Em entrevista para o G1, o médico Luzo Dantas Neto, que trabalha em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, fez um relato impressionante e comovente sobre a rotina no pantão entre terça-feira (2) e quarta-feira (3), que ele considera o pior da pandemia de coronavírus.

“Foi muito triste, porque tivemos que ver pessoas que estavam bem, conscientes, falando, mas com uma saturação muito baixa e que precisaram ser entubadas. Muitos destes pacientes fizeram videochamadas com familiares para avisar a situação e dar um até logo, porque, sim, esperamos que seja um até logo”.

Em Curitiba e região metropolitana, a fila de espera por leitos é de 233 pessoas, 82 delas esperando por uma vaga em UTIs e 151 em enfermarias.

“Foi o pior dia que vivenciei nessa pandemia. Um dia muito atípico. Tive que fazer várias coisas diferentes. Foi uma madrugada intensa e na manhã seguinte continuou da mesma forma”, desabafou o médico.

De acordo com o médico, na madrugada, as equipes precisaram entubar vários pacientes para manter a vida destas pessoas. “Foi muito longo o plantão, não parava de chegar paciente grave, saturando mal, com pouco oxigênio, com falta de ar, que precisava de cuidado mais intenso”.

Luzo contou ainda que, dos 28 pacientes que atendeu, sete precisaram ser entubados. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Colombo, onde o médico atua, já não tem mais capacidade para atender tantos pacientes.

“Não temos mais vagas para pacientes nas UTIs e nem nas enfermarias. É muito difícil sair. Um colega meu que trabalha na central de leitos médicos de Curitiba me falou que temos hoje 80 pacientes esperando leito em UTI, sendo que a maior quantidade de pacientes que ele já tinha visto antes da pandemia era de 20. Estamos quatro vezes a mais do que já poderíamos estar”.

Entre os muitos pacientes que chegaram à UPA de Colombo, Luzo atendeu quem tentou se tratar de alguma forma. “Temos visto pacientes que estão usando ivermectina, azitromicina, cloroquina, todos sendo internados”.

O médico relatou também que alguns dos pacientes que atende estão ficando graves.

“As pessoas estão indo para o tubo. Independente do tratamento que estejam fazendo ou não, estas pessoas estão ficando cada vez piores ou mais graves”.

Segundo o médico, a maior lição que as equipes que estão lidando com a Covid-19 conseguem tirar, neste momento, é a importância de mantermos as orientações tão faladas ao longo do último ano.

“As pessoas vão ter que ficar cada vez mais isoladas e evitar o contato com outras pessoas, porque o vírus se propaga nisso aí, no contato de pessoa para pessoa”.

Luzo fez questão de reforçar o aviso de que não há vagas.

“Fiquem conscientes disso. Não tem vaga aqui na RMC e provavelmente não tenha vaga em muitos lugares do país. Muita gente pode morrer por nem ter acesso a um primeiro atendimento e isso pode prejudicar até mesmo quem não está com Covid-19”.

“Evitem contato com outras pessoas, porque tem muita gente infectada, muita gente doente, muitas pessoas que nem sabem que estão com o vírus e acabam infectando outras pessoas”, finalizou o médico.

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Redação Conti Outra, com informações de G1.
Foto destacada: Arquivo Pessoal.

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