O TDAH explicado por Içami Tiba

Ninguém tem culpa de ser vítima deste transtorno, e quem o tem merece um tratamento adequado com um especialista nesta área para não ser mal conduzido e sofrer a vida toda de um problema que pode ser muito bem controlado na sua grande maioria.

TDAH significa Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Transtorno também conhecido como Distúrbio (DDAH) é alteração ou mal funcionamento de um órgão ou comportamento humano.

Déficit de Atenção é uma alteração na área mental da atenção, quando a atenção se volta automaticamente para alvos diferentes do seu foco original. Isto é, mesmo querendo prestar atenção no que alguém esteja falando, de repente, quando se percebe já está com seus pensamentos bem distantes, “viajando” solto, dando a impressão ao alheio de que ele está no “mundo da lua”.

Hiperatividade é quando o garoto não consegue parar quieto, sempre mexendo com os dedos, balançando os pés, mudando o corpo de posição etc. Parece estar com o “bicho carpinteiro’ correndo no seu corpo”, uma expressão antiga para identificar alguém que não parasse quieto. Este bicho-carpinteiro é um inseto um tipo besouro.

O TDAH atinge de 5 a 6% da população mundial e tem origem basicamente genética. Geralmente uma criança tem na sua família de origem alguma outra pessoa também com o mesmo transtorno. Em hiperatividade, de cada 5 crianças, 4 são meninos e 1 menina. Já em Déficit de Atenção, são 4 meninas para 1 menino.

Esta nomenclatura é relativamente nova, de algumas décadas, para um transtorno que já era conhecido pelos psiquiatras há muito mais tempo. Dava-se o nome de Disfunção Cerebral Mínima – DCM, caracterizado pela presença simultânea de instabilidade, impulsividade, irritabilidade e agressividade. O tratamento era sempre medicamentoso, sendo o mais utilizado a carbamazepina, o comercial Tegretol ou também outros anti-epiléticos. Na prática, este tratamento trazia resultados pouco satisfatórios.

Um exame feito na época para buscar sua origem orgânica era o EEG (eletroencefalograma). Havia uma tendência a justificar este DCM pelas alterações eletroencefalográficas nem sempre encontradas nas regiões temporais. Este exame era muito impreciso e só tinha valia quando tais alterações eram encontradas. O não encontrar estas alterações não afastava o diagnóstico de DCM. A medicação usada também tinha uma baixa eficácia. Assim, muitos DCM não eram tratados e tinham que aprender a conviver com o seu transtorno.

Na década de 70, usava-se tratar os deprimidos com psico-estimulantes. Um destes era o cloridrato de metilfenidato, o comercial Ritalina, Os pesquisadores notaram que os deprimidos com DCM melhoravam do DCM, e nem sempre da depressão. Foi nesta época que o metilfenidato passou a ser usado especificamente para DCM que passou a ser chamada de TDAH.

Atualmente as crianças são agitadas como sempre foram, mas com a falta de limites e disciplina que os pais não lhes educaram, passaram a ser agitadas, sem controle. Assim, elas foram confundidas por portadoras de TDAH, dando a impressão de que aumentou muito o número de pessoas com estes transtornos.

Não é à toa que o Serviço Sanitário Local exige do psiquiatra a Notificação de Receita A numerada, de cor amarela, e controla as vendas da metilfenidato nas farmácias, pois seu uso abusivo pode provocar tolerância e dependência psicológica com alterações comportamentais.

Os portadores que conseguem incorporar seus transtornos na sua vida acabam encontrando uma atividade e uma qualidade de vida apesar do grande sofrimento. Mas outros há que não conseguem e acabam reduzindo muito sua produtividade e ter uma péssima qualidade de vida, sem conseguir realizar seus desejos e acomodando-se com o que conseguem fazer.

Ninguém tem culpa de ser vítima deste transtorno, e quem o tem merece um tratamento adequado com um especialista nesta área para não ser mal conduzido e sofrer a vida toda de um problema que pode ser muito bem controlado na sua grande maioria.

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Fonte indicada: Içami Tiba- site oficial

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