Durante sete anos , separados pelo destino, amaram-se a distância. Sem que um soubesse o paradeiro do outro, procuravam-se através dos continentes, cruzavam pontes e oceanos, vasculhavam vielas, indagavam. Bússola de longa busca, levavam a lembrança de um rosto sempre mutante, em que o desejo, incessantemente, redesenhava os traços apagados pelo tempo.
Já quase nada havia em comum entre aqueles rostos e a realidade, quando enfim, num praça se encontraram. Juntos, podiam agora viver a vida com que sempre haviam sonhado. Porém cedo descobriram que a força do seu passado amor era
insuperável.
Depois de tantos anos de afastamento, não podiam viver senão separados, apaixonadamente desejando-se. E, entre risos e lágrimas, despediram-se, indo morar em cidades distantes.
O mais interessante de assumir a educação emocional das nossas crianças é que através dela alteramos a química dos seus cérebros, ou seja, estamos oferecendo a elas a possibilidade de controlar a sua biologia.
A influência negativa e penetrante dos meios de comunicação, as práticas educativas pouco acertadas e a falta de respeito nas escolas ou na sociedade estão diminuindo as capacidades emocionais das nossas crianças.
Podemos aceitar que é inevitável que certos tipos de mudanças sociais aconteçam, maso quetemos em nossas mãos são ferramentas para potencializar sua saúde emocional.O que podemos fazer? É muito simples, vejamos…
Que um sorriso lhe sirva de guarda-chuva
Sabendo que a serotonina é o hormônio principal na regulação do nosso humor, podemos ajudar o nosso cérebro a produzi-la de uma maneira natural. Para regular seus níveis no organismo basta manter uma dieta saudável, dormir uma quantidade adequada de horas todas as noites e fazer exercícios regularmente.
Ou seja, para termos uma correta saúde emocional devemos implementar estes hábitos em nossas vidas diárias. Dessa maneira, vamos conseguir que nosso cérebro se encontre nas condições ideais para evitar as sobrecargas de energia que surgem do estresse e dos medos.
Cabe apontar, como curiosidade, que pesquisadores renomados afirmam que pedir que as nossas crianças sorriam e dizer a elas que as coisas irão melhorar é verdadeiramente útil. De fato, os seres humanos podem equilibrar os níveis de serotonina com um simples sorriso.
Quando sorrimos, nossos músculos faciais se contraem, o que faz com que diminua o fluxo sanguíneo dos vasos próximos a eles. Isso, por sua vez, faz com que o sangue esfrie, e por isso se reduz a temperatura do córtex cerebral, o que gera, como consequência, a produção de serotonina.
Brincar é o trabalho das crianças
O que comentamos até agora deve confirmar a ideia de que as pequenas coisas são muito importantes. Se há uma forma através da qual podemos articular a aprendizagem emocional infantil é através da brincadeira.
A melhor forma de ensinar a elas habilidades que as permitam administrar suas emoções é através das brincadeiras, pois conseguiremos brindar a elas a oportunidade de aprender e de praticar novas maneiras de sentir, de pensar e de agir.
Além disso, podemos nos converter em parte integral do processo de aprendizagem emocional de uma maneira tremendamente eficiente. De fato, depois de introduzirmos uma dinâmica atrativa, a curiosidade e a repetição que as crianças possuem e solicitam farão o resto do trabalho.
Por exemplo, quando um menino ou menina enfrenta um medo, é bom ajudá-los para que se sintam identificados com um personagem de ficção que admirem. Dessa maneira, podemos brincar com eles imaginando o que fariam se estivessem no lugar do seu ídolo.
Se articularmos uma série de brincadeiras desse tipo ou de outros, como as marionetes, o relaxamento ou a exploração corporal, conseguiremos que as crianças adquiram as habilidades necessárias para administrar suas emoções.
Isso também contribuirá para que elas desenvolvam o autoconhecimento, que estimulará seu interesse por trabalhar aspectos cuja complexidade ainda não é compreendida. Graças a isso fomentaremos o desenvolvimento de uma autoestima saudável apoiada no respeito por si mesmo.
Chaves para aumentar as habilidades emocionais das crianças
Como já dissemos anteriormente, às vezes é muito simples conseguir que nossas crianças cresçam de maneira equilibrada. Basta alimentá-los com amor para que seus medos e seus problemas emocionais morram de fome. Vejamos a seguir como podemos fazer isso em 3 simples passos…
1. Oferecer um lar, um lugar no qual se sintam protegidas e abrigadas
Um lar é criado a partir das emoções das pessoas que o compõem. As centenas de brinquedos em seus quartos não servem para nada se não compartilharmos com eles nosso amor através de gestos de carinho e de cuidado.
2. Falar com elas de maneira carinhosa
Quando as crianças fazem alguma coisa errada ou se comportam de maneira agressiva estamos acostumados a empregar estratégias de rejeição. Alguns exemplos são dizer “Não te amo mais” ou “Você é muito malvado”. Entretanto, desta maneira elas não irão entender que o que está errado é o que fizeram, e não o seu valor próprio.
Por essa razão, as mensagens que devemos transmitir a elas são do tipo “Não está certo o que você fez”. Assim, não iremos diminuir a sua autoestima nem colocar em dúvida nossos sentimentos por elas.
3. Dar a elas o nosso tempo, nosso interesse e o desejo de aproveitar os desafios que nos propõem
O que nossas crianças enxergam em nós, para elas, não está presente em mais ninguém. Por isso, é indispensável dedicar nosso tempo e nosso interesse genuíno a elas, e oferecer uma visão do seu mundo de maneira amorosa e incondicional.
Carl G. Jung já discorreu sobre a influência dos arquétipos em nossa vida. Nos identificamos e somos atraídos por símbolos o tempo todo assim como nossas escolhas mostram padrões que nem mesmo imaginamos.
Na psicologia existe um sem número de testes baseados em imagens e que, através da projeção, identificam traços de personalidade das pessoas com excelentes resultados.
O teste abaixo não possui comprovação cientítica, mas de forma lúdica, se propõe a dar respostas sobre o que algumas imagens poderiam dizer sobre quem as escolhe.
Preste atenção nas imagens e escolha a que lhe for mais atraente.
“Espero que isso ajude você a entender o processo. Eu fiz isso porque muitas pessoas parecem pensar que estar deprimido é algo que você escolhe e que, no final, tudo se resume a olhar pela janela e ouvir música triste”. Assim começa o texto que a atriz e diretora Katarzyna Napiórkowska escreveu para apresentar o vídeo que ela produziu sobre viver com depressão.
Falta de significado na vida, dor simplesmente por existir e ausência de objetivos são apenas algumas nuances de uma doença devastadora que gradativamente pode dominar todos os aspetos de uma vida que um dia esteve repleta de sonhos.
No vídeo “Living with depression” (Vivendo com depressão, em tradução livre) uma jovem descreve seus sentimentos e jornada lidando com os sintomas da doença.
Ele narra os momentos da vida de uma pessoa com o distúrbio e alguns de seus sintomas, que tornam a rotina dos dias um desafio a ser superado, na intenção de mostrar que o problema precisa ser tratado, que as pessoas não estão sozinhas e que, o melhor, existe cura.
Esse é o tipo de material essencial para quem não entende como alguém com depressão pode se sentir ou mesmo para aqueles que estão convivendo com a doença e imaginam que estão sozinhos nessa luta.
Lembre-se que “depressão tem tratamento”. Não relute em buscar ajuda.
Josie Conti
Nota da página: a versão com legendas foi retirada do Youtube. Logo, temos apenas a versão em inglês diisponível no momento.
Uma organização sem fins lucrativos produziu um vídeo belíssimo a fim de conscientizar sobre a violência contra a mulher. Impactante, ele traz a voz de uma garotinha fazendo pedidos ao seu pai antes mesmo de nascer. Entre eles estão atitudes que podem sim diminuir a desigualdade de gêneros.
Intitulado como “Dear Daddy” (Querido Papai) o vídeo é uma realização da ONG Care Norway. Assista abaixo (e, em caso de necessidade, ative as legendas):
Sonho com elas. Sonho muito. Faço planos, consigo ver o tempo passar vagarosamente de dentro de uma rede, balançando indolente.
E eis que vem chegando o dia tão sonhado, e, por mais organizada e programada que seja a temporada, tudo começa a sair do controle. A geladeira pifa, o zelador vem avisar que tem um vazamento “dos grandes” lá na garagem e que tem toda a pinta de ser do nosso apartamento, o tempo muda, o cartão é clonado, o gato adoece… Uma semana ou mais para resolver tudo e ainda há férias para desfrutar. Nada de pânico!
Então, num olhar daqueles de relance, bem rápido, quase ignorado, a parede da sala salta! A parede que está um pouco manchada, que tem umas marcas de coisas que não estão mais penduradas lá. – Ah, eu podia pintar essa parede. Em um dia faço isso. Nem vou lixar, está lisinha… Pronto, quem já pintou uma parede sequer, sabe onde isso vai dar. Mais uma semana entre massas corridas, texturas para as partes que não foram lixadas, as outras paredes porque ficaram feias perto da recém pintada e muita reclamação e arrependimento, enquanto os respingos do chão são tirados, um a um.
Mas sobraram uns dias e vou aproveitar loucamente. O plano é rever amigos queridos, rodopiar pela cidade, acordar tarde, almoçar tarde, dormir a tarde…
Mas os amigos não estão de férias, não consigo decidir se é melhor ir ao novo museu ou ao cinema, o relógio biológico urra às sete da manhã, ao meio dia já estou louca de fome e, entre uma indecisão e outra, vejo que chegou um e-mail de trabalho. Claro que não darei atenção, estou de férias, vejo isso no retorno. Mas, quem sabe dá para adiantar e então a volta não será tão atarefada. Deixa eu ver…
E no domingo, véspera do retorno à rotina de trabalho, meio que sem querer, recebo mensagem de uns amigos convidando para um vinho e papo furado. A verdade é que agora só quero que chegue logo a segunda-feira, já tenho todas as tensões do trabalho alinhadas e marchando na cabeça, mas meio de má vontade, aceito.
E despertador toca às sete da manhã e eu volto das férias com uma tremenda ressaca!
Depois de um jejum volto a ter muito tesão em escrever. Passei a manhã e meia tarde curtindo poesia. Isso me deixa muuuuito feliz porque estava esperando esse momento chegar. Foram anos com pedaços da alma escritos ao léu. Sinto-me plena, leve, sem ansiedade nenhuma, sem a mínima vontade de falar com ninguém. Vou economizar grana para sair daqui.
Viva deus em mim. Sou a consciência de mim. Sou espírito livre. Sou uma mulher. Agora sinto que é esta a porta . O caminho continua. A saudade se faz plena do agora. Sinto os lábios sorrindo das imagens. Satisfação pura. O silêncio vingou-me. Não há método, nem formatação, nem mediocridades acadêmicas.
Sou um ser errante cigana mente vagando pelo tempo dentro de um movimento que estava estagnado numa lúcida procura do que realmente vale a pena.
Continuo. É preciso escrever como um exercício diário e para isso acho que as manhãs ficarão mais belas e vivas. Sinto uma súbita mudança no tic tac do coração. Fiquei 24 horas diretas em casa e agora decidi passar este semestre em casa. Enquanto isso Marçal vende meu apê. Compro outro e viajo tudo. Meus gatos são meu amor, minha razão de viver.
O que se faz quando se vive só? O que se pensa quando já se pensou em tudo/ o que viver quando já se viveu de tudo. Comidas, bebidas, conversas podem se tornar tão enjoadas e desagradáveis para um corpo cansado disso tudo. A repetição é uma severa lição de mesmice que mata o coração e leva à morte dos sentidos. Gosto de refletir sobre o que é o tempo perdido. Para mim, tenho me re-educado para aceitar o que não cabe mais. Viver cada vez mais a falta, o vazio, o silêncio. Não vejo outra alternativa. Quero ficar ligada na escrita. Passei muito tempo esperando essa inspiração me pegar pelo coração. Ao viajar e sentir uma estranheza com os outros, vejo que é hora de saber ir dando cor e som ao fim do filme.
A saída daqui me dará grana. E só preciso dela para fazer o que ainda quero fazer. Publicar algo, viajar sempre, manter minhas atividades físicas.
E cá estamos, errando, acertando e por tolices universais, caminhantes mortais, ávidos de estórias, aventuras romanescas. O azul da liberdade se espelha no mar que é sempre o mar, sem amarras, sem fim nem começo, os oceanos de amanheceres cheirosos, com lembranças imensuráveis dos momentos intensos e bem vividos ou por vezes atropelados pela ânsia da juventude. Ao escrever, me liberto e vôo. Há um crazy diamond que não cala, nem se esconde. é tão brilhante que ofusca qualquer pensamento cartesiano. A loucura dos amantes é semelhante. A doçura da infância se compara ao oceano sem vírgulas. É um todo de mitos, mágicas, vultos que aparecem e desaparecem. Para a criança, viver é agora. E a criança brinca muito. Com o tempo, a pureza vai indo embora, e o lugar fica mergulhado no esforço egóico para crescer, criar laços, trabalhar, evoluir e cada vez que uma onda bate forte o sal da água me faz recordar o importante da vida.
AFEIÇÃO
Na sua feição
Ela tinha um sorriso morno
Quase frio.
Um olhar de águia
e a cor de pêssego.
Não mais alegrias obtusas
não mais prazeres tortos.
Na sua feição lia-se: desgosto.
Na tentativa de voar
Dionísio e Baco
Sentir os primeiros
sons de si própria.
Na sua feição
estava escrito
afeição.
branda e larga
circular
entre mentes
entre tantos
mortos
cada risco
era um encontro
cada passo
um adeus.
Quando a água do mundo resolve lavar os céus, quase sempre, corremos para todos os lados, protegendo os cabelos, as roupas e os sapatos.
É que a água pode atrapalhar alguns planos, pode nos desarrumar para a reunião do dia, pode bagunçar os preparativos para o almoço ou avivar a percepção gelada de uma brisa fresca em nosso corpo.
Mas existem os que não se importam com a chuva, existem aqueles que vivenciam, delicados, a chuva de outra forma. E não digo daqueles que o fazem pelo calor da tarde de um dia de verão, tão pouco das crianças embaladas pela alegria da infância, falo dos que estão protegidos pela aura luminosa do amor.
Beijos e abraços na chuva levam, em filmes, as convenções sociais para o ralo. Vocês já devem ter assistido a uma dúzia deles nos quais os mocinhos se engalfinham molhados no ápice do romance, mas não só em filmes isso acontece, na vida também.
Foi o que concluí ao passar correndo, e afoita, por um casal, que em uma longa calçada de uma rua industrial, se abraçava demorado, embaixo de muita água.
Ele usava óculos e tinha uma mochila nas costas, ela vestia jeans e uma camiseta azul discreta e os dois inevitavelmente vertiam amor por todos os poros. Mas o amor deles não era aquele de carícias, de línguas e passadas de mão. Era um amor desprovido da ânsia da carne, era um amor de dois que se encontram ou se despedem depois de muito tempo separados.
Notei que, a despeito da chuva que caia, os braços permaneciam rijos e apertados, e que eles, discretos, de olhos fechados, explanavam ao mundo que não era preciso verbalizar nada. Eles se entendiam no silêncio do querer bem. E para mim, naquele instante, ficou claro que os dois só queriam um filete a mais de tempo para ficarem juntos. Que eles só queriam dispor de um pouco mais de tempo para se sentirem e se amarem. Para eles não importava o aspecto desse tempo. Fosse ele seco ou molhado, seria nele que caberia, apertado, o abraço da vida.
E ali, naquele canto ermo da cidade, eles pareciam estáticos. O mundo girava, as gotas caíam grossas, tudo no entorno se transformava, mas não eles, eles pareciam tocados por um delicioso torpor.
O amor daqueles dois era mais forte que tudo que os cercava, o amor que os embalava tinha o poder mágico de transportá-los para outros lugares, para outros gostos, cheiros, lembranças e impressões. O amor que os habitava era capaz de livrá-los de sensações que não fossem aquelas engendradas pelo reencontro ou pela despedida.
Aquele amor emudecia o mundo e tapava os olhos deles para os que passavam, dizendo carinhoso que nada mais importava. Aquele amor era capaz de transcender, de encharcar o corpo de calores e deixar a alma marcada para sempre.
Percebi que o amor em sua gentileza guardava-os de qualquer zanga pelo mau tempo ou pelo vento que acompanhava aquela chuva.
Talvez no mundo o amor tivesse que ser assim. Talvez o amor tivesse que brotar apertado em meio às convenções. Talvez o amor tivesse que se contentar com um tempo espremido.
Mas o amor em sua grandeza não se importa com o lugar, com o momento, com a chuva ou com o vento. Ele simplesmente é, e o é com uma força arrebatadora.
O amor naquele dia encheu de vida a rua cinza de fábricas alongadas e tristonhas. O amor naquele dia disse a quem o quisesse ouvir que ele é maior que tudo. Que ele é mais forte que o tempo, que o vazio e que a chuva juntos.
O amor cantou aos meus ouvidos que ele não se curva às circunstâncias, que ele é onde tem que ser, do jeito que dá. Que ele não se alimenta de desculpas ou do que é efêmero.
O amor me disse ali que ele não se apaga com água. O amor me disse ali que na chuva ele floresce.
Procura-se um amor que adore pessoas mais por suas histórias que por suas conquistas. Procura-se um amor que seja feliz cercado de abraços por todos os lados, mas que também saiba navegar pelo espaço dos próprios pensamentos, sem culpa.
Procura-se um amor que goste de cozinhar para si. Desse jeito, em nossos jantares serei sempre companhia de um prazer que você já tem. Procura-se um amor que conheça bem os caminhos da doçura, os mistérios provocantes, os sabores da vida.
Procura-se um amor que entenda que líquidos são as melhores bases para diluir longas conversas. Chá, café, vinho, cerveja ou mesmo nossos beijos, que tudo seja pretexto para saber mais de você.
Procura-se um amor que seja paciente quando eu não conseguir sê-lo. Que perca a paciência quando precisar, que me mande ao inferno quando eu merecê-lo, mas que sempre me queira de volta, envoltos de um leve cinismo bobo das crianças, vazantes da culpa do outro.
Procura-se um amor que se debruce sobre mim quando precisar, como quem sobe nas pedras para ver o céu tocando delicadamente os cabelos ondulados dos mares, sem nada a dizer.
Procura-se um amor que convide com os olhos enquanto diz e que nade nos meus enquanto escuta. Procura-se um amor que tenha suas próprias manias, para que às vezes também se distraia e me deixe viver as que já são tão minhas.
Procura-se um amor que tenha dedos apaixonados por cabelos e que esses dedos abobalhados se percam em meio a eles, nas trilhas ancestrais do topo dos meus pensamentos.
Procura-se um amor que me faça rir como se eu fosse adepto de uma nova droga, ou dotado de um tipo raro de doença mental – Veja aquele pobre coitado, lá vai rindo-se. Dizem que ele sofre de um caso raro de Amorismo Cerebral – comentarão as vizinhas que brotam nas calçadas.
Não, não busco mais perfeição. Busco quem também suavize meus pesos e releve meus erros que se multiplicam sempre em tantos e tantos e tantos. Não, não mais me distraio tanto com os errados enquanto não me chega o certo. Quero estar com os olhos bem abertos e o pátio do meu coração bem limpo para convidá-lo ao centro, quando o encontrar por perto.
Diego Engenho Novo
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Somos humanos passíveis de erros, isso é fato inconteste e nos é lembrado incansavelmente todos os dias. Todos já lemos ou ouvimos falar sobre a importância dos erros em nossas vidas, sobre o quanto ganhamos com eles e, ainda assim, a maioria de nós não se permite errar, o que certamente tanto atrapalha nosso equilíbrio interior quanto diminui o potencial do alcance de nossas ações.
Nossos erros tomam a dimensão exata da importância que lhes dermos. Se errar é preciso e ninguém fugirá a isso, urge a necessidade de aprendermos a lidar com o nosso errar, ou permaneceremos paralisados sob o peso de nossas imperfeições, que muitas são. Não adianta querer acertar sempre e com todo mundo, ou seja, o perfeccionismo extremo acarretará cobranças além das necessárias, condenando-nos diariamente em quase tudo o que fizermos.
Há quem erre deliberadamente, tendo consciência de que não deveria proceder daquela maneira ou agir daquela forma, colocando interesses à frente de tudo, como no caso de quem trai, adultera os fatos, mente. Nessas situações, os erros não serão úteis, pois provavelmente não forçarão à analise do que foi feito, de forma que se tentem mudar atitudes e comportamentos para que se evite repeti-los. Querer errar propositadamente só traz tristeza e decepção aos envolvidos, nada mais.
Errar quando se tenta acertar, pelo contrário, deve ser encarado como uma nova chance que temos diante de nós para mudarmos o que for preciso, para refletirmos acerca de nossos atos, quanto às consequências que eles trazem para nós mesmos e para quem nos rodeia. Teremos, então, que entender que agimos como sabíamos, intencionando o melhor; era o que tínhamos para dar naquele momento e o fizemos com sinceridade.
É preciso, assim, diferenciar os erros honestos dos premeditados. Errar quando se tentou acertar nos absolve de muita culpa, pois nossas intenções não objetivavam prejudicar a ninguém. Já errar de propósito, para atingir a finalidades egoístas, sem se preocupar com o que ou com quem possa atropelar nessa empreitada, implica desvio de conduta. Agir em acordo com o ritmo da vida em que estamos inseridos é sempre desejável, mas nem assim estaremos sempre tomando as atitudes certas.
Psicólogos e pedagogos consideram o erro importante para que avancemos em nosso desenvolvimento pessoal, em todos os sentidos. Mas é preciso refletir sobre o erro, analisando as suas causas, o porquê de termos errado, entendendo a forma certa de solucionar os diversos problemas que teremos pela frente, na escola e na vida. Ignorar o erro, menosprezando-o e furtando-se de confrontá-lo, não possibilitará que mudemos para melhor, ou seja, não evoluiremos, não nos tornaremos mais gente, como tem de ser, e assim estaremos fadados a cometer os mesmos erros, sempre, com todo mundo.
Portanto, faça um grande favor a si mesmo e erre, mas erre muito. Só erra quem faz, quem age, quem ousa vencer seus medos, quem acredita nas próprias verdades, sendo capaz de assumir seus atos e não se acovardando diante do inesperado. Erra quem se lança à vida com honestidade, quem é capaz de enxergar a si mesmo e perceber a extensão de suas atitudes nas vidas alheias, quem é seguro de si ou procura sê-lo, acima de tudo. Errar com honestidade é abrir-se ao desconhecido, querendo de volta o que a vida tem de bom, é não temer os olhares alheios, buscando se aprimorar a cada dia, desejando o melhor para si e para o próximo. Permita-se errar, permita-se viver.
Viver sem medo dos equívocos é preciso, pois nem sempre teremos razão, nem sempre agiremos do modo mais acertado, tampouco estaremos livres de sermos confrontados com as consequências do que fizemos. Agir querendo acertar é tudo o que podemos fazer, é o que nos resta diante da imprevisibilidade da vida à nossa frente. Precisamos ter a certeza de que somente agindo e tentando, enfrentando o temor ao fracasso, é que poderemos acertar e dessa forma nos posicionar frente ao mundo e contribuir para que nosso lugar se torne cada vez melhor de se viver. Afinal, erraremos muitas e muitas vezes, mas o prazer que os eventuais acertos nos permitirão experenciar acabarão sempre compensando toda a dor inerente ao enfrentamento da vida, sem dúvida alguma.
A palavra razão origina-se de duas fontes: a palavra latina ratio e a palavra grega logos. Essas duas palavras são substantivos derivados de dois verbos cujos sentidos são muito parecidos em latim e em grego. Logos vem do verbo legein, que quer dizer: contar, reunir, juntar, calcular. Ratiovem do verbo reor, que significa: contar, reunir, medir, juntar, separar, calcular.
Por isso, logos, ratio ou razão significam pensar e falar com clareza e de modo compreensível. Então, a razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se de forma clara e correta. É conseguir pensar e dizer as coisas tais como são. A razão é uma maneira de organizar a realidade.
Agimos sempre por alguma razão, então todos nós a temos.
Percebam que na linguagem do senso comum, no dia a dia, parece ficar claro que a palavra razão no singular tem mais peso do que ela mesma no plural, por isso fiz esse trocadilho com o tema deste artigo. “Posso não ter razão, mas tenho as minhas razões”. Não há diferença entre a razão e as razões, o que ocorre é que costumamos confundir o “ter razão” com o “estar certo”.
Se todos nós temos as nossas razões, é provável que estejamos todos certos, ou não?
Longe de mim querer me aprofundar na filosofia, da qual sempre fui mera leitora, porém há de ser útil ao nosso convívio mútuo entender que as razões são de cada um e que cada um acredita estar certo em suas escolhas, posições e argumentos.
Outro dia alguém postou no Facebook que é mais importante ser feliz a ter razão. Bom, se ter razão se referir a estar certo, realmente é muito mais negócio optar pela felicidade. Acredito que é mais feliz quem discute menos. Estar sempre certo é impossível. A necessidade de “vencer” sempre as “batalhas relacionais” é uma fotografia escrachada da insegurança, da falta de confiança em si próprio e da baixa autoestima.
Gente que briga com o mundo e que quer sempre estar certo talvez também tenha suas razões, mas eu acredito que elas não sejam muito saudáveis.
De uma forma simplista podemos dizer que a razão (as nossas razões) vem da conclusão do nosso pensamento e estimulam o nosso comportamento. Toda ação, antes de acontecer, passa por um processamento em nosso cérebro. Lembrem-se de que falo de cérebros neuróticos normais, visto que os psicóticos não seguem essa regra.
Quando observo relações, percebo sempre uma barreira quando os indivíduos começam a lutar pelo título de “eu sou o certo” e dão a isso o nome de “lutar pela razão”. Como se quisessem que os dois cérebros tivessem funcionamentos idênticos, que o outro sucumbisse às suas sinapses, anulasse toda a sua capacidade intelectual para seguir cegamente às ordens do outro. Exigir isso torna a tal barreira tão intransponível que acaba por provocar o fim do relacionamento.
Tentar anular no outro a sua capacidade e o seu poder de pensar e de ter então as suas razões é um desacerto para a sociedade. Muitas vezes vemos fracassos em relacionamentos afetivos e profissionais por estarem sempre seguindo o script de que é preciso que um esteja certo e o outro errado. Lutam incessantemente entre si acreditando que a paz está em estar certo e o que acabam encontrando lá é a morte – a morte de uma relação.
É feliz que tem suas razões e entende que o outro tem as dele, quem percebe que o outro vê o mundo usando lentes diferentes das nossas. Lentes estas adquiridas na história de vida de cada um. Somos diferentes e não podemos, nem jamais poderemos mudar o outro. Talvez por isso nós psicólogos tenhamos posturas tão contrárias a qualquer tipo de tentativa de alienação. A alienação é a perda da capacidade de pensar e de organizar os pensamentos no que são “as suas razões”.
Como disse Mário Quintana “Só não muda de opinião quem não a tem”.
Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos – porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz.
Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou – não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir – apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive – não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente – ó ideal dos amorosos! – eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.
Mário de Sá-Carneiro, in ‘Cartas a Fernando Pessoa’ , via Citador
Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.
Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.
Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.
Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.
Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’, via Citador
Ao som de mantras, a professora fecha as cortinas e reduz a iluminação dentro da sala. No chão, eles relaxam em colchonetes dispostos um ao lado do outro. Poderia ser uma aula de ioga em qualquer estúdio especializado, mas os alunos têm cerca de 3 anos e a prática acontece em uma creche conveniada à rede municipal de ensino de São Paulo.
O CEI (Centro de Educação Infantil) Lar de Crianças Ananda Marga, administrado pela ONG Amurt-Amurtel, está localizada no Jardim Peri, zona norte de SP, em uma área cercada por favelas. “Vemos muitos casos de violência doméstica e de pais que estão presos, então a creche precisa ser um espaço de acolhimento para essas crianças”, afirma a diretora Silvia Helena de Oliveira.
Para se adaptar aos pequenos iogues, as duas professoras contam histórias para ensinar as posturas para a turma de oito alunos. A aula começa com um “passeio na nuvem”, em seguida, o grupo faz a saudação ao sol (uma das sequencias mais conhecidas da ioga), passa para uma série de posturas e, então, fecha os olhos para o relaxamento.
Em uma das últimas etapas da aula, as crianças fazem massagens no rosto, nos braços e nos pés dos colegas. A prática, realizada uma vez por semana em cada turma, é utilizada para desenvolver a parte física e emocional dos alunos.
“O objetivo é estimular a criatividade, a autoestima, o desenvolvimento do caráter dessas crianças”, explica Didi Ananda Jaya, coordenadora de projetos da Amurt-Amurtel em São Paulo. A ONG adota a filosofia neo-humanista, que, segundo a instituição, busca a transformação do indivíduo em um ser mais saudável, solidário, ativo, compassivo e consciente do seu papel na sociedade.
A hora do toque
Enquanto os mais velhos praticam ioga, o berçário é preparado para a shantala, uma massagem indiana para bebês. A iluminação é reduzida e as professoras ficam em silêncio: a aula será apenas pelo toque, e a sala é invadida pelo cheiro do óleo de essência lavanda.
O bebê deita sobre as pernas da professora, que tira a sua roupa e começa a massagem. No início agitado, ele vai aos poucos relaxando e sente o toque nos braços, em cada um dos dedos das mãos, nas pernas, nos pés, nas costas… E então começa a dormir.
Todas as crianças do berçário recebem a massagem uma vez por semana. A ideia, dizem os professores, é fazer com que se sintam acolhidos na sala de aula e tenham um momento de carinho no ambiente em que ficam durante boa parte do dia. A técnica também é ensinada para as mães.
“Até os 3 anos, eles estão começando a viver a sua personalidade, as relações interpessoais, as relações familiares, então é importante que encontrem acolhimento no ambiente escolar para brincar, cantar, correr, pular e para todos os tipos de expressão”, afirma a professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da USP, Maria Letícia Nascimento.
Boas-vindas
No início de cada aula, eles se reúnem para o “círculo do amor”, um momento “zen” de boas-vindas antes do café da manhã. Eles cantam, batem palmas, fazem saudações ao sol, à natureza e agradecem pela presença dos colegas. Nas paredes da sala, estão desenhos, fotos e atividades sobre família, a casa e o bairro em que os alunos moram.
Alunos do CEI (Centro de Educação Infantil) Lar de Crianças Ananda Marga participam do “círculo do amor”, uma acolhida “zen” antes do café da manhã. A creche fica no Jardim Peri, zona norte de São Paulo, e atende 111 crianças de zero a 3 anos
A unidade atende 111 crianças com até 3 anos e 11 meses, que ficam na creche em período integral. São, em média, 45 vagas abertas por ano na unidade e é a prefeitura quem faz distribuição delas.
“O ideal seria que em todas as creches as crianças tivessem a oportunidade de se expressar, de falar da família, da sua casa e do que fez no final de semana”, diz a professora da USP, que é especialista em educação infantil.
Além das práticas, a alimentação no CEI Ananda Marga é vegetariana, repleta de frutas e verduras, e feita sob a orientação de um nutricionista da ONG e outro profissional da Prefeitura de São Paulo.
Outras três creches administradas pela ONG pertencem à rede municipal de ensino e adotam a mesma linha pedagógica. Elas funcionam na zona norte e na zona sul de São Paulo.
Em abril deste ano, cerca de 110 mil crianças esperavam por uma vaga em creches da cidade.