Sabe aquele filme que você coloca achando que vai ser “só mais um” e, quando percebe, já está totalmente preso no clima? “Na Terra de Santos e Pecadores” entra exatamente nessa categoria.
Dirigido por Robert Lorenz, o longa prefere trabalhar no modo “baixo e perigoso”: pouca explicação, muita tensão no ar e uma sensação constante de que qualquer detalhe pode virar problema.
Liam Neeson é Finbar Murphy, um sujeito que tenta levar a vida na dele em um vilarejo irlandês pequeno o suficiente para todo mundo notar quando você respira diferente.

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Ele está ali, cumprindo rotina, resolvendo coisas simples, evitando conversas longas e, principalmente, desviando de perguntas que puxem passado.
Não é pose de santo nem personagem “durão” fazendo charme: é alguém que aprendeu que, às vezes, o melhor jeito de ficar vivo é passar despercebido.
Só que o lugar “tranquilo” tem prazo de validade. Quando uma nova presença aparece e bagunça o código silencioso da comunidade, o filme começa a apertar.
Doireann (Kerry Condon) chega com aquela firmeza de quem conhece as regras não escritas e sabe até onde pode ir sem precisar aumentar o tom.

Já os personagens vividos por Desmond Eastwood e Conor MacNeill funcionam como faísca: gente que não respeita o ritmo local, não lê o ambiente — e, por isso mesmo, vira ameaça real.
A partir desse ponto, Finbar é empurrado para decisões que ele vinha evitando há anos. E aqui o Neeson acerta em cheio: ele joga o peso do personagem no corpo, no olhar cansado, no jeito de se mover como quem calcula a saída antes de entrar. O filme não tenta vender heroísmo; ele mostra um homem que age porque não dá mais para fingir que está tudo bem.
O suspense cresce sem truques espalhafatosos. Em vez de apostar em reviravolta gritante, Lorenz monta um cerco aos poucos: conversas que travam, encontros que terminam cedo, pausas longas demais para serem confortáveis.

Quando a violência aparece, ela vem seca, com cara de consequência — não de espetáculo — e deixa claro que cada acerto de contas tem custo.
No fim das contas, “Na Terra de Santos e Pecadores” funciona melhor quando segura a mão e confia na tensão.
Ele não está interessado em empilhar cenas barulhentas; o motor aqui é outro: o incômodo de perceber que certas escolhas antigas continuam cobrando, mesmo quando você faz de tudo para seguir em frente.
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