Durante 6 meses, ela sentiu dor de barriga. O que os médicos suspeitaram é difícil de imaginar

Durante seis meses, uma adolescente conviveu com dores abdominais persistentes, sem que as primeiras avaliações médicas conseguissem esclarecer a origem do problema. O desconforto, inicialmente tratado como uma possível alteração digestiva, continuou mesmo após a família procurar atendimento.

Com o passar das semanas, os sintomas começaram a prejudicar sua rotina. Frequentar a escola e realizar atividades cotidianas tornaram-se tarefas mais difíceis, enquanto a falta de um diagnóstico aumentava a preocupação dos familiares.

Segundo o relato divulgado sobre o episódio, os médicos decidiram aprofundar a investigação diante da persistência das dores. Foi então que uma alteração até aquele momento não identificada chamou a atenção da equipe.

A imagem associada ao caso apresenta uma grande massa de cabelos, semelhante a uma formação conhecida na medicina como tricobezoar. Embora a documentação disponível não permita confirmar todos os detalhes do atendimento da adolescente, essa condição é reconhecida pela literatura médica e pode provocar sintomas durante meses antes de ser identificada.

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Como uma massa de cabelos pode se formar no estômago?

O tricobezoar é uma formação composta principalmente por fios de cabelo ingeridos que se acumulam no sistema digestivo, geralmente no estômago.

Os cabelos são resistentes à ação das enzimas digestivas. Quando ingeridos repetidamente, podem ficar retidos nas dobras do estômago e se misturar a restos alimentares e outras substâncias, formando uma massa compacta.

Esse processo costuma acontecer gradualmente. Dependendo da quantidade acumulada, a formação pode ocupar uma parte considerável do órgão e dificultar a passagem dos alimentos.

Em situações mais graves, os cabelos chegam a se estender do estômago para o intestino delgado. Essa manifestação recebe o nome de síndrome de Rapunzel e pode provocar obstruções e outras complicações.

Uma pesquisa publicada em 2019 na revista científica BJR Case Reports descreveu um episódio semelhante envolvendo uma adolescente australiana de 14 anos. A jovem apresentava dores abdominais, perda de peso e anemia por deficiência de ferro. Após exames de imagem e uma endoscopia, os médicos confirmaram a presença de um grande tricobezoar, posteriormente removido por cirurgia.

O estudo destacou que alguns sinais da alteração haviam passado despercebidos nas avaliações iniciais, contribuindo para a dificuldade de estabelecer o diagnóstico.

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Por que o problema pode demorar a ser descoberto?

Um dos principais desafios é que os sintomas do tricobezoar se confundem com os de doenças digestivas bastante comuns.

Dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de apetite, sensação de saciedade após pequenas refeições e emagrecimento estão entre as manifestações possíveis. Algumas pessoas também desenvolvem anemia ou apresentam uma massa que pode ser percebida durante o exame físico.

Como o acúmulo de cabelos pode ocorrer lentamente, o paciente nem sempre apresenta sinais intensos desde o início.

A investigação costuma envolver exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada. A endoscopia digestiva alta também pode ser utilizada para visualizar diretamente o interior do estômago e confirmar a presença da massa.

Outro aspecto importante é a relação do tricobezoar com a tricofagia, nome dado ao comportamento de ingerir cabelos.

Em alguns pacientes, esse hábito está associado à tricotilomania, condição caracterizada pela dificuldade recorrente de resistir ao impulso de arrancar os próprios fios. Entretanto, uma pessoa pode apresentar tricotilomania sem ingerir cabelos, e os dois comportamentos não devem ser confundidos.

Por envolver questões comportamentais e de saúde mental, a investigação precisa ser conduzida com cuidado, respeitando a privacidade do paciente e evitando julgamentos.

Tratamento pode exigir cirurgia

A abordagem médica depende do tamanho da formação e das consequências que ela provoca.

Massas pequenas podem, em determinadas circunstâncias, ser retiradas por endoscopia. Já os tricobezoares maiores frequentemente precisam de intervenção cirúrgica, especialmente quando comprometem o funcionamento do sistema digestivo.

Em 2023, pesquisadores da Coreia do Sul publicaram na revista Medicine os casos de duas meninas, de 12 e 13 anos, que precisaram passar por procedimentos para a retirada de grandes massas de cabelos do estômago. Ambas tiveram recuperação pós-operatória sem complicações relatadas.

Depois da remoção, o acompanhamento pode incluir profissionais de saúde mental para identificar e tratar comportamentos relacionados à ingestão de cabelos, reduzindo a possibilidade de novos episódios.

Apesar de raro, o tricobezoar pode causar consequências sérias quando não recebe tratamento, incluindo sangramentos, obstrução intestinal e perfuração do aparelho digestivo.

Por isso, dores abdominais persistentes, especialmente quando acompanhadas de vômitos frequentes, emagrecimento ou dificuldade para se alimentar, precisam ser avaliadas por um profissional de saúde. Quadros de dor intensa e repentina ou suspeita de obstrução intestinal exigem atendimento de urgência.

No caso da adolescente que teria enfrentado seis meses de sofrimento, não foram disponibilizados registros clínicos suficientes para estabelecer com segurança o diagnóstico definitivo, a técnica utilizada no tratamento ou sua evolução posterior.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.