“Nem Bela Gil, nem Kim Kardashian”

Ser feliz num completo estado de alienação é fácil demais da conta! Não lhe parece?!

Há quem diga que o propósito da vida é ser feliz. Pensando a partir desse singelo, porém complexo ponto de vista, bastaria então a cada um de nós passar a vida a perseguir a felicidade, pautando nossa existência nessa busca. Mas, afinal de contas, não é exatamente isso que temos feito? E, afinal de contas – outra vez -, isso por acaso está dando certo?

Certo! Tem aquela turma do “deixa disso” e da alienação voluntária, em nome de uma suposta paz mundial. Aquela galera que acredita em gnomos e sílfides e que passa a vida fugindo de ficar parecida com um gnomo (porque gnomos têm cara de velhinho, né?), e enquanto foge disso, corre atrás de ter um corpinho de sílfide.

Neste caso, como a dita cuja criaturinha anda ocupada demais atrás do alinhamento das estrelas, dos banhos de alecrim em noites de lua cheia, e da força retrógrada de Saturno, obviamente não estará perturbada pelos conflitos do mundo, pela fome que não é só na África, pelos “haters” que espalham discursos de ódio contra minorias, maiorias e “nem cá nem lá”.

Ser feliz num completo estado de alienação é fácil demais da conta! Não lhe parece?!

Veja bem, eu não tenho absolutamente nada contra o esforço de reduzir o lixo do planeta, e obviamente isso começa na nossa casa, que é uma espécie de microcosmo. No entanto, tem um pessoal que exagera. Como é que faz para abolir o papel higiênico??? Tudo bem, se você estiver em casa, tem aquele chuveirinho inteligente acoplado ao vaso sanitário. Tudo certo! Mas e se for uma emergência na rua? Faz o quê? E essa galerinha de moças que agora deu para pregar o não-uso de absorventes? Minha Nossa Senhora do Sangramento em Público!

Eu sei que é um risco enorme eu ficar escrevendo essas coisas. Vai chover impropérios, gritarias e xingamentos. Disso eu não tenho dúvida. Porque, por uma completa ironia – ou seria melhor dizer, paradoxo? -, é muito comum ver a turma do “paz e amor” virar bicho grande e feroz quando sua lógica é contrariada.

Mas, isso não é tudo! Infelizmente.

Do outro lado do ringue, senhoras e senhores, temos o grupo oposto aos naturalistas radicais (Também vai aparecer uma galera enfurecida porque não é assim que se chama! Paciência…). O grupo a que me refiro vem a ser constituído pela pessoinhas que querem mais é que esse planeta acabe logo para eles poderem comprar um novo.

Gente que não sabe sair à rua sem voltar para casa com, pelo menos uma sacolinha de compras – plástica, de preferência. Gente que baseia sua alegria no número de sapatos, ou relógios, ou smartphones, ou carros, ou… qualquer coisa! Desde que seja novo, que esteja na moda e que possa ser exibido no Instagram. Até bebês recém-nascidos servem! Ou barrigas gestacionais de duas semanas!

O mais interessante é que tanto o grupo “paz e amor” quanto o grupo “compro mesmo porque eu mereço” têm algo em comum: uma explicação plausível para o seu descompassado exagero, baseado numa premissa de que seus atos e ideologias são para o bem dos outros. Isso mesmo!

A moça, ou moço, que escova os dentes com óleo de coco e cúrcuma e bebe suco de alfafa com taioba e a moça, ou moço que usa lentes de contato nos dentes e chupa picolé de Whey Protein, garantem que estão engajados na sobrevivência do outro. Sendo que, de um lado temos aqueles que acreditam poder quebrar toda uma cadeia de produção, como se fosse possível para TODOS NÓS morarmos em bucólicas chácaras, onde possamos “plantar e colher com as mãos, a pimenta e o sal”. E, de outro, temos aqueles que juram por Nossa Senhora de Miami que graças ao seu consumismo desenfreado, a economia do mundo gira e eles geram emprego.

É, meu amigo… Tá puxado!

E eu, que não sou nem santa, nem capeta, graças a Deus, se é que ele existe mesmo! E aqui virão mais impropérios e xingamentos… é a vida! Fico aqui tentando me equilibrar. Já venci o vício na Coca-Cola; não uso mais sacolinha plástica, a não ser que a gente esteja ficando sem saquinhos para o lixo, e neste caso, peço aquelas de material biodegradável, JURO!!!! Canudinho de suco, não uso mais já faz tempo. Reduzi drasticamente a compra por impulso; já cheguei a ficar três horas rodando no shopping, pegando e largando peças, vencendo de forma gloriosa a compulsão consumista! Tenho apenas dois batons, um para o dia e outro para a noite; e hei de usá-los até que acabem. Parei com os copos plásticos também! Carrego minha própria garrafinha, REUTILIZÁVEL, para todo canto. E mais umas coisinhas, que vou deixar para lá, porque não sou de ficar me gabando.

Porém… Ahhhh porém! Ainda uso lencinhos umedecidos (É um vício! Peço perdão!); compro material descartável para usar quando vem mais de dez pessoas em casa (Aqui vou levar é pedrada mesmo!); não resisto a uma Hawaiana nova; uso pasta de dente; shampoo, condicionador, leave-in e pomada nesse micro cabelinho (É que ele é rebelde! O que que é que eu posso fazer?); e, talvez o pior crime de todos: sou absolutamente dependente de açúcar! Pronto, confessei!!!!

Então, já que sou ré confessa e pecadora assumida, tanto para lá, quanto para cá, venho à público fazer uma singela reflexão: Quer saber?! Tanto faz se você é da turma da Bela Gil ou da Kim Kardashian. Pelo amor dos anjos, criatura, sejam eles espirituais ou de cristal Swarovski, olha em volta… Sai da rodinha automática das suas ideias absolutas e autocentradas.

Porque, sendo você consumista ou defensora planetária, se o que o outro nomeia como dor parecer ridículo para você, esse mundo continuará sem salvação, seja ele convertido em um campo de verbena sem agrotóxicos ou em um rico palácio de frente para o Central Park.

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"