Dormir em um quarto de hotel envolve uma pequena adaptação que muita gente só percebe na hora de se deitar: o ambiente é desconhecido. A posição dos móveis muda, a distância até o banheiro não é a mesma de casa e, no escuro, até encontrar os óculos ou uma garrafa d’água pode virar uma tarefa meio ridícula para um ser humano sonolento.
Por isso, alguns viajantes adotam um hábito simples: deixam a luz do banheiro acesa e mantêm a porta parcialmente fechada. A claridade que escapa para o quarto funciona como uma iluminação indireta e pode facilitar a movimentação durante a madrugada.
Há, porém, alguns exageros circulando na internet sobre os benefícios dessa prática. A luz pode ser útil em determinadas situações, mas não é uma espécie de truque secreto de segurança em hotéis.
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A principal vantagem é conseguir se orientar no escuro
Em um ambiente que a pessoa ainda não conhece bem, uma iluminação fraca pode ajudar a identificar móveis, malas e outros objetos no caminho até o banheiro. Isso é especialmente relevante para pessoas com maior risco de quedas.
O CDC, órgão de saúde pública dos Estados Unidos, recomenda boa iluminação entre as medidas que ajudam a prevenir quedas, principalmente entre idosos. A Sleep Foundation também observa que é importante manter algum caminho visível até o banheiro durante a noite quando há risco de tropeços.
Em um hotel, essa lógica ganha ainda mais sentido porque a pessoa pode acordar desorientada por alguns segundos e não lembrar imediatamente onde estão portas, móveis ou bagagens.
Também há uma vantagem prática em situações incomuns, como precisar deixar o quarto rapidamente durante a madrugada. Uma pequena fonte de luz pode ajudar a localizar a saída e objetos essenciais sem ter que procurar o interruptor principal no escuro.
Deixar a luz forte acesa pode atrapalhar o sono
Existe um detalhe importante que muitos desses conselhos ignoram: quanto maior a iluminação durante a noite, maior a possibilidade de interferência no sono.
A exposição à luz artificial pode afetar o ritmo circadiano e reduzir a produção de melatonina, hormônio envolvido na regulação do sono. Luzes mais intensas e com maior componente azul, comuns em LEDs frios, tendem a ter impacto maior.
Por isso, o ideal não é necessariamente dormir com o banheiro totalmente iluminado e a porta aberta. Se a pessoa precisa de iluminação para se orientar, uma luz fraca e indireta costuma ser uma solução melhor. O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos, ligado ao CDC, recomenda inclusive luz noturna vermelha e pouco intensa para quem precisa se levantar durante a madrugada.
Deixar a porta do banheiro praticamente fechada, permitindo que apenas uma pequena faixa de luz passe por baixo ou pela lateral, pode reduzir o incômodo.
E quanto aos insetos?
Outro argumento frequentemente usado para justificar a luz acesa é que ela afastaria baratas e outras pragas. Essa afirmação precisa de alguma cautela.
Algumas espécies de baratas realmente procuram locais escuros e protegidos e tendem a ser mais ativas durante a noite. A Universidade de Minnesota, por exemplo, informa que baratas costumam se esconder durante o dia e sair quando escurece.
Isso não significa, porém, que acender o banheiro seja um método confiável para manter insetos longe. A reação varia conforme a espécie. Há inclusive insetos, entre eles determinados tipos de baratas que vivem em áreas externas, que podem ser atraídos pela iluminação noturna.
Se houver sinais de infestação no quarto, a medida apropriada é solicitar a troca da acomodação ou comunicar a administração do hotel, em vez de confiar na lâmpada como repelente improvisado.
A sensação de segurança também conta
Algumas pessoas simplesmente dormem melhor quando o quarto não está completamente escuro, principalmente em locais desconhecidos ou quando viajam sozinhas. Nesse caso, a claridade indireta do banheiro pode funcionar como uma luz noturna sem exigir que uma luminária permaneça acesa ao lado da cama.
Ainda assim, quem não sente necessidade de iluminação provavelmente terá condições melhores para dormir mantendo o ambiente escuro. A evidência disponível sobre sono aponta justamente nessa direção: quartos escuros favorecem o descanso, enquanto iluminação noturna excessiva pode prejudicá-lo.
Assim, o hábito faz mais sentido como uma solução de orientação e conforto do que como uma regra de segurança. Para quem costuma levantar durante a madrugada, deixar apenas uma pequena quantidade de luz vindo do banheiro pode oferecer visibilidade suficiente sem transformar o quarto de hotel em uma filial de consultório odontológico às três da manhã.
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