As fobias são, precisamente, maneiras de se proteger contra a angústia.

Na clínica: pacientes nos procuram angustiados, mas não sabem por qual motivo, não fazem ideia do que os angustia. Quando têm ataques de pânico, não sabem porque motivo ficam assim ou que desencadeia a crise.

Vocês já se questionaram qual o motivo de alguns transtornos mentais serem mais presentes em algumas épocas que em outros? O que acontece quando não lidamos com determinadas situações que nos fazem sofrer? Existem maneiras de simplesmente ignorar e não entrar em contado com o que nos angustia?

No texto abaixo, a psicóloga e psicanalista Mariana Anconi discorre sobre algumas das patologias do medo que assolam a contemporaneidade: as fobias. Fala também sobre a maneira como as mesmas podem ser abordadas de maneira apenas parcial em tratamentos que se restringem a farmacologia e de como, através do processo psicanalítico, é possível percorrer o caminho que  permite a transição do estado de angústia para o contato e compreensão do desejo original.

Façam uma boa leitura

Josie Conti

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Sofrimento, ansiedade e angústia: Questões importantes, dilemas atuais

Por Mariana Anconi

A questão das (psico)patologias na contemporaneidade envolve aspectos muito mais complexos que a própria subjetividade humana em si, neste caso, abrange sintomas produzidos socialmente, condizentes com dilemas atuais vividos na sociedade, principalmente relacionados ao corpo e imagem. As subjetividades contemporâneas caracterizam-se pelo apagamento da alteridade, reduzindo o homem à dimensão da imagem.

As formas de padecimento não são inéditas, mas integram e denotam ideais predominantes na contemporaneidade: a exaltação sem medida de si mesmo e da existência como imagem estética. No consultório, é cada vez mais frequente queixas de pacientes relacionadas a dificuldade em atender os padrões exigidos/impostos na sociedade, tendo como efeito crises de ansiedade e/ou angústia, em outros casos, desencadeando a sintomatologia do pânico, por exemplo, considerada uma das expressões do mal estar na atualidade.

Deve-se considerar a estreita relação da angústia com as fobias. Nelas, o sujeito tenta de todas as formas se livrar da angústia ligando-a a uma situação ou objeto específico que passa a ser evitado sempre que possível. As fobias são, precisamente, maneiras de se proteger contra a angústia. Parece algo contraditório, mas para o psiquismo é melhor temer algo que se sabe (medo de altura, por exemplo), para poder evitá-lo, do que não saber e não poder se defender.

O ponto chave dessa questão é: A angústia indica uma forma de medo generalizado, sem um objeto específico, sem nome, indefinido. Assim, desenvolvendo uma fobia, o medo torna-se localizável e é possível ao sujeito tentar evitá-lo afastando-se do objeto temido. Na clínica: pacientes nos procuram angustiados, mas não sabem por qual motivo, não fazem ideia do que os angustia. Quando têm ataques de pânico, não sabem porque motivo ficam assim ou o que desencadeia a crise.

Antes de priorizarmos a importância do trabalho da escuta analítica, há de se cautela para algumas vertentes “biologizantes” do discurso psiquiátrico que não reconhecem essas patologias para dotá-las de uma escuta do sujeito – muito ao contrário, com o apoio crescente da indústria psicofarmacológica – trata-se de tentar apagá-las, ignorando o fato de que a angústia é parte daquilo que faz o homem propriamente humano.

Não se trata aqui de uma crítica a psiquiatria em geral, pois é inegável o benefício dos medicamentos na vida destes pacientes, na medida em que amenizam os sintomas que chegam a ser terríveis, desesperadores e por vezes incapacitantes, como uma pessoa quando não consegue sair de casa para trabalhar por medo; mas é fundamental que o paciente não deposite apenas no remédio a reorganização de sua vida, pois a medicação em si apaga o sintoma, mas não promove transformação do sujeito.

No campo da escuta analítica, a psicanálise é a única que não evita a angústia, ela possibilita ao sujeito uma escuta que tem por efeito dar-lhe a chance de suportar sua angústia para, então, atravessá-la e chegar ao desejo. O atravessamento é diferente do evitamento, ele se dá no processo analítico, o paciente passa a se implicar no seu sofrimento, a se questionar sobre o que acontece com ele, a falar, a procurar dar sentido, a partir da sua história, ao que parece não ter sentido. Procura-se criar com o paciente condições para que ele possa subjetivar a condição de desamparo.

Nota da Conti outra: o texto acima foi publicado com a autorização da autora.

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Mariana Anconi

Psicóloga/Psicanalista (CRP 06/105685) e Acompanhante Terapêutica. Especialista em Psicopatologia e Saúde Pública (FSP-USP). Mestranda do Instituto do Psicologia da USP (IP-USP). Pesquisadora em intervenção precoce com bebês (Metodologia IRDI). Atende em consultório na cidade de São Paulo e desenvolve trabalho de consultoria em escolas e creches.

Contato: (11) 98400-7849/ [email protected]/ www.marianaanconi.com

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