O corredor de salgadinhos e doces pode virar palco de uma mudança bem prática (e bem polêmica) nos Estados Unidos: o Texas aprovou uma lei para exigir um aviso explícito no rótulo de certos ultraprocessados vendidos no estado — e marcas populares como Doritos e M&M’s entraram na conversa porque costumam usar ingredientes que aparecem na lista-alvo.
A regra vem do SB 25, sancionado em junho de 2025. O texto determina que, quando um alimento tiver qualquer um de 44 ingredientes listados, a embalagem traga um alerta padronizado dizendo, em essência, que o produto contém um ingrediente “não recomendado para consumo humano” por autoridades de Austrália, Canadá, União Europeia ou Reino Unido.
O aviso não é sobre “o produto ser proibido” no Texas; é sobre rotulagem. A exigência passa a valer a partir de 2027 (com detalhes de implementação ligados a atualizações de rótulo), e a lei também prevê penalidades civis para descumprimento.

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E quais ingredientes puxaram essa discussão? Entre os exemplos mais citados estão corantes artificiais usados em vários doces e cereais, além de aditivos como BHA/BHT e dióxido de titânio, que aparecem no debate público por serem restringidos em alguns mercados e por discussões sobre efeitos em saúde quando consumidos com frequência.
Outros produtos além de Doritos e M&M’s também podem cair nessa exigência, justamente porque a lista inclui itens comuns em prateleira de mercado (cereais, balas coloridas, snacks e afins).
Por isso, o recado maior do Texas é: ou a indústria reformula, ou cria embalagem específica para o estado, ou assume o alerta.

Também tem briga no meio do caminho. Reportagens e análises apontaram inconsistências na lista (ingredientes que estariam permitidos em parte dos locais citados) e o tema já virou disputa judicial, com grupos da indústria questionando a lei.
Ou seja: a ideia do rótulo está de pé, mas o texto e a aplicação seguem sob pressão.
No fim, dá pra olhar por dois ângulos: tem quem veja isso como empurrão para transparência e redução de aditivos, e tem quem enxergue como um aviso amplo demais que pode confundir o consumidor.
O que não dá é fingir que rótulo é detalhe: ele muda compra, muda fórmula e muda discurso.
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