Ela é furacão

Ela é furacão, imensidão, um ser somente coração. É linda, é sorridente, é cheia de vida, é inconsequente. É corajosa, é infinita, é infinito.

Ana Carolina Faria Bortolo

Ela é furacão, imensidão, um ser somente coração. É linda, é sorridente, é cheia de vida, é inconsequente. É corajosa, é infinita, é infinito.

É, antes de tudo, uma loucura. Ela é uma singularidade. Ela chega e muda tudo, nem sempre pro jeito dela, mas sempre pra um jeito melhor.

Ela é tempestade. Entra no ambiente, percebe as pessoas, os objetos, o lixo de vários dias, a comida trazida de outro lugar, o shampoo no banheiro. Ela é como uma máquina de Raio-X de 2050 que, em 5 minutos, te dá um laudo preciso do que acontece por lá. E, nestes mesmos 5 minutos, ela decide se vai ou se fica. Quando fica, mesmo que por algumas horas, ela muda tudo. Ela se espalha, se conjura, deixa o perfume no cobertor, coloca um canal favorito no televisor, canta no chuveiro uma música que você nunca nem ouviu, mas que sempre que ouvir, vai lembrar dela.

Ela cria momentos, sentimentos e situações. Ela chega com respeito, com simplicidade e com a imensidão de sua coragem. Quanto mais ela conta, mais ela te assusta. Detalha com dor seus sofrimentos, chora com as lembranças felizes, desvia o olhar pra longe quando o assunto são suas saudades. Ela te envolve num mundo totalmente diferente do seu, o mundo dela.

Ela é uma avalanche de intensidades. Nem te conhece, mas já te ama de graça e já te permite conhecer seus múltiplos sorrisos. Tem o sorriso de canto de olho quando ela te percebe em sua beleza interior. O sorriso de deboche quando você conta uma de suas certezas absolutas que ela já sabe faz porradas que aquilo não passa de uma crença que sua evolução vai te permitir enxergar – ou não. O sorriso cabisbaixo, quando você não faz o que ela esperava e ela não consegue disfarçar a frustação. O sorriso sincero de quando ela te beija na testa e te atesta que ela te respeita como ser humano imperfeito que você – e todos nós – somos.

Ela é uma cebolinha cheia de camadas. Conta piada, mantem o bom humor e a pose mesmo que por dentro esteja massacrada em sofrimento. Não é que ela não cuide de suas dores, ela cuida, mas ela cuida também do outro e realmente acredita que um sorriso pode mudar o dia de alguém. Ela mesma acolhe seus sentimentos, respira fundo e sai pelo mundo arrancando umas risadas e espalhando alegria porque entende que se for para tocar outros corações, eles merecem ser tocados com a suavidade do afeto.

Ela é uma pegadinha. Ela chega demonstrando tanto que dá a entender que ela quer fazer morada e que viverá por toda a vida em seus (a)braços. Ela é isso mesmo, um livro aberto de sentimentos, pensamentos e percepções que quer compartilhar com o mundo. Ela é cheia de vida, sabe? Todo dia importa, todo dia ela quer ser melhor. E essa vida que brota dela dá um medo enorme porque ela conta suas passagens com tanta vivacidade que você se pergunta se é capaz de acompanhar alguém que aproveita e espera tanto dessa passagem. Você ainda não se encontrou e ela já está lá, livre e cheia de propósitos que você nunca nem ouviu falar.

Tudo que ela quer, ela dá seus pulos. Você fala de morar fora e ela aparece com 50 sites cheios de trabalhos e possibilidades. Você fala do seu emprego e ela tira da manga os clientes que cultiva ao redor do mundo enquanto trabalha do seu quarto com iluminação ruim. Ela, que vai de crocs rosa e camiseta rasgada no mercado, cuida dessas conexões espalhadas pelos continentes com o mesmo carinho que cuida do cocker que vive no quintal. E, quando os ciclos se encerram, ela manda currículo, cria portfólio, faz um curso novo, lança um livro, escreve um conto, descobre uma nova plataforma de contratações e resolve tudo em uma semana enquanto sua mente dança suavemente com a malemolência e o dinamismo das peças desse tabuleiro da vida.

Ela tem sonhos que ela não te conta. Ela é tão complexa que você acha que ela vai morar no seu sofá, e de repente ela te manda uma mensagem dizendo que tá fazendo as malas e perguntando se você quer ir junto. Ela tem rodinhas nos pés e se reconecta consigo cada vez que decide mudar tudo, de novo. Ela abre o peito e encara o novo emprego, a nova cultura, a nova gestão, o novo normal. O “novo”, que geralmente assusta todo mundo, dá um tesão imenso nela porque, desde pequena, ela sempre soube que nasceu pra chegar onde ninguém ousou ir. E é pra lá que ela vai.

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Ana Carolina Faria Bortolo
Turismóloga e Administradora de Novos Negócios por formação. Escritora, pintora e dançarina por vocação. Planejadora de eventos, bartender, agente de viagens e vendedora por profissão. Garçonete de navio por opção. Vi o mundo e voltei, e de todos os rótulos que carrego na bagagem, só um me define bem: sou uma ótima contadora de histórias.