Ele trabalhou na roça e chegou a morar em escola para não perder aula; hoje é juiz do DF

O juiz Fábio Francisco Esteves ocupa um gabinete no Tribunal do Júri do Distrito Federal, mas sua história até aqui é repleta de luta e suor. De origem humilde, ele enfrentou condições adversas para estudar.

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Aos 39 anos, o juiz Fábio Francisco Esteves ocupa um gabinete no Tribunal do Júri do Distrito Federal e se dedica a analisar processos criminais que circulam na capital do país. Mas sua história até aqui é repleta de muita luta e muito suor. De origem humilde, ele enfrentou condições adversas para estudar.

Ainda menino, morando no interior do Mato Grosso do Sul, seu pai, que é analfabeto, pediu à prefeitura da cidade da zona rural para instalar uma escola na região. O desejo era permitir que os três filhos tivessem acesso à educação.

O pedido foi atendido, mas a escola construída era longe demais da casa da família – ficava a 23 quilômetros de distância. Para não perder as aulas, aos 10 anos, Esteves passou a morar de favor no colégio. Ele conta que dormia na sala de aula e era cuidado por duas professoras.

Escola, em cidade do interior do Mato Grosso do Sul, onde Fábio Francisco Esteves morou e estudou — Foto: Fábio Francisco Esteves/Arquivo pessoal

Desde então, o hoje juiz seguiu firme nos estudos e se tornou o primeiro da família a acessar o ensino superior. Esteves se formou em 2003 na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS).

“A educação significa a constituição da minha vida. Foi mais que uma transformação, foi a possibilidade de uma vida digna. Tudo que sou foi por meio dos estudos.”

Os outros dois filhos da família terminaram o ensino médio. Na mesma época, no entanto, Esteves lembra que teve a certeza de que queria seguir adiante.

Fábio Francisco Esteves quando assumiu como juiz do DF, em 2007 — Foto: Arquivo pessoal

Desde menino, ele diz que sonhava em ser juiz. A vontade de seguir a profissão veio de um manual de profissões. “Já entrei [no curso de direito] me preparando para a magistratura. Era o que que queria, não tentei a advocacia”, revela.

A inspiração, diz ele, também veio do desejo de fazer a diferença na sociedade.

“Escolhi [a carreira] mirando a possibilidade de transformação, não só da minha vida, mas do contexto social. Isso seria mais possível se fosse por essa carreira.”

Juiz Fábio Francisco Esteves, do TJDFT — Foto: Arquivo pessoal

Esteves assumiu, em 2007, o cargo de juiz substituto no DF. Depois, ele foi promovido para juiz titular da vara criminal do Núcleo Bandeirante – onde atua até hoje. Em 2016, foi eleito presidente da Associação dos Magistrados do DF (Amagis).

Projeto social

Envolvido desde jovem com projetos sociais, mesmo depois de ingressar na magistratura, o juiz Esteves deu seguimento “ao que acredita”.

Faixa feita por Fábio Esteves quando foi aprovado no concurso para juiz do TJDFT, em 2007 — Foto: Arquivo pessoal

Em Brasília, o magistrado está à frente de uma iniciativa – chamada Educação em Direito – que ensina, de forma gratuita, noções de direito e de cidadania a pessoas de baixa renda.

O projeto começou em 2010 com a ajuda de um amiga, e oferece aulas sobre direito do consumidor, direito à saúde, educação e à privacidade.

“Minha forma de exercer a magistratura é um modelo que deixa minha marca enquanto juiz: por meio do diálogo com instituições e com comunidades.”

Além de nos oferecer um belo exemplo de superação, a história do juiz Fábio Francisco Esteves nos mostra, mais uma vez, que a educação é o caminho.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de G1 Distrito Federal.
Imagem destacada: Montagem com fotos de Arquivo Pessoal.

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