É um alívio sem volta quando quem te machucava não te atinge mais

A pessoa pisa na bola uma, duas, três vezes... e a gente perdoa. Ou nem perdoa, mas vai tocando, empurrando com a barriga, dando outra chance. Por quê? Por que a nossa tolerância com o descaso ou a falta de caráter tem que ser tão elástica?

Ana Macarini

A pessoa pisa na bola uma, duas, três vezes… e a gente perdoa. Ou nem perdoa, mas vai tocando, empurrando com a barriga, dando outra chance. Por quê? Por que a nossa tolerância com o descaso ou a falta de caráter tem que ser tão elástica?

Pode ser algum tipo de falta de autovalorização, pode ser carência afetiva ou pode ser uma infinita bondade no coração mesmo. No entanto, é preciso analisar cada caso com a devida frieza que merece. Caso contrário, meu anjo, você corre o sério risco de virar tapetinho para quem não faz a menor cerimônia de usar você para limpar os pés.

A falta de autovalor pode vir de lugares escondidos lá na infância. Pais extremamente rígidos que a obrigavam a pedir desculpas mesmo quando não havia errado, adultos pouco amorosos que lidavam com suas faltas como se fossem irremediáveis, coleguinhas abusivos que a tratavam como se fosse um copinho descartável.

Escaramuce aí nas suas lembranças dolorosas e vai achar um sem número de situações que a fizeram baixar a cabeça e assumir responsabilidades que não eram suas. E haja terapia, oração ou horas de coaching para desmanchar essas crenças limitantes e devolver o poder sobre si mesma em suas mãos. A verdade é que você PRECISA superar isso.

A gente precisa superar todas as pedrinhas que nos machucaram os pés no percurso, se não vamos continuar usando esparadrapo para cobrir fraturas expostas. E vai continuar doendo como se o machucado fosse recente.

Não é! O machucado é velho! A pessoa é velha! Já devia, inclusive ter sido morta e enterrada dentro de você, dentro de mim, dentro de todo mundo que tem uma certa dificuldade para discernir entre ser bom e ser bobinho.

O mundo não perdoa os bobinhos. O mundo não valoriza os bobinhos. O mundo não está nem aí para os bobinhos. Os bobinhos são úteis, não necessários.

Por isso, minha linda pessoa, esfregue essa sujeira de falta de amor próprio que te cobre. Esfregue sem dó, com aquela bucha de banho que tira até cascão de campinho de futebol de várzea. Use um belíssimo sabonete perfumado de autoestima para garantir que essa praga da menos valia nem ouse mais se aproximar de você.

Olhe-se no espelho! Você é linda! É corajosa! É valente! Você merece atenção, amor, olho no olho e presença. Você merece para si esse amor todo que você oferece, dá e entrega todo santo dia.

É um alívio sem volta quando quem te machuca não te atinge mais. Olhe para a cara da pessoa e conjure no lugar da cara dela a feição daqueles bonecos sem-graça que ficam se debatendo na porta das borracharias. É só um boneco sem vida que se mexe! Não pode te fazer mal.

Tire de quem te trata como estepe o poder de te alcançar. Suma se for preciso! Troque até o chip do celular e escolha bem para quem vai entregar depois a chave do seu coração. Bloqueie! Exclua! Passe um batom colorido nesses lábios que vêm se privando de dizer umas boas verdades!

Deixe ir. Gente ruim que se estrepe sozinha. Numa ilha deserta. Em outro planeta. Longe. Bem longe de você!

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"