caminho da infelicidade.

21. Quase todo clichê carrega uma verdade tão profunda que as pessoas tendem a repeti-lo até que você se canse de ouvi-lo. Mas a sabedoria ainda está lá.

22. Todo mundo acha que dirige melhor que a maioria das pessoas.

23. Se você não é feliz sozinho não vai conseguir ser feliz em nenhum relacionamento.

24. Mesmo se não custar dinheiro, se tomar seu tempo, então não é de graça.

25.  Os problemas, quando surgem, raramente são tão dolorosos quanto a experiência de temê-los.

26. Crianças entendem tudo que você diz a elas, mesmo que não seja em palavras.

27. A maioria das coisas que as crianças aprendem dos seus pais não foi ensinada de propósito.

28. O ingrediente secreto geralmente é manteiga, em quantidades obscenas.

29. Sempre é válido experimentar de novo alguma comida que você não gostou da primeira vez.

30. A maioria dessas frases fez sentido!!!

Frases selecionadas da matéria: Casal sem vergonha

                                                                       Imagem de capa: pathdoc/shutterstock

“Justo a mim me coube ser eu!”

“Justo a mim me coube ser eu!”

Por Dulce Critelli

Toda vez que minha avó paterna me dizia que o molde em que fui feita fora quebrado quando nasci, eu achava que ela estava me elogiando. Acreditava que somente eu era “única” no mundo. Aos poucos, fui percebendo meu engano.

Primeiro, porque, em vez de me tornar diferente, o fato de ser uma criatura única era o que me igualava a todos os seres humanos. Entendi que é parte da nossa condição humana sermos indivíduos exclusivos. Dela ninguém escapa. Em segundo lugar, porque essa exclusividade – recebida com meu nascimento – não me foi dada assim de mão beijada. Nem veio pronta nem tinha um manual. Ela se parece com aquelas massinhas de modelar que, quando a gente ganha, ganha só a massa, não a forma, e o resultado é sempre o fruto de um longo processo de faz e desfaz.

contioutra.com - “Justo a mim me coube ser eu!”Cedo percebi que jamais teria sossego e que teria muito trabalho. Típico presente de grego, uma armadilha. Encontrei eco para o meu espanto nas palavras da Mafalda, a famosa personagem de Quino, o cartunista argentino, no momento em que ela diz: “Justo a mim me coube ser eu!”. Ser quem só a gente mesmo pode ser é quase uma desolação. Quem eu sou e deverei ser? Minha individualidade é um mistério.

Quantas vezes eu não preferi ser outra pessoa! Se não, pelo menos pensei se não seria melhor ter nascido em outra família, em outra época, com outra situação financeira, outra cara, outro corpo, outro temperamento. Ainda mais porque, aparentemente, sempre soube resolver a vida dos outros muito melhor do que a minha própria.

Para ser sincera, quando penso que o meu “eu” está aberto, o que sinto mesmo é um grande alívio. Se eu tivesse nascido pronta, não teria conserto. E se não houvesse remédio para os meus erros e uma chance para os meus fracassos? E se eu não pudesse mudar de ponto de vista, de gosto, de planos, de opinião? E se eu não tivesse escolhas nem alternativas?

Mas também vejo um lado sombrio em ser um projeto aberto: o de nunca ter certeza, sobretudo de antemão, de ter tomado a atitude certa, de ter feito a escolha mais apropriada – aquela em que não me traio. Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço. Aí, a tentação de pegar carona na escolha dos outros ou no estilo de vida deles é grande, mas minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado, que ele é exclusivo.

Levei muito tempo para entender que minha exclusividade não está simplesmente em mim, na minha cor de olhos ou nos meus talentos mais especiais. Ela está sempre lançada adiante de mim como um desafio, como um destino a que tenho de chegar, como uma história que tem de ser vivida. Minha exclusividade – eu mesma – virá apenas quando eu puder afirmar que a história que vim realizando só eu – e ninguém mais – poderia tê-la vivido.

É a isso que a personagem Amparo, no filme de Almodóvar “Tudo Sobre Minha Mãe”, se refere quando afirma que ela é tanto mais autêntica quanto mais perto estiver daquilo que projetou para si mesma. Fala com orgulho e alegria, revelando, assim, que desvendou o mistério que envolve o problema de ser quem somos: autenticar nossa biografia. Avalizá-la.

Onde estou, senão no rastro da história que venho deixando atrás de mim, naquilo que vim fazendo e dizendo? Onde estou, senão nessa biografia que realizo e atualizo a cada instante por meio das minhas decisões e do meu empenho?

Hoje não importa mais se sou diferente dos outros, mas se faço alguma diferença neste mundo.

Autora: Dulce Critelli
Publicado na Folha S.Paulo
São Paulo, quinta-feira, 22 de julho de 2004.

Crônica encontrada em : Flavio Hastenreiter  

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