No interior do RN, alunos da rede pública sem internet em casa acompanham as aulas pelo rádio

Caneta em mãos e ouvidos colados nos rádio: com muita vontade de aprender e fazendo uso dos recursos que possuem, essas crianças driblam as dificuldades e se esforçam para não perder o ano letivo.

REDAÇÃO CONTI outra

Com as escolas fechadas desde que o coronavírus se tornou um grave ameaça, as crianças em idade escolar por todo o Brasil têm sido obrigadas a encarar o desafio de acompanharem as aulas remotamente. Os computadores, smartphones e tablets, que antes eram sinônimo de lazer, hoje são uma importante ferramenta para que essas crianças adquiram conhecimento. A alternativa encontrada pelas autoridades para garantir que essas crianças não percam o ano letivo é válida, mas claramente tem seus problemas, e o maior deles se dá pelo simples fato de que o Brasil é um país marcado pela desigualdade social, de modo que nem todos os lares brasileiros tem acesso à internet.

Como driblar este problema para garantir que 2020 não seja um ano letivo completamente perdido para estes muitos brasileirinhos que sonham em ter um futuro melhor?

Obviamente não chegaremos a uma resposta neste texto, mas pelo menos conseguimos apresentar alternativas viáveis, como a adotada em algumas cidades do interior do Rio Grande Norte. Por lá, um dos mais antigos meios de comunicação ganhou uma nova utilidade. O rádio têm sido responsável por levar o conteúdo escolar aos alunos da rede pública que não tem computador ou internet em casa.

Uma das cidades que adotou essa medida é Serra Negra do Norte, distante cerca de 320 quilômetros de Natal. A secretaria municipal decidiu criar um programa diário, o Educa Quarentena, que se encarrega de transmitir algumas aulas por meio de uma estação de rádio. “São trazidos professores que dão aulas de português, matemática, geografia, história, contação de história”, resume a professora Elizandra Maria.

Um dos alunos beneficiados pelo projeto é Gabriel José da Silva, que cursa o 2º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Comandante Alvares Mariz. De acordo com a mãe dele, Salésia Maria da Silva, o programa abrange mais estudantes sendo veiculado pelo rádio. “Isso é muito importante, porque nem todos tem internet e pelo rádio fica mais acessível, todos podem ouvir”, falou Salésia.

Gabriel Silva, estudante em Serra Negra do Norte — Foto: Cedida

“Mesmo em casa, não perdemos a prática de fazer tarefas, ditados, resolver continhas de matemática”, comentou Gabriel.

Petrúcio Ferreira, que é secretário de educação de Serra Negra do Norte, afirma que a alternativa tem sido eficaz. “Estamos de certa forma conseguido atingir várias famílias e essas famílias realizam as atividades, que muitas vezes estão contidas no dia a dia educacional”, explicou.

O programa vai ao ar diariamente das 15h às 16h e conta com a participação de professores da rede municipal ministrando as aulas.

“Está sendo muito proveitoso. As crianças não tem perdido a prática do que elas aprendiam quando estavam em sala de aula, mesmo estando em casa. Está sendo cada dia uma coisa nova e incentivadora”, falou Salésia, que tem outra filha que acompanha as aulas pelo rádio.

Salésia tem ajudado filhos e aprova aulas pelos rádios — Foto: Cedida

Um caso semelhante acontece em Caicó, na Região Seridó potiguar. Por lá, a 10ª Diretoria Regional de Educação e Cultura (Direc) desenvolveu o programa EJA em Ação, que tem o objetivo de atingir os alunos da Educação para Jovens e Adultos (EJA) e é transmitido diariamente com o debate de temas específicos para cada edição.

“Nós fazemos ‘círculos de cultura virtual’. Não são aulas exatamente. Nossa intenção não é fazer Educação à Distância (EAD). Nossa tentativa é de ficar junto com o nosso aluno”, explicou a professora Iaponira Costa, que integra aa Direc. “Chamamos de Círculo de Cultura, baseado no método Paulo Freire”.

O programa acontece diariamente e cada dia é dedicado a uma área do conhecimento, como temas sociais, humanas, exatas e linguagem.

“A receptividade tem sido muito boa. A gente viu que o alcance foi bem maior e já tem outros públicos que acompanham o programa, já que fazemos a transmissão também ao vivo pela internet”, explicou.

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*** Redação CONTI outra. Com informações de G1

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