Diana e Michael Jackson só se encontraram uma vez, mas o que aconteceu depois surpreende

Há fotografias que ganham outro peso com o passar dos anos. Em julho de 1988, quando Michael Jackson recebeu a princesa Diana nos bastidores do estádio de Wembley, em Londres, a cena podia ser vista simplesmente como o encontro entre dois dos rostos mais conhecidos daquela década. Hoje, aquelas imagens também chamam atenção por um detalhe curioso: aquele teria sido o único encontro presencial dos dois.

Michael e Diana seguiram caminhos muito diferentes, mas conviviam com um problema bastante parecido. Ambos tinham enorme dificuldade para preservar qualquer parte da vida privada diante da imprensa. Anos mais tarde, o cantor diria que essa experiência em comum ajudou a aproximá-los, embora parte do que se sabe sobre a relação venha dos próprios relatos de Jackson e continue impossível de confirmar de maneira independente.

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O único encontro entre Michael Jackson e Diana

Era 16 de julho de 1988. Michael Jackson estava no auge da turnê Bad e faria um dos seus shows no estádio de Wembley. Diana compareceu acompanhada do então marido, o príncipe Charles.

Ela já conhecia bem o trabalho do cantor. Segundo relatos publicados posteriormente, Diana gostava especialmente dos álbuns Thriller e Bad. O encontro antes do show, porém, provocou uma situação um tanto desconfortável para Michael.

O problema tinha nome: “Dirty Diana”.

Jackson havia decidido retirar a música do repertório daquela noite por causa da presença da princesa. A canção fala sobre uma mulher chamada Diana e ele temia que executá-la diante da integrante da família real fosse interpretado como uma provocação ou falta de respeito.

Em entrevista a Barbara Walters, em 1997, Michael contou que explicou pessoalmente sua decisão a Diana. A resposta dela desmontou toda a preocupação: a princesa queria justamente ouvir a música.

Segundo a lembrança do cantor, Diana perguntou se ele cantaria “Dirty Diana”. Michael explicou que havia retirado a faixa em consideração a ela, mas ouviu da própria princesa que deveria colocá-la de volta. Foi o que fez.

A história ajuda a explicar por que as fotografias daquele encontro mostram um Michael aparentemente tímido diante de Diana. Ele próprio admitiria que estava nervoso.

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Presentes para William e Harry e uma grande doação

Michael também aproveitou aquela noite para presentear os filhos de Diana. William e Harry receberam versões em miniatura das jaquetas usadas na turnê Bad.

Havia ainda outro motivo para o encontro nos bastidores. O cantor fez uma contribuição de 150 mil libras ao Prince’s Trust, organização voltada ao apoio de jovens, e outra de 100 mil libras ao Great Ormond Street Hospital, hospital infantil de Londres.

O episódio acabou revelando uma afinidade que ia além da música. Diana construiu parte importante de sua atuação pública em torno de causas sociais e humanitárias. Michael, por sua vez, destinava dinheiro e visibilidade a projetos ligados principalmente a crianças.

Mas seria a pressão provocada pela fama que, segundo Jackson, criaria o principal elo entre eles.

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As supostas ligações de madrugada

Embora não existam registros de outro encontro presencial, Michael afirmou anos depois que continuou mantendo contato com Diana pelo telefone.

Em 1999, ele declarou à imprensa alemã que os dois eram muito próximos e relatou que Diana costumava telefonar tarde da noite, algumas vezes depois das três da manhã. Segundo o cantor, as conversas podiam durar horas e frequentemente giravam em torno dos filhos dela e dos problemas provocados pela imprensa.

Jackson voltaria ao assunto em 2003. Ele explicou que enxergava em Diana alguém capaz de compreender o que significava ter fotógrafos, tabloides e curiosos acompanhando praticamente cada movimento de sua vida.

Esse é também o ponto em que a história precisa de certa cautela.

Grande parte dos detalhes sobre essas conversas veio do próprio Michael. Seu ex-segurança Matt Fiddes declarou posteriormente que as ligações realmente aconteciam, mas outros relatos atribuídos a pessoas próximas de Diana contestaram o grau de intimidade entre os dois. Portanto, tratar todas as histórias envolvendo as chamadas telefônicas como fatos comprovados seria avançar além das evidências disponíveis.

O que está documentado é o carinho com que Michael falava publicamente sobre ela.

Michael Jackson era apaixonado por Diana?

Essa pergunta surgiu principalmente depois das declarações de Matt Fiddes.

Anos após a morte do cantor, Fiddes afirmou que Michael teria desenvolvido sentimentos amorosos por Diana e acreditava que ela estava entre as poucas pessoas capazes de entender sua vida. Segundo ele, Jackson se identificava especialmente com a falta de privacidade sofrida pela princesa, com o assédio constante da imprensa e com a exposição de seus filhos.

A alegação de que Michael estava apaixonado por Diana, entretanto, deve ser apresentada pelo que é: um relato de uma pessoa que conviveu com o cantor, e não a comprovação de que existiu um relacionamento romântico entre os dois.

Não há evidência pública de romance entre Michael e Diana.

Há, por outro lado, declarações do próprio Jackson demonstrando forte admiração por ela e indicando que ele considerava a relação emocionalmente importante.

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Duas pessoas perseguidas pelas câmeras

Talvez seja justamente esse aspecto que torne a aproximação entre eles tão compreensível.

Diana passou boa parte da vida adulta cercada por fotógrafos. Uma ida a um restaurante, uma viagem ou um encontro podiam terminar estampados em jornais ao redor do mundo.

Com Michael ocorria algo parecido. Cada mudança em sua aparência, relacionamento ou comportamento alimentava manchetes, especulações e histórias sobre sua vida pessoal.

Décadas antes de redes sociais transformarem a exposição permanente em parte da rotina de celebridades, os dois já viviam uma versão extrema desse fenômeno.

Michael afirmou mais tarde que eles conversavam justamente sobre isso. Em uma declaração de 2003, disse que Diana estava entre as pessoas que conheceu com quem conseguia se identificar porque ambos haviam sido perseguidos intensamente pela imprensa.

A reação de Michael à morte de Diana

Diana morreu em 31 de agosto de 1997, após o acidente de carro ocorrido no túnel da Pont de l’Alma, em Paris.

Michael contou posteriormente que ficou profundamente abalado ao receber a notícia. Segundo seu relato a Barbara Walters, chegou a cair ao saber da morte da princesa. Ele também adiou uma apresentação da turnê HIStory que estava programada para aquele período.

Quando retornou aos palcos, prestou uma homenagem a Diana durante o espetáculo e falou publicamente sobre o carinho que sentia por ela.

Michael não participou do funeral realizado na Abadia de Westminster, em Londres. Poucos dias depois, entretanto, compareceu a uma cerimônia em memória da princesa realizada em Los Angeles.

Mais de mil pessoas participaram do serviço religioso. Na chegada, cercado por seguranças e vestido de preto, Jackson explicou aos jornalistas que estava ali para homenagear sua amiga. A presença dele na cerimônia foi registrada pela Associated Press na época.

Aquela fotografia de 1988, portanto, registra algo bastante específico: Diana e Michael Jackson lado a lado na única ocasião em que se sabe que estiveram pessoalmente juntos. O que veio depois é uma combinação de fatos documentados, declarações do cantor e relatos de terceiros que, até hoje, deixam algumas partes dessa relação sem uma resposta definitiva.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.