Obrigada, meu amor!

Por meses esperei o momento que finalmente estaria a sós comigo mesma no apartamento que divido com uma amiga. Ah, sexta-feira a noite… como sonhei com você. E o que me pego fazendo em minha solitude? Visitando as páginas de todos homens que amo. Sim, amo! Já tive uma coisinha aqui e outra ali com cada um deles, mas sigo amando-os. Todos! Se eu não os amasse, eu nunca teria me lançado em seus braços e nem atraído eles para minha vida.

Achei estranho eu ter esperado tanto tempo para ficar sozinha para, no final, eu ficar vendo o que parceiros passados fazem atualmente. Talvez seja a necessidade de re-visitar o amor em mim e visitar as páginas virtuais deles é lembrar do amor vivinho dentro de mim.

Olhando nos olhos de cada um através das fotos, lembro rapidamente como me sentia na presença deles. O que me fazia desejar estar com eles e como eu me sentia bem dando e recebendo amor. Momentos, passageiros e saborosos com suas peculiaridades.

Talvez o excesso de compromissos profissionais tenha me adormecido. Mas hoje, sozinha nessa cidade, com a casa e a playlist musical só para mim, senti vontade de visitar o amor que já vivi através das relações amorosas.

Com um me lembrei da artista que sou, porque apaixonada por ele, eu desenhava retratos seus enquanto dormia. Ouvíamos muito Radiohead e eu era capaz de sentir a música e seus beijos sorrindo para cada chuvisco gelado daquela cidade cinza. Ai ai, só mesmo banhada de “love is in the air” para eu sorrir vinte quatro horas por dia em uma cidade tão fria, urbana e tumultuada de gente achando tudo lindo e maravilhoso. Obrigada, meu amor.

Um outro, também despertou a minha artista, porém, a minha versão produtora e modelo que eu desconhecia. Eu posava com bolinhas de sabão, flores e vestidos. Aliás, vivia com minhas pernas expostas para ele fotografar. Em sua presença desenvolvi um olhar mais apurado para a foto e para as curvas dos corpos femininos. O silêncio artístico era nossa maior testemunha, era onde eu sentia mais intensamente seu amor. Aprender a me ver através de seu olhar foi um dos maiores exercícios de amor-próprio que já fiz. Obrigada, meu amor.

Esse outro era todo grande e alto. Um homenzão, gatão e com pinta de príncipe. Um coração doce, bondoso, frágil e sensível e do outro lado um menino, imaturo, sem vivências e com síndrome de peter pan. Me atraí por ele sem perceber que eu buscava por proteção em seus longos braços. Depois de um tempo, descobri que era eu quem nos protegia. Foi um período bem difícil, porque eu estava na passagem de menina para mulher. Reconhecer que éramos os dois imaturos e que apenas nos tornaríamos maiores e melhores se nos separássemos foi uma experiência bem complicada. Infelizmente, por escolha dele, não nos falamos mais, mas eu adoraria saber mais de sua vida not-peter pan-anymore. Obrigada, meu amor.

Vi também as fotos de um outro querido. Com ele, tive momentos intensos de raiva (que graças a esse Santo aprendi a lidar com minha agressividade) e outros profundos de compreensão, perdão e compaixão. Só nos entendíamos quando estávamos na natureza. Na verdade, ela era quem nos unia sem nos darmos conta. Compartilhávamos momentos especiais como a morte ou o nascimento de algum bicho, desabrochar das flores, colheita de frutas, mercado de alimentos orgânicos aos sábados, plantamos muito, cozinhamos e nos divertimos muito também. Assim achávamos a harmonia dessa relação: usávamos algo externo para estarmos internamente bem um com outro, porque internamente sempre soubemos que éramos um tanto incompatíveis. Obrigada, meu amor!

Por fim, um músico. Lindo. Sua entrega pela música me fazia admirar a entrega dele pela vida. Alma de artista é aquele mar profundo que só outra água profunda entende. Mas já sabemos, água doce e salgada, quando se misturam fica aquela cor estranha. Foi exatamente isso que nos aconteceu, amávamos um ao outro, mas juntos, ficamos com gosto e cor estranhos, então deixamos o rio correr ladeira abaixo e o mar entrar oceano a dentro. Obrigada, meu amor!

Todos amores. Por todos me entreguei de corpo, mente e alma. Por todos conheci muito sobre mim mesma. Com todos visitei universos lindos. Momentos especiais onde, por instantes, presenciei o poder do amor.

Mas agora, sozinha, na minha companhia, só de ter escrito essas histórias volto a sentir a presença amorosa que está sempre a minha disposição, dentro de mim. Essa amorosidade não é intensa como as paixões cegas e nem entorpecente como o beijo depois de um bom sexo. Ela é serena, doce e bondosa. Me acolhe, acalma e tranquiliza.

Exatamente por estar dentro de mim, sou capaz de lembrar dessas histórias resgatando a beleza em cada uma delas com gratidão a vida, a cada um deles e a mim mesma por ter corajosamente me aberto para amá-los, como se fossemos ficar juntos para sempre. Algumas relações duraram poucos meses, outras, alguns anos, mas dentro de mim, todas elas estão juntas aqui e agora! Sim, porque o amor não tem tempo, nem espaço, nem precisa do outro. É um estado. É uma verdade que se sente e que se leva dentro de si. Obrigada, meus amores! Sigamos amando muito e honrando o amor em nossas vidas porque a cada relação expandimos ainda mais a nossa capacidade de amar.

“O amor é a resposta e com certeza você sabe disso;
O amor é uma flor, e você tem que deixá-la crescer.”
– John Lennon

Imagem de capa: lenetstan/shutterstock

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou em Lisboa. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor-próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias e escrever sobre autoconhecimento é sua grande paixão.