O que eu quero saber de você, candidato

Quero tentar entender as suas paixões, aquilo que realmente te move e te faz se comprometer. Quero ver se descubro aquilo que você faria (ou já faz) de graça porque esse é seu propósito, mesmo que você ainda não tenha aprendido a lição.

Ana Carolina Faria Bortolo

Pra começar, precisarei seguir o protocolo e ouvir sobre sua jornada profissional. Entre uma função e outra, vou tentar encaixar uma pergunta que me mostre como você reagiu àqueles que, profissionalmente, te marcaram. De todos os que cruzaram seu caminho, quais realmente deixaram cicatrizes boas e ruins e, principalmente, por quê.

Depois ouvirei o relato da sua caminhada acadêmica e tentarei ler as entrelinhas que me contam se você era bom aluno ou não, o motivo de ter escolhido a carreira e como foi continuar firme nessa decisão por quatro anos – ou como foi desistir e começar tudo de novo.

Após as formalidades, vou começar minha real tarefa de descobrir quem você é. Mais importante do que saber quais sistemas você conhece é entender o que faz sentido pra você. Quero conhecer seu caráter e sua personalidade, porque elas me levarão às atitudes que posso esperar de ti quando trabalharmos juntos.

Quero saber se você respeita o próximo e se é livre de preconceitos que prejudicam seu julgamento. Saber se você pára o carro pra uma senhora atravessar a rua e se freia quando o gatinho desgovernado vai passar.

Quero entender quem você é no seu tempo livre. O que você faz, como se diverte, qual tipo de conteúdo você consome na internet, o que você gosta de ler – se é que gosta!

Quero pincelar quem você é com seus amigos. Ouvir você falar sobre sua tribo, sobre seus hobbies, os lugares que frequentam, as conversas que jogam pro ar.

Quero conhecer seus vícios. Às vezes eles parecem inocentes, mas eles sempre determinam suas escolhas. Quero entender se eles comprometem à si mesmo ou aos outros. Se a longo prazo prejudicam sua saúde física, mental ou emocional. Se eles te tiram do eixo ou se te fazem encontrá-lo.

Quero ouvir você falando da sua família. Quero perceber seu tom de voz quando toco no assunto que é a base do adulto que você se tornou. Quero saber do seu cachorrinho e se você leva ele pra passear ou se só coloca água fresca de vez em quando.

Quero saber mais das músicas que você escuta, das suas comidas preferidas, dos lugares que você escolhe viajar quando tira férias, de quem você escolhe pra dividir com você essas aventuras.

Quero saber dos seus planos com a minha empresa e para a sua vida. Quero ver se em algum momento os dois se encaixam como tem que ser.

Quero tentar entender as suas paixões, aquilo que realmente te move e te faz se comprometer. Quero ver se descubro aquilo que você faria (ou já faz) de graça porque esse é seu propósito, mesmo que você ainda não tenha aprendido a lição.

As entrevistas escutam candidatos lendo entediados um currículo que fala muitas coisas sobre eles, mas os entrevistadores deveriam se preocupar mais em ouvir a verdadeira essência de cada um.

Pessoas certas e com propósito produzem mais, são mais felizes e agregam criatividade, valor e inovação para o seu negócio. Então, se você realmente quer ter sucesso, pare de procurar por experiência anterior e comece a buscar por candidatos que estão dividindo o sonho contigo.

A resposta não está num pedaço de papel. Ela está na essência de cada um. Se você quer contratar corretamente, saiba ouvir corações ao invés de currículos.

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Ana Carolina Faria Bortolo
Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.