Obrigada, mãe.

Mães são anjos que vem à Terra para cuidar dos filhos e de todos ao seu redor. São seres especiais que tem a missão de ensinar o verdadeiro amor incondicional ao próximo. Às vezes a gente luta pela nossa individualidade, não vê a hora de correr dali e voar sozinho. E só quando voamos é que entendemos tudo que ela nos ensinou (e ensina), nos aconselhou (e aconselha), nos desaprovou (e desaprova) e nos amou (e ama). Você não precisa ter um filho pra entender o que é ser mãe. Você só precisa olhar pra trás e ver tudo que ela significa pra você e pra pessoa que você se tornou.

Todos nós temos vários sonhos na infância. Dizemos aos nossos pais que “não vemos a hora de dirigir, termos nosso próprio carro, não precisar mais arrumar a cama de manhã…” E então nossos pedidos se realizam. A cada conquista entendemos que a vida é implacável e não nos ensina com o mesmo afeto que a nossa família. E ai balançamos a cabeça, suspiramos fundo, e começamos a comparar o antes de depois da vida debaixo do teto deles / longe das asas deles.

E nos damos conta que:
É bom ser independente. Mas bom, bom mesmo, é ter aquela pessoa que diz que te ama toda noite, te esperando chegar da academia com seu chá mate já quentinho na bancada, aguardando para te perguntar como foi o seu dia, mesmo que você não pergunte como foi o dela.

É bom, é muito bom escolher sua própria comida. Mas bom, bom mesmo, é chegar perto de casa na hora da janta e sentir o cheiro do feijão temperadinho lá da esquina. Você sabe que aquele feijão vem das mãos dela e, conforme entra em casa, sente os outros aromas: o bife refogado, a salada de batata com maionese que ela aprendeu na TV Cultura, o pudim de pão que só ela tem mão pra fazer. Não importa a sua dieta, você desiste de qualquer projeto quando sente o cheiro daquela que é a melhor comida do mundo.

É bom chegar a hora que você quiser, sem se importar com o amanhã. Mas bom, bom mesmo, é quando seu telefone toca de hora em hora com alguém preocupada do outro lado da linha, pedindo pra você ter cuidado, não beber, dirigir devagar, e ir pra casa em segurança.

É bom escolher suas próprias roupas de acordo com seu humor, peso e estilo. Mas bom, bom mesmo é quando você sai de casa e escuta “Não vai levar uma blusa? Eu vi na tv que vai chover”. Mãe tem acordo com a meteorologia. Ela nunca erra, e se você arriscar não ouví-la… chuva na certa, torrencial, com alguns granizos na sua cabeça dura.

É bom decidir tudo sozinha – sua vida, seus empregos, seus namorados. Mas bom, bom mesmo, é ter o ouvido atento daquela que preza pela sua vida mais do que pela dela própria, e te dá conselhos inteligentes e que vão te evitar algumas pedras ao longo da sua caminhada. Cada palavra de carinho que sua mãe te dá é um alerta com sinalizadores sobre quais são os melhores caminhos a seguir. Às vezes você os segue, às vezes não. Às vezes você ouve um “eu te disse”, às vezes é você quem diz e ela, sorrindo, concorda e acompanha suas vitórias.

É bom ter saúde. Malhar, tomar suas vitaminas e seus chás que garantem a imunidade perfeita. Mas também é bom quando você chega em casa gripada e ela te olha assustada, tira rápido sua bolsa do seu ombro e te manda “tomar um banho quente e ir deitar já”. Quando você chega no seu quarto depois disso, ela te espera ali, sentada na cama, com um comprimido de antigripal e um chá de mel e limão milagroso – cheio do maior milagre o mundo, o amor de mãe.

O carinho de mãe não nos protege do mundo, afinal todos temos nossos desafios. Mas é muito melhor aprender as lições de bondade e caráter com ela do que fora do nosso portão, porque a vida bate sem dó. Enquanto sua mãe te deixava de castigo trancado no quarto um dia inteiro para “pensar no que você fez de errado”, a vida te derruba e não bate na porta com seu jantar depois.

Só uma mãe tira a comida do prato para que o filho coma um pedacinho maior do bife de casquinha. Só ela nos faz carinho quando chegamos em casa chorando por alguma desilusão. Só ela nos ouve, mesmo que nem sempre nos compreenda. Só ela nos olha com ternura por nossos acertos e com terror por prever nossos tropeços. Só ela se divide em dez e cuida da gente, dos nossos irmãos, do nosso pai, dos nossos avós, das nossas tias, dos nossos primos, tudo no mesmo dia e na mesma hora se precisar.

Só ela faz a lista do mercado, limpa a casa, encera o assoalho da sala, trabalha em dois empregos como professora, corrige todas as provas das suas salas, nos alimenta, dá banho no cachorrinho, nos ajuda com nossas tarefas, faz janta pro nosso pai, assiste a novela, monta presépio e árvore de natal, nos ensina a fazer oração antes de dormir, e depois fica horas acordada ouvindo nosso pai desabafar sobre os problemas no trabalho.

Toda mãe é mesmo igual. Igual na dedicação, no amor incondicional, na energia extra para vencer todos os dias e na capacidade de ser muitas ao mesmo tempo. Toda mãe é um poço de compaixão. E bom, bom mesmo, é quando você tem a chance de reconhecer e retribuir todos esses sentimentos enquanto ela ainda está aqui para olhar nos seus olhos e ouvir você dizer “Mãe, te amo!”

Imagem de capa: kikovic/shutterstock

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Ana Carolina Faria Bortolo
Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.

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