Fábio Porchat anunciou na semana passada o fim do seu relacionamento com a produtora cinematográfica Nataly Mega. De acordo com o humorista, o motivo do término do casamento de oito anos foi a discordância entre eles sobre o desejo de ter filhos. Enquanto Porchat não se vê como pai, já tendo inclusive manifestado isso em diversas declarações públicas, Nataly teria o sonho de viver a maternidade.

Segundo a psicanalista Natália Marques, esse tipo de situação é bastante comum. Isso porque, se há algumas décadas as pessoas tinham filhos sem refletir muito sobre o assunto, atualmente esse tipo de decisão costuma ser mais planejada, em especial entre pessoas de classe média a alta, que têm investido mais em autoconhecimento.

Para a psicóloga Gabriela Luxo, a escolha de trazer filhos ao mundo deve ser tomada não só em casal, mas também individualmente e depois de muita reflexão, afinal, tem grande impacto na vida das pessoas. Em alguns casos, pode ser interessante procurar sessões de psicoterapia para se conhecer melhor.

“A chegada de uma criança muda completamente a rotina. Quando a pessoa tem um filho sem querer realmente, ela vai passar por uma série de questões emocionais para lidar com a sensação de mudança e de frustração em relação às coisas que podiam ser feitas antes, sem a criança, e que depois não podem mais”, diz.

As especialistas, que foram ouvidas pela reportagem de Giovanna Castro no portal Terra, destacam que tomar esse tipo de decisão por pressão de outras pessoas – seja do parceiro romântico, da família ou da sociedade, de forma geral – cria problemas não somente para a pessoa que tomou a decisão, como também para a criança e para o casal.

“Provavelmente, a pessoa que não quer genuinamente ter filhos não vai conseguir dar o carinho e a atenção que gostaria para a criança e pode até se sentir culpada por isso”, diz Natália. “Isso pode afetar a autoestima da criança ao passo em que ela se sente indesejada”, pontua Gabriela.

De acordo com Natália, o companheiro que tinha a intenção de ter filhos tende a se frustrar ao longo do tempo, pois o seu real desejo era de que o outro quisesse a criança tanto quanto ele – algo que está fora do controle de ambas as partes.

A tendência é que, mesmo inconscientemente, a pessoa que cedeu (seja tendo filho sem querer, seja deixando de tê-lo para se adaptar ao desejo do outro) culpe o parceiro por estar vivendo algo que não gostaria. Com o tempo, isso produz ressentimento e tende a afastar o casal.

As profissionais recomendam um diálogo honesto com o parceiro diante da divergência. Se o plano de ter filhos está completamente descartado, é válido conversar sobre isso com o companheiro abertamente já no início do relacionamento para evitar futuras frustrações e abrir caminho para que o outro faça as próprias escolhas.

“O ideal é que as pessoas conversem sobre seus objetivos de vida desde o começo do relacionamento e busquem namorar com quem está alinhado a eles”, recomenda Gabriela.

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Redação Conti Outra, com informações do Terra.
Fotos: Reprodução.







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