No último dia 12 de junho, a Netflix adicionou ao seu catálogo o aguardado novo filme de Spike Lee, “Destacamento Blood”. Diretor de muitas obras inesquecíveis do cinema, Lee volta a abordar o racismo entranhado nas estruturas do seu país com uma história que relembra um episódio ainda recente e doloroso da história, a Guerra do Vietnã, em que muitos soldados afro-americanos foram postos na linha de frente para lutar por um objetivo que nunca foi deles e por uma nação que nunca os tratou com o devido respeito.

A trama narra a história de quatro veteranos de guerra que retornam ao Vietnã para procurar um tesouro enterrado. Trazendo de volta às telas o olhar apurado, a linguagem inconfundível e o apuro técnico característicos das obras do diretor, Destacamento Blood quer nos tirar da zona de conforto e nos fazer encarar a realidade sem romantismos. Para Lee, uma guerra nunca termina. Assim como a Guerra do Vietnã ainda pulsa na memória daqueles que viveram seus horrores e nos reflexos sentidos na vida dos descendentes desses soldados, o racismo ainda faz as pessoas irem às ruas com cartazes de protestos, mais de 50 anos depois das revoltas de 1968, quando Martin Luther King teve trajetória de lutas abreviada em um crime político.

Destacamento Blood é um filme inesquecível. Vai ser difícil tirar da mente a fúria e a dor de Paul, personagem do brilhante Delroy Lindo, ao olhar para a câmera e dizer de quem é a culpa pela sua aparente loucura. As atitudes do personagem espelham uma sociedade doente que sempre o explorou e o tratou como descartável. Paul, portanto, é o resultado do racismo que continua fazendo vítimas nos Estados Unidos e para além de suas tão bem protegidas fronteiras.

Spike Lee, que já tinha incomodado as platéias com “Faça a Coisa Certa”, de 1989, considerada uma das obras mais importantes do cinema, só foi ganhar uma estatueta do Oscar no ano passado, pelo roteiro de ‘Infiltrado na Klan’. Portanto, ‘Destacamento Blood’ oferece à Academia a chance de reparar um erro brutal. Spike Lee é das vozes mais proeminentes dessa geração do cinema e merece ser reconhecido como tal. Sua genialidade continua a nos incomodar com questões que a sociedade costuma minimizar ou tratar com a superficialidade que cai tão bem aos discursos nas redes sociais.

Confira o Trailer:

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Felipe Souza é escritor, jornalista, editor de conteúdo para a internet e agora também podcaster. E, além disso, um leitor voraz e um curioso sobre os mais diversos assuntos.