Ego não é amor

Quando somos traídos a dor proveniente da traição fere a alma. Sentimos uma impotência gigantesca e agregamos culpa que nunca tivemos na tentativa de procurar uma justificativa para o ato. Agora pasme: a verdade é que quem faz toda essa “confusão mental” é o ego, não a mente racional.

Pamela Camocardi

Ego. Está aí uma das palavras mais utilizadas na atualidade. O termo “Ego” vem da Psicologia, mais especificamente da área de Psicanálise. Surgiu para explicar como é o funcionamento da mente humana impulsiva, inconsciente e consciente. Em palavras simples: ego é o núcleo da personalidade de uma pessoa. Conceitos apresentados vamos agora deixar claro que não discutiremos os conceitos e explicações técnicas do assunto.

Deixemos isso para a Psicanálise. Discutiremos aqui o senso comum, a aplicabilidade do termo na vida cotidiana e as consequências que o ego nos apresenta, dentro das relações sociais, como “normais”.

Ao longo da vida estabelecemos as mais diversas relações sociais. Nos relacionamentos amorosos, nas profissões ou nas relações familiares criamos laços afetivos intensos e das mais diversas formas. Normal! O problema acontece quando essas relações tiram a nossa paz, pesam a nossa vida e nos deixam com a sensação de culpa de tudo o que acontece.

Vamos a um exemplo simples: a traição nos relacionamentos afetivos (seja amoroso, profissional ou social). Se pensarmos racionalmente a traição nada mais é que a revelação do caráter de quem a pratica e não deveria afetar quem a sofre, uma vez que a pessoa traída permaneceu intacta em seus princípios e sentimentos. Porém, não é assim que acontece.

Quando somos traídos a dor proveniente da traição fere a alma. Sentimos uma impotência gigantesca e agregamos culpa que nunca tivemos na tentativa de procurar uma justificativa para o ato. Agora pasme: a verdade é que quem faz toda essa “confusão mental” é o ego, não a mente racional. A mente racional sabe exatamente que você agiu corretamente durante a relação, que não tem culpa da traição e que não tem responsabilidade sobre as escolhas e os atos praticados pelo outro. O problema é que enquanto a mente racional “fala” de forma sutil, o ego grita que “você poderia ter evitado isso”, “que não é bom o suficiente” e que “todas as pessoas traem”.

Vamos a outro exemplo clássico: a valorização do nosso trabalho.
Vamos partir do princípio que todos nós somos vendedores. Alguns vendem produtos, outros ideias e outros imagens. O fato que é vendemos nosso trabalho. Porém, para que nosso trabalho tenha “valor” desenvolvemos habilidades que o destaquem entre os outros oferecidos e, quando esse valor não é reconhecido socialmente, a insegurança se instaura e os “muros” da defesa mental são quebrados pelo ego.

Não sei se me fiz clara até aqui, mas o que quero dizer é que você precisa saber discernir entre os sentimentos que o ego impõe da realidade que a mente racional te apresenta.
Portanto, quando algo desagradável acontecer, respire, analise friamente a situação e pense nos motivos que te fazem sofrer. Isso inclui: desvalorização profissional, sofrimento amoroso e sentimentos de impotência ou culpa diantes das situações.

Questione-se. Será mesmo que você quer voltar para aquele relacionamento abusivo só para não ficar sozinho? Será mesmo que é melhor trabalhar em algo que não gosta porque a vida não está fácil para ninguém? Será mesmo que você tem culpa das traições que sofreu? Será que você não é “bom o suficiente” para ter um relacionamento saudável e feliz? Pense bem! Quando você conseguir calar o ego e começar a ouvir a mente racional, entenderá que muitas das dores sofridas não deveriam nem ter feito cócegas.
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Photo by cottonbro from Pexels

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Pamela Camocardi
A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.