Com as próprias mãos, Padre Júlio Lancellotti quebra pedras colocadas sob viaduto para afastar população de rua

O Padre Júlio Lancellotti está derrubando a marretadas as pedras que foram colocadas sob um viaduto para que pessoas em situação de rua não possam se abrigar ali. Como o próprio padre diz: "Hoje eu vi Jesus. Ele era uma pessoa negra, com fome, largado nas calçadas de São Paulo, precisando de ajuda."

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Conhecido por liderar ações sociais em prol das populações de rua, o Padre Júlio Lancellotti mais uma vez demonstrou a sua preocupação com os mais vulnetráveis. Na manhã desta terça-feira (02), ele foi até o viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida, na Zona Leste de São Paulo, e pôs-se a derrubar com as próprias mãos, usando uma marreta, as pedras que a prefeitura da cidade colocou ali para afastar as pessoas em situação de rua.

“Foi um gesto de indignação”, disse ele à Veja São Paulo. De acordo com o padre, há no local duas escavadeiras, cinco caminhões, duas vans com técnicos e mais de trinta trabalhadores retirando os pedregulhos. “Eu vejo isso como uma improbidade administrativa, porque há um custo para colocar o concreto e para retirar”, afirmou o pároco.

Ao jornal Folha de S. Paulo, um dos trabalhadores da empresa contratada pela prefeitura para fixar as pedras no chão do viaduto, disse o seguinte: “A gente faz porque é obrigado, mas até aperta o coração tirar o teto de quem já mora na rua”.

A administração municipal disse que foi pega de surpresa e afirmou não ter conhecimento da obra para fixar as pedras pontiagudas no local. De acordo com ela, uma sindicância foi aberta para apurar os fatos e o servidor responsável pela ação foi exonerado do cargo. Ele não teve o nome nem o cargo divulgados. O concreto começou a ser retirado.

Padre Júlio Lancellotti diz que passou toda a manhã no viaduto. “Eles [a prefeitura] estão incomodados porque há gente capturando imagens da ação, então mandaram tirar as escavadeiras rapidamente”, relata o pároco.

“Uma cidade que tem tanta demanda, áreas de risco, córregos abertos, falta de moradia, uma série de coisas, gastar tempo e dinheiro nisso? Fazer uma obra higienista, desumana e hostil? É cruel”, criticou.

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Redação Conti Outra, com informações de Veja SP.
Fotos: Reprodução/Instagram.

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