Muitas tempestades, em vez de atrapalhar, limpam nossos caminhos

Queremos as respostas de imediato, esperamos os resultados ansiosamente, esquecendo-nos, assim, de prestarmos atenção no tanto de coisa ruim que vai embora junto com as perdas de nossas vidas.

Ninguém tem a lucidez necessária para, em meio às tempestades que devastam suas vidas, conseguir analisar aquilo tudo com ponderação e esperança. Existem acontecimentos que derrubam, machucam, desesperam, cegando qualquer possibilidade mínima de alguma luz no fim do túnel. Nesse momento, será quase que inútil qualquer tentativa de conselhos, pois dificilmente serão ouvidos com sobriedade.

Embora pareça uma ideia simplista demais, ter a consciência de que cada tombo nos traz força e sabedoria, após termos sobrevivido, é o que nos salvará em muitos momentos. Queremos as respostas de imediato, esperamos os resultados ansiosamente, esquecendo-nos, assim, de prestarmos atenção no tanto de coisa ruim que vai embora junto com as perdas de nossas vidas.

Não é fácil viver e sobreviver sem se alquebrar, pois ninguém foge ao enfrentamento dos fantasmas criados por si próprio, ou pelos maldosos de plantão. Pode-se tentar escamotear o sofrimento através do abuso de pílulas, drogas, álcool, dentre outros comportamentos destrutivos, porém, não tem outro jeito que não atravessar a dor e a escuridão, sentindo cada uma delas por todos os poros, para que, aos poucos, a alma da gente renasça, renovada e pronta para tentar ser feliz de novo.

Importante, nessa jornada, perceber que os ventos dolorosos que passam por nossas vidas acabam também por nos livrar de muita coisa que fazia mal, sem que fosse percebido. Somente depois de termos chorado por meses após um rompimento amoroso é que poderemos nos sentir muito melhor sem o ex. Somente depois de termos sofrido copiosamente pela perda de um emprego é que poderemos nos ver em uma ocupação bem melhor. Porque, infelizmente, a gente também se acostuma com trastes e com ferro velho.

A vida vem com força, derruba, esfola, escurece e tira. Deixa-nos, não raro, sozinhos e sem aquilo a que tanto nos apegávamos, desesperançosos e sem perspectivas. É assim que ela ensina. É assim que, inclusive, ela acaba por nos livrar do que nos emperra, limpando os nossos caminhos, oportunizando-nos novos recomeços, mais claros, mais lúcidos, com menos gente ruim por perto. Sigamos.

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.