O novo desafio da saúde mental nas escolas

O filósofo Edgar Morin nos alerta que a verdadeira crise da atualidade é a nossa incapacidade de constituir verdadeiras relações afetivas, que se tornou uma crise insustentável, mas que pode ser vencida dentro das escolas.

Jackson César Buonocore

Esse tema traz um grande desafio para as nossas escolas públicas e privadas, para entender na perspectiva psicossocial porque elas estão em meio ao número crescente de casos de bullying, depressão e suicídios entre crianças e adolescentes. Por sua vez, é um aspecto novo por se tratar da fluidez do mundo líquido, onde tais fenômenos afetam a saúde mental da comunidade escolar.

Hoje, é inegável que a violência atinge os nossos jovens, envolvendo homicídios, agressões, automutilações, etc. É uma epidemia que tem interrompido centenas de vidas e sonhos, provocando uma onda de medo na sociedade e, por conseguinte, nas escolas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apontou que cerca de um em cada três estudantes entre 13 e 15 anos sofrem bullying regularmente no mundo. Também em termos mundiais o suicídio é a segunda causa de morte entre adolescentes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, entre 2000 a 2015, os suicídios aumentaram 65% dos 10 aos 14 anos e 45% dos 15 aos 19 anos, conforme o levantamento do sociólogo Julio J. Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência no Brasil. E os dados atuais do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam um aumento de 18% no suicídio de adolescentes de 10 a 19 anos no país.

Além disso, uma pesquisa digital realizada pela Revista Nova Escola, de 25 de junho a 19 de julho de 2018, com mais de 5800 educadores constatou que entre eles 66% já tiveram que faltar ou se afastar do trabalho por um problema de saúde. Em 53% dos casos, os afastamentos foram por questões de saúde mental.

Os números são assustadores e revelam um cenário de adoecimento biopsicossocial, que demandam que as institucionais de ensino busquem a prevenção da saúde mental do seu corpo docente, que pode transformar as escolas em um espaço mais compreensivo e acolhedor. Por isso, é importante desenvolver a prática da escuta e do diálogo afetuoso, com o objetivo de melhorar a comunicação e sensibilização no ambiente escolar, no que tange ao cuidado da saúde mental.

Assim, a promoção da saúde mental nas escolas precisa primar por uma formação lúdica, em que as trocas de experiências sejam um instrumento psicopedagógico mais generoso em uma comunidade de aprendizagem. O psiquiatra Cláudio Naranjo nos diz que a vida emocional e sentimental é geradora de conflito ou de cooperação, que é a base estruturante da vida, que dispõe de um papel fundamental nas escolas.

Então, é importante a presença de psicólogos e psicanalistas nas escolas para trabalhar essa temática e equilibrar as reações socioemocionais, com forma de enfrentar os problemas de saúde mental, já que a crise do mundo contemporâneo alcança o microcosmo escolar. O filósofo Edgar Morin nos alerta que a verdadeira crise da atualidade é a nossa incapacidade de constituir verdadeiras relações afetivas, que se tornou uma crise insustentável, mas que pode ser vencida dentro das escolas.

Photo by Zac Frith from Pexels

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


COMPARTILHE

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista