87 milhões de crianças até 7 anos não conhecem nada além de conflitos

87 milhões de crianças até 7 anos não conhecem nada além de conflitos

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York

Pesquisa do Unicef destaca que viver em zonas em confrontos desde o nascimento prejudica o desenvolvimento cerebral desses menores; crianças são expostas a traumas, o que atrapalha as conexões dos neurônios.

Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que no mundo quase 87 milhões de crianças de até sete anos não conhecem nada além de conflitos.

O levantamento avaliou menores que vivem em dezenas de países, incluindo Afeganistão, Colômbia, Iraque, Síria, Mali, Sudão do Sul e em regiões da Índia e da Tailândia.

Neurônios

Viver em uma zona de confronto desde o nascimento prejudica o desenvolvimento cerebral. O Unicef explica que nos sete primeiros anos de vida, o cérebro de uma criança tem o potencial de ativar 1 mil células por segundo. Cada célula tem o poder de se conectar com outros 10 mil neurônios milhares de vezes por segundo. As conexões cerebrais definem a saúde, o bem-estar, a habilidade de aprender e influenciam o sistema emocional dos menores.

Emocional

Segundo o Unicef, as crianças que vivem em zonas de conflito estão expostas a traumas, vivendo num estado de “stress tóxico”, uma condição que inibe as conexões dos neurônios. Os impactos no desenvolvimento cognitivo, social e físico podem durar a vida toda, sem contar as “cicatrizes emocionais”.
Uma criança nasce com 253 milhões de neurônios, mas para atingir a capacidade de 1 bilhão de neurônios na vida adulta, o desenvolvimento na infância tem papel crucial. Aleitamento materno, nutrição, estímulos desde cedo e oportunidades de aprender e de brincar em ambientes saudáveis são medidas importantes.

Período Crítico

Pelo levantamento da agência da ONU, uma entre 11 crianças de seis anos ou menos passou o período mais crítico do seu desenvolvimento em um local onde há confrontos violentos.
O Unicef defende mais investimentos para garantir que as crianças nessas zonas recebam apoio psicossocial e assim, possam ter de volta a sensação de viver a infância, mesmo que estejam no meio de um conflito.

Somente no último ano, o Unicef forneceu kits para aprendizado e brincadeiras para mais de 800 mil crianças em zonas de confronto.

Lembre-se de que você não pode fazer todo mundo feliz

Lembre-se de que você não pode fazer todo mundo feliz

É impossível agradar a todos, por isso devemos priorizar, primeiro, a nós mesmos, as pessoas que se importam conosco e as pessoas que amamos. Elas são o nosso verdadeiro objetivo.

Ao longo dos anos, aprendemos sobre o nobre valor de fazer feliz a qualquer pessoa que faça parte do nosso círculo pessoal e social. Entretanto, em algumas ocasiões, nem todos os valores que fomos ensinados são lógicos ou podem ser cumpridos.

Não é possível fazer todo mundo feliz, não é possível agradar a todos, e aliás, isso também não é conveniente. É possível que esta frase tenha sido uma surpresa para você, mas é preciso saber que para manter o nosso equilíbrio pessoal nunca será adequado oferecer felicidade a quem, por exemplo, não a merece. Basta demonstrar respeito.

Em nossas vidas precisamos aprender a estabelecer prioridades, e ninguém é egoísta por oferecer a si mesmo o valor que merece para cuidar do seu bem-estar, da sua própria felicidade. Somente quando cada um está bem consigo mesmo é capaz de dar o melhor aos demais.

Quando fazer todo mundo feliz acaba nos destruindo.

Fazer uma pessoa feliz nem sempre é fácil. Tentar conseguir fazer isso com todo mundo é quase impossível. Por que é assim? O que faz com que seja tão complicado dar o melhor a todos aqueles que nos rodeiam?

Nem todas as pessoas se encaixam com os seus próprios valores. É possível, por exemplo, que você tenha um familiar com quem nunca se deu bem, alguém que não respeita a sua forma de ver o mundo e que sempre criticou cada uma das suas escolhas.

  • Não é simples fazer feliz alguém que não nos respeita, alguém que, longe de praticar a reciprocidade e o entendimento, só traz decepções e críticas.
  • Não vale a pena dar o melhor de nós mesmos a quem não é capaz de reconhecer isso. Correremos o perigo de ver atacada a nossa autoestima, e isso é um risco muito alto.
  • A felicidade não é algo que se ofereça como quem dá ou recebe um presente. Dar felicidade é, às vezes, renunciar a algumas coisas, investir seu tempo pessoal nos outros, cuidar de suas palavras, perdoar e se preocupar.
  • Tudo isso implica uma grande energia emocional. Se cada esforço dedicado não for reconhecido ou, pior ainda, for rejeitado, então não vale a pena este investimento pessoal.

É possível que muitas destas situações sejam conhecidas para você. Se você for uma destas pessoas que durante uma boa parte da sua vida deu o melhor de si para os demais, desejando fazer felizes a todos que o rodeavam, certamente o seu coração esconde mais de uma cicatriz.

Os atos mais destrutivos são aqueles nos quais são atacadas nossas boas intenções, nossa essência como pessoa e nossa autoestima. Não se esqueça disso.

Faça feliz a quem lhe oferece felicidade a troco de nada.

Precisamos ter claro que, por mais que queiramos, não podemos chegar a tudo e nem a todas as pessoas. Há quem, por exemplo, sinta a necessidade de ter que se dar bem com todo mundo, de agradar, de sempre dar uma palavra de admiração a todos aqueles que o rodeiam.

Manter este tipo de comportamento acaba gerando muita ansiedade e frustração. Por isso, como tudo na vida, é necessário priorizar. Nosso dia a dia já é complicado o bastante para atender aspectos que, a longo prazo, não valem a pena.

  • Quem não o leva em conta não vale a pena.
  • Quem não lhe acrescenta nada, seja pessoal ou emocionalmente, não vale a pena.
  • Quem faz com que você se afaste de si mesmo não vale a pena.
  • Quem rouba o seu tempo que deveria ser dedicado ao que você realmente ama, ao que o define.
  • Não vale a pena ser condescendente, dizer sim quando queremos dizer não. Procure ser sincero com cada um dos seus pensamentos e emoções fazendo uso todos os dias da assertividade, da valentia de quem não tem medo de que a sua voz seja escutada.

Assim, aplique em seu dia a dia a simples lei de investir em quem realmente merece o seu investimento, começando sempre por você mesmo.

  • Cultive a satisfação pessoal. Faça o que faz você se sentir bem e o que realmente lhe oferece um autêntico crescimento pessoal.
  • Pratique a “economia relacional”. O que isso significa? Invista tempo, amor e esforços em quem você quiser, em quem merecer e for realmente significativo em sua vida.
  • Não tenha ressentimentos por não se dar bem com todo mundo, por não fazer sempre o que os outros esperam de você.
  • O mundo não foi feito para que todos sejamos cópias uns dos outros. Nossa riqueza está justamente no fato de termos opiniões, comportamentos e pontos de vista diferentes.

Ser diferente e ter voz própria é ser autêntico, e enquanto respeitarmos uns aos outros, seremos capazes de construir um mundo melhor. Assim, todos teremos o direito de sermos felizes, sem termos que contentar a todos que nos rodeiem.

Basta respeitar a todos e saber conviver.

5 coisas pelas quais só quem cresceu em uma casa cheia de gente já passou

5 coisas pelas quais só quem cresceu em uma casa cheia de gente já passou

Por Jaqueline Rodrigues

Viver em uma casa que é o ponto de encontro de toda família, que sempre tem gente saindo e entrando, rindo e conversando em volta da mesa tem suas vantagens. Mas tem também vários imprevistos, ou melhor, várias surpresas diárias que são quase previsíveis. Veja algumas dessas situações em que não dá para escapar.

Quem vive numa grande família sabe o que é:

1. Acordar e ter fila para usar o banheiro.

O melhor é sempre programa o banho para o horário de menos disputa. Pela manhã, se você conseguir lavar o rosto e escovar os dentes a tempo de não perder sua carona ou chegar atrasada na aula, já é uma vitória. Quem vive em uma casa com muitos irmãos sabe que, às vezes, eles resolvem se trancar no banheiro bem na hora que você está mais apurada para usá-lo.

2. Usar apenas roupas e livros herdados.

Famílias de muitos irmãos ou primos têm o costume de fazer a rotação de livros e roupas que deixaram de servir nos mais velhos e podem ter nova utilidade para os mais jovens. Assim, os caçulas da família acabam herdando todas as roupas usadas pelos maiores, e também nunca têm a oportunidade de usar um livro escolar novo, por exemplo.

3. Chegar tarde e ficar sem comida.

Só quem convive com muitas pessoas em casa sabe o que é chegar atrasada em casa e não ter mais nada pronto para comer. Ou então, você chega a tempo de ter a sorte de ficar apenas com a beirada do bolo já sem recheio ou com a “bundinha”, cheia de casca, do pão caseiro.

contioutra.com - 5 coisas pelas quais só quem cresceu em uma casa cheia de gente já passou
Só quem tem uma família grande entende o risco de ficar sem comida, caso se atrase

4. Conviver com espaços compartilhados.

Dividir o quarto, ter que respeitar o gosto musical do outro, não ser intolerante com ruídos, conversa, risada alta e televisão sempre ligada. Quando há muita gente para se distrair dentro de uma mesma moradia, é necessário ter muito respeito pelo espaço do outro, mesmo que seja restrito e compartilhado.

contioutra.com - 5 coisas pelas quais só quem cresceu em uma casa cheia de gente já passou

5. Sempre ter companhia para tudo.

Isso pode ser bom naquela sexta à noite chuvosa em que você decide abrir um vinho e ver um filme. No entanto, no sábado, quando você pede sua comida favorita por delivery e só queria ficar sozinha, tomando sol ou vendo seu seriado predileto, tem uma fila de esfomeados esperando que você divida o yakisoba em partes iguais.

Animação “The Gift” explica em poucos minutos como funciona o amor

Animação “The Gift” explica em poucos minutos como funciona o amor

A animação “The Gift” (“O presente”, em tradução livre) conta a história de um casal como outro qualquer,entretanto, quando ele oferece a ela uma pequena esfera que tirou de seu peito, ela não consegue mais se separar desse grande presente… mesmo depois que ele se quebra.

O curta foi produzido por Cecilia Baeriswyl e dirigido por Julio Pot e foi selecionado em mais de 100 festivais internacionais ao redor do mundo.

O amor que recebemos tem um grande valor e precisa ser cuidado.

Aproveitem a mensagem!

Um dia você vai encontrar alguém

Um dia você vai encontrar alguém

Um dia você vai encontrar alguém que cale fundo no seu peito, que vai entrar sem pedir licença e lá se instalar como se fosse inquilino antigo, que vai desabotoar o seu sorriso como quem desabotoa a sua blusa, que vai te elogiar não por uma obrigação besta de casal mas por gostar de dizer a verdade pra você.

Um dia você vai encontrar alguém com voz macia que irá te arrancar suspiros a cada sussurro ao pé do ouvido, que te cantará músicas idiotas aos domingos de manhã, as quais você achará tão lindas como qualquer composição de Chico, que irá ler Adélia Prado pra você antes de dormir, que vai velar teu sono enquanto ouve as batidas do teu coração ecoando no silêncio da noite como uma mimosa melodia, que em noite de lua alta vai te levar até a sacada e dizer olhando nos seus olhos que é você quem ele quer pra vida toda.

Um dia você vai encontrar alguém pra compartilhar alegrias e vitórias, mas que também estará lá pra te levantar depois de uma dessas rasteiras que a vida nos dá, alguém que vai te dizer pra seguir em frente quando o resto do mundo for um sinal vermelho te mandando parar.

Um dia você vai encontrar alguém que não vai te entender completamente e que por isso mesmo vai se esforçar ao máximo em se embrenhar nos seus mistérios, nos seus questionamentos mais íntimos.

Um dia você vai encontrar alguém que a queira por inteiro, porque o amor não vive de metades, alguém capaz de te tirar o fôlego com apenas um sorriso bobo ou um galanteio desajeitado.

Um dia você vai encontrar alguém que vai te mostrar que bonito mesmo é o indizível,aquilo que fica entalado na garganta quando os olhos brilham, que um abraço vale mais que mil palavras, que saudade é o nome que se dá quando a gente mora mais no outro do que em nós mesmos.

Mas tenha calma. Se você ainda não encontrou esse alguém, não precisa se desesperar e sair batendo de porta em porta perguntando se alguém viu o amor da sua vida por aí. Ainda há tempo, sempre há.

Às vezes, o melhor da vida acontece entre um café e um bolero de Gardel, entre coincidências e desencontros improvisados. O amor é jazz.

Você comanda a sua mente ou é ela que comanda você?

Você comanda a sua mente ou é ela que comanda você?

O cérebro humano é uma ferramenta maravilhosa, cuja capacidade de armazenamento, interpretação, interação e adaptação parece ser ilimitada. O mais misterioso órgão do nosso corpo, embora possa ser visualizado, estudado, tocado; e, até, manipulado, é ainda fonte inesgotável de questionamentos e perguntas. O que sabemos é que se trata da nossa central de funcionamento e fonte administrativa do comportamento. Uma usina de substâncias químicas hormônios e enzimas passíveis de mensuração e análise. Uma estrutura intrincada de células e vias neuronais, realizando milhares de sinapses a todo instante. Organizado por impulsos elétricos que comandam o funcionamento do nosso corpo e a configuração de nossos comportamentos. O cérebro, ainda que seja enigmático, em muitos aspectos, é orgânico, material e físico. Mas, o que podemos dizer da mente?

A mente é um completo mistério para nós. Chega a ser perturbador ter de admitir que mesmo passados séculos de estudos, interpretações filosóficas e inegáveis avanços na área das neurociências, da psicologia e da medicina, continuamos com hipóteses controversas acerca do conceito de mente. Teorias históricas antigas, baseadas em premissas de Platão, sustentam ser a mente uma entidade independente do corpo. Há, inclusive, proposições religiosas que relacionam o funcionamento da mente às tendências da alma, pressupondo a existência de um espírito que daria ânimo ao corpo.

Há tempos, bioquímicos, psicólogos, neurologistas, psiquiatras e neurocientistas vêm se debruçando sobre pistas dadas pelas funções mentais, que são responsáveis pela capacidade humana de pensar, sentir, lembrar, aprender, comunicar-se, criar ou destruir. Anos de pesquisa comprovam que o comportamento humano está intrinsicamente ligado ao funcionamento do cérebro. Isso posto, revela-se uma interpretação: a mente depende do cérebro para existir e só pode expressar-se pelas manifestações do comportamento que é constituído, em grande parte, pela química das células neuronais.

Assim, podemos entender o cérebro como um mapa para compreender (ainda que de forma tímida), os mistérios da mente. Neurocientistas, por meio de muito estudo e pesquisa, apontam para mecanismos cerebrais que podem estar implícitos em experiências infinitamente complexas nos processos de desenvolvimento e aspectos comportamentais do ser humano, tais como: o pensamento, a atenção e a consciência.

O cérebro, em si, é extraordinário. A começar por sua estrutura repartida em dois hemisférios, sendo cada uma das metades (direita e esquerda), uma imagem “em espelho” da outra, interligadas por feixes nervosos. Durante muito tempo apregoou-se que cada hemisfério teria suas próprias áreas de especialização mental. O hemisfério esquerdo, por exemplo seria majoritariamente responsável pelas funções verbais, analíticas e de raciocínio lógico; enquanto que o direito estaria mais envolvido com as funções artísticas, capacidade de criação e habilidades espaço-visuais. Hoje sabemos que o que permite que sejamos tanto criativos, quanto analíticos é a eficiência das conexões entre todas as regiões do cérebro. Mediante a ocorrência de uma lesão no feixe de fibras nervosas que liga os dois hemisférios, as conexões são interrompidas em alguns espaços, o que pode ocasionar alterações impressionantes no comportamento.

Tantas descobertas nos colocam em um ponto no qual o fascínio pelo que já se sabe e a inquietação a respeito do quanto ainda falta compreender marcaram um encontro. Afinal, ao mesmo tempo em as funções mentais são responsáveis pela evolução e desenvolvimento do nosso mundo; as disfunções da mente revelam-se como detentoras de um poderoso sistema de destruição do ser humano e do seu entorno.

Estudos de neurociência e genética apontam que disfunções mentais como: mania, distúrbios do humor, esquizofrenia, ansiedade, distúrbios de memória e déficits intelectuais têm sua origem em configurações anatômicas do cérebro, funções bioquímicas e hereditárias. Revelações desta natureza trazem uma luz importante ao tratamento social que se dá às doenças mentais. Infelizmente, uma grande parcela da sociedade (senão sua maioria), apresenta uma postura altamente preconceituosa em sua interpretação sobre o comportamento de portadores de disfunções psiquiátricas. As doenças da mente são tão reais quanto o diabetes, as cardiopatias ou o câncer. No entanto, como seus sintomas e consequências revelam-se por meio do comportamento destoante, julga-se que o indivíduo doente pode controlar seu comportamento; e, em não o fazendo está sendo fraco, melindroso ou, até, malicioso. Sim! A quem acredite que é possível fingir uma depressão, por exemplo. Pode acreditar!

O comportamento compulsivo é um exemplo perfeito para ilustrar este fato. Compulsões são representadas por ações repetitivas que, em sua essência, são danosas ao equilíbrio físico, social e mental do indivíduo. Os compulsivos, em geral, são portadores de natureza ansiosa ou insegura, cuja origem pode estar relacionada às relações familiares na infância. A pessoa compulsiva adquire um hábito que se perpetua na tentativa desesperada de fazer parar uma dor emocional por meio de um comportamento repetitivo, sobre o qual não tem controle.

As compulsões trazem um prazer momentâneo, ilusório e danoso à já frágil estrutura emocional de quem está sujeito a elas. Em busca de saciar um buraco afetivo, aplacar uma situação aflitiva ou mesmo, escapar de um sentimento opressivo, a vítima embarca num túnel de atos repetitivos e sem nenhuma reflexão possível, perde o controle de suas ações. Há gente que rói as unhas, até que comece a roer a própria carne. Há aqueles que arrancam os próprios cabelos, até que tenha conseguido uma enorme falha expondo o couro cabeludo. Há quem compre compulsivamente coisas aleatórias, até que se veja atolado em dívidas impossíveis de serem pagas; e, nem assim conseguem parar de comprar.

Compulsões alimentares, por exemplo, são caracterizadas pela ingestão de grandes quantidades de comida, num curto espaço de tempo. A pessoa coloca na comida a cura momentânea para sensações de desamparo e incompletude às quais se submete todo santo dia. O mais desesperador é que o anestésico dura pouquíssimo tempo. Em geral, dura o tempo em que a pessoa se empanturrou de qualquer coisa que tenha no armário ou na geladeira e sequer trouxe o alívio que ali fora buscado. O mais triste é que na sequência do surto compulsivo, a pessoa é tomada por um enorme sentimento de culpa e sensação de incompetência por não ter conseguido resistir ao impulso (como se fosse possível resistir!).

Essa categoria de compulsão está intimamente ligada à aquisição de vícios. Os vícios se instalam graças ao fortalecimento das conexões neuronais presentes nos hábitos. O cérebro cria trajetos de rotina, por meio dos quais, sempre que se apresentar uma situação de angústia ou aflição, fará a pessoa recorrer ao comportamento compulsivo. Os compulsivos enfrentam dificuldades absurdas para conseguir desinstalar o processo da compulsão, justamente porque no início, esse comportamento provoca imenso prazer e as consequências negativas só aparecem com o tempo. E quando elas aparecem, a compulsão já se estabeleceu, invertendo a ordem das coisas.

A compulsão é o avesso da situação equilibrada das emoções. Aqui não é a mente que manda no comportamento. Aqui a mente está subjugada por uma repetição de comportamentos cuja causa é nebulosa, mas a natureza é psíquica. Compulsão é doença! Não é falta de vergonha na cara! Não é fraqueza! Portanto, antes de sairmos por aí apontando nossos dedinhos perfeitos a julgar o desequilíbrio alheio, muita cautela! Por trás de um comportamento anormalmente repetitivo há sempre uma pessoa que sofre!

Quando tudo sempre acaba em pizza é sinal que a coisa não vai bem

Quando tudo sempre acaba em pizza é sinal que a coisa não vai bem

Pode parecer fácil perceber isso, mas nem sempre é: um relacionamento não vai bem quando faz desprender mais energia do que agrega, quando nos faz sentir mais esgotados do que renovados. Quando causa mais canseira do que ânimo, gera mais luta do que calmaria, precisa de esforço para manter a paz ao invés de fluir naturalmente.

A coisa já desandou faz tempo quando a gente se percebe pisando em ovos para não despertar o mal humor do outro, quando a gente se encantoa, fala menos, mente, evita certos assuntos, toma muito cuidado para não invadir espaços, quando a gente tem que se moldar ou esquecer de si mesmo para evitar conflitos.

Acho que é um sinal de que algo precisa mudar quando a gente se vê fazendo malabarismo com as boas vibrações, quando a gente evita conversar sobre assuntos difíceis, quando a vida começa a parecer um jogo de palitos, e a gente tem que viver tendo cuidado para mover as peças e não fazer tudo estremecer.

É difícil ter clareza, e mais difícil ainda é perceber que se quer romper essa paz frágil, inventada. Mas, se a vida anda assim, talvez seja mesmo o momento de pisar e quebrar os ovos, tocar nos assuntos trabalhosos, enfrentar a canseira da alma para olhar a fundo uma história que a rotina parece querer te impedir de esmiuçar. E a preguiça e o comodismo parecem querer proteger.

É bom ter olhos para perceber que não está tudo bem quando depois de tanto desgaste, distancia, individualidade, tudo termina em pizza e a pizza alivia aquela noite, mas não o resto da vida. É interessante ter coragem de se expressar, de impor limites, mesmo para a dor, mesmo para a solidão, mesmo para esses excessos de cuidados que já não tapam buracos. É bom parar e olhar, falar, começar a mudar.

Porque é por querer evitar um estresse maior que a gente o fatia e distribui pelos dias. É por querer evitar que a bomba exploda de uma vez que a gente abre diariamente a válvula de escape, mas ela não se desmaterializa. É por medo da ideia de solidão, que a gente acaba vivendo o pior tipo delas: a solidão a dois.

É por excesso de proteção e compaixão pelo outro que a gente atrasa o seu desenvolvimento existencial. É por falta de energia para enfrentar um drama e dar uma guinada, que a gente acaba adoecendo em conta gotas. E é por evitar entrar na dança da vida de alma aberta que a gente acaba evitando a própria vida.

Porque o que ela quer da gente é coragem e abertura para sermos em plenitude a nossa melhor versão.

Por que precisamos chorar?

Por que precisamos chorar?

Longe de ser um sinônimo de fraqueza, chorar nos ajuda a canalizar e libertar as tensões do nosso corpo e tem um efeito semelhante ao dos analgésicos.

Choramos desde o nascimento. Às vezes de tristeza, às vezes de felicidade. Também é verdade que muitas vezes nós “seguramos” o desejo de chorar, porque pensamos que assim somos mais fortes, ou porque não é bem visto derramar lágrimas.

No entanto, este tipo de “descarga” é vital para nos expressarmos, ir em frente ou demonstrar o que nos acontece. No artigo a seguir, vamos dizer a você por que precisamos chorar de vez em quando.

Chorar profundamente nos liberta.

As lágrimas são uma ferramenta usada para todos os tipos de fins. Desde aliviar as dores até para chamar a atenção, para mostrar nossa tristeza ou decepção, memórias de algo que aconteceu no passado ou mesmo quando espirramos, temos alergias ou damos gargalhadas.
Chorar nos dá alívio, nos faz sentir mais relaxados e pode nos ajudar a estar ciente das coisas que não vemos (ou que estávamos relutantes em fazer).

É claro que você se lembra de mais de uma vez em que chorou “com todas suas forças” e, em seguida, ou dormiu ou deixou o seu canto para fazer qualquer atividade. Por quê? Porque as lágrimas servem para tirar uma grande carga dos seus ombros, como popularmente se diz.

Há pessoas que têm a capacidade de chorar, mas outras não podem fazê-lo facilmente. Quando somos pequenos nos repreendem por chorar porque nos dizem que isso é para os “fracos”, “mimados” ou “crianças más”.

Isso fica gravado em nossas mentes e, por isso, não nos permitimos chorar quando precisamos. Controlar demais as emoções, negá-las ou dissimulá-las com um sorriso falso é prejudicial à saúde.

Acumular muitos sentimentos negativos não apenas causa depressão, tensão ou estresse, mas também pode alterar o caráter ou personalidade. Mais irritabilidade, mau humor e nervosismo são apenas alguns dos sinais.

Não se esqueça de que o corpo deve expulsar tudo o que lhe dói ou lhe faz adoecer. Um dia ele não poderá suportar mais “guardar” lágrimas e tristeza, e explodirá em um grande choro ou ataque de raiva.

Quanto ao sofrimento físico causado por não chorar podemos destacar a dor de cabeça ou no pescoço, dores de estômago e tonturas. A imunidade diminui e nos tornamos mais propensos a doenças de todos os tipos.

Conter as emoções também bloqueia o fluxo de energia e isso também influencia a saúde negativamente. O choro profundo é uma excelente maneira natural de aliviar o nosso pesar e entender quais são as nossas dores e tristezas. Isso não significa que nós temos que esperar todo o mal se acumular, mas saber de que maneira ir liberando lentamente o que nos fere.

Atualmente, estamos ocupados demais para entender o que acontece conosco. Nós não tiramos um tempo para analisar as emoções cotidianas e é muito difícil tomar decisões profundas.

Se você fica o dia todo de cá pra lá, nunca poderá chorar o que precisa e desprender-se do que lhe faz mal.

Talvez você possa aproveitar o momento do banho ou quando for dormir. Isso não vai transformá-lo em um deprimido crônico, mas em uma pessoa que sabe canalizar suas ansiedades de uma forma positiva. Você vai se sentir realmente revigorado, liberado e energizado para seguir em frente.

Se pra você é difícil chorar, não precisa se preocupar. Isso acontece com muitos outros. Você precisa sensibilizar-se um pouco e dar-se um tempo. Pode tocar uma música, ler alguma coisa ou assistir a um daqueles filmes que exigem um pacote de lenço bem grande.

Você não está chorando pelo protagonista ou pela história em si, mas esse é um interessante mecanismo para desprender o que acumulou em seu interior. Sabia que existe um ponto na altura da garganta, que quando é pressionado ativa o choro? Você também pode respirar profundamente. Para muitos esta técnica funciona quando querem chorar.

O choro é um calmante natural.

Já falamos do aspecto “espiritual” do ato de chorar e algumas de suas consequências. Também é bom saber que muitos estudos foram realizados para analisar por que quanto mais lágrimas derramadas mais tranquilo fica o “chorão”.

Se o choro vale à pena é por que o líquido salino conhecido como lágrima tem a capacidade de limpar os olhos e hidratar os globos oculares naturalmente. E isso pra que serve? Para liberar hormônios de bem-estar.

Quando ficamos estressados estamos mais propensos a chorar. Isto tem uma razão científica muito convincente: ao expulsarmos as lágrimas liberamos oxitocina, noradrenalina e adrenalina. Estes elementos têm sobre o corpo o mesmo efeito de um analgésico.

Os hormônios fixam a atenção sobre o que nós sentimos. Então, depois de chorar nos sentimos melhor. Como se isso não fosse suficiente, os especialistas dizem que o choro reduz a ansiedade e promove o relaxamento.

Chorar e rir… Igualmente benéficos?

O riso e o choro são dois dos fenômenos que estão mais presentes em nossas vidas diárias. Se analisarmos fisiologicamente, ambos são semelhantes. Por quê? Porque alteram a respiração e a pressão arterial.

Se nós rirmos uma hora por dia emagreceremos 14 gramas de gordura. Talvez possa parecer pouco para alguns, mas se você somar isso, em um ano terá reduzido em 5 kg. E esse não é o única vantagem, porque o riso aumenta a autoestima, retarda o envelhecimento e elimina o estresse e a tensão.

O choro também consegue este último benefício! A medicina hipocrática o considerava “um expurgo para os estados de humor”. Ao longo da história o choro foi interpretado como um sinal de pouca integridade ou fraqueza, mas isso não é verdade. Que o riso e as lágrimas encham sua vida!

A maturidade de não culpar ninguém pelo que me acontece

A maturidade de não culpar ninguém pelo que me acontece

Você se lembra de quando era pequeno? A infância é uma época maravilhosa e é por isso que, frequentemente, voltamos a olhar para trás com nostalgia. É o período em que estamos descobrindo o mundo e, simultaneamente, sentimos a segurança que o cuidado dos adultos nos proporciona.

Na infância e na adolescência, são nossos pais ou responsáveis quem se encarregam de nos proteger, de suprir nossas necessidades e, não menos importante, de tomar as decisões por nós. É por isso que crescer é uma experiência agridoce; a verdade é que perdemos em comodidade e segurança, mas ganhar algo muito valioso: a liberdade.

Com o passar dos anos, progressivamente, tomamos as rédeas de nossa própria vida e surge a maturidade. O mais imediato é que trabalhemos para tomar conta de nossas necessidades básicas, mas há outros aspectos pelos quais também temos que aprender a nos responsabilizarmos: nossos laços afetivos, por exemplo, ou nossa saúde mental.

É na forma como lidamos com essa responsabilidade que está a diferença entre o crescimento e o amadurecimento. O tempo passa implacavelmente e todos nós crescemos, mas a forma como nos responsabilizados por nossas emoções é o que determinará se, além de termos crescido, também amadurecemos.

A maturidade nos ensina a procurar soluções antes de culpados.

Tomar decisões implica experimentar emoções relacionadas ao medo de errar e à incerteza. Tanto é assim que, às vezes, nos bloqueamos e temos muita dificuldade em escolher um caminho ou outro.

Mas a verdade é que todos nós vamos errar, porque cometer erros é parte do processo de aprendizagem. Você se lembra de quando estava aprendendo a somar na escola? No início, fazer as contas era muito complicado e cometíamos muitos erros mas, com a prática, somar se tornou uma habilidade básica.

Assumir que erramos envolve um complexo processo de reflexão e análise dos fatos, e é por isso que, às vezes, é mais fácil procurar razões externas que justifiquem nossos erros. Aqui é onde entra o jogo da culpa. Frequentemente, quando encontramos obstáculos ou temos um problema, nossa mente se empenha em encontrar culpados.

Até quando tropeçamos em um objeto inanimado colocamos a culpa dele estar no meio do caminho. Isso nunca aconteceu com você? Você está andando distraído pela calçada e bate contra um brinquedo que não deveria estar ali, machucando justamente aquela parte mais dolorosa da ponta dos pés: o dedinho. Sem pensar duas vezes, você escuta a si mesmo criticando o “maldito brinquedo”.

Mas o que acontece quando o obstáculo que encontramos é algo mais importante que um brinquedo no meio da calçada? Pode ser que você não seja aprovado, repentinamente, em uma prova para a qual acreditava estar preparado, ou que não renovem seu contrato de trabalho, ou que tenha problemas ao conversar com seu parceiro, ou que seu pai se chateie com você quando expressa a sua opinião.

Se nós não refletirmos, se nos deixarmos levar pelas emoções, a culpa será algo que aparece com luzes de neon em nossa mente. Pode ser que coloquemos a culpa nos demais, na circunstância e inclusive em nós mesmos. Mas, pare e pense: a culpa ajuda em quê?

Quando responsabilizamos os outros ou nós mesmos pelo que acontece estamos nos concentrando em emoções e atitudes negativas: a raiva e a frustração nos invadem, sentimos tristeza ou rancor, mas não avançamos. Em resumo, somos mais infelizes.

No entanto, se atravessarmos essas emoções negativas e chegarmos ao outro lado, nos daremos conta de que, além de quem quer que sejam os culpados, existe algo muito mais útil: empreender uma ação que nos ajude a mudar a situação. Se procurarmos as soluções, estaremos emitindo a nós mesmos a mensagem de que, seja o que foi que houve de errado, podemos tratar de consertar e vamos trabalhar nisso.
Procuremos ser mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado.
Miguel de Unamuno 

Certamente você se recorda de alguma situação parecida com esta: algo de injusto aconteceu com você, por exemplo, você falhou em uma prova na qual pensava ter ido bem. Você se sente mal revendo em sua mente a situação, se queixa do professor ou de si mesmo. Procura culpados.

Está paralisado pensando no que aconteceu, que pertence o passado, e o passado não pode ser modificado. A culpa nos bloqueia.

Mas se você mudar o chip e decidir fazer algo a respeito: talvez solicitar uma revisão, talvez estudar os temas nos quais tirou notas baixas, talvez pedir ajuda, as emoções mudam. A frustração se transforma em motivação. Amadurecer é aprender a passar do primeiro estado para o segundo.

Assim, da próxima vez que algo der errado e você perceber que está procurando os culpados, pense no que você pode fazer de melhor para virar essa página. As emoções negativas são inevitáveis, mas se buscarmos soluções em vez de culpados, em algum momento, nos daremos conta de que deixamos a situação para trás e estamos avançando em direção aos nossos objetivos.

Para tudo! Meu coração está quebrado!

Para tudo! Meu coração está quebrado!

Quando rompemos com uma relação doente, ficamos tão absorvidos com as sensações de abstinência, vazio, injustiça e perda de nós mesmos, que não percebemos a passagem do tempo. O dia está lindo ou chove, pouco importa, quando você lida com a dor de uma perda, uma força irresistível toma conta do seu ser e para tudo, deixando-o submerso no luto e no caos. E ali permanece, dias, meses ou anos, sem que você se dê conta de que o mundo não para porque seu coração quebrou.

Já rompi com gente que eu percebia como “um grande amor”. Sem saber que amor verdadeiro não traz dor, vive-se esses momentos de forma dolorosa, em que parece se abrir embaixo dos pés um buraco negro, cujo fundo você não consegue alcançar, e segue, numa queda livre e impiedosa que paraliza tudo, entorpece e traz para fora de si o que há de mais frágil, quebrável, vulnerável, minúsculo.

Quando o coração da gente quebra e a gente paraliza, deseja que o mundo também pare para nos acudir, nos deitar no colo. Mas não. Enquanto você amarga suas perdas, sem pernas para caminhar, sentindo uma dor tão intensa que não lhe permite a respiração, as crianças brincam lá fora, o trânsito continua intenso, pessoas batem cartão, aviões decolam e aterrizam, os capítulos da novela avançam e você se dá conta que nada parou diante dos pedaços esparramados do seu coração.

Sua dor pouco parece importar para o mundo ao seu redor. Você se sente sozinho e incompreendido. Enfurecido, você está disposto a romper com o mundo, pois quando mais precisou, ele parece ter rompido com você. Então, é nesse momento que eu lhe convido para olhar o relógio. Não, não lhe convido a esquecer sua dor, minimiza-la ou fazer de conta que não está ali. Lhe convido a observar o relógio e se perguntar se você valoriza o tempo. O tempo que passou, o tempo que virá, mas principalmente, o tempo que a gente chama de agora, tão rápido e tão fulgaz que, logo depois de ser chamado assim, já tem outro nome, porque já passou.

O que está fazendo com o seu tempo agora? Está deitado deprimido, sentindo pena de si mesmo e querendo alguém que lhe mostre a saída do buraco negro em que caiu? Pois bem, a saída está exatamente aí, diante de si. Está naquilo que está vivendo: no agora. Está nessa dor que está sentindo e o que deseja fazer com ela. Está na sua decisão de frear a queda livre e impulsionar-se para cima, porque, de fato, esse buraco não tem fundo, mas tem uma entrada, lembra?

A saída está no conectar-se com a brevidade e fragilidade da vida. O que você deseja para si? Estou certa de que é algo MUITO maior do que uma relação que há muito deixou de ser o que sonhou. Uma relação que trouxe para fora o pior de si, não pode ter o poder de juntar os pedaços de seu coração e lhe devolver a vontade de viver. Manter-se FORA, sim.

A saída está no valorizar do tempo e na consciência de que não estamos aqui para sempre e, talvez, alguns entre aqueles que estão lendo esse texto ou até mesmo eu, encontre no dia de hoje o seu último dia de vida. Como você quer vivê-lo? Quer ser lembrado como aquele que tinha o coração tão quebrado, que descansou ou como alguém que, mesmo carregando um coração em pedaços, enchia os olhos da beleza da vida e se fortalecia através de suas dores? Ligarão seu nome à fraqueza ou à resiliência?

Valorize seu tempo, revertendo em sua direção todo o amor, a dedicação, a disponibilidade, a generosidade que revertia em favor de quem não valoriza nada porque nada tem para oferecer de valor. Valorize o tempo, usando-o para buscar dentro de si essa pessoa cheia de sonhos que murchou na constância de uma relação infeliz, que só foi boa, na castelo de sua imaginação.

Se achar que hoje ainda não consegue começar a cuidar de você, reflita sobre isso:

Você já viu o que acontece quando você rega uma planta que esqueceu de regar por dias a fio? Se recupera quase que instantaneamente. Já viu o que acontece quando, mesmo vendo que ela murchou por falta d’água, você passa por ela e não rega? Morre e vira lixo. Você não é lixo, você é uma pessoa de valor para muitas outras. Regue-a com amor, carinho e cuidados e, ao perceber seu próprio desabrochar, verá quanto valorizar esse tempo que gasta inerte, na dor e no luto, pode fazer por você.

Frágil

Frágil

O que vou contar aconteceu mesmo. Começou com manhã nublada numa avenida Paulista estranhamente livre para às 7h de uma segunda. Oba! pensei. Está parecendo que tudo vai dar certo hoje. Foi com espírito leve que entrei no hospital para realizar uma biopsia da tireoide orientada por ultrassonografia. Dias atrás ao marcar o exame, por telefone, a atendente disse que o procedimento era simples. Frisou que eu deveria ir acompanhada por um adulto. Cismei com esse adulto. Perguntei: O exame dói?

Ela respondeu que o procedimento (exame deve ser palavra fora de moda, pois sou eu o mencionava) era tranquilo, com anestesia local. E a dor depende muito da sensibilidade de cada paciente. Disse comigo: então é fácil. Tenho baixa sensibilidade para a dor, tanto que no dentista sou durona. Aguento quase tudo sem anestesia. Veio o feriado, o sábado, o domingo. Eu lembrava, só de passagem, do exame (ops! do procedimento) que me aguardava na manhã de segunda-feira.

Chegou! Ao entrar na sala gelada, a enfermeira instruiu: A senhora deite com a cabeça abaixada e os ombros no travesseiro. Então a médica, jovem e séria, avisou que passaria o anestésico. Na base do meu pescoço entrou uma agulha. Atravessou a alma. Não me contive: Isso é horrível. Não me contaram que seria ruim assim. Se eu soubesse. Então a discípula de Hipócrates me repreendeu: A senhora não pode falar e nem se mexer, senão não consigo fazer o procedimento. Calei. Ela iniciou o exame em si. Mais empurrões na minha tireoide, mais puxões (o nome técnico é punção). Passei a tremer. A boca secou. As lágrimas vieram. Meu leitor, minha leitora, entrei em estado de pânico.

É claro que indaguei em silêncio: Cadê a mulher corajosa? A Fernanda forte? Deve ter tomado doril, chá de sumiço, mudado súbito de endereço. A senhora agora pode relaxar, acabou o procedimento, disse a enfermeira. Levantei. Não disse obrigada para ninguém. Congelada lembrei os versos do bom Carlos Drummond: “Provisoriamente não cantaremos o amor (…) Cantaremos o medo da morte e o medo depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas“.

Imagem: Régine Ferrandis

contioutra.com - Frágil

Você já tomou um chá de cuidado?

Você já tomou um chá de cuidado?

Você já tomou café com delicadeza?

E um chá de cuidado?

Já comeu uma comida feita de vida?

Já provou um pão de amor?

Café com delicadeza é aquele feito com a água filtrada que acabou de levantar a primeira bolha de fervura. E a gente joga um pouco da água quente na garrafa térmica e nas xícaras antes de começar a coar. Coloca uma quantidade boa de pó no filtro, o suficiente para o café ficar encorpado mas não muito forte e mistura uma pitada de canela em pó, ou umas sementinhas de cardamomo, dependendo do dia, é bom olhar pela janela para decidir que tempero combina. E a gente degusta sentado na mesa, com toalha posta, olhando nos olhos de uma boa companhia.

Chá de cuidado pode ser feito de camomila, capim cidreira, casca de romã, folha de oliva, pétalas de rosas… É um chá de empatia, feito por quem sabe ler corações e transformar momentos ao escolher a melhor poção. É um chá com um toque de gengibre quando a gente está com gripe, é um chá de mistura de ervas quando a gente está com o peito apertado e nem sabe bem o porquê. É  um chá feito pra você, colocado nas suas mãos num dia que tudo parece sem salvação.

Comida viva é aquela que vem com boa intenção. Feita devagar, feita com atenção, cheia de ingredientes secretos e deliciosos. Um alho fritinho no feijão, um arroz que descansou, uma salada com um molho de balsâmico, azeite e mel. Comida viva é aquela montada no prato de um jeito bonito, é um tomate colhido no quintal, é uma mistura de cores e cuidados. Alimenta o corpo e a alma.

Pão de amor é aquele amassado com as próprias mãos, com jeito e carinho. Pão de grãos, mistura de farinhas, uma boa proporção, um fermento bom, e muita paciência e quietude, para que tenha tempo de crescer em toda sua possibilidade de amplitude. Pão que descansa e faz meditação. E quando sai do forno começa a espalhar cheiro de felicidade e harmonia. Pão que amacia por dentro e sustenta.

Já reparou que diferença fazem as delicadezas da vida?

Já reparou como temos o poder de mudar os ambientes quando damos um pouco de atenção?

Já reparou como é importante o agir com gratuidade e gratidão?

Colocar um pouquinho de cuidado em cada ação, sem precisar ser dia de aniversário, sem precisar fazer tudo isso por obrigação ou pensando em conseguir algo em troca.

Colocar essas boas intenções no mundo, diariamente, e devagar aprender a amolecer corações.

Paciência

Paciência

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados… Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma “lady” solta palavrões e berros que lembram as antigas “trabalhadoras do cais”… E o bem comportado executivo?
O “cavalheiro” se transforma numa “besta selvagem” no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar…
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o
jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido
uma “mala sem alça”. Aquela velha amiga uma “alça sem mala”, o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava
demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a
cabeça, inconformado…
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem
sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética
dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é “ansioso demais” onde ele quer
chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire… Acalme-se…
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência…

Paulo Roberto Gaefke

10 proibições surpreendentes que ainda afetam as mulheres em 2016

10 proibições surpreendentes que ainda afetam as mulheres em 2016

1. Afeganistão: proibido usar maquiagem

Além da maquiagem, as mulheres não podem usar saltos, não podem mostrar os tornozelos ou rir em voz alta. As afegãs também não têm o direito de trabalhar fora de casa e de sair nas ruas sem a presença de um membro masculino da família. Já houve casos de punição com amputação dos dedos por uso de esmalte, que também é proibido.

2. Iêmen: proibido sair de casa sem permissão

De acordo com a lei, uma mulher casada é obrigada a viver com o marido e nunca deve sair de casa sem sua aprovação. Existem poucas exceções, como casos de emergência, por exemplo, ou visita aos pais, se estiverem doentes.

3. Arábia Saudita e Maldivas: vítimas de estupro podem ser punidas

Além de não conseguir proteger as vítimas de estupro, alguns países, como Arábia Saudita, punem essas mulheres por terem saído de casa sem a presença de um homem. Nas Maldivas, uma adolescente de 15 anos, que tinha sido estuprada, foi considerada culpada de “fornicação” e condenada inicialmente a oito meses de prisão domiciliar e a 100 chibatadas. O veredicto acabou sendo cancelado.

4. Brasil: o aborto é autorizado apenas em casos bem definidos

Com o aumento dos casos de microcefalia vinculado ao vírus Zika, o debate sobre a legalização do aborto foi reaberto. É legal abortar apenas quando a gravidez representa um risco à vida da gestante ou quando a concepção foi resultado de um estupro. O ministro da Saúde Marcelo Castro (PMDB-PI) chegou a falar para as mulheres não engravidarem: “Sexo é para amador, gravidez é para profissional”.

5. Somália: proibido usar sutiã

Desde 2009, as mulheres somalis que usam sutiã estão sendo chicoteadas em público pelo grupo radical islâmico Al Shabaab. Elas estão acusadas de violar as leis do islã ao enganar outras pessoas sobre o estado natural dos seios e também suscitando o desejo sexual.

6. Marrocos: vítima de estupro pode ser forçada a se casar com agressor

Em 2012, Amina, uma marroquina de 16 anos, cometeu suicídio depois que um juiz a sentenciou a se casar com seu suposto estuprador, de acordo com uma lei que invalida as acusações de estupro caso as partes decidam se casar.

7. Irã: 77 cursos universitários são proibidos às mulheres

Biologia ou Literatura Inglesa fazem parte dos cursos que as mulheres não podem escolher em 36 universidades do país. Por quê? Um diretor acadêmico avaliou que estas não são disciplinas adequadas à natureza feminina.

8. Arábia Saudita: mulheres não podem dirigir

Se as mulheres não podem dirigir é simplesmente porque “a condução afeta os ovários”, afirmou um líder religioso. “A maior parte das mulheres que dirige carros de maneira repetitiva produzem crianças que sofrem com distúrbios clínicos”, adicionou.

9. Suazilândia: proibido vestir calça

Nesse pequeno país africano, última monarquia do continente, usar calças é considerada uma forma de desrespeito. Recentemente uma mulher foi proibida de participar de uma eleição porque vestia calças. Uma lei parisiense parecida autorizava mulheres a usar calças apenas se tivesse uma autorização da polícia. A lei datava de 1800 e não tinha mais poder jurídico, mas foi cancelada oficialmente apenas em 2013.

10. Estados Unidos, Arkansas: homem pode bater na esposa uma vez por mês

A lei faz parte de um conjunto de velhos textos misóginos que não são mais aplicados na prática. Na Carolina do Norte, mulheres precisam estar cobertas com pelo menos 15 metros de tecido. No Michigan, os cabelos da mulher pertencem ao marido.

INDICADOS