Na roda da vida

Na roda da vida

“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu.”
Chico Buarque

Há dias e mais dias…
Há dias em que a gente questiona se é isso mesmo: se estamos vivendo bem, fazendo o certo, se estamos fazendo bem o Bem, se é assim que queremos viver.
Há dias em que a gente interroga a vida: as voltas e rodopios que ela dá.
Para que isso, por que assim, o que afinal está acontecendo?

“Viver é negócio muito perigoso”, “viver é um descuido prosseguido”, dizia Guimarães Rosa. Mesmo assim, não desistimos de querer ter voz ativa sobre a vida, sobre os acontecimentos e sobre o tempo. Tal como os amantes que mesmo discordando e brigando não abrem mão de ficarem juntos, acreditando que um dia, um mudará o outro e, aí sim, serão felizes para sempre. Essa é nossa postura frente à vida .

Há dias em que a roda-vida mostra-se uma bela dama, dá-nos liberdade de escolha, deixa-se conduzir por nossas mãos e nos seduz com seu encanto. É a mais pura paixão! Um enorme arco-íris de emoções nasce em nossos corações, e nós bailamos com leveza e graça.

Há dias em que ela parece mais preguiçosa, menos voraz em relação às horas, permitindo que respiremos devagar.
Proporciona-nos poucas novidades e, quando amantes das pequenas coisas, absorvemos tudo com mais sabor. É pura magia e diversão!

Há dias em que se mostra generosa, a cada volta que ela dá, uma surpresa boa nos espera, um presente que chega de repente, uma dádiva que nos escolhe para dar a mão.

Mas há dias em que a roda parece enlouquecida, é um verdadeiro ciclone, vira tudo de cabeça para baixo, arranca aquilo que está em desenvolvimento. Sentimos medo e atordoamento e não sabemos para onde correr. Nem sequer somos ouvidos, pouco importa nosso querer. A gente reage, “vai contra a corrente” , tranca as mãos, emperra, estanca, mas ela é soberana. É só desolação!

Nesses momentos, a roda é uma roca ceifando desejos e ilusões. O cotidiano, com seus sonhos e projetos acalentados, é mexido e remexido, não deixando pedra sobre pedra. É a roda girando e levando para longe nosso sossego e segurança.

“Na volta do barco é que sente, o quanto deixou de cumprir…”
Dias passam, outros vêm, e nós não cansamos de nos perguntar: onde erramos, o que deveríamos ter feito e que não fizemos, o que poderíamos ter evitado e que não evitamos?

“Roda mundo…”
Seu giro é impessoal e indiferente ao nosso querer.
Seus propósitos nem sempre conseguimos entender, e ela vai desenhando figuras fantásticas sempre diferentes no ar. Será moinho, será pião, roda gigante?

Capturados pela grande aventura, fascinados por sua força de atração e pelas lembranças dos momentos vividos, respiramos fundo e mergulhamos como crianças, seduzidos novamente pela velha cantiga de roda tão bela e tão louca chamada Vida.

Há um dia em que uma força mansa e tenaz nos tira da roda. A volta foi completada e é o momento de voltar para casa.

Esse passo não é ensinado a ninguém. Quem dançou com altivez e coragem todos os movimentos da roda, com certeza, saberá soltar as mãos e se deixar levar para o definitivo encontro amoroso com o seu Criador e se tornar, assim, encantado .

O que aprendemos com a decepção?

O que aprendemos com a decepção?

Viver por si só, já é uma imensa descoberta, pois a cada conquista nos descobrimos, a cada empenho, conversa, encontro e porque não dizer que podemos nos conhecer um pouco mais na decepção?

A vida é permeada de diversos sentimentos, sejam eles bons, ruins, construtivos ou ameaçadores. A todo o tempo, estamos pensando, sentindo e desejando mais. Na lista de predileções humanas, a decepção sentimento rejeitado, é colocado entre aqueles cujo sentido sempre amarga a experiência do vivenciar.

Assim, a decepção se faz presente por si mesma, pois ela faz parte da vida. Então, sem pedir licença, ou marcar horário, ela simplesmente se apresenta e muitas vezes, vem acompanhada por alguns sentimentos também resignados, como a tristeza, melancolia, mau humor, e alguns outros que aproveitam a viagem. Portanto, a decepção mal administrada prejudica a qualidade de vida, podendo gerar quadros de ansiedade e depressão.

Mas como vivenciá-la de forma diferente e desviar-se de uma posição enfraquecida diante à vida?

A decepção pode ser encarada como um impulso para ação, um despertar de uma motivação, um olhar diferente para o desejo e o desafio, ela pode vir a ser uma força construtiva. Ela, no final da historia , faz com que o homem entre em sua própria “caverna”, ou seja, reconheça a si mesmo e assim enxergue suas inseguranças, precariedades e incertezas.

O desapontamento pode ser encarado como oportunidade e porque não como crescimento? Pois, se vivêssemos em um estado constante de plenitude pouco saberíamos de nós mesmos, pouco melhoraríamos e teríamos a motivação para conquistar algo. É exatamente essa discrepância que nos permite alcançar algo novo.

Sem frustação não existe necessidade, não existe razão para mobilizar os próprios recursos, para descobrir a própria capacidade para se fazer alguma coisa que se tenha vontade.

Para lidarmos com nossas emoções de uma forma funcional e positiva precisamos aprender a lidar com nossas frustações, pois quando mais tivermos um conhecimento sobre nós mesmos, mais vamos conhecer sobre aquilo que nos provoca dor.

A mudança de postura diante de uma frustação acontece quando percebemos que precisamos mudar nossa forma de lidar com ela. Como dizia Jean-Jacques Rousseau, (1712-1778) filósofo, teórico político e escritor suíço… “Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins.”

Lingia Menezes de Araújo

Psicóloga Clínica
Tel.: (31) 3150 -9950 / 9576-9032 / 8671-1127
Rua Miguel de Souza Arruda-233-Alvorada
CEP 32041-470 -Contagem/MG

Referências:
DANTAS, J.B. Angústia e Existência na Contemporaneidade. Rio de Janeiro. Editora Rubio, 2011.

O impulso de falar justamente o que não devemos

O impulso de falar justamente o que não devemos

Por Benedict Carey – The New York Times

As visões parecem subir do sistema de esgoto cerebral nas piores horas possíveis – durante uma entrevista de emprego, uma reunião com o chefe, um apreensivo primeiro encontro, um importante jantar.

E se eu começasse uma guerra de comida com esses canapés?

Zombasse da gagueira do anfitrião?

Quebrasse o gelo com um comentário racial?

“Esse único pensamento é suficiente”, escreveu Edgar Allan Poe em “O Demônio do Perverso”, um ensaio sobre impulsos indesejados. “O impulso se desenvolve numa vontade, a vontade num desejo, o desejo numa compulsão incontrolável”. Ele acrescenta, “Não existe na natureza um desejo tão demoniacamente impaciente, como o daquele que, estremecendo frente à borda de um precipício, medita a respeito de mergulho”.

Ou medita sobre a pergunta: estou doente?

Em alguns casos, a resposta pode ser sim. Porém, uma grande maioria das pessoas não age, ou raramente o faz, em tais compulsões – e sua suscetibilidade a rudes fantasias reflete, na verdade, o funcionamento normal de um cérebro social e sensitivo, segundo um artigo publicado na semana passada no jornal Science. “Há todo tipo de ciladas na vida social, em todo lugar que olhamos; não apenas erros, mas os piores erros possíveis chegam a nossas mentes, e chegam com muita facilidade”, diz o autor do artigo, Daniel M. Wegner, um psicólogo de Harvard.

“E ter a pior coisa entrando em nossa mente, em algumas circunstâncias, pode aumentar a probabilidade de que uma crise aconteça”. A investigação das compulsões perversas tem um rico histórico (como poderia não ter?), passando pelas histórias de Poe e do Marquês de Sade, até os desejos reprimidos de Freud a observação de Darwin de que muitas ações são realizadas “em oposição direta a nossa vontade consciente”. Na última década, psicólogos sociais documentaram o quão comuns são essas vontades contrárias – e quando apresentam as maiores chances de alterar o comportamento de uma pessoa. Num nível fundamental, funcionar socialmente significa controlar os próprios impulsos.

O cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação, sugerem alguns estudos, e a saúde mental depende da manutenção de estratégias para ignorar ou reprimir pensamentos profundamente perturbadores – da própria morte inevitável, por exemplo. Essas estratégias são programas gerais, subconscientes ou semi-conscientes, que habitualmente funcionam em piloto-automático. Impulsos perversos parecem surgir quando as pessoas focam intensamente em evitar erros ou tabus específicos. A teoria é bastante direta: para não revelar que um colega é um grande hipócrita, o cérebro precisa inicialmente imaginar exatamente isso; a simples presença daquele catastrófico insulto, por sua vez, aumenta as chances de que o cérebro cuspa tudo para fora.

“Sabemos que o que é acessível em nossas mentes pode exercer uma influência no julgamento e comportamento simplesmente por estar ali, flutuando na superfície da consciência”, disse Jamie Arndt, psicólogo da Universidade do Missouri. As evidências empíricas dessa influência têm se amontoado nos últimos anos, conforme Wegner explica no novo artigo. No laboratório, psicólogos fizeram pessoas expulsarem um pensamento de suas mentes – o de um urso branco, por exemplo – e descobriram que os pensamentos ficam voltando, aproximadamente uma vez por minuto.

Da mesma forma, pessoas tentando não pensar numa palavra específica citam-na continuamente durante testes rápidos de associação de palavras. Os mesmos “erros irônicos”, como Wegner os chama, são fáceis de evocar no mundo real. Jogadores de golfe instruídos para evitar um erro específico, como lançar longe demais, o fazem com mais frequência quando estão sob pressão, segundo estudos. Jogadores de futebol instruídos a chutar um pênalti em qualquer lugar do gol menos um local específico, como o canto inferior direito, olham para esse ponto com maior frequência que qualquer outro.

Esforços para ser politicamente correto podem ser particularmente traiçoeiros. Em um estudo, pesquisadores das universidades Northwestern e Lehigh fizeram 73 estudantes lerem uma vinheta sobre um colega ficcional, Donald, um homem negro. Os estudantes viram uma foto dele e leram uma narrativa sobre sua visita a um shopping com um amigo. No estacionamento lotado, Donald não estacionou na vaga para deficientes, embora estivesse com o carro de sua avó, que tinha um passe, mas esbarrou em outro carro para se enfiar numa vaga comum. Ele insultou uma pessoa coletando dinheiro para um fundo do coração, enquanto seu amigo contribuía com alguns trocados.

E assim continuou. A história propositalmente retratava o protagonista de maneira ambígua. Os pesquisadores pediram que aproximadamente metade dos alunos tentasse reprimir estereótipos ruins de homens negros enquanto liam e, em seguida, julgasse o personagem Donald em critérios como honestidade, hostilidade e preguiça. Esses alunos avaliaram Donald como significativamente mais hostil – mas também mais honesto – do que os alunos que não tentaram reprimir os estereótipos. Para resumir, a tentativa de banir preconceitos funcionou, até certo ponto. Porém, o estudo também trouxe “uma forte demonstração de que a supressão de estereótipos faz com que os mesmos se tornem hiperacessíveis”, concluíram os autores.

Fumantes, pessoas que bebem com frequência e usuários habituais de outras substâncias conhecem bem demais essa confusão: o esforço para reprimir o desejo por um cigarro ou uma bebida pode trazer à mente todas as razões para quebrar o hábito; ao mesmo tempo, o desejo aparentemente fica mais forte. O risco de que as pessoas irão escorregar ou “perder” depende, em parte, do nível de estresse a que estão submetidas, diz Wegner.

Concentrar-se para não olhar fixamente uma enorme verruga no rosto de um novo conhecido, enquanto troca mensagens de texto e tenta acompanhar uma conversa, aumenta o risco de que você diga: “Nós fomos comprar verruga – quero dizer, verdura. Verdura!” “Pode haver certo alívio em simplesmente acabar com tudo, fazer o pior acontecer, para que você não precise mais se preocupar com o monitoramento”, disse Wegner. O que pode ser difícil de explicar, é claro, seria caso você acabasse de abaixar as calças durante um jantar com os amigos.

‘Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.’

‘Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.’

“Todo mundo é confuso como vozes na noite.”
Fernando Pessoa

Quando ainda estudante de psicologia, lembro-me de uma professora que tinha um jeito muito carinhoso de aproximar-se de alguém que estava com depressão. Ela perguntava: “Quem roubou sua caixa de lápis de cor”?

Ou então, “..hoje parece que o vermelho não está aí!”, para falar da falta de vitalidade, energia e disposição que presenciava naquela pessoa.

Sabemos que as cores revelam o nosso estado de espírito e de saúde, influenciam nossa conduta e até mesmo as nossas emoções.

Podemos brincar com a ideia da caixa de lápis de cor, dizendo que na tristeza –sentimento não patológico – os lápis de cor não foram perdidos, mas precisam ser apontados.

Na depressão, porém, tudo é diferente. A sensação é de não ter nenhum lápis colorido. Só há lugar para apatia e para o vazio. A vitalidade é quase nula. Há uma sensação de perda muito grande e o mundo mostra-se carregado de ameaças.

A pessoa com depressão sente-se despojada de certas formas de sentir e ser, e tem dificuldade em conviver socialmente; até mesmo com os familiares. Afasta-se do contato para evitar a dor e a vergonha, pois não consegue compartilhar dos sentimentos de alegria e otimismo que o Outro demonstra ter.
A depressão é uma doença do corpo inteiro e não só do cérebro.

Atualmente a O.M S. estima que a depressão afeta trezentos e quarenta milhões de pessoas em todo o mundo e que o número dobrou nos últimos cinquenta anos . Mas, mesmo com todas as informações, ainda é uma doença incompreendida e bem pouco tolerada.

Na História da Humanidade, encontramos desde sempre o procedimento de atribuir ao doente a culpa dos males que o afligem e com a depressão isso parece ser ainda mais forte. É comum essas pessoas sentirem-se incompreendidas ou “cobradas” por não conseguirem reagir de forma diferente. Assim, além de enfrentar o sofrimento psíquico, a pessoa também sofre com o preconceito.

É necessário e urgente termos, frente às doenças da alma, maior compreensão e aceitação, e não nos fecharmos em resistências tolas.

Se formos sensíveis, inteligentes e humanos podemos fazer dessa situação uma ótima oportunidade de viver com o Outro a experiência de companhia, amizade e solidariedade. Ficar perto um pouquinho, tocá-lo e ouvir esse ser humano tão debilitado emocionalmente são os bálsamos necessários para os hematomas da alma. Não é necessário ter uma explicação convincente sobre o porquê da doença ou dizer palavras sábias de fortalecimento. O fundamental é a intenção de acolher.

Para essas situações das quais ninguém está imune de viver, Arthur da Távola deixou-nos uma bela receita:

“Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso é ser infeliz. Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.”

O prazer de ver o mundo como uma linda caixa de gizes coloridos, que está ao nosso dispor, vem devagar nas pessoas com depressão, e cabe a todos nós ajudá-las nesse processo. Mas, para isso, precisamos crer na capacidade de renovação de cada ser humano e lembrar que toda doença pede ação, mas também, o exercício da paciência.

Dez vantagens grisalhas

Dez vantagens grisalhas
USA, New Jersey, Jersey City, Senior woman sitting in bed and suffering from insomnia

1- 
Você não precisa mais ouvir: Aproveite o momento, pois a juventude passa rápido. Ela já passou inteira para você. Agora, você pode atualizar suas aventuras em Trancoso, Cuzco, Canoa Quebrada pregando fotos na parede do seu quarto.

2- Você sorri quando ouve o cara de 40 anos dizer que está envelhecendo. Pensa: Ele não tem a mínima noção do que é ficar velho. Mas não adianta contar para ele. Não precisa pressa, ele vai aprender.

3- 
Você entra no metrô cheio e tem uma cadeirinha te esperando. Então você pode, sentada, olhar os outros correrem. Correria para você é perda de tempo. Você compreendeu que o melhor sempre alcançamos devagar.

4- Quando jovem você sentia um certo constrangimento de dormir no meio de um filme. Agora você sabe que há filmes que merecem mais do que seu sono. Merecem seu ronco.

5- A pergunta O que vão pensar de mim? Vai definhando em importância. Relevante é o que você pensa sobre você. Os anos fizeram você enxergar que o eu interior é impenetrável e intransferível.

6- Você não tem medo das pedrinhas no caminho do cotidiano. Pois tropeçou muitíssimo. Não tem medo de perder trem, avião, festa. Você já perdeu pessoas muito amadas. Daí, por que se aborrecer com miudezas?

7- Os novinhos supõem que você tem experiência. Mas também acreditam que se o mundo mudou, certamente você está antiquada. Você não fica com raiva, porque lembra que cometeu igual engano em relação ao seu avô e a sua avó.

8-Você desiste de assistir a propagandas na tv. Só aparecem jovens viajando, bebendo cerveja, dirigindo carros, contratando operadoras de celulares. Apesar de você ter mais dinheiro do que eles, nenhuma empresa quer te seduzir.

9- Você também não precisa mais brincar de seduzir. Sabe que a sedução é um jogo como tantos outros. Já jogou tanto que os dados viciaram. Hoje, está mais interessada na sinceridade, mesmo quando ela se volta contra você.

10- O único que você não se acostuma é com a invisibilidade. Algumas vezes, as pessoas nem veem você. Mas, parando para observar, até nisso há uma vantagem. Você pode derramar algumas lágrimas que o estranho ao seu lado nem vai notar. Também pode rir alto e ninguém vai ligar.

A Síndrome do Coitadinho

A Síndrome do Coitadinho

Hoje eu vou falar de um tema inquietante e bastante questionador também, a síndrome do coitadinho. O que é a síndrome do coitadinho? É uma das mazelas mais comuns da sociedade, principalmente no mundo de hoje, onde grande parte das pessoas tem medo de encarar a vida de frente e de cabeça erguida, sendo maduras e auto confiantes.

A principal característica de uma pessoa que sofre da síndrome do coitadinho é se colocar como VÍTIMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS, e se colocar como vítima traz sempre aquela ideia de que a culpa é do outro. O que acontece com essas pessoas é que elas não desenvolveram a sua saúde psíquica e emocional. Assim como o nosso corpo precisa de exercícios, a nossa mente e o nosso espírito também precisam de exercícios. Em minha opinião, as melhores formas de exercitar a mente e o espírito são: estar perto de pessoas que lhe façam crescer como ser humano e buscar o autoconhecimento e a espiritualidade. Seguindo isso a possibilidade de você ser um coitadinho é muito pequena, porque você vai estar emocionalmente equilibrado e não vai precisar ser vítima para conseguir o que quer.

Eu vou ser bem sincero com os leitores. Eu não tenho muita paciência com os que se fazem de coitadinhos. Sabe por quê? Porque eles são verdadeiros SUGADORES DE ENERGIA. Eu percebo que algumas pessoas que se aproximam de mim ficam falando sem parar e esperam que eu seja um remédio para elas. Isso acontece porque elas estão tão perturbadas emocionalmente que vêm sugar a minha energia positiva. Elas vêm com um papo clássico: “Eu não devia ter feito isso…”, “Eu não devia ter feito aquilo…”, “Fulano de tal não devia ter feito tal coisa comigo…”, “Fulano devia ter me tratado com respeito…”. E tudo fica só no devia, devia, devia… Essas pessoas ficam falando sem parar esperando uma atitude de pena e condolência, mas eu não faço isso não, aprendi que não se deve agradar a todos. Se alguém quiser esperar de mim uma alguma coisa que não posso fazer vai esperar sentado, porque não vou fazer. Isso não é arrogância meus amigos, isso é sinceridade, transparência e autenticidade, coisas que cada vez mais estou aprendendo a desenvolver.

Eu não me canso de falar que a nossa vida é o resultado dos nossos pensamentos e sentimentos. Eu procuro de várias formas diferentes nutrir bons pensamentos. É um exercício diário. Eu faço isso porque tenho como um dos maiores ideais a felicidade e a saúde completa (corpo, alma e espírito).

Por que as pessoas que se fazem de coitadinhos sofrem tanto? Elas sofrem porque só se focam no seu sofrimento, em vez de se focarem nas soluções dos seus problemas. Eu também adoro falar sobre as grandes personalidades mundiais. Essas pessoas de sucesso conseguiram os seus sucessos porque não dormiram no ponto com reclamações e lamentações, ou seja, focaram toda a sua energia apenas no sucesso. Dispuseram de muita energia para conseguir atingir suas metas e planos.

Agora eu vou falar o mais pesado de tudo. Não me leve a mal, mas eu preciso ser ríspido para falar de um tema como esse. Sabe qual é o antídoto e o principal remédio para um coitadinho? O DISTANCIAMENTO. Isso mesmo! Eu já comprovei por fatos que se você se distancia de um coitadinho ele vai pouco a pouco começar a refletir sobre a sua vida e se perguntar: “Será que eu tenho sido uma pessoa boa para os outros?”, “Será que a minha presença está agradando os meus amigos?”, “O que será que eu posso fazer para ser mais agradável?”, “O que será que eu fiz que incomodou tanto?” etc.

O distanciamento é um excelente remédio, porque os coitadinhos são viciados em falar, e falam repetidamente as mesmas coisas. São como um disco arranhado que insiste em tocar o mesmo verso. É muito chato estar perto de alguém que não tem assunto, que só sabe falar de raivas, de descontentamentos, de injustiças pessoais, de humilhações etc. Chega! Não precisa ser assim! Porque que ao invés de ficar falando de tanta chatice, você que se faz de coitadinho, não fala que vai comprar um bom livro para refletir sobre as questões humanas? Vai fazer uma terapia, um ioga, uma meditação? Ou que vai se esforçar para conviver em paz com aquela pessoa que lhe faz raiva? Ou que vai ser mais tolerante? Mais prestativo? Mais humilde? Menos invejoso? Tenho certeza que se eles procedessem assim deixariam de ser coitadinhos.

Vou concluir falando de uma coisa importantíssima para eliminar de vez a Síndrome do Coitadinho. Faça a seguinte pergunta: “Eu estou agregando valor à vida das pessoas?”. É uma pergunta muito simples e ao mesmo tempo muito complexa. O que é agregar valor à vida de uma pessoa? É fazê-la querer estar perto de você. É ser relevante no círculo social. É ser aquela pessoa que faz falta quando não está presente. É ser aquela pessoa que traz um ar diferente a todo ambiente em que adentra. Enfim, agregar valor é ser RELEVANTE.

Então! Você quer ser relevante ou quer ser coitadinho? Eu optei por ser relevante! É um caminho que se trilha diariamente. Não dá para ser relevante se você faz sempre as mesmas coisas, se você vive de mesmices, se você se nega a fluir com a vida, e sentir aquilo que ela tem de melhor. Inclusive tem uma frase brilhante do grande Albert Einstein em que indiretamente ele está falando dos que se fazem de coitadinhos: “Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Reflita sobre essa frase…

Quando vier a primavera – Alberto Caeiro – Fernando Pessoa.

Quando vier a primavera – Alberto Caeiro – Fernando Pessoa.

Quando vier a primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando

Interpretação: Pedro Lamares

Disk Denúncia “Ontem ele me beijou e me deixou marcas, mas não eram de batom.”

Disk Denúncia “Ontem ele me beijou e me deixou marcas, mas não eram de batom.”

4 dados sobre violência contra a mulher.

1. 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; no caso dos homens.

2. 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos.

3. 56% dos homens admitem que já cometeram alguma dessas formas de agressão:xingou, empurrou, agrediu com palavras, deu tapa, deu soco, impediu de sair de casa, obrigou a fazer sexo.

4. 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente.

São dados retirados do site Compromisso e Atitude

São por essas e tantas outras razões que Nina Oliveira e Gabi da Pele Preta interpretam Disk Denúncia, uma forte canção sobre a cultura de violência contra a mulher que ainda insiste em nossa sociedade.

Regra número 1 da boa convivência: para subir o nível, desça do salto.

Regra número 1 da boa convivência: para subir o nível, desça do salto.

Não importa quanto dinheiro você tenha. Não interessa o quanto você estudou mais que os outros. Valem nada seu sobrenome famoso, seu cargo importante, sua cidadania estrangeira, seus parentes no governo ou seu foro privilegiado. No fim, somando tudo isso o resultado será nada. Está faltando é compaixão entre nós.

Sabe aquela história de inverter os papéis e se colocar no lugar do outro? Essa coisa que a gente chama de empatia, compreensão? Então. De nada adianta se, depois desse exercício de transferência, a gente não se compadece da situação alheia.

Sem compaixão, seguiremos sobrevoando a miséria que julgamos não ser nossa, fingindo seriedade, sem nada fazer a respeito. Tratar o outro como você gostaria de ser tratado se estivesse no lugar dele não é só uma questão de bom senso. É uma prova de decência.

Não é preciso doar toda a sua fortuna para a caridade, não. Mas seria bom um gestozinho nobre aqui, uma mãozinha na consciência ali. Coisa simples, sabe? Já viu como em todo canto há pessoas se achando melhores do que as outras? Sempre tão certas de ter herdado a sabedoria divina, saem por aí maltratando funcionários, prestadores de serviço e outras figuras em “condição inferior” com a única tarefa de desvalorizá-las, enquanto pontificam sua supremacia em clichês como “as oportunidades são iguais para todos”, “sou rico porque trabalhei mais” ou “só vagabundo pede esmola”, esticando até o limite o elástico da generalização.

Será assim mesmo? Eu tenho dúvidas. Grandes e dolorosas dúvidas latejando feito calo. Por exemplo: você já reparou como se comportam certos motoristas no trânsito em relação às pessoas que panfletam folhetos publicitários no semáforo? Se ainda não, eu conto como é: certos motoristas fecham a cara, o vidro e o tempo quando alguém do lado de fora lhes estende um panfleto comercial no semáforo. Isso é chato, feio e desumano. Não custa nada aceitar esse material de bom grado. Não para fazer valer o investimento que alguém fez nesse tipo de propaganda. É pela pessoa que está ali trabalhando.

Antes de argumentar que esses motoristas fecham o vidro por “questão de segurança”, pense. Você sabe muito bem o que significa “contexto”. Em geral, quem distribui folhetos promocionais nos semáforos o faz em horário comercial, à luz do dia. E você também sabe diferenciar uma pessoa “suspeita” de um trabalhador com um maço de papéis na mão distribuindo de carro em carro.

E tudo bem se você não vai comprar apartamento com dois dormitórios e varanda gourmet em ótima localização. Não importa se o que se está divulgando ali não lhe interessa. É só pegar o folheto! E se puder dizer “bom dia”, “boa tarde” e “obrigado” a quem lhe entregar esse material, tanto melhor. Repito. A pessoa está ali trabalhando!

Depois, em casa, você tira os folhetos do carro, joga no lixo reciclável e pronto! É tão simples! Claro que você não tem a obrigação de fazê-lo. Ninguém tem. Mas eu insisto: é tão simples!

Já ouvi dizerem por aí, assim, na maior, que a diferença entre quem está dentro dos carros e quem está fora, panfletando, é o grau de esforço anterior de cada um. Segundo essa generalização esdrúxula, quem está ali fora, sujeitando-se à humilhação imposta por alguns dos que estão dentro, é porque não estudou nem se esforçou o bastante. Típico raciocínio preconceituoso, simplista, superficial e boboca que, aos poucos, vai nos transformando em uma sociedade cínica e incapaz de pensar seus problemas.

As coisas nem sempre são tão simples assim, sabe? Nem sempre se trata do que muitos de nós se acostumaram a chamar de “vitimismo”, enfiando num mesmo balaio todos os cidadãos que, por algum motivo, “não deram certo na vida”.

Agora, e daí se o sujeito que entrega panfletos no semáforo estudou menos que a pessoa de dentro do carro? Isso os torna mesmo diferentes a ponto de um se achar melhor que o outro?

Só para constar, eu já fiz esse tipo de serviço. Distribuí folhetos no semáforo para divulgar um evento em 1994. E não estou me vitimizando, não. Eu estava na faculdade e o dinheiro que ganhei com aquilo na época foi providencial. Levei comigo para a lida o meu irmão caçula, que naquele tempo tinha 15 anos, e ele fez uma graninha também. O que ganhamos panfletando ajudou em nossa casa. Foi um trabalho honesto e que nos ensinou muito sobre a vida e sua gente. Acredite. Eu sei do que estou falando!

Tem gente dentro do carro que olha o panfleteiro como se tivesse acabado de tirá-lo do próprio nariz!

Tem gente que torna o mundo pior assim, aos pouquinhos, fingindo não perceber.

Tem gente que vai achar este texto um mimimi monumental, tão certa de que há coisa mais importante para discutir, tão convencida de que a nossa incapacidade para a empatia e a compaixão nada tem a ver com a intolerância que se espalha por todo canto, tão confortável em cima de seu salto alto.

Mas também tem gente que vai pensar um pouquinho no assunto. Eu agradeço por isso. GRAÇAS A DEUS, tem gente que ainda pensa. Pensemos juntos. Desçamos do salto. Subamos o nível. Está faltando compaixão aqui embaixo.

Os 6 melhores diálogos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Os 6 melhores diálogos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Por Luisa Bertrami D’Angelo

Continuou sentada, de olhos fechados, e meio que acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastava abrir os olhos para que tudo se transformasse na realidade monótona… (p. 170-171)

“Meu Deus, meu Deus! Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: ‘Quem é que eu sou?’. Ah, essa é a grande charada!” (p. 26)

“Era muito mais agradável em casa”, pensou a pobre Alice, “quando não vivia crescendo e diminuindo desse jeito, nem recebendo ordens de camundongos e coelhos. Quase gostaria de não ter caído aquela toca de coelho… porém… porém… é bem curioso, sabe, esse tipo de vida! Queria saber o que foi que aconteceu comigo! Quando lia contos de fada, imaginava que essas coisas nunca aconteciam, e agora estou no meio de um deles! E quando crescer, vou escrever um livro… mas já estou crescida agora”, acrescentou num tom triste. “Pelo menos não há mais espaço para crescer neste lugar”.
“Mas neste caso”, pensou Alice, ” nunca vou ficar mais velha do que sou? Por um lado, será um alívio… jamais serei velha… mas, por outro lado… sempre ter lições para aprender! Oh, eu não gostaria disso!” (p. 50)

“Quem é você?”, disse a Lagarta.
Não era um começo de conversa muito estimulante. Alice respondeu um pouco tímida: “Eu… eu… no momento não sei, minha senhora… pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então”.
“O que você quer dizer?”, disse a Lagarta ríspida. “Explique-se!”
“Acho que infelizmente não posso me explicar, minha senhora”, disse Alice, “porque já não sou eu, entende?”
“Não entendo”, disse a Lagarta.
“Receio não poder me expressar mais claramente”, respondeu Alice muito polida, “pois, para começo de conversa, não entendo a mim mesma. Ter muitos tamanhos num mesmo dia é muito confuso.” (p. 61)

“Gatinho de Cheshire” começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu ainda mais o sorriso. “Vamos, parece ter gostado até agora”, pensou Alice, e continuou: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“O lugar não importa muito…”, disse Alice.
“Então não importa o caminho que você vai tomar”, disse o Gato. (p. 84)

“Nesta direção”, disse o Gato, girando a pata direita, “mora um Chapeleiro. E nesta direção”, apontando com a pata esquerda, “mora uma Lebre de Março. Visite quem você quiser, ambos são loucos.”
“Mas eu não ando com loucos”, observou Alice.
“Oh, você não tem como evitar”, disse o Gato, “somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.”
“Como é que sabe que eu sou louca?”, disse Alice.
“Você deve ser”, disse o Gato, “senão não teria vindo pra cá.” (p. 84-85)

Alice suspirou cansada. “Acho que você poderia aproveitar melhor o seu tempo”, disse, “em vez de desperdiçá-lo propondo charadas que não têm resposta.”
“Se você conhecesse o Tempo como eu conheço”, disse o Chapeleiro, “não falaria em desperdiçá-lo, como se fosse uma coisa. É um senhor.”
“Não entendo o que você quer dizer”, disse Alice.
“Claro que não entende!”, disse o Chapeleiro, atirando a cabeça desdenhosamente para trás. “Acho que você nunca sequer falou com o Tempo!”
“Talvez não”, respondeu Alice cautelosamente, “mas sei que tenho de bater o tempo, quando estudo música.”
“Ah! Isso explica tudo”, disse o Chapeleiro. “Ele não suporta ser batido. Agora, se você mantivesse boas relações com o Tempo, ele faria quase tudo o que você quisesse com o relógio. Por exemplo, vamos supor que fossem nove da manhã, bem na hora de começar as aulas. Você só teria de sussurrar uma dica para o Tempo, e o ponteiro giraria num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!” (p. 94-95)

Edição: L&PM Pocket, 2007

Quem sofre de ansiedade percebe o mundo de maneira diferente

Quem sofre de ansiedade percebe o mundo de maneira diferente
Por Lindsay Holmes

Não dá para discutir com a ciência: as pessoas não podem ser responsabilizadas por ter doenças mentais.

Quem ainda acredita na ideia antiquada de que doenças mentais são coisas “que só existem na cabeça das pessoas” tem mais um motivo para parar de acreditar nesse mito.

Segundo um novo estudo da revista Current Biology, quem sofre de ansiedade percebe o mundo de um jeito diferente – e isso se explica por variações no cérebro.

Tudo tem a ver com a plasticidade do cérebro, ou a capacidade do órgão de se reorganizar e formar novas conexões. Essas mudanças ditam como a pessoa responde a estímulos, e pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, de Israel, descobriram que pessoas diagnosticadas com ansiedade têm menos propensão a distinguir entre estímulos “seguros” ou neutros e estímulos ameaçadores.

Os cientistas descobriram que as pessoas que sofrem de ansiedade têm uma plasticidade mais duradoura depois de uma experiência emocional (ou “estímulo”). Isso significa que o cérebro era incapaz de distinguir situações novas e irrelevantes de algo que é familiar e não-ameaçador, resultando em ansiedade. Em outras palavras, as pessoas ansiosas tendem a generalizar demais as experiências emocionais, sejam elas ameaçadoras ou não.

Mais importante, observam os pesquisadores, essa reação não é algo que esteja no controle dos indivíduos ansiosos, porque se trata de uma diferença fundamental do cérebro.

No estudo, os pesquisadores treinaram os indivíduos a associar três sons específicos com um de três resultados possíveis: perder dinheiro, ganhar dinheiro ou ficar na mesma. Na fase seguinte, os participantes ouviram cerca de 15 tons e identificaram se já tinham ouvido os sons antes ou não.

A melhor maneira de “ganhar” o jogo era não confundir ou generalizar os novos sons em relação aos que eles já tinham escutado antes. Os autores descobriram que as pessoas com ansiedade tinham maior propensão a achar que um som novo era uma repetição.

A explicação não está em problemas de aprendizado ou de audição – na realidade, algumas pessoas associaram os sons da primeira fase do estudo a uma experiência emocional (ganhar ou perder dinheiro) de maneira diferente de outros participantes do estudo.

Os pesquisadores também descobriram que, durante o exercício, as pessoas com ansiedade exibiram diferenças na amídala, a região do cérebro associada ao medo. O resultado pode explicar por que algumas pessoas desenvolvem transtorno de ansiedade e outras, não.

“Os traços da ansiedade podem ser completamente normais e até benéficos do ponto de vista da evolução. Mas um evento emocional, mesmo que de pouca importância,pode induzir mudanças no cérebro que podem levar a um transtorno de ansiedade”, disse o pesquisador Rony Paz em um comunicado.

A nova pesquisa é um lembrete de que as pessoas não podem ser responsabilizadas por ter doenças mentais; as evidências indicam que a saúde mental tem raízes genéticas e fisiológicas. Um estudo de 2015 descobriu que a ansiedade pode ser hereditária, enquanto outras pesquisas sugerem que a depressão pode ser uma doença inflamatória.

Entretanto, apesar de um crescente conjunto de pesquisa, ainda as doenças mentais são cercadas por estigma. Segundo os Centros de Prevenção e Controle de Doenças, órgão do governo americano, apenas 25% das pessoas que sofrem de doença mental acreditam que os outros compreendem suas experiências.

A que ponto chegamos?

A que ponto chegamos?

Quando começamos a “nos acostumar” com as movimentações de ódio por todo o país, uma cena apresenta-se ainda mais chocante: a total indiferença com relação ao humano.

Na última quinta-feira (21), após o desabamento da ciclovia da avenida Niemeyer, em São Conrado- Rio de Janeiro, uma imagem postada pelo fotógrafo Felipe Dana emudeceu as pessoas que acompanhavam a tragédia pela internet. Nela, pessoas mantinham sua rotina de atividades e lazer com total indiferença aos corpos estendidos na praia. Tudo parecia seguir tranquilamente como se nada tivesse acontecido, como se ignorar a morte e a dor de nosso semelhante fosse uma opção viável em dia de sol e praia.

contioutra.com - A que ponto chegamos?
Fotografia- Felipe Dana

A violência e a descredilidade pelas quais todos estamos passando e sendo obrigados a conviver, certamente está deixando marcas mais profundas do que as manifestações de ódio com as quais estamos todos tendo que lidar diariamente. Até porque, quando o ódio aparece, algum sentimento está sendo demonstrado. Entretanto, quando as pessoas se colocam totalmente alheias e não apresentam nem mesmo a curiosidade mórbida pelos corpos, a alma da humanidade também sangra e morre.

No ano passado tivemos uma comoção nacional pela morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo e essa comoção já foi tratada com desprezo por muitos que diziam que a comoção pública era manipulada e fruto da ignorância do povo. Se não havia justificativa pelo talento ou real conhecimento do cantor, pouco importava, mas havia um sentimento associado, um luto possível onde as pessoas choravam pela perda de alguém, onde se identificavam de alguma forma com uma pessoa humilde que teve sucesso e que teve a vida abreviada. Não foi diferente quando a barragem de Marina se rompeu. Também houve uma cobertura exagerada da mídia. Mas, nessa situação, as pessoas também se sensibilizaram porque viam a dor do outro que perdeu a vida, a casa. Sensibilizam-se porque viram que, frente a algo daquela proporção, ninguém é imune e, assim, enquanto choravam pelo outro, também choravam por suas próprias perdas e medos.

Mas, e quando a indiferença se instala e mais nada aparece?

É impossível não evocar a imagem de um vulcão aparentemente adormecido, mas que na verdade está cheio de lava a pulsar. Quando entrará em erupção? Será que haverá tempo para fuga? Terão as pessoas consciência do tamanho da destrutividade ou serão todas mortas pela ignorância do desconhecido, como aconteceu na cidade italiana de Pompéia, em 79 d.C?

No filme alemão “A Onda”, de 2009, um professor torna-se um líder ditador quando aparece como única forma de organização de um grupo de jovens sem objetivos.

Quando o afeto não é direcionado para vínculos e laços humanos saudáveis, quando as pessoas perdem seus sonhos e não enxergam mais objetivos, sobressaem-se as necessidades básicas pelo prazer imediato ou por algo ou alguém que lhes diga o que fazer, a quem obedecer ou até mesmo a quem odiar. O senso crítico é falho se desconsiderar o humano.

Que a fotografia da morte de dois semelhantes não deixe de ser um retrato educativo do que estamos vivendo, que nossas vidas não sejam em vão a ponto de não nos importarmos mais com aqueles que caem ao nosso lado durante a jornada.

Que possamos perceber que aquele que morre também é parte de nós.

A lava pulsa, espero que seja vista a tempo.

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Outros sites que falaram sobre a foto: O GloboDiário Online, Extra.Globo

Nota: Para quem questionou a veracidade da imagem, no texto há o link do fotógrafo que assina e explica a fotografia. A cena também foi televisionada (na altura dos 20 min é possível ver as pessoas brincando- certamente um dos momentos em que o fotógrafo captou). Entretanto, esse fato ter acontecido não quer dizer que todos foram indiferentes. Sabemos que muitos, provavelmente a maioria, foram solidários. Mas todos sabemos também que as pessoas que convivem com mortes perto de si começam a “se acostumar” a desviar dos corpos e seguir com a vida. É dessa perda de sensibilidade que falo e a reflexão é sobre isso: sobre como a sociedade tem nos empurrado cada vez mais para a falta de humanidade, mesmo que seja como um mecanismo de defesa. Mas há consequências por causa dessa repressão da sensibilidade e da dor e não podemos deixar de refletir sobre isso.

Nota 2:O site e-farsas também já analisou e comprovou a veracidade da imagem.

Mudar exige entrega

Mudar exige entrega

Todo recomeço é como acordar de um sonho, seja ele bom ou ruim. Para cada virada de página há um preço a ser pago, seja com sorrisos ou com lágrimas; com nostalgia ou urgência: qualquer mudança exige entrega.

Às vezes tudo o que temos é um fio, um frágil fio de esperança ao qual temos que nos agarrar para continuar acreditando que o novo virá.

E ele sempre vem.

Quem nunca pensou ter chegado ao fim quando, na verdade, estava apenas começando? Um novo amor, uma nova vida, um novo caminho a ser construído pedra por pedra, tropeço por tropeço. Acreditar na transitoriedade das coisas, taí algo que me conforta quando sinto que estou quase atingindo aquilo que penso ser o fundo do poço.

“Fundo do poço pra quem, cara pálida?”, ouço uma pequena voz dentro de mim reclamar sempre que isso acontece.

Foi essa mesma voz que impulsionou grandes revoluções, levando adiante ideias e planos que para muitos não passavam de tolices, de coisa de gente que viaja demais. Galileu, Einstein, Joyce e tantos outros, todos tinham em comum essa predileção por dar ouvidos ao que essa voz, às vezes tímida e às vezes autoritária, dizia.

É que sonhar não ocupa espaço, pelo contrário; sonhar abre espaço para que mais e mais conquistas sejam possíveis, e não estou falando de troféus pendurados na parede – de nada adianta ter medalhas para polir quando a mente está empoeirada. Portanto, sonhe o impossível até que ele seja possível de olhos abertos.

Não importa o quanto tentemos dizer que não, o novo, esse cavaleiro de armadura reluzente, sempre aparece para nos salvar dos dragões que ameaçam por fim à nossa jornada, à nossa travessia por essa vida que nem sempre é bonita como cantava Gonzaguinha, é verdade, mas que é a única que temos.

A coragem, a que empurra para frente quando o mundo te obriga a ir para trás, é um item raro, quase de colecionador. Não vale a pena esvair-se em desistências por conta do medo do que está por vir, das páginas em branco a serem preenchidas. Não troque o prazer de reinventar-se pela angústia da monotonia. Lembre-se: dexistir (assim mesmo, com x) é opcional.

Somos exploradores por natureza, descendemos de caçadores e coletores que se aventuraram a ir cada vez mais longe, abrindo caminho da escuridão das eras distantes até os dias atuais. Agora mesmo estamos tentando cobrir vastas distâncias da nossa galáxia em busca de respostas e, quem sabe, encontrar algum vizinho espacial dando sopa por aí. “A vida procura por vida”, dizia Carl Sagan.

Então, da próxima vez que pensar em desistir, faça um favor a si mesmo e talvez ao mundo inteiro: pare, respire fundo e ouça atentamente o que essa voz destemida e ancestral tem a lhe dizer.

Poeta descreve a depressão como um colega de quarto

Poeta descreve a depressão como um colega de quarto

Dan Roman é poeta e soube usar metáforas para explicar a depressão por um outro ângulo. Você já tinha visto algo parecido?

É impressionante como algumas pessoas conseguem transformar angústias da própria intimidade em arte. Dan fez isso muito bem: traduziu um sentimento profundo e abstrato em frases simples de entender.

Como ele fala rápido e o vídeo tem legendas, talvez mereça ser visto duas vezes. Entretanto, o resultado é muito bom.

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