Esse romance escondido na Netflix está fazendo muita gente repensar amor, idade e recomeços

Tem dias em que a gente só quer dar um descanso pra cabeça: um filme que prenda, mas sem exigir fôlego emocional; que tenha sentimento, mas sem virar competição de sofrimento.

“Amores Solitários”, disponível na Netflix, encaixa bem nesse clima porque aposta no básico que funciona — gente real, bagunça interna, conversa atravessada — e deixa o charme aparecer nos detalhes, não em discurso.

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A história gira em torno de Katherine Loewe (Laura Dern), uma escritora de 57 anos que viaja para um retiro de autores em Marraquexe com um objetivo bem prático: destravar o livro novo. Só que o bloqueio não é falta de ideia, é excesso de coisa mal digerida.

Recém-saída de um casamento longo, ela chega tentando parecer firme, mas carregando aquela sensação chata de “e agora?”, quando a vida muda de rumo e você ainda está aprendendo a andar nessa nova versão.

É nesse ambiente que entra Owen Brophy (Liam Hemsworth), um administrador de 33 anos que aparece como quem não quer nada e vai ficando.

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Ele também não está inteiro: tem uma relação mal resolvida com Lily (Diana Silvers), uma jovem do mesmo círculo, e vive aquele tipo de dúvida que dá raiva — porque não é drama cinematográfico, é indecisão mesmo, do cotidiano.

O filme acerta ao mostrar que, por trás do “tá tudo bem”, quase sempre tem uma lista de coisas que a pessoa não fala em voz alta.

O ponto que chama atenção aqui é a dinâmica entre duas pessoas em fases bem diferentes. A diferença de idade não vira “tema de palestra” nem piada pronta; vira contexto.

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Ela tem mais história, mais cicatrizes, mais filtro. Ele tem outros medos, outras pressões, outra urgência. E, quando os dois se aproximam, a graça está menos em “convencer o mundo” e mais em entender se aquilo faz sentido para eles — sem fantasia de romance perfeito, sem pose de maturidade exemplar.

Susannah Grant (que assina direção e roteiro) mantém a trama num tom de conversa íntima: situações pequenas que, para quem está vivendo, parecem enormes.

O filme vai costurando desconfortos comuns — culpa, recomeço, orgulho, insegurança — com leveza, principalmente porque não tenta transformar ninguém em herói ou vilão.

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Laura Dern segura bem o peso emocional sem exagero, e Liam Hemsworth surpreende quando o personagem precisa sair do automático e encarar o que está evitando.

No fim das contas, “Amores Solitários” é aquele romance gostoso de recomendar porque deixa uma sensação boa: a de que recomeçar pode ser menos dramático do que a gente imagina, desde que você pare de fingir que está tudo resolvido e comece a falar o que realmente está acontecendo.

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