Três meses após a partida de Jô Soares, o jornal O Globo entrevistou a designer gráfica Flavia Pedras Soares, que foi casada com o apresentador durante 15 anos.

Jô, que faleceu no último dia 5 de agosto, citava “Flavinha” com frequência em seu programa de entrevistas na TV. Os dois mantinham uma relação de tanta cumplicidade que nem o fim do relacionamento, em 1998, conseguiu abalar. Em uma entrevista, em 2018, Jô chegou a dizer que a separação “não deu certo”, já que eles permaneciam sempre juntos mesmo depois do rompimento.

Ao Globo, Flávia falou sobre o que Jô significou em sua vida. “A presença do Jô era muito abrangente. Ele teve muitos papéis e significados na minha vida e o no meu desenvolvimento. Não sei definir um significado específico, que faça um resumo. Em cada momento — nos conhecemos quando eu tinha 20 anos e ele, 46 —, fomos muitas coisas um para o outro, mas todas envolviam grande qualidade de amor. Até nos momentos difíceis, com mágoas inevitáveis, nos tornamos pessoas melhores. Porque a gente gostava de gostar um do outro. A gente tinha coisas para trocar, é isso. Nunca nos desinteressamos do que um tinha para dar ao outro.”, disse.

A designer também contou como forma os últimos momentos de Jô antes de partir. “Os últimos momentos dele foram um deslumbramento. O estado de afiada consciência e a inesperada completa perda do medo de morrer foram de uma beleza sem fim. Agora, por exemplo, estou aos prantos ao me lembrar das nossas últimas horas.”.

Flávia ainda falou sobre como tem encarado o luto e sobre a saudade do amigo. “Difícil e diferente de todos os lutos que já vivi. Sou órfã, sei desse sofrimento. É doido. Tem momentos em que você acha que está tudo bem, que sua vida está seguindo. Daí, vem uma dor que te dá um tapa na cara e te joga na cama. É físico, sabe? […] Sinto falta de o telefone da casa tocar alta madrugada para ele dar notícia de um filme ou série a que assistia e dar boa noite. Ele era a única pessoa que ainda usava telefone fixo. Às vezes, até me irritava com isso, porque podia acordar outras pessoas da casa. Mas desde que ele morreu, nas duas ou três vezes que o telefone tocou tarde, eu, por 38 centésimos de segundo, pensei que pudesse ser ele. Quase morri. Mas o que eu mais sinto falta mesmo é de deitar do lado dele pra ver um filme, bem tarde, sempre, e segurar a sessão inteira a “mãozinha de poeta”, com aquela pele bem finiiiiinha… Era pura recarga de amor.”, contou a designer.

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Redação Conti Outra, com informações de O Globo.
Foto de capa: Arquivo pessoal.

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