Ele era o maior ídolo das adolescentes de Hollywood, mas seu último ato antes de partir aos 27 anos, ainda atormenta seus fãs

Houve uma época em que milhares de cartas chegavam toda semana para um jovem ator que, curiosamente, dizia não entender direito por que havia se transformado em objeto de tanta atenção.

Jonathan Brandis aparecia nas capas de revistas, precisava de seguranças para atravessar grupos de admiradoras e tinha um rosto imediatamente reconhecível por quem acompanhava a televisão e o cinema nos anos 1990. Por trás dessa popularidade, porém, havia alguém tentando descobrir como continuar sendo ator depois que Hollywood deixasse de enxergá-lo como adolescente.

A história de Brandis acabou ficando marcada justamente por esse contraste. Aos 27 anos, quando ainda tentava construir uma nova fase profissional, ele morreu por suicídio. Mais de duas décadas depois, antigos colegas e fãs continuam revisitando sua trajetória e tentando compreender como um dos jovens atores mais populares de sua geração chegou a um desfecho tão precoce.

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Jonathan Gregory Brandis nasceu em 13 de abril de 1976, em Danbury, Connecticut, nos Estados Unidos. Filho único, começou a trabalhar diante das câmeras quando mal tinha idade para entender o que aquilo significava. Ainda criança, fez trabalhos como modelo e apareceu em comerciais de televisão.

Aos seis anos, conseguiu um papel recorrente na novela One Life to Live. Alguns anos depois, sua família se mudou para Los Angeles para que ele pudesse ter acesso a mais oportunidades como ator.

A mudança funcionou. Brandis começou a aparecer em séries conhecidas como Full House, Who’s the Boss? e L.A. Law. Em 1990, sua carreira ganhou outra proporção com dois trabalhos importantes: interpretou Bastian Bux em A História Sem Fim 2 e viveu a versão jovem de Bill Denbrough na adaptação televisiva de It, baseada na obra de Stephen King.

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De jovem ator a fenômeno entre adolescentes

O salto definitivo aconteceu em 1993.

Aos 17 anos, Brandis foi escolhido para interpretar Lucas Wolenczak em seaQuest DSV, série de ficção científica produzida por Steven Spielberg. Seu personagem era um jovem prodígio da informática que vivia a bordo de uma sofisticada embarcação submarina.

A série transformou o ator em uma das maiores celebridades adolescentes daquele período.

Uma reportagem do Los Angeles Times de 1994 registrou que Brandis recebia cerca de 4 mil cartas de fãs por semana. Quando precisava circular pelo Universal Studios, em Orlando, chegava a ser acompanhado por três seguranças devido à quantidade de jovens que tentavam se aproximar dele.

Ele também liderou pesquisas de popularidade em revistas voltadas ao público adolescente. A Tiger Beat o colocou entre os grandes ídolos da época, enquanto leitores da Seventeen o elegeram para o primeiro lugar em uma lista dos rapazes considerados mais atraentes.

O curioso é que Brandis parecia observar toda aquela movimentação quase como alguém do lado de fora.

Em entrevistas da época, dizia que nunca havia se imaginado como um “garoto de revista adolescente”. Para ele, o objetivo inicial era muito mais simples: conseguir continuar trabalhando como ator.

Essa preocupação acabaria se tornando importante alguns anos depois.

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Ele queria ser muito mais do que um galã adolescente

Enquanto sua imagem se espalhava por pôsteres e revistas, Brandis pensava no que faria quando aquela fase terminasse.

Ele tinha interesse por roteiro e direção e falava publicamente sobre a vontade de construir uma carreira que não dependesse de sua aparência ou da popularidade conquistada na adolescência.

O problema é que a transição entre astro juvenil e ator adulto costuma ser imprevisível. E, no caso dele, ela aconteceu de maneira especialmente dura.

Depois que sua participação em seaQuest DSV terminou, as oportunidades começaram a diminuir.

Brandis continuou trabalhando. Apareceu em filmes como Outside Providence, Ride with the Devil e The Year That Trembled. As produções, porém, já não tinham o mesmo alcance dos trabalhos que haviam feito seu nome poucos anos antes.

A mudança era significativa para alguém que, aos 18 anos, precisava de seguranças para atravessar grupos de fãs.

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Um filme com Bruce Willis parecia a oportunidade de recomeçar

No início dos anos 2000, Brandis conseguiu um papel em Hart’s War, produção de guerra estrelada por Bruce Willis e Colin Farrell.

O ator teria depositado grande expectativa naquele trabalho. Era uma produção de estúdio com nomes conhecidos e poderia recolocá-lo diante de um público maior.

Quando o filme chegou aos cinemas em 2002, porém, boa parte de sua participação havia sido retirada durante a edição.

Relatos posteriores de pessoas próximas a Brandis indicaram que a situação o abalou profundamente. A revista People, ao reconstruir sua história anos depois, também registrou que o período de queda nas oportunidades profissionais e o corte de suas cenas em Hart’s War foram fontes de forte frustração.

Isso não significa que exista uma explicação simples para o que aconteceria depois. Reduzir uma morte por suicídio a um filme, a uma carreira ou a uma única decepção seria transformar uma situação complexa em uma resposta conveniente que as evidências não permitem dar.

E sua carreira, de fato, ainda não havia terminado.

Brandis continuava tentando trabalhar também atrás das câmeras.

Pouco antes de morrer, dirigiu o curta-metragem The Slainesville Boys. O ator Gregg Williams, envolvido no projeto, contou posteriormente que Brandis via aquele trabalho como uma espécie de cartão de visitas para sua possível carreira como diretor. Segundo Williams, ele não demonstrara sinais claros de que estava prestes a tirar a própria vida.

Também participou de Puerto Vallarta Squeeze, ao lado de Harvey Keitel.

Havia, portanto, uma tentativa concreta de reconstrução profissional em andamento.

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O que aconteceu em novembro de 2003

Na noite de 11 de novembro de 2003, Jonathan Brandis foi encontrado inconsciente em Los Angeles. Ele foi levado ao Cedars-Sinai Medical Center e morreu no dia seguinte, aos 27 anos.

Posteriormente, o escritório do legista do Condado de Los Angeles determinou que sua morte havia sido causada por suicídio. Nenhuma carta de despedida foi encontrada.

Na época, a notícia causou forte impacto entre pessoas que haviam crescido acompanhando seu trabalho.

A primeira reportagem do Los Angeles Times sobre sua morte relembrou justamente a dimensão que sua fama havia alcançado na década anterior e sua transformação em um dos principais ídolos juvenis de seaQuest DSV.

Os próprios familiares tentaram, posteriormente, compreender o que havia acontecido.

Seu pai, Greg Brandis, afirmou anos depois acreditar que Jonathan poderia apresentar sinais de um transtorno de humor. Essa avaliação, feita retrospectivamente pelo pai, nunca deve ser confundida com um diagnóstico médico confirmado.

Também não existe evidência suficiente para atribuir sua morte exclusivamente às dificuldades profissionais.

As lembranças encontradas anos depois

Uma das histórias mais pessoais sobre Brandis surgiu muitos anos após sua morte.

Soleil Moon Frye, atriz que o conhecia desde jovem, recuperou antigas gravações de mensagens que ele havia deixado para ela. O material apareceu durante o trabalho de Frye no documentário Kid 90, lançado em 2021 e construído a partir de vídeos, gravações e registros pessoais de sua adolescência em Hollywood.

Ao ouvir novamente aquelas mensagens, ela contou ter se emocionado com a intimidade e a quantidade de pensamentos que Brandis compartilhava.

Para quem acompanhou sua carreira nos anos 1990, lembranças como essas acabaram mostrando uma pessoa bastante diferente da imagem estática preservada nas antigas revistas.

O garoto sorridente das capas havia começado a trabalhar antes mesmo de entrar na escola, tornou-se uma celebridade mundial ainda adolescente e, aos vinte e poucos anos, precisava descobrir quem seria profissionalmente depois que aquela fama diminuísse.

Em 1994, no ponto mais alto de sua popularidade, ele já demonstrava saber que aquilo poderia acabar. Quando perguntado sobre a condição de ídolo adolescente, tratava o fenômeno como resultado da idade, dos projetos certos e do momento certo.

Jonathan Brandis queria escrever, dirigir e continuar atuando.

Pouco antes de completar uma nova etapa dessa tentativa, sua vida terminou aos 27 anos. O que seus fãs acabaram recebendo não foi uma explicação definitiva, porque ela nunca existiu, mas uma série de fragmentos deixados por entrevistas, trabalhos inacabados, depoimentos de amigos e planos profissionais que ele não teve tempo de colocar em prática.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.