Excessos na educação infantil causam reações de estresse similares ao isolamento em campo de refugiados

Recentemente, nós da CONTI outra, entramos em contato com um artigo bastante significativo da psicóloga Jennifer Delgado Suarez. Nele, ela trazia as constatações de Kin John Payne*, professor norte-americano que trabalhou como voluntário em campo de refugiados e conviveu com crianças que sofriam de transtornos de estresse pós- traumático. Dentro desses campos o professor teria notado que as crianças eram hiperativas, muito nervosas e ansiosas, como se sentissem o perigo no ar. Ele ainda notou que essas crianças, por sentirem muito medo, perdiam a curiosidade natural da infância.

Alguns anos depois, o professor Payne percebeu que crianças que viviam em ambiente seguro, completamente diferente do que acontecia nos campos de refugiados, apresentavam sintomas similares e se questionou sobre qual seria a razão disso.

A explicação que ele encontrou está relacionada ao que ele chamou dos 4 excessos da educação moderna.

_ Excesso de coisas
_ Excesso de opções
_ Excesso de informações
_ Excesso de rapidez

A palavra EXCESSO é a mais adequada porque as crianças têm a rotina dos pais refletida em si mesmas. Assim, reflete-se também em sua infância a ideia de acúmulo, competição, agendas lotadas e produtividade ininterrupta. Logo, no cérebro da criança, assim como acontece uma sobrecarga de estresse quando ela está superestimulada por privações e perigo, também acontece um estresse quando ela é superestimulada por tarefas e compromissos que retiram todo o seu tempo, capacidade de criar e sonhar. Afinal, é primordial na infância um tempo para o ajustamento de tudo o que a criança vivencia ao longo do dia (tudo que vai dos sentimentos a acomodação das informações).

Por conta disso, Payne acredita que mesmo estando em ambientes seguros para seu físico , a mente da criança vive em ambientes parecidos com campos de refugiados, como se estivessem sempre em perigo. O contato com muitos estímulos causa um acúmulo de estresse que faz com que as crianças busquem estratégias para se sentirem seguras.

Os pais, por não ter noção do quanto estão prejudicando as crianças, ainda as sobrecarregam com muitos recursos: brinquedos, livros, dispositivos móveis, etc. As crianças ficam com tantas opções que não exploram nada, acabam brincando de maneira muito superficial, e perdendo mais que depressa o interesse por aquilo que estão fazendo. E ainda não são estimuladas a desenvolver sua imaginação.

Em meio a tantos excessos a criança não tem tempo de criar, descobrir ou ao menos reinventar. O período mágico da infância está sendo tolhido e, a cada dia, as crianças têm menos tempo. Até mesmo escolas de educação infantil , creches , etc já assumiram um papel mais acadêmico.

Imagem Sharomka/shutterstock

O que fazer então?

Não devemos, como pais, educadores e cidadãos, deixar que a sociedade se imponha na criação de nossas crianças. Precisamos deixá-las ser crianças para preservar o seu equilíbrio mental e emocional.

Criança precisa de tempo para ser criança, para brincar com criança e viajar através da sua criatividade e imaginação.

Devemos, como pais, também proporcionar aos nossos filhos tempo para que possamos participar com qualidade no seu desenvolvimento, lembrando sempre que “Qualidade não é quantidade.”

Dê a eles um cantinho onde possam relaxar, brincar e fugir da rotina diária.

Sono e descanso também são ideais para um pleno desenvolvimento mental e emocional.

Faça com que eles usem de forma racional a tecnologia que têm à mão , reduzindo a quantidade de informações e garantindo que ela esteja adequado a sua idade.

Minimize o ambiente, faça seu filho(a) criar e brincar com sua fantasias.

Não crie expectativas, vamos deixar que elas sejam crianças. Afinal, se tem uma coisa que psicólogos e educadores concordam, é com relação aos danos que pular fases e etapas do desenvolvimento podem trazer a vida posterior de qualquer criança.

“ A criança tem uma vida toda pela frente, deixe que ela seja criança somente e viva plenamente sua infância”.

*Payne, K.J. (2009). Simplicity Parenting. New York: Ballantine Books.

Editorial CONTI outra. Imagem de capa: Hung Chung Chih/shutterstock

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