Há cicatrizes que chamam atenção antes mesmo que alguém conheça a história por trás delas. Algumas atravessam poucos centímetros da pele; outras ocupam uma área tão grande que acabam se tornando uma característica permanente do corpo. Foi justamente a partir de uma dessas marcas que uma mulher encontrou uma maneira bastante particular de decidir como queria enxergar a própria perna dali em diante.
Fotos de antes e depois da transformação começaram a circular nas redes sociais e chamaram atenção pelo tamanho da cicatriz e, principalmente, pela solução escolhida por ela: uma tatuagem formada por flores e folhas que utiliza a própria marca como parte do desenho.
Segundo a história que acompanha as imagens compartilhadas na internet, a extensa cicatriz teria sido provocada por um ataque de tubarão. Não há, porém, informações suficientes disponíveis para confirmar de forma independente a origem da lesão ou identificar publicamente a mulher retratada.
Ainda assim, as próprias fotografias explicam por que a transformação ganhou tanta repercussão.
A tatuagem foi criada seguindo o formato da cicatriz
Na imagem anterior à tatuagem, uma longa cicatriz irregular pode ser vista atravessando boa parte da perna. Em vez de tentar camuflar completamente sua textura e seu desenho, o trabalho posterior aproveitou justamente o percurso deixado pela lesão.
Flores de diferentes tamanhos foram distribuídas ao redor da marca, acompanhadas por galhos e folhas. Em vários pontos, a cicatriz permanece perceptível entre os traços.
Esse detalhe muda bastante o resultado.
A tatuagem não funciona como uma camada colocada simplesmente por cima da pele marcada. O desenho acompanha suas curvas e incorpora características que já estavam ali. Vista por inteiro, a composição lembra um jardim crescendo ao longo da perna.
Foi justamente essa integração entre tatuagem e cicatriz que recebeu elogios entre pessoas que compartilharam as imagens.
A cicatriz continuou ali, mas passou a dividir espaço com algo escolhido por ela
Transformações desse tipo também chamam atenção por uma razão bastante concreta: quem possui uma cicatriz extensa nem sempre deseja escondê-la.
Há pessoas que preferem mantê-la exatamente como está. Outras recorrem a tratamentos dermatológicos ou cirúrgicos. Algumas escolhem tatuagens para alterar a maneira como aquela região do corpo é percebida.
Neste caso, a mulher tomou uma marca que teria surgido de maneira involuntária e acrescentou a ela um elemento decidido por conta própria.
A diferença pode parecer sutil, mas é justamente o que torna a fotografia tão interessante.
O desenho não tenta criar a impressão de que aquela pele nunca sofreu uma lesão. A cicatriz continua visível e participa da composição. Flores, folhas e linhas foram organizadas ao redor dela até que aquilo que anteriormente aparecia isolado passasse a integrar uma imagem maior.
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Tatuar sobre cicatrizes exige alguns cuidados
Apesar do resultado mostrado nas fotografias, tatuar uma região cicatrizada não é exatamente igual a tatuar uma pele sem alterações.
O tecido de uma cicatriz pode apresentar espessura, sensibilidade, elasticidade e pigmentação diferentes da pele ao redor. Por isso, o resultado depende tanto das características da cicatriz quanto da experiência do tatuador.
Cicatrizes recentes também não devem ser tratadas como se já estivessem completamente estabilizadas. Dependendo do tipo de lesão, da recuperação e de eventuais alterações como queloides, pode ser necessário conversar previamente com um dermatologista antes de realizar uma tatuagem sobre a área.
No caso que viralizou, contudo, é justamente a adaptação do desenho às características existentes da pele que chama atenção.
As flores não eliminam a cicatriz do campo de visão. Elas mudam aquilo que aparece ao redor dela.
E talvez seja essa a razão de as imagens terem circulado tanto: em vez de apresentar a marca como algo obrigatoriamente vergonhoso ou destinado a ser escondido, a transformação mostra uma possibilidade muito mais simples.
Uma parte do corpo que surgiu de algo que a pessoa não escolheu também pode receber, mais tarde, algo que ela escolheu.
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