O morador de rua Givaldo Alves de Souza, que foi flagrado mantendo relações íntimas com a mulher de um personal trainer em Planaltina, no Distrito Federal, pediu desculpas publicamente por ter exposto a intimidade dela em entrevistas concedidas na semana passada.

Entrevistado pelo youtuber Ricardo Caiafa nesta terça-feira (29), o homem de 48 anos se disse envergonhado pela situação. “Gostaria de pedir desculpas primeiramente a ela, às meninas da minha família, a minha mãe e todas vocês [mulheres]”, disse. “Essa infelicidade que eu tive ao descrever a situação sem mudar nada, é uma coisa muito feia”, comentou.

Givaldo ainda chorou ao falar sobre a filha, de 28 anos, e alegou que não tem o hábito de falar sobre assuntos íntimos. “Não sou o tipo de homem de abrir fatos íntimos para ninguém, nem para amigos. Fui infeliz ao relatar um fato que eu poderia ter ponderado, não soube conciliar as coisas do jeito correto”.

O R7 entrevistou a advogada Maíra Recchia, especialista em gênero, que fez duras críticas à espetacularização do caso. Ela explicou que, segundo o artigo 139 do Código Penal, mesmo quando o que está em questão é um fato, a exposição da intimidade pode ser caracterizada como difamação.

“O que me chama muita atenção é o espetáculo que [essa história] se transformou, que é uma situação triste de uma mulher que está tendo sua vida e sua intimidade exposta em uma sociedade que ainda é socialmente e culturalmente machista, em que o suposto agressor – ainda acho que vai haver investigações – é alçado ao herói do ano, e ela tem a intimidade completamente violada e achincalhada”.

O relatório médico psiquiátrico sobre a mulher aponta a “hipótese diagnóstica de transtorno afetivo bipolar em fase maníaca psicótica”. Segundo o relatório, ela foi encaminhada até o pronto atendimento do Hospital Regional de Planaltina no dia 10 de março “devido às alterações de comportamento descritas e por ter se envolvido em relação íntima com pessoa em situação de rua motivada pelo quadro delirante”.

Consta ainda no laudo médico do hospital psiquiátrico da UnB (Universidade de Brasília) que “a paciente não é capaz de responder por si, tampouco de exercer vários atos da vida civil, em especial o de assinar documentos e procurações, assim como o de celebrar contratos ou contratar serviços de qualquer natureza”.

O pai da mulher, na qualidade de representante legal dela, registrou uma ocorrência de difamação contra Gilvaldo Alves de Souza e solicitou que a Polícia Civil tomasse as providências legais cabíveis.

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Redação Conti Outra, com informações de R7.
Foto destacada: YOUTUBE/REPRODUÇÃO.

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