A culpa é do menino

A culpa é do menino

Meu pai tem quatro filhas mulheres, alguns amigos dele “brincam” e falam que ele veio ao mundo pra ser apenas fornecedor.

Desde quando ajudar a colocar mulheres no mundo é fornecer algum produto? Sim, produto. É assim que a maioria das mulheres é vista. Apenas mais um produto no mercado.

De quem é a culpa da repetição inveterada dessas ideias? A culpa, meus caros, é do menino. A culpa é do menino que ouviu “Prendam suas cabras que meu bode tá solto”.

A culpa é do menino que, desde o primeiro dia de vida (e até mesmo antes dele) tem que conviver (e viver!) sob a ditadura das cores frias, dos infindos tons de azuis, verdes, cinzas. Como se aquilo fosse apenas mais uma imposição da sociedade que insiste que nossos meninos sejam assim: frios como as cores que os vestimos, insensíveis e “durões”.

Dificilmente vemos bebês do sexo masculino desfilando por aí em tons de vermelho, laranja e rosa porque eles, os meninos, têm que aprender desde cedo que essas cores não são cores de homem.

A culpa é do menino que quando foi pra escola de camiseta rosa foi alvo de chacota, foi chamado de “menininha” porque “menino não usa rosa, rosa é cor de menina”. A culpa é do menino que ouviu do pai, da mãe, daquele tio pé no saco… “Essa camiseta é bonita. Mas rosa? Rosa não, olha o tanto que essa azul é mais bonita.”.

A culpa é do menino que foi repreendido ao pegar a boneca da irmã menor pra brincar de comidinha e bebê e teve que ouvir do pai/mãe que seus brinquedos eram os carrinhos e aviões.

Porque, afinal de contas, para que ensiná-los a lidar com bebês e utensílios domésticos se o que basta é ter dinheiro pra comprar um carro do ano? Se eles nunca terão que lidar com seus filhos já que terão sempre uma mulher por perto que foi criada exatamente para lavar, passar, cuidar das crias e limpar a casa?

Sim, sozinhas!

Porque o menino foi criado como um pequeno príncipe tão ignorante a tudo que diz respeito ao lar em que vive que os afazeres domésticos, mesmo que mais simples, eram indignos de toda a grandiosidade que sua masculinidade tem que impor, deve impor.

A culpa é do menino que foi repreendido pelo pai ao chorar quando sentia dor porque “Engole esse choro! Menino não chora! Você quer que as pessoas pensem que você é mariquinhas?”.

A culpa é do menino que foi ensinado a duras penas que demonstrar sentimento era algo indigno e só as mulheres podem fazer. Que foi moldado a não sentir, e, quando não sentir é pedir demais eles foram ensinados a não demonstrar seus sentimentos. “Porque menino bom é menino duro na queda!” e “Olha, esse é meu filho, durão demais, não chora por nada esse aí.”.

A culpa é do menino que quando chegou da escolinha chorando e perguntaram o motivo do choro e quem tinha feito o hematoma no bracinho esquálido respondeu que foi a coleguinha que bateu porque ele foi pegar um brinquedo e ela não deixou teve que ouvir “Mas você já é um homem! Anda apanhando de menininha?” e ele foi lá no outro dia e revidou. E aprendeu que não se leva desaforo pra casa, muito menos dentro dela.

A culpa é do menino que nunca pôde sentir. Na verdade, a culpa é da mãe, do pai, do tio, da avó, do avô… por serem responsáveis por formar meninos tão “durões”. Então, vamos pensar antes de replicar essas frases pros nossos meninos! Para que eles sejam meninos e, futuramente, homens melhores!

Texto de Sarah Stephane N. Carneiro, em 26 de abril de 2016

Vacina contra Alzheimer mais perto de se tornar realidade

Vacina contra Alzheimer mais perto de se tornar realidade

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Laval, do Centro Hospitalar Universitário de Québec e da empresa farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), todos em Quebec, no Canadá, descobriu uma maneira de estimular os mecanismos de defesa naturais do cérebro em pessoas com doença de Alzheimer.

Este grande avanço é uma oportunidade para o desenvolvimento de um tratamento para a condição, bem como uma vacina para preveni-la.

Essa não é a primeira vez que uma injeção para prevenir e tratar a doença é estudada.

Mas os pesquisadores estão confiantes de que estão mais perto de uma solução para pacientes e pessoas em alto risco de desenvolver a condição.

O estudo

Uma das características principais da doença de Alzheimer é a produção de uma molécula tóxica conhecida como beta-amiloide no cérebro.

Microgliócitos, defensores do sistema nervoso, são incapazes de eliminar essa substância, que forma depósitos no cérebro dos doentes, chamados de placas senis.

  • Como é ter Alzheimer?

A equipe liderada pelo Dr. Serge Rivest, professor da Universidade Laval e pesquisador do Centro Hospitalar Universitário, identificou uma molécula que estimula a atividade destas células do sistema imunológico do cérebro.

A molécula, conhecida como MPL (monofosforil-lípido A), tem sido amplamente utilizada como um adjuvante de vacina na GSK durante muitos anos. Por conta disso, sua segurança está bem estabelecida.

Os pesquisadores então deram injeções semanais de MPL a ratos com sintomas de Alzheimer durante um período de doze semanas. Eles descobriram que as injeções eliminaram até 80% das placas senis.

Além disso, os testes de medição da capacidade dos camundongos de aprender novas tarefas mostraram melhora significativa na sua função cognitiva durante o mesmo período.

Os pesquisadores veem dois usos potenciais para a MPL. Ela pode ser administrada por injeção intramuscular a pessoas com doença de Alzheimer para retardar a progressão da doença, estimulando seu sistema imunológico natural, e também pode ser incorporada a uma vacina destinada a estimular a produção de anticorpos contra o beta-amiloide como uma medida preventiva para pessoas com fatores de risco para a doença.

“Quando nossa equipe começou a estudar o Alzheimer, há uma década, nosso objetivo era desenvolver um melhor tratamento para os pacientes”, explicou o professor Rivest. “Com a descoberta anunciada, eu acho que estamos perto do nosso objetivo”.

Para ver o artigo sobre a pesquisa publicado na revista PNAS (em inglês), clique aqui.

Outras vacinas

Há um tempo, estudos semelhantes vêm desenvolvendo vacinais potenciais para o Alzheimer. Os ratinhos são cobaias desde 2009.

Naquele ano, uma pesquisa realizada na Universidade Ben-Gurion, em Israel, chegou perto de criar uma injeção específica para a doença, que podia reduzir os danos neurológicos e inflamações relacionadas ao Alzheimer.

Ratos com genes humanos e sintomas de Alzheimer receberam injeções para estimular uma resposta imunológica, o que resultou em uma melhora grande das placas no cérebro, além de uma melhora na reação inflamatória.

Em 2012, outras duas pesquisas testaram vacinas que podiam funcionar como tratamento para o Alzheimer.

Uma delas tinha como alvo os príons, que são compostos responsáveis pela ativação de determinadas proteínas, amadurecimento e prolongamento de neurônios e modulação de respostas imunes no nosso cérebro. Eles podem se tornar patogênicos, causando doenças crônicas e degenerativas do sistema nervoso central.

A Universidade de Leicester, na Inglaterra, tentou curar ratos com doenças de príon e descobriu que injetar uma certa proteína protegia suas células cerebrais durante mais tempo e prolongava suas vidas. O processo pelo qual as doenças de príon afetam o cérebro de ratos é parecido com o de outras condições cerebrais degenerativas em humanos, como Alzheimer ou Parkinson, e o próximo passo da pesquisa é ver se o tratamento pode se aplicar a essas doenças também.

Por fim, uma pesquisa feita por cientistas suecos desenvolveu uma vacina que podia reduzir os casos de Alzheimer pela metade.

Chamada de CAD10, ela ajuda os pacientes a desenvolverem anticorpos contra a forma mais comum de demência, afetando as ligações neurais.

De acordo com os testes realizados com pessoas entre 50 e 80 anos durante três anos, a vacina poderia “atrasar” a doença em até cinco anos, sem nenhum efeito colateral.

O que nos resta agora é aguardar para que um desses tratamentos seja amplamente disponibilizado.

26 dicas para tomar o controle da sua vida de volta

26 dicas para tomar o controle da sua vida de volta

Existe um velho ditado que diz que o tempo cura todas as feridas. Bem, eu não acredito que isso seja totalmente verdade.

Nas palavras do Dr. Phil, “O tempo não nos muda. É o que fazemos com esse tempo que nos muda”.

Só nós mesmos somos capazes de tomar o controle da nossa vida.

O que precisamos é encontrar algo que nos leve para frente, que nos faça evoluir. E se mesmo assim você continuar se sentindo perdido, nós temos 26 dicas de como tomar o controle da sua vida de volta.

1. ENTRE EM FORMA

Já ouviu falar em “corpo saudável, mente saudável”? Exatamente.

Estar bem com o seu corpo auxilia e muito no seu controle mental, além disso, os exercícios físicos te ajudam a manter a mente forte.

Aproveitar o seu poder físico faz com que você veja que é muito mais capaz do que costumava ser.

2. SAIA DA CIDADE.

Tire um dia, uma semana ou até mesmo um mês, para sair do seu cenário habitual.

Às vezes, tudo o que precisamos para controlar nossa mente é espaço, mas ficamos tão presos a nossa rotina e nossos compromissos que deixamos isso de lado.

Fora de onde você está acostumado a ficar você vai ter mais liberdade e espaço para encontrar e curar-se sozinho.

3. REESCREVA SUA HISTÓRIA.

O passado não é nada mais nada menos que uma história que vivemos repetindo a nós mesmos. Muitas vezes estamos presos a ele e ficamos estagnamos no tempo.

Se há algum problema no seu passado que ainda te prende a coisas ruins, não tenha medo, procure um terapeuta ou alguém de confiança para se abrir e endireitar sua vida.

Só você mesmo pode dar um ponto final e escrever um novo capítulo da sua vida.

4. CONVIDE NOVAS PESSOAS PARA SUA VIDA.

O efeito que um relacionamento pode causar num ser humano é imenso. Às vezes a única forma de tirar a toxicidade de relacionamentos passados da nossa vida é permitindo que novos relacionamentos floresçam.

Assim, você pode escolher os que te fazem bem, os que veem o seu melhor lado e que valorizam o melhor que há em você, aliás, más companhias não fazem bem a ninguém.

5. CONTE A SUA HISTÓRIA.

Umas das formas de fortalecer outras pessoas é compartilhando a sua história. Talvez a forma como você lidou com algo pode servir de exemplo e encorajar outras pessoas a mudarem.

Se recuse a se desculpar pelas coisas que fez, o que você fez ficou no passado, e o que importa é o que você vai mudar para melhorar o presente e o futuro.

Lembra de começar um novo capítulo?

6. SEJA DISCIPLINADO SOBRE O AUTO-CUIDADO.

Quando estamos doentes, nós temos um cuidado especial para descansar, beber líquidos e até tomar remédio. Quando estamos lutando emocionalmente, temos de cuidar de nós mesmos da mesma maneira.

Ao colocar sua recuperação como prioridade você consegue uma recuperação mais rápida e muito menos dolorosa.

7. ALTERE SUA APARÊNCIA.

Muitas vezes mudamos completamente o que somos por dentro e ainda fica faltando uma parte para completar tudo e, bem, essa parte pode vir de fora para dentro.

A mudança que provocamos em nós mesmos nos torna diferentes, ou seja, talvez você não goste mais daquele corte de cabelo ou do estilo de roupa que usa, e se isso acontecer, não tenha medo.

Mude, se renove, e não tenha medo disso, lembre-se que o que importa é você estar bem com si mesmo.

8. SAIA DO QUE NÃO TE FAZ BEM.

No momento em que nossas vidas estão ruins, é aí que temos uma bela oportunidade de recomeçar. E a primeira coisa que você deve fazer é avaliar o que está te deixando para baixo.

Um relacionamento infeliz, um emprego que não te satisfaz e só te cansa ou até mesmo uma amizade que só te decepciona, pegue tudo o que te põe para baixo e tire da sua vida.

Se você vai ser forçado a começar de novo, a melhor coisa é fazer da forma certa, não é?

9. SE DÊ PERMISSÃO PARA SAIR.

Nem tudo que acontece conosco tem que ter um significado ou uma lição. Se o seu passado não serve mais para você, se dê a permissão para deixar ir e esquecer a dor.

Só você pode ditar a sua história e você não tem que colocar ênfase em coisas que te fazem se sentir pequeno.

10. SE CONECTE A PESSOAS QUE PASSARAM POR ALGO SEMELHANTE.

Procure por exemplos, por pessoas que passaram pelo que você está passando, conheça a história delas e valorize a sabedoria que eles adquiriram.

Leve isso como um lembrete constante de que eles passaram por isso, que você não está sozinho, e tudo vai melhorar.

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11. DESLIGUE-SE POR UMA SEMANA INTEIRA.

Isso não é um regra, mas se você pode, tire uma semana para ficar com você mesmo.

Visite parques, museus, medite, vá para um lugar onde as notificações do Facebook e as mensagens do Whatsapp não consigam te alcançar.

Desligue-se e valorize esse momento para se conhecer mais.

12. ARRUME A DESORDEM FÍSICA DA SUA VIDA.

Muitos dizem que quando estamos confusos na nossa vida, acabamos refletindo isso fisicamente, por isso, assim como sua mente, o lugar onde você vive também precisa estar controlado.

Faça uma limpeza daquelas: jogue fora o que não serve mais, doe o que você conseguir e se livre de tudo que te faça mal.

Desapegar-se e colocar as coisas em ordem na sua vida vai te auxiliar bastante nesse processo.

13. FORTALEÇA O RELACIONAMENTO COM AS PESSOAS QUE VOCÊ AMA.

Quando tudo está desmoronando, fique atento a quem ainda está de pé ao seu lado – essas são as pessoas que estão sempre com você.

Eles são as pessoas que vão estar do seu lado para te ajudar, por isso, fortalece os laços com elas. Quanto mais forte for a ligação entre vocês, mas segurança você vai ter para enfrentar tudo e retomar o controle da sua vida.

14. SIGA UM GUIA ALIMENTAR POR UM MÊS.

Assim como os exercícios físicos, uma boa alimentação também faz total diferença para nossa mente. Quando comemos algo que não seja saudável, por mais que seja delicioso, de alguma forma vai nos fazer mal.

Aliás, se alimentando de forma correta você vai notar como o seu nível de energia e mentalidade vai aumentar e te deixar melhor.

15. COMECE ALGO NOVO.

Uma ótima forma de mudar e ampliar nossos horizontes é aprender algo novo.

Um hobbie, uma atividade que você tinha vontade de aprender mas não teve tempo… Foque em algo novo que te faça melhor, amplie seus conhecimentos, fortaleça sua mente.

16. FAÇA UM ORÇAMENTO E SEJA FIEL A ELE.

Não há como tomar total controle da nossa vida com as nossas finanças totalmente descontroladas. O que devemos fazer é encarar nossos hábitos consumistas e tomar controle deles, não nos deixar dominar.

Não há nada tão bom do que viver bem mentalmente e financeiramente.

17. ESTABELEÇA UMA FONTE SAUDÁVEL DE MOTIVAÇÃO.

Nós não somos ilhas, e mesmo que a gente queira ser forte o bastante e super independente, todos nós precisamos de um carinho, um porto seguro.

Encontrar um amigo, um ente querido, alguém que te faça lembrar o quanto você é maravilhoso e que te motive a tomar controle da sua vida, que te ouça e te apoie, todos nós precisamos disso, inclusive nesse momento.

18. INVISTA NO PROCESSO, NÃO NO RESULTADO.

Diversas vezes cometemos o mesmo erro, ficamos planejando e investindo em coisas futuras, apostando nossa esperança nelas, mas devemos fazer o contrário.

Talvez esses planos não venham se concretizar, e para não nos decepcionarmos o que devemos fazer é viver um dia atrás do outro. Quando encontramos alegria e satisfação no processo, fica bem mais fácil o que planejamos se realizar.

19. APRENDA UM NOVO IDIOMA.

Aprender uma nova língua pode ser uma das melhores maneiras possíveis para se lembrar que existe um mundo inteiro lá fora, e que pode ser completamente diferente do seu.

Se comprometendo a aprender uma nova língua pode te mostrar o quão adaptável você pode ser. Prova que você pode se moldar a outras realidades se quisesse.

20. APRENDA A ANDAR LONGE.

Pode parecer confuso, mas há total razão nessa frase.

O maior passo que podemos dar em direção ao controle da nossa vida é aprender a andar longe das coisas que nos fazem ir para atrás. É necessário coragem para recomeçar, e é preciso mais coragem ainda para ficar longe do que te afasta do seu objetivo.

Por isso, ande longe dos obstáculos que a vida te dá e conseguirá tomar controle da sua vida.

21. PERMITA-SE SER MAIS FELIZ DO QUE VOCÊ SE SENTE CONFORTÁVEL.

Muitas vezes tentamos sabotar nossa própria felicidade por achar que “é demais” para nós.

Mas temos que nos permitir viver todas a oportunidades que conseguimos. Se te faz bem, se você quer, se permita viver essa experiência.

22. DEFINA E IMPONHA LIMITES.

Sempre haverá pessoas que vão tentar roubar sua alegria ou te intoxicar com coisas ruins. O que devemos fazer é aceitar que nós não podemos mudar outras pessoas, e se não queremos afundar com elas, devemos impor limites.

23. CORTE UM VÍCIO POR 100 DIAS.

A ideia de nunca mais fumar, nunca mais beber ou comer fast food pode parecer impossível, então, você pode tentar cortar esses vícios por 100 dias.

Tomar controle da sua vida não é somente colocar sua cabeça em ordem, mas é também ter controle do seu corpo, é não deixar nada te dominar.

E quem sabe, no final dos 100 dias você veja vantagem em ter ficado longe desse vício.

24. TENTE ALGO QUE TE ASSUSTE.

Se tem algo que aumenta nossa confiança em nós mesmos, isso se chama superar nossos medos.

Por mais bobo que pareça seu medo, se comprometer a enfrentá-lo e vencê-lo vai te fazer muito mais confiante e mais forte. Juro que isso vai fazer mais diferença do que você imagina.

25. OLHE PARA O QUÃO LONGE VOCÊ VEIO.

Pare, e olhe o quanto você caminhou até este momento, quais foram as coisas que te fizeram mudar, ser assim, quais foram seus erros, seus acertos, do que se arrepende e do que não. E por último…

26. PERDOE OS OUTROS. PERDOE O UNIVERSO. PERDOE A SI MESMO.

Veja o passado como algo que passou, perdoe a si mesmo e se permita recomeçar. Lembra que só você pode dar um ponto final e iniciar um novo capítulo na sua vida?

Não digo perdoar para esquecer o que os outros fizeram, mas digo perdoar e não permitir mais que aquilo te afete, te coloque para baixo, te faça parar.

Tome controle da sua mente, analise sua vida e faça acontecer, pratique o seu auto-controle, faça ele ser constante e se torne senhor de si mesmo.

10 filmes que abordam o sofrimento psíquico de personagens masculinos

10 filmes que abordam o sofrimento psíquico de personagens masculinos

Depois da nossa lista sobre o sofrimento psíquico das mulheres representados em alguns filmes, não poderíamos deixar de elencar uma seleção para o mesmo tema, mas agora com personagens masculinos em ação.

Depressão, luto, esquizofrenia, suicídio, bipolaridade, transtorno de impulso, transtorno obsessivo-compulsivo… cada um dos personagens escolhidos passa por seus dramas pessoais, os quais se desdobram de maneira singular diante das situações que se estabelecem e das redes de suporte e cuidado que encontram pelo caminho.

Mais uma vez, nota-se a importância da ajuda especializada e das redes de relações sociais e afetivas para o restabelecimento da saúde mental necessária a qualidade de vida. Mas na trama complexa da vida, é claro, que alguns conseguem e outros não.

1. Um novo despertar

Walter Black (Mel Gibson) é um homem atormentado por uma profunda depressão e que encontra uma razão para continuar vivendo quando coloca o fantoche de um castor em sua mão esquerda. Tudo ocorre bem até que o castor começa a dominar sua vida, afastando-o de quem ama e até mesmo gerenciando sua própria companhia.

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2. As vantagens de ser invisível

Na trama de As Vantagens de Ser Invisível, um garoto de 15 anos, Charlie (Logan Lerman), entra num colégio enquanto se recupera de uma depressão, que lhe rendeu a perda de seu único amigo que atirou na própria cabeça. No colégio, porém, começa sua jornada de socialização, de crescimento e recuperação com a inadvertida ajuda de dois veteranos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que o recebem em seu mundinho à parte dos populares da escola.

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3. Dom Juan

Um homem de 21 anos (Johnny Depp) dizendo ser o famoso amante Don Juan vai até Nova York para encontrar seu amor perdido, mas, sentindo que não alcançará seu objetivo, tenta se matar. Porém, um psiquiatra (Marlon Brando) consegue convencê-lo a mudar de ideia e começa a tratá-lo. Entretanto, o paciente possui um romantismo irrecuperável e contagioso, que começa a influenciar o comportamento do médico.

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4. O solista

Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é um colunista famoso do Los Angeles Times e vive em busca de uma história incomum. Em um dia como outro qualquer, não exatamente em sua busca por uma matéria, ele ouve na rua uma música e descobre Nathaniel, tocando muito bem num violino de apenas duas cordas. Seu nome é Nathaniel Ayers (Jamie Foxx), um dos milhares de sem teto das ruas de Los Angeles, ex-músico que sofre de esquizofrenia, sonha em tocar num grande concerto e é um eterno apaixonado por Beethoven. Lopez prepara uma coluna sobre sua descoberta e recebe de um leitor, como doação, um instrumento para o músico. É o começo de uma amizade que poderá mudar para sempre suas vidas.

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5. Reine sobre mim

Charlie Fineman (Adam Sandler) perdeu sua família nos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York. Ele procura apoio em um antigo amigo da faculdade, o dentista bem-sucedido Alan Johnson (Don Cheadle), que também passa por problemas. Mesmo tendo família e emprego, muitas vezes Alan se sente bastante sozinho. Ao se ajudarem mutuamente, a vida de Charlie começa a melhorar bastante e o vínculo entre eles, perdido há algum tempo, volta a se fortalecer.

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6. Clube da luta

Jack (Edward Norton) é um executivo jovem, trabalha como investigador de seguros, mora confortavelmente, mas ele está ficando cada vez mais insatisfeito com sua vida medíocre. Para piorar ele está enfrentando uma terrível crise de insônia, até que encontra uma cura inusitada para a sua falta de sono ao frequentar grupos de auto ajuda. Nesses encontros ele passa a conviver com pessoas problemáticas como a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e a conhecer estranhos como Tyler Durden (Brad Pitt). Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.

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7. Mr. Jones

Richard Gere, Lena Olin e Anne Bancroft estrelam esta emocionante história sobre um homem à beira da autodestruição que é salvo pelo amor. Gere é um show de interpretação como Mr. Jones, um maníaco depressivo que, durante suas crises emocionais, é divertido, criativo e envolvente. Chocando a plateia esnobe de uma orquestra subindo ao palco para reger uma sinfonia de Beethoven, ou impulsivamente tomando uma caixa de banco e uma fuga romântica, Mr. Jones é um homem irresistível para qualquer mulher, incluindo a Dra. LibbieBowen (Olin), a preocupa terapeuta designada para seu caso.

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8. O Lenhador

Após 12 anos na prisão, Walter (Kevin Bacon) se muda para uma pequena cidade. Ele vai viver num apartamento em frente a uma escola de ensino básico, cheia de crianças. Walter arruma emprego em uma madeireira e se mantém o mais reservado possível, mas isto não o impede de se envolver com Vicki (KyraSedgwick), uma extrovertida colega de trabalho. Ele, porém, não pode escapar do seu passado e quando os colegas de trabalho descobrem seu crime, a pedofilia, o clima amigável desaparece.

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9. Melhor impossível

Melvin Udall (Jack Nicholson) é um escritor de romances de sucesso em Nova Iorque. Ele é racista, homófono, anti-semita e misantropo. Sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), que aliado à sua misantropia, o isola de seus vizinhos e de qualquer outra pessoa em seu apartamento em Manhattan. Come todos os dias na mesma mesa do mesmo restaurante usando talheres descartáveis que ele mesmo leva consigo. Ele se interessa pela garçonete Carol Connelly (Helen Hunt), a única funcionária do restaurante que tolera seu comportamento abusivo.Um dia, um vizinho de Melvin, o artista plástico homossexual Simon Bishop (Greg Kinnear) é internado em um hospital por causa de um assalto à sua casa. Melvin é forçado a cuidar de Verdell, o cachorro de Simon. Apesar de Melvin odiar o cachorro, ele acaba criando laços de amizade com o animal à medida em que começa a ganhar mais atenção da garçonete. Suas vidas começam a se misturar a partir da volta de Simon do hospital.

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10. K-Pax

Prot (Kevin Spacey) é um homem misterioso, que vive dizendo ter vindo do planeta K-Pax, distante 1000 anos-luz da Terra. Por causa disto ele é internado em um hospício, onde conhece o Dr. Mark Powell (Jeff Bridges), um psiquiatra disposto a provar que ele na verdade sofre de um grave distúrbio de personalidade. Mas as descrições de Prot sobre como é a vida em seu planeta acabam encantando os demais pacientes do hospício, fazendo com que eles queiram ir com Prot quando ele diz que está próximo o dia em que deverá voltar ao seu planeta.

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* Sinopses: Wikipedia  e  Adoro Cinema

Momentos instantâneos que a gente quer rasgar e esquecer

Momentos instantâneos que a gente quer rasgar e esquecer

Como fotografias arrependidas, daquelas que a gente gostaria de nunca ter tirado, que trazem lembranças doloridas, momentos difíceis, sorrisos forçados, retratos amargos.

Assim também os momentos, aqueles que, por vida própria, ou por falta de um comando mais enérgico, se fizeram donos da situação e estragaram uma conversa, magoaram um afeto, maltrataram um coração, despejaram amargor e ressentimento. Mesmo negando, se vieram de nós, somos os condutores desses momentos, somos os protagonistas desses instantâneos.

Era possível esperar um pouco, ponderar um pouco, calar mais um pouco, deixar a resposta para depois, segurar a palavra, a pedra, a sinceridade demasiada?

A gente precisa pensar nessa necessidade quase autônoma de se livrar das palavras, de falar tudo a qualquer custo, de tentar cegamente se esvaziar para lotar o outro, sem medir a força, sem considerar o retorno, sem prever o arrependimento das palavras instantâneas. A emoção é motivadora e também traidora. Depois de encher de coragem, ela recua e dá espaço à razão, que se aproxima desconfiada, fazendo perguntas e elaborando respostas, arrumando a bagunça e contabilizando os danos.

De vez em quando é preciso deixar o vazio atuar. Sem respostas, sem caretas, sem intenção de revidar. Grande parte dos instantâneos podem ser evitados. A gente se relaciona com gente igual, com emoções afins, com humores e com a falta deles. De ambas as partes. É preciso respirar, não apertar o botão, buscar o foco, o melhor ângulo e o mais justo argumento.

Sair por aí reagindo e atacando para todos os lados, assim como quem precisa em tudo ter seu carimbo, é sinal visível de insegurança.

Conseguir calar a uma provocação ou uma palavra mal intencionada, isso garante um sorriso seguro e uma fotografia bem enquadrada.

Evitar os instantâneos furiosos faz bem para a saúde e evita arrependimentos e fotos rasgadas ou apagadas.

Prazer, seja feliz

Prazer, seja feliz

Olá, prazer.

Não te conheço, mas saiba que quero seu bem.

Quero que seja imensamente feliz e amado.

Sou assim. Faço questão de ver bem quem está ao meu lado.

Faça-me somente um favor, só fique se quiser o mesmo pra mim. Não me importa que vá embora, que me deixe, que procure gente mais interessante, mas não perca a hora.

Não quero ninguém que me diminua. Não vou deixar que o faça. Sou grande demais. Talvez por fora não pareça, mas é que o que lhe mostro é só a capa.

Então, desista. Procure quem te conquista, a quem você não resista, mas vá.

Já basta quando me diminuo por mim mesmo, quando meus olhos só enxergam defeitos. Escute, posso listá-los pra você. Não perca seu tempo descobrindo um a um. Medindo se ainda assim gostaria de investir em mim.

Não sou mercadoria, então não negocie minhas imperfeições. Não procure as que eu ainda não vejo. Não me traga mais do mesmo.

Não preciso de você para ser feliz, nem você de mim. Então, suma. Deixe-me em paz. Pra mim, realmente, tanto faz, só não finja que sim.

Não me faça querer mudar a mim mesmo. Sou ser imperfeito, mas não sou o pior. Se for pra me ajudar, que seja com carinho e não com críticas de quem procura alguém melhor.

Sei que ainda tenho muito a melhorar, quem não tem? Mas, sabe, se você não gosta agora, não vá além. Você não sabe o que passei, não sabe o que já veio ou o que ainda vem.

Talvez seja somente um teste, pra ver se eu aprendi certinho, que não vale a pena estar perto de alguém com quem não consigo ser o mesmo quando estou sozinho.

Normal? Não sou, foi mal.

Então vá, por favor. Não estou te segurando. Estou sendo sincero. Você haverá de ser mais feliz, assim eu espero.

O prazer foi todo seu.

15 fotos emocionantes de crianças que acabaram de ser adotadas

15 fotos emocionantes de crianças que acabaram de ser adotadas

De acordo com a organização Together We Rise, que dá suporte a orfanatos e centros de adoção, diariamente 1.200 crianças são deixadas para adoção nos Estados Unidos, uma vida preenchida muitas vezes com sonhos e incertezas. Para combater isso, a Together We Rise reúne voluntários para ajudar as crianças em um orfanato, e para incentivar as famílias a adotar.

Dois anos atrás, a organização começou a postar fotos de crianças recém-adotadas no Facebook e Instagram. A resposta foi imediata, e os seguidores aplaudiram a iniciativa. Veja algumas de suas fotos felizes abaixo, no momento exato em que foram adotadas. Se você tiver uma foto feliz com sua família adotiva, compartilhe com a gente, também.

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Saudade é ausência que nunca parte

Saudade é ausência que nunca parte

“Ó fantasia da minha vida, meu sonho gostoso, meu gozo / Ó minha estrela, essa saudade me deixa assim tão nervoso”. (Gonzaguinha)

Saudade é ausência que nunca parte. Como um quadro bordado por memórias, que inerente ao tempo e independente dos níveis de exposição, finca-se de formas das quais precisamos conviver com, pois saudade transborda e através dela somos movidos. Entristecidos são os corações sem as lacunas da saudade.

Saudade da chuva no rosto, do céu ensolarado, do beijo no cinema, da música favorita, do abraço apertado, e principalmente, dos sorrisos desmedidos. Saudade também do domingo em alvoroço por uma reunião de qualquer pretexto, das tardes observando paisagens e imaginando “como elas se formaram”?

Saudade não é falta, porque a falta implicaria em jamais ter existido algo ou alguém que despertasse o sentimento do sorrir ao recordar daqueles dias, cenas e sensações extrassensoriais que repaginam até mesmo a mais cinza das imagens.

Saudade que em doses fragmentais, muito parece o saudosismo. O leve bem-estar e a reverência das horas, objetos e pessoas intranquilas, mas que num determinado tempo tranquilo, tiveram muito para ser dito, ouvido e sentido. Então sim, saudosismo é saudade.

Morro ou vivo de saudade? Se morro é por reconhecer que ela me acompanhará adiante e além. Mas se vivo, talvez seja porque de alguma forma, ela instiga o meu ser a não estar numa espécie de adeus.

Se alguém abusar da sua boa vontade, o defeito é dele. Não seu.

Se alguém abusar da sua boa vontade, o defeito é dele. Não seu.

Sim, alguém vai fazer mau uso da sua bondade, da sua disposição de ajudar, do seu desejo de contribuir. Alguém vai atravessar o samba e desdenhar da sua amizade, atropelar o bom senso, invadir o seu espaço, mexer nas suas coisas, chutar o seu cachorro quando você não estiver olhando. Vai, sim.

Um dia, você vai estender a mão e é provável que lhe passem a perna. Acontece. Quando acontecer, releve. A culpa não é sua. Ainda que um parasita lhe sugue o sangue, que um falso amigo lhe atribua absurdos, manipule os fatos, maldiga sua mãe, mesmo que um cafajeste tome dinheiro emprestado em seu nome, fuja do país e lhe deixe devendo na praça, você não precisa mudar o que é.

Tem sempre alguém por aí disposto a abusar da sua boa vontade. Mas isso não é desculpa para deixar de ser bom. É só um sinal de que é preciso virar a página, voltar para dentro, retomar o rumo e seguir em frente. Decerto, tem alguém em outro canto precisando de você.

Pense bem. Se cada traição, cacetada, esculacho ou desengano sofrido por alguém de bem o fizesse “mudar de lado” e se vingar do mundo, você e eu já nem estaríamos aqui. Nós já nos teríamos destruído sem dó, sem escrúpulos, sem compaixão.

Sem essa antiga, esquisita, inexplicável e poderosa inclinação de alguns de nós para a bondade, a decência e a beleza, o mundo já restaria deserto, vazio de gente. Habitado somente por vermes e demônios e pequenos animais.

Mania estranha essa de jogar a culpa no outro. Sempre “o outro”. Já viu? Fulano defende daqui sua má educação porque todo mundo é grosso, então ele só se adaptou. Sicrano se orgulha de sua esperteza, fura as filas no cinema, no trânsito, até no banco de órgãos porque “o mundo é dos espertos” e, afinal, se ele não fizer assim, outro espertalhão vai fazer no lugar dele. Beltrano, por sua vez, rola na carniça, faz tudo o que é errado e justifica que “é assim mesmo”, que o “mundo inteiro” é desse jeito e que ele só está fazendo o mesmo por questão de sobrevivência.

Então, quando uma boa alma perverte essa lógica e faz o que lhe parece uma coisa boa, alguém avisa profético e pragmático:

“Não seja trouxa. Ninguém vai fazer o mesmo por você.”

A boa alma responde: “e daí? Faço porque quero. Não porque espero que façam o mesmo por mim”.

Ela faz porque quer. Mas eu tenho a impressão de que ela faz mesmo é porque desconfia de que tantas desculpas, conjecturas e pressupostos para nos isentar da responsabilidade de fazer o que é certo e o que é bom estão nos transformando em cínicos fantásticos, hipócritas colossais, especialistas em esperar que a salvação para todos os nossos problemas desabe do céu sem mais.

Não, do céu não vai cair. É preciso fazer o que é bom agora. E se uma pessoa aqui e outra ali não souberem receber ou abusarem da sua boa vontade, o problema será delas. Não seu.

Quantos rostos desconhecidos você viu hoje? Para ler como lemos a multidão que por nós passa

Quantos rostos desconhecidos você viu hoje? Para ler como lemos a multidão que por nós passa

É menos por desatenção do que por ironia que começo o título com uma questão quantitativa, dessas que tantos nos perseguem no dia a dia, das mais importantes questões às mais triviais: quantos anos você tem? Quantos anos de experiência? Quantos filhos? Quantos parceiros já teve? Quantos lugares já visitou? Quantos artigos já publicou? Quanto recebe por mês? Ou quantos “quantos” subtendidos já respondeu para se fazer “conhecido”, para conseguir chegar aonde quer, para ser selecionado, avaliado – Daqui há 10 anos, como se vê? E daqui há cinco? – quantos pontos valem seus sonhos? Quantos méritos? Quantos fracassos?

Contando e sendo contados, não são contos, narrativas que que nos deliciam ou nos revelam no decorrer das relações. Quantas contas, quantos números, pontos de soma, subtração, divisão. Somos estatitizados segundo às regras de uma proposta que mede nossa humanidade com base num capital. Tanta tecnologia, somos programados para avaliações objetivas, valorizados segundo quocientes binários como se fôssemos feitos de códigos. Vivemos sob olhar de julgamento entre a culpa latente e a competição crônica.

Há muito pouco dos momentos em que as pessoas que se veem, quando estão ali entre os seus em torno de uma fogueira a se aquecerem do frio da rotina automática, embalando um violão, descansando da vida. Ali se revelam alguns nas palavras, outros nos silêncios. Rostos conhecidos no clã da experiência de viver.

Não é sem consciência que somos tão hostilizados por tão pouco. Sabemos disso, vivemos isso. Ainda que no íntimo, todos gostaríamos de viver em um mundo que nos tratasse com um pouco mais de humanidade, com o mínimo de respeito – fosse nos bancos, nos hospitais ou no cemitério. Queríamos ao menos um pouco mais de dignidade, para viver, para morrer… Há muito dessa gentileza que nos dispensam por dinheiro ou pela sua impressão – andar bem vestido para ser bem tratado, frequentar lugares caros para ser bem visto. Ainda estamos submetidos – sendo contados e não há nada de mais humano nisso. Dispensam respeito às cédulas, aos números abstratos reais ou fictícios que se manifestam por um cartão.

Poucos sabem o quanto é bom ser bem tratado, bem recebido, receber um sorriso, ou cederem-lhe um lugar, um aperto de mão, ou um abraço, que venha de um estranho, e que venha simplesmente porque ele te reconhece como um ser humano. Mais nada, apenas isso: ser reconhecido como ser humano. Este é, ao meu ver, o primeiro reconhecimento essencial para sentir-se reconhecido em qualquer outro aspecto da vida – primeiro ser reconhecido como ser humano, aí então, depois, ser reconhecido como profissional, como esposa ou esposo, como filho, como pai mãe irmão irmã tio, como bom jogador de algum jogo, como estudante, como o que for. Primeiro – humano.

Parece tão bobo, tão ingênuo, mas é o que é. É ser reconhecido como membro da própria espécie, afirmar-se como tal pela percepção do outro, porque se nos reconhecemos como parte é enquanto parte de algo que nos recebe. Sem sentir esse reconhecimento uma vez que seja na vida, a fome de reconhecimento torna-se selvagem e indiscernível, tenta avançar por todos os lados, nunca sacia, passa por cima do que lhe contrapõe, destrói e desmorona – constrói castelos vazios sobre os escombros da humanidade despedaçada. Sobram os pedaços de um ser que esqueceu-se de ser sequer para si. Sobra o vazio.

Quantos rostos desconhecidos você viu hoje e recorda? Uma expressão desolada para o chão, um sorriso espontâneo para o nada, um olhar distante na janela… Já se perguntou, alguma vez, diante dessas expressões nunca vistas, completamente desprovidas de afeto seu, de contato pessoal, por quantos lugares esses rostos passaram, o que eles viveram, qual história eles guardam?

É uma verdade que poucas vezes encaramos, que como nós vistos desconhecidos por tantos rostos, muitos que nunca nos conhecerão e que nunca conheceremos, todos tem história, todos têm vida, todos têm sonhos – ou tiveram um dia – todos estão indo para algum lugar, voltando de algum lugar, desejando algo, sentindo muitos algos, esperando… esperando para serem reconhecidos, esperando para perceberem-se vivos e desengessarem a expressão de paisagem no encontro de outro rosto humano, encontro mobilizados por esses revolucionários gestos pequenos que nos desestabilizam da mania de contar números e nos inspiram a contar histórias. Que nos inspiram a viver qualitativamente.

Carl Sagan – uma lição de vida

Carl Sagan – uma lição de vida

Carl Sagan foi não só um dos mais importantes cientistas da sua época (era astrobiólogo, astrofísico, cosmólogo e escritor), foi também um grande divulgador da ciência, alguém dotado de sensibilidade única quando o assunto era falar sobre os mistérios do Universo – que tentava não só desvendar com sua mente brilhante, mas também explicá-lo de modo que todos pudessem entender. Sua famosa série televisiva Cosmos, que foi ao ar na década de 80, é um marco da divulgação científica. Em seus 12 capítulos é possível encontrar sensíveis lições de humanidade, ética, tolerância e humildade.

Recentemente foi exibida uma nova versão de Cosmos, transmitida em mais 170 países. Dessa vez o programa foi liderado por Neil de Grasse Tyson, outro grande cientista que também teve Sagan como mentor e inspiração.

Carl Sagan fazia ciência parecer poesia. Fazia parecer, não: ele conseguia demonstrar que ciência também é poesia.  Ao traduzir ideias complexas, ele nos fazia refletir sobre o nosso lugar neste vasto universo, sobre como somos pequenos e insignificantes. Suas lições permanecem atuais e urgentes para qualquer geração.

Para quem ainda não teve o devido contato com a obra dessa grande mente, aí vai uma dica: há um tempo um cara chamado Reid Gower fez um tributo à ele, unindo lindas imagens e uma trilha sonora animal com excertos de narrações feitas pelo próprio Sagan em uma série de 7 pequenos capítulos. Aproveitem a jornada.

Às vezes tudo o que a gente precisa é abandonar a causa

Às vezes tudo o que a gente precisa é abandonar a causa

Sabe aquele dia que parece que a vida se tornou um emaranhado de fios de alta tensão?

Por onde quer que você tente desfazer os nós, enfiar as mãos, encontrar soluções, os outros lados se embolam mais. É que nem bijuteria antiga enferrujada, aquelas correntinhas guardadas juntas num porta-joias antigo e você pode ficar horas na frente da TV, esticando as linhas nos joelhos, e a coisa não desenrola: desfaz um nó aqui e cria outro acolá.

Sabe quando parece que a vida se tornou aquele bendito cubo mágico, que você quebra a cabeça resolvendo um dos lados, alinhando a mesma cor, e quando vai trabalhar na outra face, bagunça tudo o que já tinha conseguido?

Você já teve essa sensação de que algumas situações quanto mais mexe mais fede?

De que aquela repetição de atos e conversas além de não estar levando a lugar nenhum, muito menos dissolvendo os problemas, está causando dores de estômago, esgotamento emocional, enjoo em todas as partes do corpo, pois é como ouvir a estridência de uma mesma música 521 vezes, ou engolir pelos ouvidos aquelas mesmas falas. É como estar viciado em jogar na cara verdades que vêm de dores, é como querer resolver os dramas trazendo ele à tona a cada 5 minutos. É como querer fechar as feridas cutucando-as sem parar. É como querer lavar a alma, resolver a vida, limpar a casa, mas jogando as merdas todas no ventilador.

E depois de tantos nós desfeitos e refeitos, depois dos bolos todos no estômago, depois da exaustão dos dias, você pensa: e se eu simplesmente desistir dessa luta insana? E se eu seguir o conselho de minha avó:’o que não tem remédio, remediado está!’

E se você perceber que pode simplesmente abandonar uma discussão no meio, pode jogar aqueles colares enroscados no lixo, pode dar um chute metafórico em tudo, porque tudo isso está sim ‘macumbando’ seu coração, amargando sua alma e atrasando sua vida?

Há sempre a opção eject, pedir pra sair, pular do trem em movimento, desligar telefone na cara, sair andando sem mais nem menos. Fechar a boca e não engolir mais nenhum sapo. Há sempre a opção de não participar da fervura do momento, de não ter as respostas na ponta da língua, de não querer falar mais para não deixar as emoções mentirem pela sua própria boca.

Porque às vezes a gente é caldeirão em ebulição e está precisando apenas de um tempo quieto, de decantação para as coisas começarem a fazer mais sentido.

Porque a vida parece não parar, mas a gente pode sim escolher a paz sem razão, abandonar o sem solução, aceitar não ter decisões, viver um dia de cada vez, sem medo do que vier, ou não vier, porque o que importa é o agora.

Importa é conseguir respirar, conseguir se desenterrar e se resgatar no meio de tudo isso.

Importa é deixar a vida agir em nós com seu tempo e razão e sorrir tranquilos sabendo que tudo o que vem de um não atropelo e sim de uma fluidez de dentro é o que realmente faz sentido.

Às vezes tudo o que a gente precisa é abandonar a causa.

Precisamos falar sobre seu amor da vida inteira: “o próprio”

Precisamos falar sobre seu amor da vida inteira: “o próprio”

Quando alguém diz “se cuida” é porque sabe que em algum momento você pode se distrair e cuidar mais dos outros do que de si mesmo. Cuidar do outro não é pecado nem crime, desde que você esteja em dia com o seu amor próprio.

Amar a si mesmo é um exercício diário que nos coloca em consonância com o ser que nos habita. Mas, antes de se amar, você deve se conhecer, e se amar pelo que descobrir. Não importa o quê.

O amor próprio não é autoexplicativo nem vem com bula. O amor próprio não sente culpa pelo que vê. Não acusa o reflexo no espelho. Não ataca. Aceita o que é, e ama. Apenas ama.

Se há algo a ser transformado, não se ofende. É paciente. Ama com o problema em vigência e ama ainda mais com a resolução, com o avanço, com a busca, com a vitória.

A descoberta do amor próprio se dá pelas vias mais improváveis. Às vezes, você o descobre por meio de uma fratura exposta na alma. A fragilidade desperta o amor que deveríamos nos doar todos os dias. Usamos o estoque de amor para estancar o sangramento e descobrimos que não é preciso buscar amor fora de nós para aplacar o que dói.

Quando nos deparamos com os machucados mais doloridos, descobrimos em nós mesmos, o remédio e a cura, e iniciamos o flerte com o amor, o próprio.

O autoconhecimento não oferece todas as certezas, mas abre vias para caminharmos por dentro de nós sem nos ferir com os cacos de outras guerras porque já sabemos quais as estradas que nos conduzem aos abismos, e só iremos lá com o preparo necessário. Sabemos que temos a ferramenta primordial, o amor pelo que somos, e assim, não tememos a queda livre, pois somos capazes de levantar com classe a cada descida.

O amor próprio recupera a íntima carícia, que às vezes, oferecemos aos egos alheios, e esquecemos de nutrir a nossa alma que padece pelos cantos do ser. O amor próprio não é aquela voz que diz “Se cuida”. Ele é o próprio cuidado.

Um amor “on the rocks”, por favor?

Um amor “on the rocks”, por favor?

Tem horas que é preciso ser pragmático. Deixar as ilusões românticas de lado. Dar um basta na fé. Se refugiar na raiva. Sentir o fracasso correndo nas veias. Parar com a balela de dar a outra face. Esquecer o perdão em uma ilha deserta. Suar profusamente de tanta desilusão acumulada. Ser humano. Simplesmente.

É isso mesmo. Não se trata de um texto sobre desistir de um amor por perceber que ele ficaria melhor sem a nossa companhia. Desejar sua felicidade em outros braços. Ser quase um iluminado. E os iluminados sentem ódio. Pode ter certeza. Nem que seja ódio de quem odeia. O texto é sobre o ócio depressivo. Aquele que nasce da mais profunda tristeza após o término de um relacionamento. Deitar na cama e ouvir a mesma melodia repetidas vezes. Dá para imaginar cenário mais perverso?

Em tempos de amor líquido é quase indecente desejar um amor “on the rocks”. Precisamos mesmo criar novas expressões para justificar a falta de interesse no outro e quem sabe até pela humanidade em geral? Isso é a boa e velha depressão. Não é uma nova condição humana causada pela velocidade dos meios de comunicação atuais. Se fosse assim, muitas relações amorosas seriam automaticamente restabelecidas quando houvesse a interrupção dos serviços de transmissão de dados.

A verdade que não se quer admitir é que seu parceiro não perceberia sua existência mesmo que vocês fossem para uma ilha deserta sem acesso a equipamentos eletrônicos de espécie alguma. Ele se entreteria com as estrelas, a lua, os sapos coaxantes, a areia da praia e até mesmo os mosquitos. Você continuaria no último lugar da lista de prioridades, bem depois do velho fax.

Por essas e outras é que colocar uma inocente pedra de gelo não vai fazer muita diferença. Embora muitos ainda insistam em utilizar esse recurso. De um lado o líquido (representando a impermanência das relações humanas) e de outro o sólido (representando a nossa resistência). Sabemos que a fusão será inevitável, mas mesmo assim colocamos a pedra de gelo no copo com água. Ela nos dá a ilusão temporária de que há algo diferente na bebida. Para alguns fica bem melhor. Para outros perde o sabor. O resultado final é sempre o mesmo.

Então, o que fazer? DESISTIR! Sair pela porta da frente correndo e só parar quando estiver em território seguro. Quem nadou nas águas salgadas do mar morto sabe que é difícil submergir. Corre-se o risco de ficar eternamente na superfície. Melhor navegar para outros mares. De preferência bem distantes. Tirar a poeira de sua bússola interna e partir. Ser novamente um descobridor.

As fases de um amor podem ser tão vertiginosas como as dos estados físicos da água. As mudanças bruscas são inevitáveis. Não somos as mesmas pessoas de ontem. Estamos em constante transformação. Se fossemos adaptar a lição do poeta Vinicius de Moraes, seria algo assim: que não seja permanente, posto que é líquido. Mas que seja sólido enquanto dure.

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