O resgate de brincadeiras de rua para afastar filhos de games e celulares

Em meio a tantos avanços tecnológicos, alguns pais passaram a incentivar seus filhos a brincar na rua, como nos velhos tempos. É uma alternativa se entretenimento que tira o foco dos celulares e televisão.

Ana Carolina Conti Cenciani

As brincadeiras de rua fizeram parte da infância de muitos atuais adultos mas hoje raramente são vistas nas ruas. Em tempos de modernidade e avanços tecnológicos, as conhecidas telas de celulares, computadores, tablets e televisão substituem os passatempos antigos. No entanto, são cada vez mais frequentes os exemplos de pais que incentivam os filhos a brincarem ao ar livre.

A professora Ana Beatriz Magalhães, de 27 anos, é um exemplo que motiva diferentes brincadeiras com os filhos e evita o uso da televisão. Mãe de Samuel e Ricardo, ela conta que optou por restringir a tecnologia no lar. “Nos primeiros dois anos de vida do meu segundo filho, ainda deixávamos a TV ligada enquanto brincávamos com o mais velho. Mas resolvemos cortá-la de vez. Só ligamos e acessamos eletrônicos quando as crianças estão dormindo”. Ela explica que a mudança de hábito foi dífícil e lenta. “Mas, após um tempo, percebemos o quão ruim era o tempo gasto na frente da tela”, conta.

“Busco incentivá-los a brincarem juntos, criando novos jogos. Quando um adulto não pode estar presente, ensino o respeito que devem ter um com o outro. A ausência dos pais não os deixa sem ter o que fazer, pelo contrário, inventam mais coisas para fazerem juntos”, frisa Ana Beatriz. Ela explica que o fato de morarem em apartamento não atrapalha o divertimento. “Eles descem todos os dias para brincar na quadra ou embaixo do prédio. Não há necessidade de ir para uma casa”, complementa.

Ana acrescenta que, além da relação entre os filhos, a retirada das tecnologias influenciou em seus papéis como pais. “Acho que a tela nos tira a obrigação de sermos pais. Ao retomar a nossa vocação, notamos o quão importante é cuidar, de fato, dos bens concedidos por Deus para nós. Pede esforço, dedicação, atenção e amor. Ao final do dia, estamos exaustos, porém, felizes. Uma felicidade que só quem ama de verdade consegue vivenciar”, acredita.

Outro exemplo de pai nostálgico é o gerente de projetos sociais Bruno Lopes, de 34 anos, pai da Sofia e Ulisses, ele conta que promove atividades diversas com os filhos. As brincadeiras mais frequentes entre eles chegam a ser clássicos dos anos 90: carrinho de rolimã, jogo da velha, balanço e bambolê. “O ar livre e materiais reaproveitados sempre fazem parte de nosso brincar. Em tempos de chuva, o jogo simbólico, ou o crianças, através dos jogos, maneiras de lidar com problemas. “Não é na força faz de conta, e a contação de histórias são nossas brincadeiras”, relata. Ele diz que ensina para as, não é na violência. Demonstro que não adianta apertar com força os encaixes do quebra-cabeças. O problema só vai ser resolvido se as cores e as linhas se encaixarem”, salienta.

Curumim Cultural

Todas as atividades realizadas pelos filhos Sofia e Ulisses são consequência do Curumim Cultural (Comum Idade Cultural), projeto de Bruno, que visa ao resgate de brinquedos populares, brincadeiras tradicionais e jogos de rua. A iniciativa começou em 2015, quando o morador de Samambaia percebeu que as crianças da região não tinham o costume de se divertir ao ar livre. “Passei a brincar na rua para influenciar meus filhos, e logo depois motivei os pequenos moradores da minha quadra”, lembra. Aos poucos, Bruno incrementou outros jogos, brinquedos e brincadeiras, até a ideia se transformar em projeto.

Além de influenciar a vida dos pequenos moradores, os pais também foram estimulados pelo projeto. “Eles amam a proposta de reviver momentos da infância deles em comunhão com suas crianças”, observa o responsável pelo Curumim Cultural. A proposta também foi levada às escolas. “Lá, gestores e professores são provocados a atuar no brincar de forma mais atenta e consubstanciada, aumentam-se as pesquisas, os estudos e a atuação no lúdico. E, em outro ponto, escolas específicas também reforçam os laços entre instituição de ensino, família e comunidade”, reforça.

Vencedor do prêmio Viva Voluntário, em 2018, o Curumim Cultural atua com diferentes organizações e ações. O perfil dos participantes é livre. “Costumo contar que Ulisses andou com seis meses de gestação, ou seja, ainda no ventre de sua mãe, e comigo em um carrinho de rolimã”, brinca Bruno. Os brinquedos e brincadeiras são para todas as idades, e, para participar, é preciso estar atento à agenda do programa nas redes sociais.
Curumim Cultural

Além de serviços como animação de festas, ruas de arte e lazer, gincanas e oficinas, o Curumim Cultural promove venda e locação de brinquedos populares e jogos.

Para mais informações:
(61) 98627-7606
curumimcultural@gmail.com
@curumimcultural

Com informações de Correio Braziliense

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Ana Carolina Conti Cenciani
Ana, 19 anos, estudante de Artes Visuais na UNESP de Bauru. Trago aqui notícias que são boas de se ler.