Benedict Cumberbatch + Olivia Colman no streaming: a comédia mais divertida do ano (até agora) pra assistir acompanhada

Tem filme que você dá play achando que vai ver só mais uma crise conjugal com piadinha ácida — e, quando percebe, já tá pausando pra comentar: “tá, mas quem tá errado aqui?”.

“Os Roses: Até Que a Morte os Separe” chegou ao Disney+ com essa proposta: colocar um casamento “bonito por fora” em situação de teste e deixar o desconforto trabalhar, com humor venenoso e pequenas crueldades do dia a dia.

O diretor Jay Roach e o roteirista Tony McNamara pegam o material do romance “The War of the Roses” (1981), de Warren Adler, que já tinha virado filme em 1989, e atualizam a briga: menos exagero cartunesco, mais implicância “de casa”, daquelas que começam numa frase atravessada e terminam em competição aberta.

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A dinâmica do casal (vivido por Benedict Cumberbatch e Olivia Colman) é apresentada logo de cara num cenário que deveria ser civilizado: sessão de terapia.

A missão parece inofensiva — listar qualidades do parceiro — até o exercício virar uma escalada de alfinetadas que constrange até quem tá ali trabalhando.

E o roteiro faz questão de mostrar que aquilo não é “acidente”: o jeito deles conversarem tem esse costume de virar ringue quando encosta no que dói.

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O passado do casal também ajuda a entender por que essa relação funciona (e falha) do jeito que funciona. Eles se conhecem na cozinha de um restaurante, quando Theo, arquiteto, foge de um jantar de negócios após ver um projeto dele ser mutilado.

Ivy, chef, não compra a autocomiseração dele — e a troca vira faísca. Daí pra frente, a história corre: casamento, filhos e um detalhe bem simbólico do “nós” que eles constroem juntos — doces inspirados nos prédios assinados por Theo.

Só que a balança muda: a carreira dele emperra e a dela dispara. Ivy estoura com um restaurante pequeno (com um nome de piada interna), enquanto Theo vai ficando mais preso à casa e às crianças — cenário perfeito pra ressentimento virar contabilidade (“eu fiz isso”, “eu abri mão daquilo”, “você só pensa em…”).

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A partir daí, o filme alterna momentos bem afiados com escolhas que nem sempre ajudam: entram vários coadjuvantes de uma vez e parte deles aparece mais como apoio de gag do que como peça importante da trama, mesmo com gente boa em cena como Andy Samberg e Kate McKinnon.

No meio disso tudo, fica claro quem ganha mais espaço pra brincar: Cumberbatch recebe mais oportunidades de variar e se sujar, enquanto Colman, mesmo ótima, às vezes parece contida pelo texto — como se o filme soubesse exatamente o que quer fazer com ele, mas nem sempre com ela.

Ainda assim, como experiência de “ver junto”, é daquelas que cutucam: não pelo barraco em si, e sim pelo jeito como o roteiro transforma pequenas cenas domésticas em munição.

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Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.