“Eu quero descansar no teu peito o cansaço dessa vida…”

Todos precisamos, em algum momento, de um lugar pra descansar.

Por Patrícia Pinheiro

Tem um trecho de uma música da Canto Dos Malditos Na Terra Do Nunca que diz: “Eu quero descansar no teu peito o cansaço dessa vida e o peso de ter que ser alguém.”E não é isso que todos procuramos em um relacionamento? Além, é claro, de buscarmos alguém que seja nosso parceiro para enfrentar as durezas do dia a dia, que seja cúmplice e felicidade dobrada nos momentos de alegria, não estamos, na maioria das vezes, sedentos por uma fonte de acalento; por um peito que seja abrigo para o extravaso das dores que já não couberem no nosso?

Não é que a gente vá criar uma espécie de dependência e fazer do outro nossa única fonte de felicidade e calmaria: é preciso que saibamos que estas vêm, antes de tudo, de nós mesmos. Aqueles que caminham ao nosso lado assistem, auxiliam, bagunçam, potencializam, mas ninguém além de nós mesmos deveria ser o protagonista da nossa própria felicidade.

Porém, todos precisamos, em algum momento, de um lugar pra descansar. Todos precisamos de alguém que nos ajude a organizar mentalmente os pedacinhos dos nossos sonhos quando eles forem, mais uma vez, triturados pelo mundo. Todos precisamos de alguém que assuma o controle enquanto estivermos ocupados descobrindo como recuperar o nosso. Todos precisamos de uma presença que, ainda que silenciosa, nos distraia e alivie um pouco do sufoco que é ser alguém.

Somos todos cansados, macerados, sobrecarregados e precisamos, vez ou outra, abandonar a postura – e a certa frieza – que adotamos para sobreviver e fazer alguém cúmplice das nossas fraquezas. A gente para de se esforçar e deixa todo o cansaço da mesmice, a revolta com as injustiças, as saudades colecionadas e sufocadas, o medo do fracasso e o peso das responsabilidades vir à tona para depois seguir em frente, mais leves ou não, mas com a sanidade preservada pela vasão daquilo que nos afoga aos poucos.

Em um mundo que constantemente nos exaure das mais diversas formas, felizes daqueles capazes de manter cumplicidade e devoção suficientes para se fazerem fonte de abrigo e serenidade um do outro; felizes daqueles que encontraram seu descanso.

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


COMPARTILHE

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Patrícia Pinheiro
Patrícia Pinheiro tem 25 anos, é natural de Santa Maria - RS, morando em Florianópolis -SC. É formada em Psicologia e amante das palavras. Poeta e escritora, compartilha seu trabalho em suas redes sociais e é colunista do site Conti outra.