Victoria Thomas levava uma rotina ativa e não tinha histórico familiar conhecido de problemas cardíacos quando sofreu uma parada cardíaca durante um treino em uma academia de Gloucester, no Reino Unido. Aos 35 anos, ela precisou ser reanimada por cerca de 17 minutos antes que os paramédicos conseguissem restabelecer seus batimentos.
O episódio aconteceu em 2019. Victoria havia acabado de fazer exercícios com pesos quando começou a sentir tontura e uma perda repentina de energia. Ela chegou a comentar com uma amiga que não estava se sentindo bem, mas desmaiou pouco depois.
Enquanto a equipe de emergência tentava reanimá-la, Victoria afirma ter passado por uma experiência bastante incomum. Segundo seu relato, primeiro tudo ficou escuro e ela deixou de enxergar qualquer coisa. Em seguida, teve a impressão de estar fora do próprio corpo.
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Ela contou que se viu próxima ao teto da academia, observando de cima o próprio corpo no chão e os equipamentos usados durante o atendimento. Diferentemente de relatos populares de experiências de quase-morte, Victoria disse não ter visto uma luz intensa nem sentido uma sensação especial de paz. O que permaneceu em sua memória foi aquela cena vista do alto.
Os paramédicos continuaram as manobras de reanimação mesmo com o passar dos minutos. Depois de aproximadamente 17 minutos sem pulso, o coração voltou a bater. Victoria foi levada ao Bristol Royal Infirmary e permaneceu três dias em coma induzido.
Problemas cardíacos continuaram após a recuperação
Depois de deixar o hospital, Victoria recebeu um desfibrilador implantável, aparelho capaz de detectar determinadas alterações no ritmo cardíaco e aplicar uma descarga quando necessário. Apesar da recuperação inicial, os episódios cardíacos não desapareceram completamente.
Alguns anos mais tarde, durante a gravidez do filho Tommy, sua condição piorou. Com 24 semanas de gestação, exames genéticos indicaram que Victoria tinha doença de Danon, uma condição genética rara associada principalmente a alterações no coração, nos músculos esqueléticos e na retina. A doença está relacionada a variantes no gene LAMP2 e pode causar cardiomiopatia e distúrbios de condução cardíaca.
A gravidez provocou uma sobrecarga ainda maior no coração. Quando chegou à 30ª semana, Victoria apresentava dificuldades respiratórias e precisou passar por uma cesariana de emergência. Tommy nasceu prematuro, mas exames posteriores mostraram que ele não havia herdado a doença.
Meses depois do nascimento, a saúde de Victoria voltou a piorar. Em abril de 2022, exames mostraram que a função de seu coração havia caído para aproximadamente 11%. Os médicos disseram que sua expectativa de vida poderia ser de apenas alguns meses caso não surgisse um doador compatível.
Ela foi colocada na lista de transplantes com urgência. Duas possibilidades de doação chegaram a aparecer, mas os órgãos foram descartados após avaliações médicas. Somente em abril de 2023 surgiu um coração considerado adequado, e Victoria passou pelo transplante no Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham.
Após a recuperação, ela conseguiu retomar as atividades esportivas. Voltou a praticar netball e foi selecionada para disputar modalidades como vôlei e basquete nos Jogos Mundiais de Transplantados. A edição de 2025 da competição foi realizada em Dresden, na Alemanha.
Hoje, ao falar sobre o período que começou com aquela parada cardíaca na academia, Victoria relaciona sua recuperação principalmente à oportunidade de continuar acompanhando o crescimento do filho. Ela também passou a defender publicamente a doação de órgãos, afirmando que o transplante lhe permitiu voltar ao esporte e à rotina de mãe.
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