É permitido se apegar, sim! Você não é uma máquina, é um ser humano.

Eu quero falar contigo que, apesar de ter se esforçado tanto para evitar, acabou se apegando a essa pessoa.

Eu quero falar contigo que, apesar de ter se esforçado tanto para evitar, acabou se apegando a essa pessoa. Imagino que você esteja assustado(a), inseguro(a) e sentindo-se vulnerável. Certamente, você está cansado de ler aqueles textões que prega sobre o cuidado de não se apegar. Quem escreve esse texto, entende o que se passa contigo, sinta-se abraçado(a) pela minha empatia.

De verdade, com toda a minha sinceridade, eu quero pedir que você abandone esse sentimento tão negativo sobre si mesmo(a). Moço(a), você não é nenhum(a) ridículo(a), tampouco, uma pessoa fraca. Sabe o que você é? Você é uma pessoa que sente amor, você é alguém que, apesar de todas as feridas que te causaram, não desistiu de acreditar que ainda existam pessoas decentes para se relacionar. Por favor, guarde essas palavras, não as escrevo da boca para fora. Você enxerga o mundo, as pessoas e os relacionamentos com a uma visão bonita, você não se contaminou o suficiente para achar que ninguém presta, pois isso não é verdade, e você é uma prova disso.

Se você se apegou a essa pessoa, foi porque você encontrou motivos para isso. Você se encantou, que mal há nisso? Sabe, o mundo anda chato demais, por todos os lados existem esses avisos de advertência: “não se apegue”. Meu Deus, somos humanos, e precisamos de encantamento para dar sentido à nossa existência. Não somos máquinas, não somos pedras! Temos um coração que pulsa e  uma alma que anseia por afeto. Como exigir que não nos apeguemos a quem nos oferece amor de uma forma tão linda? Como não se encantar com uma pessoa que nos acaricia a alma? Como resistir a quem nos enxerga por dentro e nos devolve o riso?

Ao que parece, tudo conspira para que nos blindemos contra o amor. Vejo muita gente se protegendo de sentir afeto, fingindo que não se importa, vestindo uma máscara de indiferença e frieza que não condiz com a realidade. É como se sentir afeto e demonstrá-lo fosse algo vergonhoso e diminuísse alguém. Eu concordo e defendo que não é sensato oferecer o nosso sagrado a quem não tem nada a nos devolver. Se não existe reciprocidade, o melhor a fazer é manter distância mesmo, isso é auto cuidado, é respeito por si mesmo(a). Contudo, se há uma sintonia, se existe uma troca gostosa, e se há conexão, por que não viver? Por que não retribuir? Por que se esquivar?

As pessoas sentem tanto medo das rupturas que acabam se privando de viver uma experiência que poderia ser bem gratificante e enriquecedora. É aquela história, quem se protege demais, acaba se protegendo também das experiências boas. Seria mais fácil se entendêssemos que as rupturas fazem parte dos relacionamentos e, que elas não devem  ser encaradas como bicho papão.

Voltando ao seu encantamento por essa pessoa, viva-o em sua plenitude. Aproveite, sem moderação. Existe experiência mais gostosa que amar? Se existe, não me apresentaram ainda. Não se preocupe se vai durar uma semana ou uma década, apenas viva cada momento com a sua máxima intensidade. Ah, vamos combinar uma coisa: se alguém vier tentar amarelar o seu sorriso com o velho jargão “cuidado com esse apego”, responda o seguinte: Vou me permitir viver isso enquanto for recíproco e gratificante para ambos. Se acabar, saberei lidar com o novo ciclo, mas não vou me privar de viver por medo de sofrer. Como bem canta Lulu Santos: “Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, o que eu ganho ou o que eu perco, ninguém precisa saber”.

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Photo by Ryan Jacobson on Unsplash

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.