Eu aprendi algo lindo com um cachorro de rua

Quero compartilhar com vocês uma experiência linda, que mexeu muito comigo. Eu sou apaixonada por cachorros, quem me conhece pode confirmar isso. Sempre que possível, eu tento me aproximar e fazer carinho nesses anjos de quatro patas.

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Quero compartilhar com vocês uma experiência linda, que mexeu muito comigo. Eu sou apaixonada por cachorros, quem me conhece pode confirmar isso. Sempre que possível, eu tento me aproximar e fazer carinho nesses anjos de quatro patas.

Nessas férias (janeiro/2019), estive numa praia linda em Tamandaré – PE com o meu namorado. Numa tarde, apreciando o pôr-do-sol, passaram por nós, dois cachorros vira-lata, de rua. Ambos pareciam bem arredios, mas, mesmo assim, tentei uma aproximação e comecei a estalar os dedos e falar com dengo na direção deles.

Para a nossa surpresa, um deles me ignorou completamente e seguiu o destino dele. O outro, que batizei por Damião, titubeou um pouco, mas, acabou cedendo a minha investida, por fim, foi permitindo ser tocado e acariciado por mim. Passados alguns minutos, ele já estava deitado ao meu lado, completamente entregue aos meus carinhos, inclusive, virou a barriga para cima, completamente à vontade.

Depois de mais ou menos 30 minutos, o cachorro que seguiu sozinho voltou ao encontro do Damião, que ficou comigo. Ele parecia ressentido, como se quisesse dizer: “poxa, cara, qual é a sua? Deixou de seguir comigo para se render aos carinhos dessa mulher que você nem conhece? Deixa de ser bobo, ela não vai tirar você da rua, ela não vai te adotar, ela é uma turista, pare de se iludir”.

Após o longo olhar de reprovação ao Damião, o ressentido deitou-se a uma certa distância de nós e ficou lá, apenas observando o Damião receber os meus carinhos. Diante daquela cena, eu e o meu namorado tentamos fazer uma análise, fazendo uma analogia do comportamento dos dois cachorros ao comportamento humano.

Então, a nossa análise ficou assim: O cachorro que recusou o meu afeto simboliza as pessoas que, embora carentes, recusam qualquer vínculo afetivo com o outro, porque sentem medo da rejeição ou porque preferem acreditar que nasceram para sofrer mesmo, não se sentindo dignas de receber o amor de ninguém, então, elas se blindam.

O outro cachorro, o Damião, representa as pessoas que não perdem a oportunidade de recebe amor e afeto, pouco importa se vai durar alguns minutos ou a vida toda. Simbolizam as pessoas que se permitem, mesmo machucadas, receber o que o outro tem a oferecer de bom. Elas não se blindam, por mais feridas e abandonadas que tenham sido, elas ainda acreditam no amor do outro.

Os dois cachorros são abandonados, feridos, carentes e sofridos. Contudo, cada um lida com a própria condição de uma forma. Um se protege demais, talvez por medo de criar vínculo e ser abandonado novamente. O outro, não pensa duas vezes para receber um chamego, para ele vale a pena receber qualquer dose de afeto, ainda que de uma desconhecida, num fim de tarde, à beira mar, com o céu em arrebol, com cores vibrantes e ar soberano, como canta o Zé Ramalho.

Era meu aniversário, aquilo foi um grande presente, me senti profundamente honrada por receber a confiança daquele cachorro. O Damião será eterno em minha lembrança, ele deixou as digitais dele aqui comigo. Aprendi muito com ele.

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Imagem de capa: Ivonete Rosa

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.