O amor maduro

“O amor imaturo diz: ‘Eu te amo porque preciso de você’. O amor maduro diz: ‘Eu preciso de você porque eu te amo’.”

O grande psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erick Fromm, escritor de um dos maiores best-sellers sobre o amor chamado “A arte de amar”, definiu em uma frase simples e direta, o que seria o amor maduro. Farei uma breve reflexão a partir desta frase:

“O amor imaturo diz: ‘Eu te amo porque preciso de você’. O amor maduro diz: ‘Eu preciso de você porque eu te amo’.”

Uma simples mudança de perspectiva muda completamente o significado da palavra amor e sua vivência. Na primeira colocação, a fonte do amor é a necessidade de ter a outra pessoa, o que representa uma relação possessiva e sufocante. Na segunda, a fonte do amor é o próprio amor, o que revela equilíbrio e serenidade.

Essa pequena frase diferencia bem o amor da paixão. O próprio significado da palavra paixão quer dizer SOFRIMENTO. Quem está apaixonado está movido por um sentimento inquietante, impulsivo muitas vezes, e voltado para a necessidade de ter o outro por perto sempre. Já o amor não, ele é sereno, ele transmite confiança mútua, não há jogos de manipulação, ciúmes, invejas, intrigas, nem nada parecido. Quando se tem esse amor maduro, você busca a presença da outra pessoa como um complemento, alguém para somar à sua alegria, à sua felicidade, ao seu conhecimento etc.

Acho muito pertinentes as palavras do terapeuta e escritor Bruno J. Gimenes ao diferenciar os relacionamentos movidos pelo amor e pela paixão através do completar e complementar. Nos que são movidos pela paixão, uma pessoa se sente incompleta e busca a completude na outra. Já os que são movidos pelo amor, um busca o complemento no outro. Ou seja, quem é maduro sabe que tem sua individualidade e identidade complemente únicas, e que a outra pessoa não interfere nisso, e os imaturos entram em um relacionamento desequilibrado, muitas vezes perdendo a própria identidade…

“A pior escravidão é aquela que acontece em função dos apegos, em que a pessoa tem a ilusão que precisa necessariamente de coisas e pessoas para ser feliz.

Muitos atribuem a arte de encontrar felicidade a um relacionamento ideal, a um emprego bom, um carro do ano, uma casa na praia. Todas essas coisas, se aproveitadas com equilíbrio, podem complementar felicidade na vida de qualquer pessoa, jamais completar, o que é bem diferente. Complementar quer dizer aumentar algo que já existe. Completar quer dizer preencher algo que está vazio.”

Bruno J. Gimenes

As pessoas que esperam ser completadas por outra, na realidade estão vazias de um sentido pleno para suas próprias vidas. Mesmo sendo clichê, é uma pura verdade, é impossível amar profundamente outra pessoa se você não se ama primeiro. Alguém vai amar você na mesma proporção que você mesmo se ama.

Portanto. Para amar de uma forma madura, é preciso primeiro se encher deste amor, para que ele transborde e seja complementado pelo amor da outra pessoa.

Para concluir, mais algumas palavras do Erick Fromm como reflexão para você…

“O amor consiste em dar, não em receber. Amar é um verbo, e verbos implicam uma ação concreta. A ação correspondente ao verbo amar é dar-se, sem pedir, cobrar ou esperar. A recompensa do amor é o próprio amor que se sente, que inunda o coração, não o amor que se recebe do outro.”

Erick Fromm

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Isaias Costa
Bacharel em Física. Mestre em Engenharia Mecânica e Psicanalista clínico. Trabalha como professor de Física e Matemática, mas não deixa de alimentar o seu lado das Humanas estudando a mente humana e seus mistérios, ouvindo seus pacientes e compartilhando conhecimentos em seu blog "Para além do agora", no qual escreve desde 2012.