O leite em pó está naquele grupo de produtos que muita gente compra quase no automático. Vai no café, engrossa vitamina, aparece em receitas, dura bastante no armário e ainda carrega uma memória afetiva forte para quem cresceu tomando a mistura no copo.
Mas, em um vídeo publicado no YouTube, o médico Dayan Siebra fez um alerta que reacendeu uma discussão antiga: será que esse alimento é tão inofensivo quanto parece?
Segundo o médico, o problema começa quando o leite em pó é visto como sinônimo de nutrição “limpa” ou superior. Para ele, o consumo frequente merece mais atenção, principalmente porque o produto passa por etapas industriais até chegar à textura seca que conhecemos.

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Em termos simples, o leite líquido perde grande parte da água e passa por processos de aquecimento e secagem para ganhar estabilidade e maior prazo de validade. A legislação brasileira descreve o leite em pó como um produto que deve manter proteínas, açúcares, gorduras e minerais do leite, salvo alterações decorrentes do próprio processo tecnológico.
No vídeo, Dayan afirma que uma das primeiras coisas a observar é o rótulo. Algumas versões podem ter açúcar, aromatizantes ou outros ingredientes adicionados, especialmente quando não se trata do leite em pó tradicional, mas de compostos lácteos ou misturas voltadas ao público infantil. Por isso, antes de colocar a lata no carrinho, vale conferir se a embalagem traz somente leite ou uma lista maior de componentes.
Outro ponto citado pelo médico envolve o armazenamento e a conservação do produto. O leite em pó é feito para durar mais, mas essa praticidade também depende de técnicas que reduzem umidade e ajudam a evitar deterioração.
Estudos sobre alimentos em pó mostram que produtos como leite em pó podem apresentar compostos ligados à oxidação do colesterol, especialmente em determinadas condições de processamento e estocagem.

Dayan também chama atenção para a gordura do leite. Na visão dele, demonizar a gordura natural do alimento pode ser um erro, já que versões desnatadas ou modificadas nem sempre entregam o mesmo perfil nutricional do leite integral.
Aqui, porém, entra um detalhe importante: existem diferentes tipos de leite em pó, como integral, parcialmente desnatado e desnatado, e cada um tem composição própria. Ou seja, colocar todos na mesma categoria pode simplificar demais a conversa.
A embalagem é outro ponto levantado no vídeo. O médico critica o uso de latas metálicas e associa o tema à exposição ao alumínio. Pesquisas sobre materiais em contato com alimentos indicam que a migração de alumínio pode ocorrer em certas condições, embora o risco dependa do tipo de embalagem, do alimento, do tempo de contato e de outros fatores.
Apesar do tom de alerta, a recomendação mais prática do médico é observar o próprio corpo. Ele sugere retirar o leite em pó da rotina por alguns dias e avaliar se sintomas como rinite, desconfortos digestivos ou crises alérgicas melhoram. A ideia, segundo ele, é perceber se existe alguma relação entre o consumo frequente e reações que muita gente trata como “normais” no dia a dia.
Como alternativa, Dayan cita bebidas vegetais, como as feitas de castanhas, coco ou gergelim. Ele também afirma que, para quem não abre mão do leite de vaca, o ideal seria buscar uma origem mais natural e controlada, com animais criados de forma saudável. Ainda assim, qualquer mudança alimentar mais rígida, especialmente em crianças, idosos, gestantes ou pessoas com doenças pré-existentes, deve ser conversada com um profissional de saúde.
No fim das contas, o alerta do médico não é para tratar o leite em pó como veneno instantâneo, mas para tirar o produto da zona do “consumo sem pensar”. A lata pode parecer prática e familiar, só que o rótulo, a frequência de uso e a resposta do organismo fazem diferença.
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