Desde que o repórter brasileiro Ricardo Senra, da BBC, fotografou uma jaca sendo vendida a £ 160 (R$ 1.110) no Borough Market, em Londres, e postou o registro nas redes sociais, o fruto gosmento nunca mais foi visto da mesma maneira em terras brasileiras. Mas, por que, afinal, os ingleses pagam tão caro pela iguaria?

Segundo explicação dada por Henrique Rodrigues em matéria para a Revista Fórum, a resposta para essa pergunta engloba vários fatores e reflete o comportamento dos brasileiros ao consumir produtos importados. O jornalista usou como exemplo as festas de Natal no Brasil, em que não podem faltar frutos secos, bacalhau e vinhos; produtos que por aqui são sinônimo de extravagância, mas que não valem nada em seus países de origem.

“Imagine como é para um britânico comer aquela fruta exótica, gigante, áspera e melequenta em seu interior. […] Acostumados àquela paisagem invariavelmente cinza, a pratos pouco convidativos e à escassez de frutas mais suculentas e supercoloridas, não é de se admirar que uns súditos da rainha metam a mão nos bolsos e saquem uma boa grana para comer esse treco que estamos acostumados a ver jogado e desprezado nas vias públicas do Brasil.”, explicou Rodrigues.

O jornalista ainda eclareceu que o preço elevado da jaca na terra da Rainha se justifica também pela dificuldade de logística no transporte do produto. “Além de um transporte difícil e que tem que ser rápido, há a questão do quanto essa fruta é perecível, além do seu tamanho e fragilidade no percurso do frete. Coloque aí o custo para fazê-los (produtos exportados pelo Brasil) atravessarem o mundo, além de taxas de importação, impostos, distorções do câmbio e do custo de vida e, por fim, o lucro do revendedor.”, escreveu o jornalista.

“A jaca que aquece os corações de ladies and gentlemen londrinos, com sua doçura esquisita e desprezada nas terras tropicais, tem o preço que é possível por lá.”, finalizou Ricardo Senra.

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Redação Conti Outra, com informações de Revista Fórum.
Foto destacada: Twitter de Ricardo Senra (Reprodução).

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