Como ser uma pessoa bem instruída?

É muito importante ligarmos a instrução com o ensino e a aprendizagem, e obviamente com o professor e o aluno.

Eu sou um amante da etimologia, que é o estudo das raízes das palavras. Inclusive recentemente aprendi com a querida professora de Filosofia da Nova Acrópole Lucia Helena Galvão que boa parte do que podemos refletir sobre a Filosofia se esconde dentro das próprias palavras. E não é que ela tem razão? Quero nesse texto lhe levar a refletir sobre uma palavra que quase ninguém conhece sua origem: INSTRUÇÃO.

Todos nós vamos para a escola bem novinhos, em média com 3 anos de idade, e ficamos lá até os 17 anos. Só aí são 14 anos de estudo. Depois vamos para a faculdade estudar por mais 4, 5 ou 6 anos dependendo do curso. E como hoje em dia cada vez mais se exige uma especialização, aí se vão mais 2 anos de mestrado, e para os corajosos de plantão, mais 4 anos de doutorado. Somando tudo são em torno de 24 a 26 anos de estudo. Tudo para adquirir todo um cabedal de instruções! Quando paramos para pensar em termos de anos a coisa vai longe, hein?…

Encontrei, pesquisando na internet, um artigo curto e bem interessante sobre a etimologia da palavra instrução. O título, para os interessados é: A etimologia de alguns vocábulos referentes à educação, do professor de Letras da Universidade Federal de Uberlândia Evandro Silva Martins. Abaixo transcrevo suas palavras:

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O vocábulo instrução se prende ao verbo instruir. Veio, como a maioria dos verbos portugueses, da língua latina. Nela, tínhamos o verbo instrúere que se formou do prefixo in- e do verbo strúere, no itálico vinculado ao tema STREU, alargamento de grau zero da raiz indo-européia STER- cuja acepção era a de “estender, espalhar”. Na língua de Cícero, strúere era entendido semanticamente como “amontoar materiais, ajuntar”. Podemos entender amontoar como “estender em camadas sobrepostas”. Por isso, nos dias atuais, a instrução é vista como um preenchimento de gavetas. Temos as disciplinas História, Geografia, Ciências, Matemática e o aluno as vai colocando como camadas sobrepostas, no seu intelecto e, na maioria das vezes, sem haver uma interação entre as mesmas. É um crescimento de fora para dentro, bem ao contrário da educação.

 Evandro Silva Martins

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Maravilhoso não é mesmo? A instrução é como se fosse um amontoar de conteúdos dentro de gavetas da nossa mente. É como se nossos neurônios carregassem gavetas que vão cada vez mais se expandindo. Inclusive, altos estudos já foram feitos provando que não existe um limite para a nossa capacidade de assimilação de novas ideias, é a tal da NEUROPLASTICIDADE, termo que provavelmente você já leu ou ouviu em algum lugar.

É muito importante ligarmos a instrução com o ensino e a aprendizagem, e obviamente com o professor e o aluno. O professor é aquele que de fora transmite conhecimentos que serão internalizados pelos alunos e farão parte de seus conhecimentos. Não é à toa que sempre dizemos que a pessoa instruída é a pessoa estudada, aquela que carrega muito conhecimento, muito aprendizado.

Agora vem o mais importante e o que de fato mais me motivou a escrever esse texto. De que adianta eu aprender tudo isso e simplesmente atolar na minha mente? Encher o meu HD? (falando de uma forma mais engraçada e moderna! hehe). Não serve para nada!

É do termo STREU – STER o mais interessante! Significa “estender”, “espalhar”. Ou seja, eu aprendi algo novo, agora que eu já aprendi devo PASSAR ADIANTE, para que outras pessoas também aprendam, e assim se crie uma corrente do bem, uma corrente de pessoas mais inteligentes, e futuramente, mais sábias…

Eu me sinto honrado, um privilegiado, em poder concatenar essas ideias de forma simples e espalhar para tanta gente ler e com a reflexão poderem crescer em consciência.

Infelizmente, existem muitas pessoas extremamente instruídas no sentido de conhecimentos guardados, mas que não fazem o que a raiz da palavra sugere, que é o espalhar do conhecimento. Guarda tudo para si, muitos com um medo danado de que os outros “roubem” suas ideias! Como assim? Existe algo que é do meu total domínio? Existe algo que simplesmente brotou da minha mente e não tomou uma inspiração de nenhum lugar? É ÓBVIO que não! Aproveito esse texto para fazer esse crítica sutil. Você se tornará ainda mais inteligente, ainda mais rico internamente ao transmitir o que sabe para as outras pessoas. Quando você morrer, seu cérebro vai virar pó juntamente com todo seu corpo, mas o que você espalhou deixará frutos e esses frutos alimentarão muitos outros.

Se olharmos os grandes cientistas, os grandes artistas, os grandes escritores, os grandes músicos etc. Todos eles se instruíram ao longo de muitos anos, e em seguida ou concomitantemente, espalharam seus conhecimentos para as outras pessoas. O nome disso é EDUCAÇÃO. Essa é a palavra que resume esse texto inteiro!

O que seria de nós sem o espalhar dos conhecimentos dos grandes cientistas como Galileu Galilei, Kepler, Newton, Maxwell, Albert Einstein, Stephen Hawking? Ou como seria a música sem as belíssimas sinfonias de Beethoven, de Bach, de Mozart, de Haendel? O que seria da arte sem as magistrais obras de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Picasso, Van Gogh, Monet? O que seria da Literatura, Cinema, Filosofia, Psicologia, sem Clarice Lispector, ou Machado de Assis, ou Fernando Pessoa, ou Rubem Alves, ou Shakespeare, ou Platão, ou Aristóteles, ou Freud, ou Jung?

Todos eles e muitos outros foram educadores, cada um dentro da sua área, e pela instrução adquirida ao longo da vida, tão bem souberam espalhar seus lindos conteúdos para a humanidade!

A educação nos transforma, a educação nos liberta, já dizia o grande mestre Paulo Freire.

Portanto, busque ser uma pessoa mais instruída a cada dia, insira novos conteúdos nas gavetinhas do seu cérebro, mas busque espalhar, estender para os outros aquilo que você aprendeu e continua aprendendo! Dessa maneira você estará sendo também um educador, independente de qual ofício desempenhe…

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


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Isaias Costa
Bacharel em Física. Mestre em Engenharia Mecânica e Psicanalista clínico. Trabalha como professor de Física e Matemática, mas não deixa de alimentar o seu lado das Humanas estudando a mente humana e seus mistérios, ouvindo seus pacientes e compartilhando conhecimentos em seu blog "Para além do agora", no qual escreve desde 2012.